Degustando uma lenda: Casillero del Diablo (Cabernet Sauvignon)

“Existem mais de mil anos de história em uma velha garrafa.” ( Paul Claudel)

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Introdução

Tendo dado início aos nossos primeiros passos no mundo do vinho, finalmente chegamos a nossa primeira degustação e, nada melhor do que começá-la de maneira mitológica: degustando uma lenda! A história desse vinho é, talvez, o que o tornou assombrosamente famoso. Tudo começa há aproximadamente 100 anos atrás com Don Melchor de Concha y Toro: um empresário, advogado, político chileno e o Marquês de Casa Concha pela coroa Espanhola.

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Em 1883, ele decidiu se aventurar no ramo dos vinhos plantando vinhas no vale do rio Maipo. De sua viagem à Bordeaux, ele trouxe consigo para o Chile sementes selecionadas e contratou um grande enólogo francês: Monsieur Labouchère. Nascia assim a Concha y Toro. Devido à altíssima qualidade dos vinhos produzidos naquela região, Don Melchor decidiu reservar para si uma pequena parcela dos melhores vinhos produzidos ali: sua adega particular. A fim de evitar os constantes roubos de seu acervo (arquivo, casillero em espanhol) ele espalhou o boato de que naquele lugar habitava o diabo e assim nasce a lenda do Casillero del Diablo.

Sei que já coloquei esse link no primeiro post, mas vale muito a pena quem não viu ainda poder conferir essa história animada num vídeo feito pela concha y toro:

https://www.youtube.com/watch?v=h8XSss1o8x8

Abaixo temos algumas fotos da vinícola Concha y Toro, cortesia do nosso amigo Anderson Lopes:

entrada

Plantação das uvas (cepas)

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Adega onde fica o Casillero del Diablo:

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Há também dezenas de vídeos no youtube falando sobre o casillero del diablo, mas vale deixar aqui o vídeo promocional mais recente do vinho, é sensacional!

https://www.youtube.com/watch?v=RaN-hswZ8gw

Temperatura de serviço

Conforme falei no primeiro post, cada vinho precisa ser degustado na temperatura ideal de forma a liberar o máximo de sabor e aromas. Então, o vinho deve ser mantido todo tempo dentro da adega. Como a adega possui vinhos variados, e normalmente como a maioria dos vinhos são tintos, eu tento manter todos na temperatura média de 16 ᵒC. Para o caso da nossa uva em questão (cabernet-sauvignon), a temperatura ideal de serviço é de 18 ᵒC.

adega

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Esse é, talvez, o maior erro dos degustadores que se comete aqui no Brasil: deixar o vinho depois de aberto na temperatura ambiente. O Brasil é um país quente, então se o vinho passar muito tempo fora da adega ele vai esquentar. Uma solução barata e simples é: apenas no momento de colocar o vinho na taça, deve-se tirá-lo da adega. Depois disso ele deve ser novamente enrolhado e colocado na adega até o próximo momento de tomá-lo. Uma solução mais elegante e um pouco cara é fazer uso de um wine cooler. Eu utilizo um da cuisinart (custa aproximadamente R$600-700 na internet). O bacana dele é porque você consegue setar a temperatura do vinho baseado no seu catálogo de uvas e ele mantém o vinho durante toda a degustação na temperatura ideal para o tipo da uva. É realmente fantástico, recomendo com empenho!!!!

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Abrindo o vinho

Como já falei no segundo post, eu gosto muito de utilizar o abridor elétrico devido à sua praticidade mas, atendendo a pedidos do blog, farei uma demonstração de como abrir uma garrafa com um abridor simples e barato:

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Depois de aberto, a rolha também possui papel de destaque desse ritual admirável. Aprendi com um amigo essa prática de colocar a data de abertura da rolha e armazená-la para o futuro:

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Depois disso a rolha vai para o meu quadro de decoração:

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Taça específica

Semelhantemente, utilizaremos a taça de escolha do primeiro post: Bordeaux Spiegelaus.

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Aerando o vinho

Diz-se que, quando um vinho é engarrafado por um bom tempo, ele encontra-se num estado de dormência. Com seus aromas “dormindo”, ou seja, ainda pouco perceptíveis. Há duas formas de “quebrar” esse estado de dormência: usando um decânter ou um aerador. Gostaria de frisar aqui que esse assunto não é muito simples e requer um post exclusivo. Fá-lo-ei num futuro próximo. De forma simplória vou me resumir a dizer que para esse tipo de vinho jovem cai muito bem o uso de um aerador, pois ele faz com que as moléculas do vinho se misturem com as moléculas do ar, liberando assim os aromas mais rapidamente. No meu caso aconselho fortemente o aerador da vinturi (o qual é encontrado na internet e em lojas grandes num valor de aproximadamente R$150 junto com a torre e R$50 apenas o aerador).

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O olhar do vinho (L’examen visuel)

Como era de se esperar de um cabernet-sauvignon, esse vinho possui uma cor vermelho rubi intenso e lágrimas médias, aparentando leve dulçor.

O nariz do vinho (Le nez du vin)

Algo muito bacana para uma pessoa que está iniciando no mundo dos vinhos e ainda não conhece quais aromas estão presentes num cabernet-sauvignon é procurar informações antes da degustação (internet, livros, etc).

As características dos vinhos da uva cabernet-sauvignon são intensos e ricos em aromas e sabores, como: frutas vermelhas (cereja, amora, morango, framboesa), frutas pretas (ameixa, mirtilo(blueberry), cassis), especiarias (pimentas em pó, cravo) e também marcados por aromas vegetais, de oliva, menta, tabaco, madeira, cedro e anis.

Como maneira de conhecer os aromas, existem maneiras sofisticadas e caras (como o le nez du vin, o qual falarei futuramente) ou mesmo cheirando e conhecendo as frutas. Fiz uma seleção de frutas negras e vermelhas antes da degustação:

-ameixa

-morango

-mirtilo (blueberry)

-amora negra

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frutas2

amora

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nez-2

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A boca do vinho (L’examen gustatif)

Finalmente na hora de beber o vinho, todas as informações encontradas nos passos anteriores se confirmaram. Deixando o vinho na boca por aproximadamente 10 segundos, ele apresentou adstringência (taninos) fortes porém suavizados pelo barril de carvalho (impressionante porque não amargou na boca como outros cabernets de pior qualidade), leve picância do tipo pimenta do reino e leve dulçor embalado pelos aromas de frutas vermelhas e negras. Excelente vinho!!!

Harmonização

Conforme falei no post anterior, a cepa cabernet-sauvignon é amiga íntima das carnes vermelhas e com temperos picantes, como a pimenta do reino. Então nada melhor para degustar esse assombroso vinho do que com filet-mignon ao molho madeira e fritas.

harmonizacao

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9 comentários sobre “Degustando uma lenda: Casillero del Diablo (Cabernet Sauvignon)

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