Champagne, Lagostim, Agulhinha Frita com Prosecco e Espumantes Nacionais

“O vinho é o mais notável de todos os remédios; onde falta o vinho, os remédios se fazem necessários”(Livros do Talmud (500-400 a.C.))

 

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Fonte: http://www.estadosecapitaisdobrasil.com/

Introdução

Amigos, hoje estamos no nordeste do Brasil (especificamente na bela cidade histórica de Recife) e vamos aproveitar para provarmos o que a região tem de melhor: frutos do mar. Também, como estamos nos aproximando das festas de fim de ano, senti a necessidade de falar sobre o que o Brasil possui de melhor no contexto dos vinhos: os espumantes.

Champagne, Espumante ou Prosecco?

Antes de falarmos qualquer coisa, é necessário entendermos que existe uma diferença entre champanhes e espumantes. O nome Champagne é uma AOC (appellation d’origine contrôlée ou denominação de origem controlada), o que significa dizer que todos os vinhos com esse nome são obrigatoriamente produzidos na região epônima (Na França não existem estados como o Brasil, mas ela está dividida em regiões conhecidas como departamentos. Logo, Champagne seria mais ou menos um estado da França cuja capital é Épernay). Nenhum outro espumante feito fora da região de champanhe pode receber esse título.

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Outra coisa muito importante é que só pode ser considerado Champagne aquele que é feito com as uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay.

O Prosecco é aquele que é feito exclusivamente com as uvas Prosecco Italianas.

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Uvas Prosecco

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Fonte: http://domgio.com/

O champagne é um vinho?

Sim. Já temos no blog um post sobre como um vinho é feito e vou apenas acrescentar alguns passos diferentes na produção do champanhe. Segue-se o fluxograma ilustrativo:

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Fonte:http://fatcork.com/

De forma bem simplificada, o processo de fabricação é o que se segue:

  • Após as uvas (pinot noir, pinot meunier e chardonnay) serem colhidas e separadas elas são prensadas e só o suco delas é posto para fermentar individualmente.
  • Após a primeira fermentação, o vinho é engarrafado com o blend das três uvas mais a adição de açúcar, fermento e vinhos de safras mais antigas e posto para fermentar uma segunda vez dentro da garrafa.
  • Durante essa segunda fermentação (algo que pode durar entre 15 meses a mais de 15 anos), o champagne sofre um processo conhecido como Remuage, em que todos os dias ele é “girado” de forma aos detritos se acumularem no fundo da garrafa.
  • Após a etapa de envelhecimento, o sedimento que se acumulou é removido, é acrescentado uma pequena dose de liqueur d’expedition (vinho açucarado) para contrabalancear a acidez e o vinho é arrolhado.

Porque o champagne é sinônimo de comemoração e alegria?

O hábito do champagne ser tido como sinônimo de comemoração por grandes conquistas é devido, primeiramente, ao fato de que em Reims, cidade mais importante de Champagne, foram coroados quase todos os grandes reis da França. A coroação acontecia na catedral de Notre-Dame de Reims, construída em 1225, e nas comemorações era servido champanhe. Por este motivo, ficou conhecido como o vinho dos reis e rainhas.

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Breve história do Champagne

O grande pai dessa “bebida da alegria e do sucesso” foi  Pierre Perignón, mais conhecido pelo seu epíteto de Dom Pérignon. Ele foi um monge beneditino da Abadia de Hautvillers que, em 1670, foi o responsável pela “revolução” na produção do champanhe.

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A Dom Pérignon deve-se a descoberta dos cinco principais elementos que em muito contribuíram para o champanhe tal como ele é hoje:

1-A mistura de diferentes vinhos da região (o blend), conseguindo que o produto fique mais harmonioso.

2-A separação e prensagem em separado das uvas que predominam em Champagne, obtendo assim um cristalino sumo de uva.

3-O uso de garrafas de vidro mais espessas para melhor permitirem a pressão da segunda fermentação em garrafa.

4-O uso da rolha de cortiça, vinda de Espanha.

5-A escavação de profundas adegas, hoje galerias com vários quilômetros de extensão e usadas por todos os produtores, para permitir o repouso e envelhecimento do champanhe a uma temperatura constante.

Até hoje o champagne Dom Perignón encontra-se como exemplo de riqueza e finesse. Aqui no Brasil a garrafa mais barata de um Dom Perignón custa em Média R$1000. Há exemplares que chegam a custar R$20000.

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Harmonização

O champagne é um vinho clássico conhecido por harmonizar muito bem com frutos do mar. É um vinho que combina muito bem com regiões quentes como o Brasil. Como estamos no nordeste hoje iremos escolher como harmonização um filé de agulhinha frita (verdadeiro requinte da culinária nordestina) e lagostim.

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Vinhos de escolha

Nós já desmistificamos aqui a idéia de que o Brasil não produz vinhos de boa qualidade, porém não falamos sobre o que ele possui de melhor: seus espumantes. Estudiosos falam que, em no máximo 20 anos, os espumantes brasileiros só não serão melhores em qualidades do que os franceses. Hoje na França é possível comprar espumantes brasileiros em qualquer grande casa de vinhos. Então, nas festas de fim de ano, se você não tem dinheiro para comprar um champagne (custa em média R$300 a R$400 reais no Brasil), escolha um Brasileiro que não fará feio de modo algum. Hoje escolheremos um exemplo de grande espumante gaúcho (de Bento Gonçalves) e um grande espumante nordestino (do vale do São Francisco). Mas o Brasil possui dezenas de outros com altíssima qualidade: Salton, Casa Valduga, Peterlongo, etc.

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Conclusão

Maravilha essa combinação. Ficou muito bom essas comidas feitas pelo meu pai. Nessas festas de fim de ano escolha Espumantes Nacionais e não irá se arrepender.

Conheça todos os posts do blog através desse link

3 comentários sobre “Champagne, Lagostim, Agulhinha Frita com Prosecco e Espumantes Nacionais

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