História e tipos de copos ou “taças” de vinho

“Uma descrição assaz polida do mais horrível dos vinhos é ‘interessante’ – Hubrecht Dujke

Vou começar esse post com o logo da linha spicy da Spiegelaus pois, como falei no primeiro post, apesar de existir dezenas de bons produtores de taças, a Spiegelaus é uma marca consagrada historicamente por sua qualidade.

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Etimologia

Qual o nome correto: copo ou taça de vinho? Examinando essa questão em suas minúcias pode-se chegar à conclusão que, no Brasil, ambos os nomes estão corretos. A palavra taça vem do francês tasse que significa caneca (de café, de chope, etc), que por sua vez vem do árabe vulgar Tasâ. Provavelmente esse nome associou-se ao vinho porque na idade média era comum o consumo em canecas nas tavernas, como ocorria com a cerveja. Na França o correto é verre du vin, que significa copo de vinho. No inglês também se usa copo de vinho: wine glass. Em alguns livros técnicos sobre vinho, como o Larousse do vinho o nome correto para o português é copo de vinho. Logo, sinta-se à vontade para usar copo ou taça.

História

Nos primórdios da civilização humana, aproximadamente na era do bronze, a cultura argárica (no sudeste da Espanha) realizou as primeiras taças com argila cozida como parte de enxovais funerários.

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Na antiguidade clássica entre os gregos, romanos e fenícios era comum o uso de uma única taça para toda a família ou entre uma roda de amigos, que se colocava na metade da mesa para uso de todos. Devido ao seu alto preço, somente as famílias ricas podiam permitir-se uma, normalmente de luxo e muito pesada. Na Grécia antiga essas taças eram chamadas de kylix.

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Esse ato de beber comunitariamente era algo muito comum como podemos ver numa das cenas mais icônicas da humanidade: Jesus e seus doze discípulos na santa ceia, ato este repetido até hoje por muitas igrejas. Foi nesta cena que se popularizou o mito do Santo Cálice (ou Santo Graal, Holy Grail), a mística taça que Jesus Cristo teria usado na Última Ceia e a que se atribuem poderes sobrenaturais, tais como curar as enfermidades ou conceder a vida eterna. Mito este altamente explorado em livros como o código da Vinci ou filmes como Indiana Jones e a última cruzada.

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E foi essa cena coletiva que caracterizou o consumo de vinho durante a idade média, pois ele era algo muito limitado a comemorações religiosas na igreja. Nessa época o material usado nas taças era metal (principalmente prata).

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Somente na idade moderna é que o vidro começou a fazer parte do universo vinícola, apesar das descobertas de técnicas de sua fabricação e manuseio datarem de antes de Cristo. As cidades italianas tomaram à frente na fabricação do vidro em fins da idade média; no século XV, com a descoberta do cristal, e com a utilização do chumbo pelos ingleses, os recipientes para a degustação do vinho ficaram mais transparentes e menos grossos.

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Na França, a origem de algumas taças estava na necessidade de cada região: em Borgonha foram criadas taças mais abertas e amplas para os tintos, já em Bordeaux, foram criadas com características contrárias a estas. E assim começa o desenvolvimento das taças que possuímos atualmente.

Tipos específicos de taças para determinados tipos de vinho

Conforme falei no segundo post, o gosto de uma bebida é o conjunto de sabor mais aromas e mais sensações, logo a escolha do copo ideal é primordial para uma boa degustação. É fato que o mesmo vinho degustado em copos de formatos diferentes não tem o mesmo gosto.

Bordeaux

Como tenho falado desde o primeiro post, esse é o tipo de taça que qualquer pessoa deve ter, pois ela é a ideal para a grande maioria dos vinhos tintos. Eles necessitam de espaço para respirar (aerar), pois possuem aromas e sabores muito intensos. Por isso, a taça tem corpo grande, alongado, dando espaço para que se libere toda potência dos seus aromas. O formato também é ideal para que a bebida possa “girar” no copo.

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Borgonha

Os vinhos produzidos na Borgonha são mais complexos e concentrados em aromas que os da região de Bordeaux e são produzidos principalmente com a uva Pinot Noir. Portanto, as taças possuem um formato de balão (ou seja, com bojo maior do que as Bordeaux) para que haja mais contato com o ar. Além da Pinot Noir, também é ideal para que sejam apreciados vinhos Rioja tradicional, Barbera Barricato, Amarone, Nebbiolo etc.

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Vinhos brancos ou rosés

As taças são menores do que as para vinho tinto porque o vinho branco exige temperaturas de serviço mais baixas e, portanto, em um copo menor, permite menos trocas de calor com o ambiente. Os vinhos rosés são uma mistura (um meio termo) entre os brancos e os tintos: possuem os taninos dos tintos, mas os aromas dos brancos.

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Espumantes e/ou Champanhes

A taça original de champanhe (pode ser vista no filme sobre Edith Piaf: La vie em rose, por exemplo) pode ser considerada como pura fantasia no âmbito da degustação pois ela dissipa rapidamente os aromas e a espuma, perdendo assim as bolhas.

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Para um Champagne ou um espumante comum, a taça adequada é a que chamamos de flûte, ou flauta. Ela serve para que possam ser apreciadas as borbulhas de gás carbônico mais conhecidas com perlage. A taça fina também direciona a efervescência e os aromas para o nariz, enquanto controla o fluxo acima da língua, mantendo o equilíbrio entre a limpeza da acidez e a saborosa profundidade.

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Vinhos do porto

Os vinhos do porto são conhecidos por serem bem licorosos e doces, logo exigem um copo parecido com o de licor: pequeno porém bojudo e alongado.

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Água

O copo a ser usado para água pode ser livre em sua forma e matéria ou seja, qualquer um serve.

Conclusão

É importante perceber que não é necessário ter determinado tipo de taça para poder apreciar um vinho, porém uma específica para o tipo dele irá potencializar uma boa degustação. Segue-se uma foto das minhas taças.

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9 comentários sobre “História e tipos de copos ou “taças” de vinho

  1. Lucas

    Rapaz!

    PJ, acabo de ler todos os seus posts de uma vez, parabéns pelo blog! Excelente conteúdo! Deu vontade de parar de beber meus vinhos e começar a degustá-los!
    Abraços!

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  2. Carolina Colares

    Querido Pedro, gosto de ler seus post e adoro as partes de historia que vc narra em cd um….
    Contudo, sinto um pouco de falta de uma parte onde houvesse sugestão de cardápios que combinem com os vinhos, sei q vc smp sugere uma carne com fritas, ou uma costela com fritas…. mas será que podeira ser mais diversificado que isso?
    A minha duvida eh qnt algumas carnes e seus molhos e acompanhamento, assim como as carnes brancas como peixe e frango. Que vinho combina com o que? ….
    Mto obrigada por seus post maravilhosos …. Aguardo o proximo

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    1. pedrovile

      Carol, agradeço a sugestão e vou tentar atendê-la. A questão da harmonização é algo muito extenso para se tratar num post só. Falei muito de carnes porque de uma maneira geral vinho tinto combina com carnes, mas quando falar sobre os brancos eu mostrarei mais diversidade. O blog está apenas começando!! Agradeço pelas críticas e sugestões

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  3. Carolina Colares

    Oi Pedro… estpu com uma duvida, tenho um estoque de vinho rosé francês ak
    Qui em casa. Não são vinhos caros ne nd (ao menos acho q não) e confesso q protelo em beber por além de não serem meus favoritos tb não sei com o que servir?
    Que tipo de comidinha, belisquetes, ou aperitivos esse vinhos combinam?
    Obrigada….

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  4. Carolina Colares

    Querido Pedro, gostaria mto de ter uma adega mas tenho duvidas:
    Marca?
    Capacidade ideal?
    Melhor sistema de refrigeração?
    Custo justo?
    Que tipo de vinho se armazena e como e por qnt tempo?
    Custo benéfico?
    Etc…..
    Gostaria de ler um post sobre isso e acho que ngm melhor q vc pra escrever sobre.
    Aguardo ansiosa…

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