Desbravando o mundo do vinho

“Um bom vinho é poesia engarrafada” (Robert Louis Stevenson)

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Quando paramos para pensar na complexidade do mundo do vinho, possivelmente um leigo desejoso por adentrá-lo poderá pensar em desistir. Basta ir a um grande supermercado ou um bom restaurante para perceber centenas de vinhos diferentes: tintos, rosês, brancos, espumantes, chilenos, argentinos, franceses, italianos, garrafas de diversos formatos, centenas de tipos diferentes de uvas, rótulos diversos e preços também múltiplos. O universo é tão amplo que existem dezenas de universidades formando enólogos (palavra formada da junção da palavra grega οἶνος (oinos, “vinho”) com o sufixo -λογία (-logia, “estudo de”)), profissionais com diploma em ensino superior. Nesses cursos é possível aprender sobre uma variada gama de assuntos:

-História do vinho

-Processo de fabricação (plantio, tipos de terroir (solo), temperatura, tipos de barril, amadurecimento, colheita, tipos de rolha, engarrafamento, fermentação, etc)

-Tipos de uvas (ou cepas) e características intrínsecas a cada uma delas

-Como decifrar rótulos

-Como escolher bons vinhos (safras especiais, combinando-o com alimentos e queijos, etc)

-Como comprar (en primeur (no produtor), no comércio, no exterior, etc)

-Como conservar o vinho (tipos e características de adegas, vins de table (vinhos de mesa), vins de garde (vinhos de guarda), etc)

-Como servir o vinho (temperatura de serviço, abertura da garrafa (tipos de saca-rolhas), decantação, tipos de taças, etc)

-Como degustar um vinho (olhar do vinho, o nariz do vinho, a boca do vinho, etc)

-Os grandes vinhedos do mundo e características

E muitos e muitos outros assuntos. Uma vez um francês amigo meu me disse que apenas para conhecer os vinhos franceses seria necessário uma vida inteira (Il faudra toute une vie)!

E como começar?

Diante disso tudo, talvez a pergunta de um milhão de dólares seja exatamente essa: como começo?

Quando estava começando a conhecer sobre vinhos (o que não faz muito tempo), meu tio me disse algo muito pertinente: Pedro Jorge, você vai ser um grande conhecedor de vinhos se você beber muito vinho! Simples assim, comece bebendo vinho. Mas para isso vou exemplificar como começar bebendo um vinho. Há dezenas de acessórios para vinhos (adegas, taças, saca-rolhas, coolers, decanters, aeradores, etc), e eu vou deixar uma dica do mínimo necessário para começar:

-1 adega (cave au vin)

-1 taça

-1 saca-rolhas

-1 vinho

-1 Prato ou queijo específico para o tipo do vinho

Adega

Ter uma adega refrigerada em casa não possui relação apenas com a questão estética do ambiente pois, principalmente se você mora num país quente como o Brasil, você não conseguirá obter o máximo da bebida (sabor e aromas) servindo-o à temperatura ambiente (30°C) ou deixando-o na geladeira antes de serví-lo (médias de 7°C). Um vinho tinto requer em média 16 °C para seu serviço.

Existem adegas climatizadas de R$300 reais e de R$20000 reais, com 8 garrafas ou com 200 garrafas. Eu recomendo para um iniciante a obtenção de uma pequena (8 ou no máximo 12 garrafas). O modelo que eu recomendo é a adega Electrolux para 8 vinhos que pode ser encontrada com um preço médio de R$600.

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Taça

Esse também é outro território profuso mas, de forma genérica, um bom começo é escolher uma taça de cristal, apesar de uma de vidro também servir. Uma taça de vinho pode ser de vidro, cristal de vidro ou cristal. A diferença entre elas é a presença e o teor de chumbo, metal utilizado em sua produção. A de cristal tem até 24% de chumbo, o cristal de vidro vem com cerca de 10% e o vidro não tem. O chumbo dá mais leveza, delicadeza e sonoridade, além de fazer com que a espessura da taça seja mais fina. As taças de cristal também são mais porosas. Esse fator também é positivo, pois, ao girarmos um vinho enquanto o degustamos, forçamos as moléculas contra a parede áspera, quebrando-as e, desse modo, obtendo grande concentração de aromas. Um bom começo pode ser uma taça para vinhos Bordeaux, da marca spiegelau, por exemplo, que custa aproximadamente R$ 45 reais a unidade.

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Saca-rolhas

Um saca rolhas simples vai servir para um primeiro encontro, mas se você tem interesse em comprar um mais bacana, sugiro um elétrico devido à facilidade e praticidade na abertura do seu vinho. Um modelo da Oster por exemplo custa na faixa de R$150 reais.

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Vinho

O componente mais importante da nossa seleção! De forma a não errarmos, começaremos pelo clássico, ortodoxo, tradicional.

1-Uva

A uva de escolha será a cabernet-sauvignon. Conhecida pelo seu epíteto de “a rainha das uvas”, a Cabernet Sauvignon está em toda parte. Uva internacional, corruptora, amada e odiada, tornou-se um padrão mundial presente em praticamente todos os países produtores do planeta: da Inglaterra à Alemanha e Áustria; do Canadá à China e Japão; do Peru e Venezuela ao Zimbábue; do Brasil à Turquia, Marrocos, Grécia, Israel e Líbano; da Moldávia e Hungria à Romênia e Bulgária. Sem falar de França, EUA, Chile, Austrália, Itália, Portugal, Argentina, Espanha, Uruguai, África do Sul, Nova Zelândia.

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A Cabernet Sauvignon é muito famosa simplesmente porque é a principal casta da principal região produtora de vinhos do mundo: Bordeaux. E esses vinhos são os mais imitados em todo o mundo. Além disso, para as pessoas que moram no Brasil, o maior custo benefício de vinhos são os produzidos no chile, país em que a espécie mais bem adaptada e melhor produtora de vinhos é a Cabernet Sauvignon. Até mesmo meus amigos franceses apreciadores de bons vinhos me dizem que os vinhos chilenos e argentinos em nada deixam a desejar em qualidade para os vinhos franceses.

2-Produtor

Também escolheremos a vinícola mais famosa do Chile para começarmos: a Concha y Toro.

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Ela produz vinhos de excelentes qualidades, desde o mais simples como os reservados (aproximadamente R$30):

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Passando pelo estupendo Marquês de Casa Concha (R$115):

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Até ao lendário Don Melchor (R$550)

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Mas sem sombra de dúvidas nossa escolha para primeira degustação será pelo seu vinho mais famoso: Casillero del Diablo.

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Segue-se também o link para o vídeo no youtube produzido pela Concha y Toro contando porque esse vinho tornou-se assombrosamente famoso:

https://www.youtube.com/watch?v=h8XSss1o8x8

Acompanhamento

De uma maneira bem genérica, Cabernet Savignon combina bem com carnes vermelhas e, em específico, carne bovina.

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Outra escolha menos comum pode ser degustar com um bom queijo cheddar.

Sugestões de livros e Documentários

Livros

Grande Larousse do vinho (R$300) , Autor: Olivier Poussier, Editora Lafonte: melhor obra exaustiva já produzida em português sobre vinhos e enologia.

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Documentários no Netflix

SOMM: Dentro da Garrafa. Apesar de não ser um documentário exaustivo sobre vinhos, ele mostra de uma maneira bem abrangente sobre esse mundo com os melhores sommeliers da atualidade.

SOMM. Documentário bem legal sobre a prova mais difícil sobre vinhos do mundo.

12 comentários sobre “Desbravando o mundo do vinho

  1. Pingback: Degustando uma lenda: Casillero del Diablo (Cabernet Sauvignon) – Vinhos e Afins para Leigos

  2. Pingback: Malbec, Churrasco, Shangri-la e afins – Vinhos e Afins para Leigos

  3. Pingback: História e tipos de copos ou “taças” de vinho – Vinhos e Afins para Leigos

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