Natal, Réveillon, o Quinto Melhor Vinho do Mundo e Duelo de Champagne Francês versus Espumante Brasileiro

“O vinho é uma das coisas mais civilizadas do mundo e uma das coisas mais naturais do mundo que alcançou a maior perfeição. Oferece uma gama maior para o prazer e apreciação do que possivelmente qualquer outra coisa puramente sensorial.” Ernest Hemingway

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Introdução

Amigos, hoje eu vou fazer um compilado breve da ceia de Natal e de Ano Novo mostrando como harmonizar bem vinhos com pratos dessa época. Ao fim do post teremos o tão aguardado duelo entre champagne francês versus espumante nacional. Antes que alguém critique minha escrita falando que champagne francês é um pleonasmo pois champagne só existe na região de champagne na França, quero afirmar que a língua portuguesa admite o pleonasmo enfático. Ou seja, como estamos no Brasil e é comum as pessoas chamarem de champagne todos os espumantes, esse pleonasmo servirá para destacar essa cabal verdade!

Natal

O Natal foi na casa dos queridos Jéssyka e Lucas, e como entrada tivemos um delicioso escondidinho de queijo serra da estrela (já comentamos sobre esse queijo no post anterior) com torradinhas, damasco e salaminho para acompanhar.

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Como harmonização caiu muito bem uma deliciosa witbier produzida por ninguém menos que a Casa Valduga. Delícia de cerveja! Cerveja Leopoldina Witbier.

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E o vinho para acompanhar esse prato português tivemos também um rosé português muito suave e agradável. Recomendo com empenho! Pinta Negra Rosé.

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Como pratos principais o cardápio foi: Peru Assado, Lombo de Porco Grelhado no mel e arroz à grega.

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Como harmonização tivemos os seguintes vinhos:

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Puerto Viejo Pinot Noir Reserva 2016

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Eu fiz questão de encaixar um brasileiro também. Aurora Pinto Bandeira Pinot Noir 2016.

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Mais um Pinot Noir: Junta Pinot Noir Reserve 2016.

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Como explicamos no post anterior o Pinot Noir é perfeito para harmonizar com aves pois elas são carnes magras e eles são vinhos de baixíssima tanicidade. Infelizmente o Brasil ainda não está se mostrando promissor com essa uva de difícil cultivo. O brasileiro é claramente inferior aos nossos amigos chilenos apesar de ter o mesmo preço. Mas valeu pelo conhecimento pois precisamos dar espaço para os vinhos do Brasil também! Alto Tierruca Gran Reserva Carménère 2013.

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Outras duas uvas que combinam bem com comidas natalinas são a Carménère e a Merlot, pois são bem parecidas (chegando a enganar especialistas num teste cego) e possuem tanicidade média a baixa. Esse Carménère quase que dispensa apresentações por ser um Gran Reserva. Mas também quero deixar dois exemplos de bom custo benefício de vinhos brasileiros. Como todos sabem desde o post do blog, a uva que se destaca no Brasil é a Merlot.

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Miolo Reserva 2015 Merlot

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Salton Intenso Merlot 2013

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Se você é uma pessoa que busca vinhos bons e baratos brasileiros podem tentar essas duas opções. Principalmente o Salton que eu o comprei por R$35 e agradou bem meu paladar para um vinho desse valor.

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Como sobremesa tivemos a famosa torta americana Red Velvet. O Red Velvet Cake ficou bastante conhecido durante a Segunda Guerra Mundial. Com o racionamento de alimento, eles passaram a fazer o bolo com beterrabas, que além de ser muito comum nos Estados Unidos, é rica em ferro e açúcares, e claro, dá o tom natural avermelhado. Depois da Guerra, com o sucesso do bolo, começaram a substituir a beterraba por corante alimentício. Como harmonização tivemos nada mais nada menos do que o icewine do post anterior (Creif Estate Winery 2015 Vidal Icewine) e um chileno de colheita tardia. Toro de Piedra Late Harvest Gran Reserva Sauvignon Blanc Semillon.

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Réveillon

Nosso réveillon foi na casa dos amados Nelson e Ana e tivemos maravilhosos vinhos e comida. Primeiro degustamos um ótimo Bourbon: Woodford Reserve Labrot and Graham.

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Nosso primeiro prato foi o bacalhau à moda nona do post anterior que tivemos o prazer de degustá-lo junto com um bom vinho verde. Tapada dos Marques Loureiro Vinho Verde.

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Muitas pessoas me perguntam sobre o que é vinho verde. A maioria delas, inclusive eu no passado, pensa que o nome se dá pela coloração esverdeada do vinho. Nada mais inverídico! Vinho verde é todo vinho produzido na região dos vinhos verdes de Portugal, inclusive os tintos recebem essa denominação! E essa uva Loureiro produz vinhos cítricos muito agradáveis.

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Após o Bacalhau nós tivemos duas carnes maravilhosas feitas pelo Vitor. Uma delas foi um filet mignon na churrasqueira temperado com mostarda dijon e salsa chimi-churri e a segunda foi uma alcatra recheada com queijos. Para acompanhar esses pratos eu escolhi dois dos melhores vinhos que o Brasil produz: o Salton Desejo e o Salton Talento. Embora já tivemos aqui no blog um post falando sobre eles, basta dizer que o Salton Desejo é famoso até mesmo na França. O único problema de degustar esses vinhos é o valor deles. Cada um não sai por menos de R$120. Ainda bem que encontrei-os na promoção pela metade do preço!

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Já o Salton Talento foi alvo de vários prêmios inclusive no quesito teste cego. Esse é um vinho brasileiro no estilo bordeaux que não deixa a desejar para nenhum outro! Um orgulho grande poder ver que existem vinhos brasileiros (apesar do alto preço) serem tão bons quanto quaisquer outros: franceses, chilenos, etc. Eu desafio qualquer um que tem preconceito com os vinhos brasileiros a degustarem esses dois grandes vinhos e não mudarem de idéia!

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Desafio qualquer um que duvida que existem bons vinhos no Brasil a não mudar de idéia ao experimentar esses dois colossos! Eles são pioneiros do tipo Gran Reserva no Brasil. Abaixo eu gostaria de deixar o link para uma entrevista com o enólogo responsável pela produção deles. É bem bacana.

https://www.youtube.com/watch?v=bK6F81KfRO0&t=2449s

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Tivemos também um espumante Francês que eu simplesmente adorei: JP. Chenet Ice Rosé. Excelente drinkability.

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O quinto melhor vinho do mundo

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Recentemente nós tivemos um julgamento bastante incomum no mundo dos vinhos. A Associação Mundial de Jornalistas e Escritores de Vinhos e Licores (WAWWJ) elegeu o espumante brasileiro Casa Perini Moscatel, da vinícola Perini, como o quinto melhor vinho do mundo. É lógico que choveram críticas e reviews no mundo todo comentando esse resultado para um vinho de R$ 43,50. É também patente que não existe algo como o melhor vinho do mundo como sempre comentamos aqui no blog. O que existe são paladares e técnicas de produção apurados. Decidimos então comentarmos sobre este vinho. Espumante Moscatel Casa Perini.

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Eu particularmente já vi vários estudos comprovando que é o Brasil o produtor dos melhores moscatéis do mundo, logo eu não consegui ter um paladar suficiente para comprovar que esse é um vinho muito melhor do que todos os outros moscatéis fabricados no Brasil, inclusive os do Vale do São Francisco como já comentamos anteriormente. A minha opinião é a mesma desde nosso último review: de um modo geral os nossos moscatéis são estupendos seja qual for a vinícola produtora. E sim, com certeza esse é um vinho maravilhoso. Muito gostoso de beber e bem equilibrado no açúcar.

Duelo de Champagne Francês versus Espumante Brasileiro

Amigos, preciso confessar que esse é, para mim, um dos posts mais aguardados do blog, pois sempre falamos aqui sobre a alta qualidade dos espumantes brasileiros, mas como se dá o desempenho destes diante dos favoritos do mundo: os champagnes? Para responder a essa pergunta iremos comparar branco com branco e amarelo com amarelo. Do lado Francês iremos escolher dois grandes ícones que simbolizam bem o mundo dos champagnes: o Moët & Chandon e o Veuve Clicquot. Caso haja necessidade de saber mais sobre o assunto de espumantes/ champagnes aqui temos o link para o post sobre eles.

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Hoje a Maison Moët Chandon também é responsável pelo champagne Dom Perignon, que seria uma linha premium da casa. Mas o que importa é que ela é a grande embaixadora do conhecimento do Dom Perignon reputado por ser o criador do champagne conforme falamos no post anterior. Hoje uma garrafa dessas é vendida no Brasil pelo preço proibitivo de cerca de R$300. Por sorte consegui encontrar uma meia garrafa!

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Embora existam na França dezenas de grandes produtores de champagne, o Moët Chandon e o Veuve Clicquot são os que mais se destacam por serem melhores na questão do marketing. O que não significa dizer que não existam outros champagnes muito bons como o Perrier-Jouet e o Laurent Perrier por exemplo. Hoje no Brasil uma garrafa de Veuve-Clicquot não sai por menos de R$400. Eu destaquei aqui esse vinho por possuir uma história no mínimo curiosa. O produtor dessa casa François Clicquot morre prematuramente deixando uma viúva jovem de 27 anos e um filho sem qualquer amparo. Essa viúva (Veuve em francês) Madame Barbe-Nicole Clicquot consegue miraculosamente (against all odds) erguer uma empresa considerada um gigante no mundo dos vinhos. E vai se tornar famosíssima no mundo todo durante a segunda guerra mundial pois passa a se tornar a bebida favorita tanto dos aliados quanto do eixo. É dito que o próprio Hitler presenteava seus generais com garrafas desse champagne. Durante batalhas muitíssimo cruentas como a de Stalingrado, os oficiais do alto escalão nazista consumiam essa bebida. A história dessa grande dama pode ser vista aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=W974kUXxVUI

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Do lado brasileiro temos o Chandon. Um vinho feito pela mesma casa produtora do Moët & Chandon usando as mesmas técnicas e uvas porém com terroir brasileiro. Hoje uma garrafa de Chandon pode ser comprada com um preço médio de R$60-70. Ou seja, estamos diante de um vinho que custa em média 4-5x menos! A pergunta que não quer calar é: vale a pena gastar cerca de 4 a 5 vezes mais de dinheiro de forma a obtermos um verdadeiro exemplar de champagne?

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A resposta é não! Embora consigamos perceber uma complexidade aromática superior no champagne em relação ao Chandon, a diferença entre eles não vale esse preço. É a diferença entre o Don Melchor e o Marquês de Casa Concha. Um é claramente superior ao outro porém numa proporção de 20 a 30% melhor. Percebi que o Chandon é muito bem feito e compensa quando pensamos em custo benefício! Inclusive depois de algumas taças a diferença começa a ficar imperceptível. Entre o Veuve Clicquot e o Moët Chandon eu achei que é uma questão de preferência. O Veuve é mais aromático que o Moët mas achei que no conjunto total o Moët se destacou melhor para o meu paladar! Quando consumimos champagne nós percebemos alguns aromas que não aparecem muito bem nos espumantes brasileiros como aromas de nozes, amêndoas, queijos,etc.

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Conclusão

Amigos, esse post apenas é a confirmação do que sempre falamos aqui no blog que um vinho não precisa ser muito caro para ser muito bom. Valorize os espumantes nacionais sabendo que estão num padrão de qualidade excepcionais. Minha recomendação porém é que provar um champagne original é algo para se fazer pelo menos uma vez na vida!

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2 comentários sobre “Natal, Réveillon, o Quinto Melhor Vinho do Mundo e Duelo de Champagne Francês versus Espumante Brasileiro

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