Harmonizando Bobó de Camarão e Moqueca com Vinhos

“O vinho é uma das coisas mais civilizadas do mundo e uma das coisas mais naturais do mundo que alcançou a maior perfeição. Oferece uma gama maior para o prazer e apreciação do que possivelmente qualquer outra coisa puramente sensorial.” Ernest Hemingway

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Introdução

Amigos, hoje o post será sobre como harmonizar Bobó de Camarão e Moqueca de Peixe com vinhos. Esse evento também é o oitavo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o sétimo encontro, basta clicar aqui.

Confraria Távola Di Amici

Amigos, estamos hoje mais uma vez na casa dos queridos Daniel e Cláudia numa oportunidade única de poder degustar um bobó de camarão dos deuses junto com uma moqueca de peixe.

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No quesito da harmonização o ideal é o uso de qualquer vinho branco. Mas especificamente esse é um prato que pede um vinho mais encorpado como um Chardonnay ou um Viognier. Mas a combinação com outros brancos ou rosés também fica perfeita.

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A minha primeira escolha foi de modo a podermos celebrar um pouco mais dos vinhos que nosso país produz: Casa Valduga Chardonnay 2015.

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Esse é um vinho que, ao mesmo tempo em que emociona, traz também a decepção de não corresponder ao seu preço. É um grande vinho e traz orgulho ao Brasil, porém é caro por demasiado. É encorpado e embalado por aromas cítricos porém apresenta características mais rústicas como acidez um pouco elevada quando comparado com um chileno por exemplo. Achei que valeu muito a pena degustá-lo como conhecimento porém com R$80 (ou muito menos) compra-se um vinho chileno de qualidade muito superior.

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A viognier é uma uva que se encaixa perfeitamente nessa classificação de vinhos brancos encorpados, porém é muito rara no Brasil e seus vinhos possuem valores elevados. Optei então por uma versão Argentina bem mais barata. Ampakama Viognier 2016.

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Conforme expliquei esse é um vinho no máximo para o dia-a-dia e, nessa perspectiva, cumpre o prometido!

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Mas a prata da casa ainda estava por vir. Apesar da Sauvignon Blanc produzir vinhos brancos leves, ela também harmoniza bem com os pratos em questão. E conforme falamos sobre os vinhos da Nova Zelândia num post anterior, sabemos que é lá onde se produzem os melhores Sauvignon Blanc do mundo. Sileni The Straits Sauvignon Blanc 2015.

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Esse é sem sombra de dúvidas um vinho que todos devem conhecer antes de morrer. Altamente aromático com presença de frutas tropicais como a goiaba embala qualquer boa refeição envolvendo frutos do mar.

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Outro grande vinho que harmonizou muito bem com a refeição foi o Viña Tarapacá Sauvignon Blanc Gran Reserva 2013. Vinho bem estruturado com presença forte de madeira.

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Como entrada tivemos um espumante italiano simples mas excelente para um bom começo de refeição. Spumante Valdorella.

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Outros amigos escolheram utilizar vinhos rosés como harmonização. Como vimos no post sobre como um vinho é feito, o estilo rosé pode ser feito com qualquer uva e eles podem ser levemente adocicados ou secos.

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Esse é um vinho digno de apreciação e harmonizou muito bem com a comida. A despeito da presença de aromas cítricos adocicados como a tangerina ele é um vinho seco e mineral. Boya 2016 Rosé.

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Depois da parada no Chile é hora de voltarmos ao canônico velho mundo: Itália. Stinca Cantine Rosato. Rosé agradabilíssimo.

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O próximo da lista eu fiquei bem surpreso pois nunca tinha visto um rosé de Cabernet Sauvignon! Santa Digna Reserva Cabernet Sauvignon Rosé 2016.

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Esse ficou melhor pós-refeição como digestivo devido ao seu paladar mais adocicado! Não poderíamos nos esquecer de nossas raízes portuguesas: Muralhas de Monção Vinho Verde.

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Por fim tivemos também a presença americana do seu vinho mais consumido: White Zinfandel. Sutter Home White Zinfandel. Caso queira saber mais sobre esse vinho clique aqui para ir ao post sobre ele.

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Conclusão

Excelentes harmonizações embora ache que os mais adocicados combinaram mais no pós refeição do que junto com a comida em si!

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Vinhos de Israel, culinária francesa e receita de steak tartare

 “Tenhamos vinho e mulheres, alegria e riso, sermões e água mineralizada no dia seguinte.” Lord Byron

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será a continuação da culinária francesa já abordada num post anterior. Falaremos um pouco mais sobre comidas tipicamente francesas e, ao fim do nosso post, teremos a receita de como fazer um steak tartare. Também será alvo de nossa análise os vinhos produzidos em Israel, em específico os da Galiléia, terra em que nasceu Jesus.

Cervejas

A primeira cerveja de hoje é mais uma produzida pela Wäls, também conhecida como a melhor cervejaria do Brasil conforme já comentamos algumas vezes aqui no blog. Essa é uma witbier diferente pois é produzida com pimenta da Jamaica e laranja da terra. Wäls Belgian Witte.

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Sente-se bastante o sabor característico da pimenta da Jamaica. É uma wit bem diferente para paladares não tão clássicos, mas é uma grande cerveja como diria o baixinho da kaiser!

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A segunda já é uma witbier belga padrão, sem muita alteração ao padrão ortodoxo da receita: Dortmund Schloss witbier.

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Já a última cerveja de hoje é uma repetição, pois já comentamos sobre ela de forma breve no blog (link): Schornstein witbier. Campeã de vários prêmios, dentre eles o de medalha de ouro internacional na competição copa cervezas de américa GCA 2016.

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Como já falei algumas vezes no blog, eu sou um grande fã dessa cervejaria e acredito que os produtores dessa cerveja trazem sempre muito orgulho para o Brasil, porém ela ainda não está no nível das cervejas top como St. Bernardus por exemplo (link). Mas talvez com um pouco mais de esforço possa se chegar lá.

Vinhos de Israel

Quando nos vêm à cabeça a história do Cristianismo/Judaísmo, logo nos lembramos da importância do vinho para a cultura Israelense. O próprio Jesus Cristo celebrou a Santa Ceia firmando um novo pacto com essa bebida que representaria o seu sangue que viria a ser derramado para a salvação de muitos. Foi ele mesmo quem disse que todos os seus seguidores deveriam repetir esse evento como lembrança dele.

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O fato é que o vinho hoje é conhecido no mundo por causa da herança judaica cristã. A bíblia fala que foi Noé o primeiro a fazer o vinho logo após o dilúvio. O primeiro porre com essa bebida de toda a história é reputado a ele.

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Desde então Israel sempre se destacou no cultivo dessa bebida que foi apreciada no mundo então conhecido pelos romanos e gregos, que foi quem ajudaram a disseminar essa bebida. O fato é que Israel sempre teve um terroir mediterrâneo perfeito para o cultivo dessa bebida. Mas apenas após o fim da dominação muçulmana é que houve um renascimento moderno da viticultura israelense. A história da chamada moderna vinicultura de Israel começou em 1882, com a fundação da vinícola Carmel na cidade de Zichron Ya’akov, ao sul de Haifa, pelo Barão Edmond de Rothschild, proprietário da Chateau Lafite, em Bordeaux (França). Desde então Israel tem produzido vinhos no padrão Francês que têm ganho competições mundiais.

Escolha do vinho

A escolha será baseada tanto pela questão de qualidade quanto pela questão histórica e simbólica. Além de ser uma das melhores vinícolas do país, a Golan Heights produz vinhos na Galiléia, que é a terra onde Jesus nasceu!!

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O vinho de escolha será um do estilo Bordeaux, feito com uvas características da região francesa como a cabernet-sauvignon, a merlot, cabernet-franc, malbec e petit-verdot. Mount Hermon Red Wine 2015.

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Esse é um vinho que nos remete à França e seus Bordeaux de qualidade. Presença forte de frutas negras e vermelhas como a cereja e a ameixa e especiarias como cravo e pimenta. Assim como os vinhos dessa região, é bem estruturado e complexo apesar de ser um vinho relativamente jovem.

Restaurante de escolha

Como o vinho possui “alma” francesa iremos harmonizá-lo com tal culinária também. Esse será um post de continuação dessa culinária tão egrégia por assim dizer já que tivemos anteriormente um post sobre ela no restaurante la casserole. Hoje a escolha será por um dos bistrots mais famosos de São Paulo: o Ici Bistrô, um lugar fantástico comandado pelo famosíssimo chef Benny Novak.

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Um lugar fantástico com excelente atendimento!

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Entrée

Pedimos dois pratos característicos franceses: o escalope de Foie Gras e o Steak Tartare que é uma das especialidades do Chef.

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No post do La Casserole falamos da forma mais comum de servir o Foie Gras (em terrines) e hoje falaremos da segunda forma mais famosa: em escalopes sauté (pedaços dele assados na frigideira). Simplesmente Bárbaro! Sua gordura harmonizou bem com o vinho apesar de que sabemos que a harmonização perfeita seria com o Sauternes.

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Adorei também o steak tartare com uma carne muito bem temperada e servida com fritas bem crocantes. Recomendo! (No fim do post teremos a receita de como preparar esse prato). Esse é um prato que já contamos sua história no blog e que pode ser considerado um pouco repulsivo para o paladar brasileiro por ser uma carne crua picada na faca e temperada, mas acredito que todos devem deixar o preconceito de lado e provar essa delícia.

Plat Principal

A prata da casa estava reservada para esse momento. Dois pratos mais franceses imperdíveis: Magret de Canard e o Cassoulet.

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O magret de canard é o peito de pato selado na frigideira. Na boca lembra bastante o sabor de uma picanha na brasa, mas o do Ici estava divino! Poucas foram as vezes na minha vida que comi algo tão gostoso. Ele foi servido com molho à base de Foie Gras e um purê de batatas com manteiga trufada!

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O segundo prato foi outro clássico francês: o cassoulet. Em suma o cassoulet é uma feijoada com feijão branco confitado na gordura de pato. Embora as receitas divirjam um pouco, de um modo geral ele é feito com coxa de pato (confit de canard), costela de porco desfiada e linguiça calabresa.

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A história desse prato é muito bacana. Há uma lenda que tem certa comprovação técnica desde o século XVI, que diz que durante a chamada guerra dos cem anos (1337 – 1453), entre França e Inglaterra, durante um cerco feito pelos ingleses, na cidade de Castelnaudary (Região do Languedoc, sudoeste da França, cidade esta que estava assolada pela fome devido à guerra, as “mamas” locais, prepararam, um tal cozido que levava carnes de porco, linguiças, bacon, ervas e feijão, que tinha o preparo em cozimento muito lento em uma caçarola de barro chamada Cassoulet, que desde então deu nome ao prato.

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Após a substanciosa refeição, os Franceses bem nutridos, venceram a batalha e expulsaram os Ingleses da região. Na minha humilde opinião esse prato é gostoso porém o seu sabor é mais simples quando comparado com o magret de canard que ofuscou a beleza desse prato!

Dessert

Entre as sobremesas tivemos mais dois clássicos franceses: a tarte de mille-feuilles e o crème-brûlée.

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Torta Opera

Essa daqui é para agradar os fãs do masterchef. Quem acompanhou a primeira temporada do profissionais com certeza vai se lembrar da lendária prova de eliminação em que os competidores tiveram de fazer uma torta dessas em duas horas e meia.

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Para quem não lembra do episódio eu vou colocar o link do youtube abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=gQnx8HLGfTw&t=1497s

Pois bem, essa é um clássico da pâtisserie francesa e, infelizmente, não tinha no Ici bistrô. Mas fomos na Dama Confeitaria e pudemos conferir essa maravilha. Harmonizou muito bem com um vinho do porto. Vinho Ceremony Tawny Porto.

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Receita de Steak Tartare

Bem, conforme o prometido, ao fim desse post ensinaremos uma receita simples e fácil de um clássico francês famoso em qualquer bistrô da França. Basicamente o steak tartare é uma carne crua magra (normalmente de filet mignon ou alcatra) picada em cubos minúsculos e temperada. Comecemos com duas gemas de ovos caipira:

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Depois vamos temperar com pimenta do reino e sal:

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Molho inglês:

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Molho de pimenta:

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Uma colher de sopa de mostarda:

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Uma colher de ketchup:

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Misturar e bater tudo com azeite no fouet acrescentando aos poucos e batendo de forma a transformar o molho quase que numa maionese.

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Agora vamos pegar uma cebola pequena e vamos picá-la bastante.

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Vamos também picar bastante com uma faca afiada as alcaparras

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Vamos também picar uma ciboulete ou uma cebolinha bem picadinha:

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Vamos pegar agora cerca de 300g de carne (alcatra ou filet mignon) e vamos picá-la até ficar quase granulada:

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Agora vamos misturar bem a carne com o molho que fizemos:

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E vamos usar uma forminha já untada com azeite para empratar e servir com batatas fritas como acompanhamento:

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Como acompanhamento para essa comida cai muito bem um pinot noir. Escolhi um com excelente custo benefício que já foi citado várias vezes aqui no blog: Ventisquero Pinot Noir Reserva 2015.

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Conclusão

É realmente uma pena que a culinária francesa seja tão cara aqui no Brasil, mas recomendo experimentar pelo menos uma vez na vida a título de conhecimento. Acredito que vale cada centavo.

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