Culinária alemã: Eisbein à pururuca com a melhor uva branca do mundo (Riesling da Alsácia)

 “O bom vinho alegra o coração dos Homens.” (Salmos 104:15)

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Introdução

Olá amigos, hoje iremos adentrar na famosa culinária alemã junto com um vinho da Alsácia. Iremos degustar um prato que é o símbolo da culinária desse país: o Eisbein (Joelho de porco) à pururuca junto com a linguiça (Wurst).

Alsácia: França ou Alemanha?

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É interessante porque embora a Alsácia hoje faça parte da França, ela passou boa parte da história sendo da Alemanha. Ambas brigaram pelo seu domínio várias vezes durante a história e, hoje, os costumes germânicos como cultura e língua ainda permanecem como resquícios. No futuro teremos um vinho exclusivamente feito na Alemanha, mas vejam que não há qualquer perda de generalidade de falarmos sobre vinhos da Alemanha nos referindo à Alsácia (esta que é conhecida por produzir os melhores Rieslings do mundo).

Características da Riesling

Amigos, hoje iremos falar sobre a uva branca mais adorada pelos apreciadores de vinho do mundo: a Riesling. E, conforme faço sempre questão de frisar por aqui, essa definição de melhor do mundo é apenas para fins didáticos e por haver maior concordância entre os críticos.

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Fonte: http://www.wynefolly.com

Essa uva possui aromas deliciosos de frutas cítricas (abacaxi, laranja, limão, pêra, maçã verde, etc) misturado com o aroma de mel de abelhas conforme mostra o infográfico a seguir:

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Fonte: http://www.winefolly.com
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https://br.pinterest.com

Harmonização

Devido à sua acidez e mineralidade embalada com aromas de mel, esse vinho fica perfeito com o ícone da culinária alemã e, consequentemente, alsaciano: o Eisbein.

O Eisbein está para a culinária alemã assim como a feijoada está para a culinária brasileira. Ele é o joelho do porco, podendo ser preparado cozido, frito ou assado, dependendo do prato e servido com chucrute (repolho refogado).

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Escolha do restaurante

O Eisbein feito à pururuca e defumado é um prato muito difícil de ser feito em casa, logo iremos optar por degustá-lo num bom restaurante de São Paulo: o Bar do Alemão.

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E o vinho de escolha será um clássico da Alsácia que pode ser encontrado para a venda no site da Mistral (www.mistral.com.br): P.E. DOPFF & FILS Riesling 2013.

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Enquanto o vinho é posto para chegar na sua temperatura ideal de consumo iremos pedir um carpaccio com uma excelente cerveja de trigo brasileira: Eisenbahn.

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A beleza do vinho é estonteante!

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O eisbein vem bem servido com batatas, linguiça alemã (Wurst), chucrute, purê de ervilhas e uma cebola crocante com molho de gengibre:

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E por fim pedimos como sobremesa o ícone das sobremesas alemães: a Apfelstrudel. Essa torta folhada com lascas de maçã é um verdadeiro delírio!

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Conclusão

Desde o começo do blog eu tenho falado que minha uva branca preferida é a Pinot Grigio, mas hoje eu tive de me render à Riesling. Jamais tomei um vinho branco tão gostoso na minha vida!! E ele harmonizou de forma perfeita com o Eisbein. Quem ainda não experimentou essas delícias não sabe o que está perdendo!!

Camarão à Húngara, cerveja Deus e a champenoise brasileira Wäls

“Onde o bom vinho falta, encurta o espaço para o amor” (João Alberto Catalão)

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Introdução

Olá amigos, hoje teremos um post que sairá um pouco do modelo ortodoxo já visto desde então. Sabemos que o foco do blog é em vinhos, mas hoje teremos um post levemente diferente: vamos falar sobre cervejas champenoises. Teremos uma exemplar belga produzida em champagne e uma brasileira da cervejaria Wäls. Para acompanhar essas maravilhas vamos fazer uma receita deliciosa: camarão à húngara.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, antes de falarmos sobre o evento e os vinhos do post, faremos um breve review de algumas excelentes cervejas. A primeira delas é eleita a melhor cerveja escura do tipo stout do mundo: a guiness.

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A Guinness Draught é a cerveja stout mais consumida do mundo. É uma cerveja especial de cor negra e uma excepcional espuma densa e cremosa, que persiste durante toda experiência da degustação. Aromas e sabores de café e chocolate amargo bastante presente a tornam uma cerveja irlandesa referência do estilo stout.

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A segunda é uma brasileira muito especial. A cervejaria coruja é um exemplo de qualidade não apenas no Brasil mas no mundo todo. E esse exemplar de trigo é levemente diferente das tradicionais weizen por conter maltes defumados e um leve toque de pimenta do reino. Vale a pena experimentar.

Cervejas champagne

Afinal, é um champagne ou uma cerveja? Garrafa típica de espumante, remuage, segunda fermentação em garrafa, estágio em caves francesas, perlage etc. Assim são as características dessas bebidas. A história das cervejas Champenoise começa com a lendária DeuS, produzida pela cervejaria Bosteels – fundada em 1791, na cidade de Buggenhout, na Bélgica. A DeuS é produzida na Bélgica e depois transferida para a França (Epernay), onde passa pelo processo Champenoise, fazendo uma segunda fermentação na garrafa, passando meses em caves dos melhores espumantes franceses.

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Na mesma linha vêm as cervejas Malheur. A história cervejeira da família Malheur iniciou-se em 1839 e a cervejaria, que também fica em Buggenhout, foi construída em 1997, num prédio do século XVI onde funcionava outra cervejaria.

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As cervejas Malheur são todas Ales (alta fermentação), vivas e refermentadas na garrafa onde os fermentos continuam vivos após o engarrafamento, possibilitando que seus sabores evoluam com o tempo. Além disso, são produzidas utilizando-se flores de lúpulo in natura. Foi o mestre-cervejeiro da Malheur, Luc Verhaeghen, quem desenvolveu em 2001 essa técnica a partir de várias visitas à região de Champagne, onde estudou os métodos de produção e, principalmente, de condicionamento de garrafas lá utilizados. Inicialmente, suas tentativas foram recebidas com ceticismo, mas, depois, receberam uma grande ajuda do Epernay Oenologique Institut, que forneceu o fermento e viabilizou a aquisição dos grandes pallets giratórios que completam trinta e seis movimentos em sete dias. Mas sem sombra de dúvida foi a DeuS quem conseguiu popularizar o estilo no mundo todo inclusive recebendo diversos prêmios:

  • Medalha de prata na World Beer Cup nos Estados Unidos em 2002
  • Prêmio de “Beer of the Year” nos Estados Unidos em 2003 pela Malt Advocate Magazine
  • Prêmio de “Best of New Beer” nos Estados Unidos em 2003 pela Celebrator Magazine
  • Prêmio de “Biere d innovation de l annee “ na França em 2003 pela Bière Magasine
  • Medalha de Prata na Brewing Industry International Awards em Londres em 2004

Essa Belgian Strong Ale passa pelo método champenoise, ganhando uma similaridade com o champagne. A cerveja Deus tem um gosto leve, mas que esconde seu nível elevado de graduação alcoólica: 11,5%. Aroma complexo, com maçã, hortelã, gengibre, malte, lúpulo e cravo-da-índia. Sabor refrescante com final seco e adstringente. E hoje nós estamos tendo a oportunidade de degustá-la aqui no nosso blog graças à minha esposa Aline que me deu uma de presente de aniversário. Infelizmente essa é uma bebida que não é possível tomarmos com frequência devido ao seu alto preço (custa o mesmo que uma garrafa de champagne no Brasil R$250-300).

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Também iremos degustar aqui uma champenoise brasileira que eu pude comprar na minha última viagem à Belo Horizonte quando visitei a melhor cervejaria do país: a Wäls.

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Harmonização

Não podemos degustar bebidas de peso sem um prato à altura, logo nossa escolha será pelo famoso camarão à Húngara. Para começar a fazê-lo, tomemos cerca de 1kg de camarão:

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E vamos temperá-los com o sumo de 2 limões:

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2 colheres de sopa de páprica doce e 1 de páprica picante (cuidado pois ela é muito apimentada)

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Azeite, pimenta do reino branca e sal a gosto:

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Depois deixamos o camarão descansar por cerca de meia hora:

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Enquanto isso vamos cozinhar as batatas. Tomemos 1kg de batata Asterix:

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Vamos descascá-las e cortá-las em rodelas:

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Vamos colocar água e sal em uma panela e aguardar o momento de fervura. Após ele começar a acontecer vamos colocar as batatas e cozê-las de forma que elas apenas fiquem levemente cozidas (10 minutos) para que elas não se desfaçam.

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Depois iremos secá-las e separá-las:

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Passemos então os camarões para a frigideira com manteiga, azeite e alho:

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É interessante não cozinhá-los por muito tempo, a idéia é só selá-los já que depois irão ao forno.

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Depois da selagem, vamos acrescentar cerca de 2 colheres de farinha de trigo:

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Adicionamos 800g de creme de leite:

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Por fim vamos acrescentar o açafrão:

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E as batatas:

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Depois colocaremos numa tigela refratária para levarmos ao forno a 200 graus Celsius:

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Um pouco mais de páprica antes:

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O tempo de cozimento leva cerca de 30 minutos. Enquanto isso faremos o arroz na panela de pressão elétrica:

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Usaremos dois copinhos cheios de arroz:

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Vamos refogar azeite, alho e cebola picada junto com o arroz:

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Após vamos acrescentar cerca de 3 copinhos de água, um sachê de sazon e cozinharemos na pressão por cerca de 12 minutos.

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Logo após a comida estará pronta para a degustação:

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Degustamos também uma cerveja dinamarquesa espetacular: Hertog Jan Tripel. Ela possui uma das garrafas mais bonitas que eu já vi numa cerveja: ela é feita toda de cerâmica.

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Conclusão

A noite foi maravilhosa com uma excelente companhia: Aline. Sobre as cervejas a nota é 10. Sei que é muito caro comprar uma DeuS aqui no Brasil, mas ela é do tipo que necessita ser degustada ao menos uma vez na vida. Obrigado pelo presente de aniversário querida.

Vinhos do Líbano, Comida árabe e o pinotage da África do Sul

“A melhor maneira de introduzir amigos ao mundo do vinho é abrir garrafas melhores do que eles estão acostumados, mas só falar de suas virtudes caso lhe seja perguntado.” (Jancis Robinson)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post nos remeterá ao início da cultura vinícola do mundo: o Líbano. Teremos alguns vinhos de diferentes regiões do mundo também como a África do Sul, a Itália, a Argentina, etc. Este é o terceiro encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o segundo encontro, basta clicar aqui.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, antes de falarmos sobre o evento e os vinhos do post, faremos um breve review de algumas excelentes cervejas. A primeira delas é uma excelente cerveja de trigo russa: a Baltika número 8. Ela é produzida na cidade histórica de São Petersburgo.

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Apresenta espuma densa e generosa, suave aroma frutado com toques picantes e suave adocicado.

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Essa segunda eu me arrisco a dizer que é a cerveja mais icônica do mundo, pois foi a receita que originou todas as outras cervejas do tipo Pilsen do mundo. Para quem gosta de cerveja, o conhecimento desta é obrigatório. Possui um amargor bem característico e lembra de longe a cerveja Heineken.

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Embora já tenha comentado sobre a weihenstephaner num post anterior e sobre a sua importância por ser a cervejaria mais antiga do mundo ainda em atividade, hoje eu trago a cerveja que recebe mais títulos no mundo como a melhor em seu estilo weizenbock: a Vitus. Vale a pena conferir.

Início do evento

Amigos, hoje estamos na casa do Daniel e da Cláudia, a qual, por ser descendente de Libaneses fez um banquete árabe maravilhoso:

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Kibe com coalhada, homus, etc.

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A Cláudia também possui um blog muito legal chamado moda no trabalho. Vou deixar o link para ele aqui:

http://modanotrabalho.com.br/

Para acompanhar essas delícias temos uma seleção de peso de vinhos:

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Como o evento é temático, trouxemos alguns vinhos do Líbano. Apesar de serem pouco conhecidos mundialmente, eles possuem grande qualidade e seguem a linha francesa desde que algumas das vinícolas famosas foram plantadas por monges franceses. O Líbano possui três grandes casas produtoras de vinho: o Chateau Musar, o Chateau Ksara e o Chateau Kefraya.

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Além dos vinhos do Líbano temos alguns bons exemplos como um bom Pinotage da África do Sul. Quem nunca tomou um vinho dessa uva com certeza vai perceber a diferença deles para os outros na primeira degustação. A variedade Pinotage foi criada em 1925, por Abraham Izak Perold (1880 – 1941), sul-africano descente de franceses, PhD em química, e fluente em 8 idiomas. O nome deriva da uva Pinot Noir mais a uva Cinsault (que quando chegou a África do Sul recebeu o nome de Hermitage). É uma uva singular porque combina com quase tudo, vale a pena experimentar.

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https://capreo.com
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https://winefolly.com

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Um dos amigos escolheu um vinho rosé francês do mediterrâneo 100% grenache:

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E um Rosé Italiano do tipo Pinot Grigio:

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E finalmente tivemos também um dos Malbec mais conhecidos no mundo: o Norton.

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Para começar nossa degustação iniciaremos com um grande clássico do mundo dos vinhos como já falei anteriormente que essa é minha uva branca favorita: Pinot Grigio.

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Um detalhe para a toalha da mesa que também possui origem libanesa:

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Comecemos então com esse Francês bem fresco e levemente adocicado.

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Mas nem se comparou com esse tinto do Líbano: um espetáculo de vinho. A sensação que eu tive era que eu estava tomando um Grand Vin de Bordeaux. Se me colocassem uma venda nos olhos com certeza diria que era um legítimo Bordeaux. Nota 10.

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Depois seguimos também com o outro tinto do Líbano. Também é um grande vinho porém com uma qualidade um pouco menor do que o anterior!

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Provamos o Norton também:

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Já o Pinotage também ganhou posição de destaque nessa festa, um grande vinho!!!

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Mais uma vez o Líbano ganhou meu respeito como produtor de vinhos. Tomar vinhos de lá é como tomar vinhos franceses!!

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E por último temos o italiano rosé muito suave e agradável:

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Provamos também uma vodca polonesa maravilhosa que o Daniel trouxe da sua última viagem à Polônia:

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Dessert

Após os pratos maravilhosos temos ainda doces genuinamente árabes:

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Conclusão

Daniel, Cláudia, familiares e amigos da Confraria, foi um prazer muito grande esses momentos com vocês! E para nossos queridos leitores recomendo com empenho os vinhos do Líbano e o Pinotage da África do Sul, sem esquecer dos outros vinhos mostrados no post. Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

Coquilles-saint-jacques, estrela francesa e um bom vinho chileno

“Diz-se «in vino veritas», mas diz-se também que a verdade está no fundo de um poço; logo é um poço cheio de vinho.” Raymond-Claude-Ferdinand Aron

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Introdução

Amigos, hoje o post será breve, pois falaremos rapidamente sobre uma das maiores iguarias francesas e uma das coisas mais gostosas que já comi na vida: o coquilles-saint-jacques.

Cervejas

Antes de falarmos sobre o prato principal, vamos falar sobre algumas excelentes cervejas. A primeira delas é uma witbier muito saborosa: a Hoegaarden.

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A semente de coentro e a casca de laranja encontram-se muito bem harmonizados nessa cerveja, quem não provou vale a pena provar.

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Essa segunda weissbier é bastante famosa por ser produzida pela cervejaria mais antiga do mundo que ainda encontra-se em atividade: a Weihenstephaner. Weihenstephan é uma cervejaria e uma marca de cerveja da região alemã da Baviera. É considerada a cerveja mais antiga do mundo (artesanal ou industrial), sendo vendida desde 1040 e fabricada desde os anos 800.

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Essa terceira é bastante diferente das outras e confesso que não foi muito de meu apreço. Acredito que eles erraram na mão na quantidade de casca de laranja que ela possui. Mas não deixa de ser uma boa cerveja.

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No Brasil esse molusco é muito raro de se encontrar até mesmo em casas mais especializadas. Aqui ele é vendido com o nome de vieira:

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Coquilles Saint Jacques, em peixaria. Foto de David Jones no Flickr

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Ele é um prato famosíssimo na França principalmente no inverno.

Bravo Bistrô

Amigos, quero deixar aqui registrado uma excelente opção de bistrô em São Paulo. Confesso que me surpreendi muito positivamente com o lugar. Bem aconchegante e com excelente atendimento. Fica localizado na Mooca.

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Abaixo segue-se o link para o site deles:

http://bravobistro.com.br/

Como escolha de vinho para acompanhar as vieiras escolheremos um clássico: Brisa Chardonnay Vistamar.

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E para acompanhar uma boa massa de frutos do mar vamos de um rosé italiano bem fresco:

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Para entrada escolhemos umas bruschettas deliciosas:

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E como prato principal escolhi as vieiras:

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Minha esposa escolheu o Tagliatelli ao Frutos do Mar

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Conclusão

Com certeza esse foi um dos pratos mais gostosos que eu já comi na vida. Recomendo com empenho o bistrô!!

Culinária Mineira com a melhor cachaça do mundo e com uma boa cerveja e vinho mineiros

“Uma taça de vinho vale mais que todas as riquezas da terra.” Gustav Mahler

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Introdução

Amigos, conforme venho falando desde o princípio, o maior orgulho do nosso blog é o fato de falarmos não apenas de regiões famosas como Bordeaux ou o Napa Valley, mas vamos também aos confins da terra (gancho esse que irei usar pois estamos em Belo Horizonte e o aeroporto chama-se confins). Falaremos hoje sobre um dos melhores restaurantes de comida típica mineira e também da nossa visita à melhor cervejaria do Brasil: Wäls. Meu objetivo nesse post é mostrar que Minas Gerais não apenas é conhecida pelo seu belo e simpático povo, mas é uma referência em culinária e bebida.

Cervejaria Wäls

É uma alegria grande poder visitar essa que foi eleita a melhor cervejaria do Brasil e está localizada em BH. Abaixo seguem-se fotos:

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E em baixo a foto das cervejas que iremos degustar:

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A Wäls Dubbel recebeu o prêmio de melhor cerveja do mundo na categoria dubbel:

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A Wäls petroleum é uma receita que a Wäls comprou da cervejaria Dum, tamanha é sua qualidade:

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Mas talvez a mais icônica de todas seja a Alambique County. Cerveja produzida através de uma parceria entre a Cervejaria Wäls e a Goose Island. Black Trippel com Bananas Passas e Castanha de Baru (típica do cerrado Mineiro) e maturada por 5 meses em barris de carvalho que antes foram utilizados para maturar cachaça mineira.

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Restaurante Xapuri

Quem visita BH e não visita o restaurante Xapuri não pode dizer que conheceu a culinária verdadeiramente mineira. O restaurante é um espetáculo e bem típico com a comida feita em forno a lenha. Ele fica localizado numa área nobre da cidade: a Pampulha.

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De entrada pedimos um torresmo com uma excelente cerveja de trigo mineira que eu tive o prazer de conhecer: Backer. Pedimos também uma dose da lendária Vale Verde 12 anos. A única cachaça capaz de derrotar a Anísio Santiago vista no post anterior. Ela sempre permaneceu incólume e intocável até a chegada da Vale Verde 12 anos. Vale a pena conferir!!!

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Como prato principal pedimos uma costelinha de porco com feijão tropeiro e aipim:

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A minha surpresa maior não foi a alta qualidade da comida, mas descobrir que existem vinhos bons feitos em Minas. É lógico que ainda não dá pra comparar ele com um Bordeaux, mas é muito bom. Vale a pena conferir!

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Quero deixar abaixo um link para curiosidades sobre esses vinhos de Minas Gerais com reviews feitos por sommeliers famosos. Vale a pena conhecer:

http://www.otempo.com.br/gastro/as-vinhas-de-minas-em-evolu%C3%A7%C3%A3o-1.925416

Tive a oportunidade de tirar uma foto com a cozinheira e proprietária do estabelecimento:

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Conclusão

Adorei ter conhecido Minas Gerais, sua culinária, costumes, seu povo e, sobretudo, seus vinhos. Adoro saber que posso tomar vinhos do Brasil e saber que eles possuem qualidade e um futuro de muito sucesso.

Don Melchor, o melhor vinho chileno e a churrascaria Vento Haragano

“Nunca fiz amigos bebendo leite, por isso bebo vinho.” Silas Sequetin

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Introdução

Amigos, hoje o post será o cumprimento de uma promessa que eu fiz num post anterior sobre poder degustar o melhor vinho do Chile e, sem perda de generalidade, o melhor Cabernet-Sauvignon do mundo. Já falei várias vezes que essa denominação de o melhor do mundo é relativa mas, em questão de Qualidade, o Don Melchor é praticamente imbatível. Quero agradecer ao meu pai por ter feito a gentileza de ter trazido esse vinho lá da Concha Y Toro para mim e ao meu amigo Rafael Campos por ter trazido de Cuba um presente muito especial para mim: um charuto cubano Cohiba.

Vinhos de escolha: Don Melchor 2013 e Marquês de Casa Concha Cabernet Sauvignon

O Don Melchor é um vinho muito difícil de ser consumido aqui no Brasil devido ao seu alto preço. No post do Spettus Boa Viagem eu falei que, no restaurante, ele estava sendo vendido por R$800. Pela Internet é possível encontrá-lo por cerca de R$600. Já na Concha Y Toro ele custa R$300. Ou seja, se você tiver vontade de degustá-lo, não o compre no Brasil. Meu pai me deu esse presente maravilhoso.

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Abaixo temos uma lista de premiações que ele recebeu:

  • Don Melchor 2008: 94 pontos. Wine Spectator Octubre 2012.
  • Wine Spectator: 94 pontos (2011).
  • Robert Parker 95 pontos (2010).
  • Wine Spectator: 95 pontos (2010)
  • Top 10 vinhos de 2014 = Nono Lugar!
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Fonte:http://www.conchaytoro.com

No aplicativo do vivino ele recebe a oitava colocação como o melhor vinho do mundo. Don Melchor é a expressão máxima da uva Cabernet Sauvignon no Chile! Estamos diante de uma lenda viva. Abaixo eu vou deixar uma entrevista muito bacana no youtube com o enólogo responsável por este vinho tão maravilhoso. Nela pode-se ver a plantação das uvas e o Enrique Tirado explica como é possível termos um vinho dessa qualidade. Vale a pena conferir:

https://www.youtube.com/watch?v=4jqmODTcXks

Para degustarmos um vinho dessa qualidade precisamos também de um lugar à altura: churrascaria Vento Haragano. Eleita como uma das melhores de São Paulo e do Brasil.

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Outro ponto que eu considero o mais importante é saber se realmente há uma diferença concreta e real entre um vinho considerado premium e um top como esse. Por isso vamos comparar o Don Melchor com o vinho o qual eu o considero o melhor custo benefício no Brasil: o Marquês de Casa Concha Cabernet Sauvignon. Já degustamos esse vinho no post da lagosta e caviar.

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Tomemos então nossos vinhos e partamos para o restaurante.

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Chegada ao restaurante e harmonizações

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O Vento Haragano fica localizado na avenida Rebouças. É muito legal ir ao estabelecimento pois o clima é realmente do Rio Grande do Sul: pessoas bonitas e todos os atendentes, garçons, recepcionistas e gerentes vestidos a caráter (com a pilcha gaúcha). Parece que estamos indo para um fandango de alto nível!

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A recepção e o atendimento do restaurante é bem acima da média. Os dois sommeliers da noite Alcyr e Tiago muito profissionais e competentes nos deram muitas dicas de valor que agregou bastante.

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Primeiro o Don Melchor:

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Depois o Marquês de Casa Concha (após tomar água):

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Uma comparação entre os dois juntos: o da direita é o Don Melchor

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A diferença entre eles é clara e perceptível. Não chega a ser um absurdo mas percebe-se realmente a superioridade de um para com o outro. Enquanto no Marquês de Casa Concha há a presença clara de frutas negras e vermelhas como amoras, cerejas e ameixas, no Don Melchor esses aromas se acentuam parecendo uma compota de frutas. É fantástico poder ver essa diferença tão clara. A acidez presente no Marquês de Casa Concha se suaviza no Don Melchor. Ela perde um pouco a “aspereza”. Outro ponto fantástico é que eu pude entender na prática o que significa taninos redondos. No Don Melchor os taninos são muito suaves e o vinho desce como uma pomada (como dizem os portugueses), já no Marquês de Casa Concha percebe-se que eles ainda encontram-se rústicos e eles “agridem” mais a boca. Maravilhosa Experiência.

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Todas as carnes da casa são fantásticas, mas a costela premium é a mais gostosa que eu já comi na vida.

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A fraldinha (vazio) deles também é espetacular:

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A paleta de cordeiro:

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O assado de tira

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A alcatra

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Carré de Cordeiro

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Tambaqui

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Picanha perfeita

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Paralelamente a isso o Alcyr me convidou para conhecer a adega da casa e me mostrou rótulos realmente lendários custando mais de R$15 mil reais (Romanée Conti, Petrus, etc).

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Esse custa mais de R$10 mil:

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Aqui é o lendário Vega Sicília Espanhol, custando pouco mais de R$16 mil

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O lendário Château Mouton-Rothschild custando R$17 mil

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Mas talvez a maior preciosidade da casa seja esse aqui trazido pelo Papa ao Brasil. Um dos vinhos mais raros do mundo.

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Para terminar o jantar vamos repetir a dose do Spettus Boa Viagem: Baileys Frappe

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Charuto Cohiba com Cognac Francês

Amigos, a noite foi maravilhosa, porém ainda não tinha terminado ali. Ao chegar em casa vou experimentar o melhor charuto do mundo que meu amigo Rafael Campos trouxe como um presente de sua última viagem a Cuba. E nada mais perfeito para harmonizar do que um legítimo Cognac francês.

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Conclusão

O Vento Haragano é um excelente restaurante que possui as melhores carnes que eu já comi na vida. O atendimento também é sensacional, recomendo com empenho. Possuo apenas três críticas: o preço é muito acima da média, o buffet não é muito variado e ele não possui carnes nobres como faisão ou avestruz. Tirando esses três pontos o restaurante merece nota 10, vale a pena conhecer. Sobre o vinho Don Melchor foi uma experiência maravilhosa porém não a repetiria pois a diferença entre ele e o Marquês de Casa Concha não chega a ser suficiente para pagar 7 ou 8 vezes mais nele. Recomendo porém tomar uma única vez na vida para conhecer essa lenda.

 

Paella de Frutos do Mar com Albariño, Sauvignon Blanc Gran Reserva, Castello D’Alba Vinhas Velhas e Paralelo 8

“O vinho lava nossas inquietações, enxuga a alma até o fundo, e , entre outras coisas, garante a cura da tristeza.” Sêneca

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Introdução

Olá amigos, hoje é um post especial porque estamos comemorando o aniversário da minha esposa Aline e vamos degustar um dos nossos pratos preferidos: a paella de frutos do mar junto com o vinho de perfeita harmonização (uva Albariño) conforme prometido no post anterior. Também teremos algumas cervejas e vinhos perfeitos. Agradecemos aqui a minha tia Sônia por ter preparado essa receita tão maravilhosa.

Apéritif

Continuando com o costume do nosso blog, começaremos falando sobre 3 cervejas muito gostosas e recomendadas: delirium nocturnum, a paulaner oktoberfest bier e uma das minhas cervejas de trigo preferidas: karavelle.

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Esta excelente Belgian Strong Dark Ale é produzida com 3 tipos de levedura e 5 tipos de malte que fazem com que a Delirium Nocturnum tenha um sabor complexo com notas de frutas passas e chocolate além de um aroma adocicado. De cor escura, triplamente fermentada e bem encorpada, é a companhia ideal para o inverno.

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Esta é a cerveja mais famosa que é consumida durante a Oktoberfest da capital Bávara (Munich), que acontece desde o ano de 1810. De coloração amarelo forte com uma ótima formação de espuma de boa duração. É uma cerveja transparente de brilho intenso. No nariz, os aromas do malte lembram biscoito e cereais matinais, seguido do leve floral do lúpulo. A cerveja possui o dulçor dos maltes ao mesmo tempo que o amargor do lúpulo.

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Essa terceira figura entre as cervejas de trigo mais saborosas na minha opinião. Muito encorpada e gosto extremamente agradável. Cerveja paulista que não deixa a desejar para nenhuma outra europeia. Recomendo com empenho!!

Harmonização com a paella de frutos do mar

A paella é um prato bem típico que surgiu na Espanha, nos séculos XV e XVI, na região de Valência, mais especificamente na região de Albufera, região de grandes arrozais e de grande produção de verduras frescas.

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Originalmente um prato popular, foi criada pelos camponeses que partiam para o campo com a paellera ou paella, arroz, azeite e sal e agregavam ingredientes da caça, legumes da estação e as sobras que possuíam. O tomate só foi acrescentado posteriormente, trazido da América por Cristóvão Colombo, e o frango, que era muito caro para os padrões da época. Com a difusão da paella pela costa, foram acrescentados frutos do mar: choco, camarões, lulas, lagostins, amêijoas (vôngole), mexilhões, e polvo, tornando-o um prato misto (terra e mar). Em suas diferentes variações, encontram-se ainda as “paellas marineras” (peixe e frutos do mar) e a “paella negra”, com tinta de lula. No Brasil, normalmente é feita com frutos do mar.

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Vamos começar a fazer a paella usando um molho específico de peixe que pode ser comprado pronto ou pode ser feito em casa somente com o uso das cabeças do peixe e temperadas com sal, pimenta, etc. O fumê de peixe será usado ao invés da água para cozinhá-la:

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As cabeças e cascas dos camarões serão colocadas ao fogo com azeite tomando cuidado para que o molho não chegue ao fervor. Depois essa marinada pode ser utilizada.

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Aproximadamente 2 cebolas picadas:

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O azeite ideal para usarmos é um que é próprio para cozinhar:

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Continuaremos a refogar a cebola junto agora com dois pimentões: 1 amarelo e 1 vermelho. Sugestão: Caso você não goste muito de comer o pimentão a idéia é cortá-lo em fatias grandes como faremos aqui.

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O arroz a ser utilizado é aquele próprio para risotos:

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Refogamo-lo junto com os pimentões e a cebola:

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Acrescentamos então sal e pimenta do reino branca:

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Depois adicionamos o açafrão:

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Agora vamos adicionar o caldo do peixe e deixá-la cozinhar um pouco:

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Após isso iremos adicionar os frutos do mar que já estavam marinando com limão siciliano, cachaça e azeite: Polvo, Lula, Mexilhão e Camarão.

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Depois de um tempo cozinhando iremos adicionar as vagens de ervilha e o camarão gigante:

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Depois de um tempo cozinhando no fogo a paella estará pronta:

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Conforme falei na apresentação do nosso post, o vinho que serve de forma perfeita para a harmonização com essa paella são os feitos com a casta albariño, que é a uva Alvarinho do post anterior produzida no terroir espanhol. Conforme falamos anteriormente, os vinhos produzidos com essa uva são bem minerais e possuem um nível de acidez acima da média.

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O segundo vinho para a harmonização será um dos tops em qualidade da concha y toro: Sauvignon Blanc Gran Reserva. Esse é um vinho branco porém amadeirado que passa o tempo máximo possível em barricas de carvalho.

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Após a paella teremos uma verdadeira obra prima de Portugal: Castello D’alba Vinhas Velhas. Uma vinha velha pode ter 80 ou 100 anos no Douro e 50 no Alentejo – não há fronteiras temporais rígidas, porém o resultado é uma produção pequena de uvas com concentração, profundidade e equilíbrio. Com uma enologia consciente, os resultados no copo chegam a ser comoventes. Poder degustar um vinho desse porte é um verdadeiro sonho estando no Brasil pois nem pela internet consegui encontrar esse vinho!!

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Esse vinho passa 18 meses em barricas de carvalho francês e o resultado é um vinho altamente frutado com aromas claros de frutas negras e vermelhas.

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O segundo vinho tinto é um verdadeiro orgulho para o Brasil e para o Vale do São Francisco. Já tivemos um post sobre um bom vinho da vinícola Rio Sol aqui no blog onde eu também prometi que ia fazer um review sobre o top deles: o paralelo 8. Esse que foi eleito o terceiro melhor vinho do Brasil.

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Vinho que lembra bem o Alentejo. Para finalizar tivemos também o vinho que já nos foi apresentado no post anterior: o redwood creek pinot noir. Um vinho famosíssimo nos Estados Unidos.

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Conclusão

Acho que o ponto que mais frisamos aqui no blog é o fato da comida ser ligada à bebida e vice e versa. Harmonizar uma boa comida com a bebida correta pode obter prazeres inimagináveis e assim foi com nossa paella. Mais uma vez parabéns minha querida Aline.

Paleta de cordeiro com batatas aos murros, vinhos do douro e pinot noir californiano com queijo Serra da Estrela

“O vinho é o mais notável de todos os remédios; onde falta o vinho, os remédios se fazem necessários”. Livros do Talmud (500-400 a.C.)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será muito especial devido ao fato de que iremos desbravar o mundo português tanto da culinária quanto dos vinhos. Iremos falar sobre o queijo mais gostoso que eu já comi na vida e de mais assuntos afins como um excelente pinot noir da Califórnia. Para facilitar o entendimento, abaixo temos a foto do mapa de Portugal com suas regiões vínicas:

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Apéritif

De modo a não perdermos o costume do nosso blog, começaremos falando sobre 3 cervejas muito gostosas e recomendadas: goose island honkers ale, a hofbräu e a eisenbahn weizenbier.

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Essa, junto com a delirium tremens, é uma cerveja altamente agradável e fácil de tomar. Muito encorpada e dotada de aromas extremamente frutados. Excelente standard bitter.

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Essa é o tipo de cerveja que dispensa apresentações. Refrescante, levemente amarga e picante, ela apresenta baixa fermentação e é produzida de acordo com a Lei de Pureza de 1516. A cervejaria Hofbräu pertence à prefeitura de Munique e, nos seus mais de 400 anos de existência, sempre foi a cerveja oficial da Corte Real Bávara. Ela também possui, no coração de Munique, a maior choperia do mundo – o Hofbräuhaus – que recebe 1,2 milhões de visitantes por ano e onde são servidos aproximadamente 5.000 litros de chope por dia.

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Essa terceira é um exemplo de que é possível no Brasil comprar cervejas baratas (aproximadamente R$7 a long neck) com uma qualidade considerável.

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Nossa primeira degustação começará com um vinho feito com uma das uvas brancas mais icônicas de Portugal: a Alvarinho, a qual é prima direta da Albariño Espanhola que é responsável pela perfeita combinação com a paella de frutos do mar (post em breve).

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Essa uva produz um vinho com um aroma muito fino porém austero e elegante com notas cítricas e minerais com pouca fruta. Bom nível de acidez e frescor. Já o segundo vinho é um corte clássico do douro: Malsavia Fina, Gouveio e Rabigato.

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Esse é um vinho que também possui notas minerais e florais porém, ao contrário do anterior, é bem frutado e apresenta aromas claros de frutos brancos como pêra e maçã.

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Queijo Serra da Estrela

Como primeira degustação iremos provar um queijo português cremoso de cabra conhecido como Queijo Serra da Estrela. Ele recebe esse epíteto porque são produzidos nos arredores da Serra da Estrela. Ganhador de diversos títulos é, de longe, o queijo mais gostoso que já provei na vida.

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O queijo harmonizou de forma perfeita com o vinho da casta Alvarinho.

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Todo o momento também foi embalado pela trilha sonora da fadista mais conhecida de Portugal da atualidade: Carminho.

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Caso alguém queira o link para o cd dela no youtube vou deixar aqui em baixo:

https://www.youtube.com/watch?v=u8NkR2csotg&t=775s

A segunda entrada também foi perfeita: Pêra ao vinho com molho de queijo Gorgonzola:

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Apesar dele ter harmonizado com o vinho Quinta da Pedra Alta, ele ficou ainda melhor com um vinho do Porto:

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Harmonização com a paleta de cordeiro com batatas aos murros

É realmente muito difícil ganhar de uma boa carne de cordeiro. E melhor do que ela é ela mais um bom vinho do Douro:

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O Encostas do Tua 2012 é um vinho excelente possuidor de aromas frutais e taninos bem redondos. Na boca podemos perceber a presença de especiarias também.

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Outro vinho que participou da degustação também foi o Redwood Creek Pinot Noir da Califórnia. Ele é um vinho muito agradável e parecido com o búlgaro da Soli do post anterior.

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Dessert et Digestif

Após os pratos maravilhosos temos ainda alguns doces genuinamente portugueses: O pastel de nata ou de Belém e o pastel santa clara. Ambos obtidos na casa rancho português.

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E para completar a degustação teremos um dos melhores vinhos do porto da atualidade: Sandeman Late Bottled Vintage.

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Ele é um tipo de vinho do porto especial porque leva mais tempo envelhecendo e apurando do que os vinhos do porto tradicionais.

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Conclusão

Depois dessa experiência passei a entender que Portugal e sua cultura devem ser um sonho pois tudo parece muito surreal!

Boeuf Bourguignon, a melhor cerveja do mundo e a lenda do vinho Hermitage

“Ouço dizer que os amantes do vinho serão danados no inferno. Não é verdade, mas há mentiras evidentes. Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno, o paraíso deve estar vazio.” Omar Khayyâm

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Introdução

Olá amigos, hoje daremos continuidade à nossa série sobre os vinhos franceses com um prato que esplende toda a glória da culinária francesa: o Boeuf Bourguignon. Não apenas isso, mas todos poderão ver que esse post será duplamente lendário: teremos a melhor cerveja do mundo: Westvleteren 12 junto com o perfeito Syrah Crozes-Hermitage. A escolha dos dois dar-se-á pela perfeita combinação com o prato em questão.

Westvleteren 12: A melhor cerveja do mundo

De modo semelhante ao qual me expressei nos posts anteriores (o do melhor uísque do mundo e o da melhor cachaça do mundo), gostaria de mais uma vez reforçar o fato de que esses títulos não são unânimes entre todos os bons degustadores do mundo. Mas no caso dessa cerveja, nenhuma outra consegue vencer tantos campeonatos de “melhor do mundo”.

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Parte da aura em torno dessas garrafinhas com 330 ml se deve à dificuldade de conseguir uma, principalmente se você não tem planos de ir à Bélgica tão cedo. Os monges exportam a bebida que produzem em ocasiões extremamente pontuais em que precisem de um dinheiro extra. Em 2012 eles exportaram alguns exemplares para os EUA porque o objetivo dos religiosos era usar o dinheiro na reforma da abadia.

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O munícipio de Vleteren, localizado na província de Flandres Oriental, Bélgica, a 150 quilômetros de Bruxelas, possui menos de 5 mil habitantes. Destes, cerca de 30 são monges e pertencem à Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância, uma congregação religiosa da Igreja Católica também conhecida como Ordem Trapista, e vivem na Abadia de St. Sixtus de Westvleteren (vide foto da entrada acima). O que faz estes monges, e por consequência Vleteren, famosos mundialmente, é a produção das cervejas Westvleteren Blond, uma Belgian Specialty Ale com 5,8% de álcool, Westvleteren Extra 8, Belgian Dark Strong Ale com 8% de álcool, e Westvleteren 12, Belgian Quadrupel com 10,2% de álcool. Das sete abadias com certificados para a fabricação de cervejas trapistas no mundo, o mosteiro de Westvleteren é o único que não exporta nem comercializa suas bebidas fora da região. Eliminando custos, as garrafas não têm rótulo. Apesar disso, eles não pretendem aumentar a produção, que é trabalho de apenas dez dos trinta beneditinos que vivem no monastério. A produção destas cervejas é bastante limitada, visto que sua venda não visa lucro, mas apenas o sustento da abadia. Todo o valor que é arrecadado além do necessário para o sustento da abadia é doado. Para comprá-las, é preciso ligar diretamente para o mosteiro, informar a placa de seu carro e marcar um horário para a retirada. Após a compra é necessário aguardar 60 dias para novo agendamento.

Gostaria de deixar o link para um excelente review dela feito no youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=C_IjMXVQqgw

A lenda do Hermitage

Ao lembrarmos da França como referência no mundo vitícola, não é possível olvidarmos dos vinhos produzidos na região do Hermitage. Eles são os tintos produzidos com a uva Syrah mais famosos do mundo!

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De acordo com a lenda, o cavaleiro Gaspard de Stérimberg retornou ferido para casa em 1224 vindo da cruzada Albigense e recebeu permissão da Rainha da França para construir um pequeno refúgio para se recuperar, onde ele viveu como um eremita (ermit em francês). A capela do topo foi construída em honra a São Cristóvão e hoje pertence ao negociante Paul Jaboulet Âiné. Os vinhos dessa região começaram a tornar-se famosos depois que Luís XIII tornou-os como os vinhos oficiais da corte depois que ele provou um cálice deles quando passava em visita à região em 1642.

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A partir daí, vários reis no mundo todo tiveram acesso a esses vinhos fantásticos dando origem assim à lenda do Hermitage.

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E hoje teremos a oportunidade de degustar essa lenda com esse vinho de escolha: Les Meysonniers Crozes-Hermitage 2011.

Harmonização

Conforme falamos no começo, o prato de escolha para a degustação dessas duas raridades será o Boeuf Bourguignon, que é o equivalente de carne bovina do Coq au Vin visto no post anterior.

De início iremos separar cerca de 1,5kg de patinho em cubos:

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1 ou 2 cenouras cortadas em rodelas:

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Algumas folhas de Louro e uma cebola cortada ao meio:

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Agora vamos usar uma boa garrafa de vinho. Na receita original usa-se um da Borgonha, mas qualquer um cai bem na receita.

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Depois fechamos com papel filme e deixamos marinar na geladeira por cerca de 24 horas:

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Enquanto isso iremos degustar 3 grandes cervejas:

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Essa é uma belga muito saborosa que é conhecida no Brasil de maneira afetiva como a cerveja do elefantinho rosa. Essa é uma das cervejas alvo do conhecimento de todo bom degustador.

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A segunda também é um clássico: St. Bernadus Wit. Confesso que não era grande fã do estilo Witbier até conhecer essa obra prima. Recomendo com empenho!!

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A terceira possui um nome no mínimo curioso: Duvel (que em idioma flamenco significa diabo). Segundo a cervejaria, foi um amigo do dono que descreveu a cerveja como um verdadeiro diabo (“nen echten Duvel”, que em português significa algo como “que diabo de cerveja”), isto porque sua graduação alcoólica era extremamente alta, aproximadamente 8.5%.

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No outro dia pela manhã iremos espetar alguns cravos nas cebolas antes de retorná-las ao caldo:

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Depois das 24 horas iremos coar o caldo:

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E separar a carne da cenoura:

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E iremos “selar” com azeite os cubos de carne antes do seu uso:

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Depois, usando o mesmo azeite usado para selar a carne vamos dourar cerca de 300g de bacon bem picadinho:

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Depois juntamos a cenoura e a carne e usaremos duas colheres de sopa de farinha de trigo para engrossar um pouco o caldo:

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Logo após trazemos de volta o caldo coado:

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Acrescentamos cheiro verde (salsa e cebolinha picados), sal e pimenta do reino e deixamos cozinhar por cerca de 2 horas e meia (ou até a carne ficar macia):

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Enquanto isso degustaremos mais uma cerveja clássica do estilo trapista (feita em mosteiros):

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E vamos em paralelo preparar os champignons e as cebolas para acrescentar ao caldo depois das 2 horas e meia de cozimento. No caso dos Champignons tiramos os talos e cortamos eles em 4 pedaços:

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Depois disso levamo-los à frigideira para dourá-los com manteiga e temperamo-los com sal e pimenta do reino:

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Separamos os cogumelos e procedemos com as cebolas caramelizadas:

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Acrescentamos 2 colheres de sopa de açúcar depois de havermos dourado as cebolas:

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Vinagre Balsâmico a gosto:

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Depois de prontos as cebolas e os champignons e a carne ter ficado macia, acrescentamos todos juntos ao caldo, acertamos o sal e a pimenta e deixamos cozinhar por mais ou menos uns 30 minutos:

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Após tudo isso finalmente nosso Boeuf Bourguignon está pronto:

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Primeiro degustaremos ele com a Westvleteren 12 e um bom baguete:

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E logo após degustaremos com a lenda:

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Conclusão

O prato é excessivamente trabalhoso de ser feito, mas o resultado é muito gratificante. Degustar bebidas de peso como estas junto com esse prato maravilhoso realmente foi uma sensação ímpar! Recomendo a todos e nota dez para as duas bebidas!