Paella com lagosta e vieira e duelo de Dom Pérignon versus Moët & Chandon

“Venham Depressa meus irmãos, estou provando estrelas!” Dom Pérignon

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Introdução

Amigos, hoje é um dia muito especial pois iremos provar um dos maiores ícones do mundo dos vinhos: o Dom Pérignon! Me arrisco a dizer que, talvez, não exista um outro vinho que represente tão bem a noção de opulência e chiquesse do que esse vinho. Estamos diante do representante máximo da noção de espumante! E para acompanhar esse colosso, iremos fazer uma receita à altura: uma paella com lagosta, lagostim, vieiras e muito mais. Allons-y mes amis!

Quem foi o Dom Pérignon?

Amigos, já tivemos aqui no blog um post contando uma breve história do champagne (link) e um falando do duelo entre um champagne e um espumante brasileiro (link). Então nesse aqui iremos falar um pouco apenas sobre esse ponto tão importante da história: o Dom Pérignon.

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Para que possamos entender um pouco porque essa bebida fez tanto sucesso é importante entendermos porque a França se tornou esse exemplo de chiquesse. Provavelmente o maior exemplo de esplendor da história tenha sido o do rei sol, o Luís XIV:

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Esse foi provavelmente o inventor da moda moderna. Usava 4 pares de roupas diferentes por dia e sua megalomania não possuía limites. Chegou a afirmar que o estado era ele mesmo (L’état c’est moi), exemplo máximo do absolutismo e grande defensor da cultura vinícola. Seu reinado de 72 anos (1643 – 1715) é considerado o maior do planeta. Em seu governo teve fim a Guerra dos trinta anos com a assinatura do tratado de Westfália em 1648 (considerado por muitos como o marco do surgimento dos estados modernos, pois inaugurou o moderno sistema Internacional, ao acatar consensualmente noções e princípios, como o de soberania estatal e o de estado-nação). Também foi em seu governo que se desenvolveu uma forma de mercantilismo bem diferente: o colbertismo.

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Jean-Baptiste Colbert foi um político francês que ficou conhecido como ministro de Estado e da economia do rei Luís XIV. Como ministro de Luís XIV, Colbert quis tornar a França a nação mais rica da Europa, e para isso implantou o mercantilismo industrial, incentivando a produção de manufaturas de luxo visando a exportação. A ideia não era apenas produzir em quantidade como Adam Smith pregou 100 anos depois, mas vender sofisticação!

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E foi nessa época que o vinho francês e, também, o de outros países como o tokaji húngaro (preferido de Luís XIV) ganhou prominência mundial e sofisticação. O próprio Luís XIV era grande fã do recém-descoberto Champagne!

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Pierre-Pérignon nasceu dentro desse contexto de exuberância e glória, porém decidiu dedicar-se à vida religiosa. Aos treze anos entrou para o colégio de jesuítas de Châlons e, em 1656, entrou para o mosteiro beneditino de Verdun onde, fiel às regras de São Bento, alternava trabalho manual, leitura e oração, adquirindo sólidos conhecimentos em filosofia e teologia. Em 1668, então com trinta anos, entra para a Abadia Saint-Pierre de Hautvillers. Até à sua morte em 1715, ele fica encarregado da adega e dos produtos da abadia.

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Como bom cristão e devotado a melhor servir ao convento e à igreja, Pérignon percebe que a melhor maneira de trazer glória e dinheiro para uso dela é através da cultura vinícola. Então ele passa a se dedicar de corpo e alma para produzir o melhor vinho possível. Com paciência e obstinação, o jovem monge tratou de recuperar a abadia, pois os depósitos, as adegas e as prensas estavam em ruínas. O seu objetivo: voltar a dar à abadia os meios que lhe faltam tanto e, enquanto isso, restaurar o brilho da pequena comunidade religiosa. Neste país de velha tradição vinícola, a exploração das vinhas e o comércio do vinho constituem, sem dúvida, o melhor produto de comércio.

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Várias técnicas modernas foram criadas por ele, como o assemblage (blend ou corte) de uvas. Foi ele quem primeiro testou fazer vinhos de várias uvas diferentes e de várias safras diferentes. Dedicou-se a viajar pela França para aprender novas técnicas de fabricação. Com Dom Pérignon, a enologia ascendeu à categoria de uma verdadeira ciência!

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E sua grande contribuição ainda estava por vir. À época, as garrafas eram tapadas com cavilhas de madeiras envoltas de estopa embebida de óleo. À procura de um método mais limpo e mais estético, Dom Pérignon teve a ideia de derreter cera de abelhas no gargalo das garrafas, que lhes assegura, assim, uma perfeita vedação. Ao fim de algumas semanas, a maior parte das garrafas explodiu, deixando o monge perplexo. Demorou algum tempo para compreender que o açúcar contido na cera de abelha tinha provocado, em contato com o vinho, uma segunda fermentação provocando uma brusca efervescência. Incapazes de oporem-se à pressão, as garrafas tinham voado das prateleiras. Foi essa feliz má sorte que permitiu a Dom Pérignon descobrir a fermentação em garrafa: “o método champanhês” ou, mais simplesmente o champanhe, acabava de nascer. Embora nada permitisse afirmar com certeza, o monge de Hautvillers teria inventado também a rolha de cortiça.

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Ao provar pela primeira vez a sua criação, Dom Pérignon falou a célebre frase: Venez mes frères, vite, je bois des étoiles! (Venham depressa meus irmãos, pois eu estou provando das estrelas!). A partir daí a lenda dos vinhos surge! Depois de alguns anos a marca e os direitos são comprados pela Moët & Chandon, que depois funde-se com a Henessy e, recentemente, funde-se também com a Louis Vuitton:

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A LVMH hoje é uma holding conhecida por ser a maior produtora de artigos de luxo do mundo! E é ela quem produz o champagne que iremos provar hoje:

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Ele é vendido numa caixa de papelão lindíssima em alto relevo.

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Dentro dela há um encarte falando sobre a safra de 2006:

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Receita de Paella

Precisamos de um prato à altura desse gigante meus amigos! Vou então fazer minha receita favorita: paella. Mas irei incrementá-la com alguns ingredientes de luxo: lagosta, polvo e coquille saint Jacques. O primeiro passo para fazer uma boa paella é fazer um bom caldo de peixe. Para isso usaremos os seguintes ingredientes:

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1 cabeça grande de peixe (robalo é uma boa opção), 3 dentes de alho, 2 tomates (gosto muito do italiano ou holandês), louro, 2 cenouras grandes ou 4 pequenas (a de rama é melhor), salsão, 1 bouquet garni (salsa, cebolinha e manjericão), cabeça de camarão, dez pimentas do reino brancas, sal e meia garrafa de vinho branco. Cubra tudo com água até a boca.

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Meia garrafa de vinho

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O segredo é cozinhar tudo no fogo baixo por aproximadamente 2 horas e meia até o caldo ter retirado todo o sabor dos ingredientes. Enquanto isso precisamos preparar o polvo que iremos utilizar na paella:

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Basta 1 polvo inteiro, duas cebolas, louro, azeite, pimenta e sal. Muito importante: não se deve adicionar água! Ele deve ser cozinhado no seu próprio suco por apenas 15 minutos na pressão!

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É bem triste ver como ele encolhe depois disso!

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Façamos agora o mis-en-place da paella:

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1 pimentão vermelho e 1 pimentão amarelo bem picados

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Use o tomate da sua preferência, o que eu mais gosto é o cocktail!

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Tempere os frutos do mar com limão, sal e pimenta do reino branca e deixo-os apurar o gosto. Aqui estamos usando fora 1 polvo inteiro, 1 quilo de mexilhões, 300g de vieiras, 1kg de lula e 1kg de camarão rosa do grande. Após algumas horas, o caldo de peixe estará pronto. É só coar e colocá-lo numa panela.

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Após o mis-em-place pronto iremos começar a fazer nossa paella. Usando uma paellera (a minha é antiaderente e tem 45cm de diâmetro), coloquemos azeite:

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Alho

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Tomates cortados em pedaços bem pequenos:

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Depois acrescentamos os pimentões:

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Adicionamos 1 colher de páprica (aqui eu estou usando a doce, mas pode ser a picante também):

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E depois de refogados os legumes, acrescentamos os frutos do mar:

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Refogamo-los bem e acrescentamos 1 colher de sal e um pouco de pimenta do reino branca:

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Aqui vai um dos segredos do prato: o tipo de arroz utilizado. Aqui usaremos o arroz bomba espanhol que é próprio para o prato:

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Um dos segredos para não errar na quantidade é encher a panela fazendo um formato de cruz. No nosso caso deu exatamente 1 saco de 1kg:

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Agora vem 300 ml de vinho branco:

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Açafrão a gosto

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Depois iremos refogar até secar um pouco (cerca de 10 a 15 minutos). Depois disso iremos utilizar nosso caldo preparado anteriormente:

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Iremos agora refogar tudo por cerca de 20 minutos ou até reduzir o caldo. Após esse tempo estaremos prontos para colocarmos a lagosta, o lagostim, o camarão gigante e a ervilha torta para terminarmos a preparação do prato.

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Agora precisamos tampar a paellera até o fim da preparação (cerca de 20 minutos)

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Vamos agora montar a mesa

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Vamos fazer nossa degustação comparando-o com o Moët & Chandon (que custa 4 vezes menos) para termos uma percepção da diferença entre os dois.

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Será que teremos o mesmo resultado da degustação Marquês de Casa Concha versus Don Melchor (link)?

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Amigos, acho que esse foi o prato mais gostoso que fiz na vida, acho que estou no céu! Já o resultado entre o duelo foi surpreendente: na minha opinião o Dom perdeu feio para o Moet. Achava que o Dom teria uma complexidade aromática maior por evoluir mais tempo, mas para espanto meu isso não aconteceu. Inclusive pegamos o le nez du vin (link) e percebemos que o moet possui aromas trufados e de pão tostado com brioche que o Dom não apresenta.

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Conclusão

Mais uma vez chegamos à conclusão: vinho mais caro nem sempre é melhor! Melhor ainda é perceber que os espumantes brasileiros de 60 ou 80 reais são até próximos em qualidade (link). Ou seja, se quiser beber um bom champagne, não gaste R$1500, gaste R$80 que a qualidade é quase a mesma! Até mais meus amigos.

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Saquê, culinária japonesa e harmonização com espumantes

 “A idade é melhor vista em quatro coisas: madeira velha para queimar, vinho velho para beber, velhos amigos para confiar e autores antigos para ler.” Francis Bacon

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Introdução

Olá Amigos, primeiramente quero pedir desculpas pela longa demora na atualização do blog, realmente o tempo encontra-se demasiadamente curto. Mas hoje é um dia muito feliz e especial pois é o meu aniversário e irei falar sobre possivelmente minha culinária preferida: a japonesa. O post de hoje será dividido em dois encontros em dois restaurantes maravilhosos: o Isao sushi e o Aoyama.

Sake

De modo a não errarmos quando decidimos harmonizar uma comida com uma bebida, a ciência da harmonização fala em se adotar a harmonização histórica. Há poucos anos atrás o mundo não era globalizado e as pessoas costumavam comer a comida de uma região apenas com o vinho daquela região e com o Japão isso não foi diferente. O sake também é considerado um vinho apesar de ser fermentado do arroz. E, assim como os vinhos possuem diversas categorias tanto de qualidade quanto de diversidade, de semelhante modo ocorre com o sake.

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Assim como existem milhares de tipos de uvas e apenas algumas espécies são próprias para a produção de vinhos (as ditas viníferas), assim ocorre com o arroz. Apenas alguns tipos são próprios para a produção dessa bebida maravilhosa. Esse tipo de arroz é chamado de sakamai no japão.

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A diferença básica entre eles é que o sakamai possui uma maior concentração de amido que o arroz de mesa. Abaixo eu vou deixar o link para um vídeo de apenas 10 minutos onde se ensina como produzir sake na sua residência. É muito bacana porque se pode ter uma ideia de como é feito de forma industrial:

https://www.youtube.com/watch?v=7u4XnOJm3oY

Outro vídeo bacana é esse falando sobre a diferença entre os tipos de sake:

https://www.youtube.com/watch?v=DtbZFzWvTIo

Assim como temos a classificação reservado, reserva e gran reserva, de uma maneira simplória podemos dividir o sake em diferentes classes de qualidade:

Junmai: Sake feito de água, mofo do tipo koji, levedura e a moagem do arroz não possui qualquer tipo de requisito mínimo.

Junmai Ginjo: Sake feito de água, mofo do tipo koji, levedura e a moagem do arroz apresenta o mínimo de 40% moído e 60% de cada grão restante.

Ginjo: Sake feito de água, mofo do tipo koji, levedura e a moagem do arroz apresenta o mínimo de 40% moído e 60% de cada grão restante. A diferença deste para o Junmai Ginjo é a adição de álcool destilado, o que trás um equilíbrio maior a bebida.

Junmai Daiginjo: Sake feito de água, mofo do tipo koji, levedura e a moagem do arroz apresenta o mínimo de 50% moído e 50% de cada grão restante.

E, finalmente temos o sake super premium: o daiginjo.

Daiginjo: Sake feito de água, mofo do tipo koji, levedura e a moagem do arroz apresenta o mínimo de 50% moído e 50% de cada grão restante. A diferença deste para o Junmai Daiginjo é a adição de álcool destilado, o que trás um equilíbrio maior a bebida.

Sushi Isao

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Amigos, esse rodízio que fica localizado na liberdade está, possivelmente, dentre os melhores da cidade (se não for o melhor). O atendimento é maravilhoso e tudo é muito limpo, organizado e uma qualidade realmente impressionante! Abaixo quero deixar mais um vídeo em que o Sr. Isao recebe um prêmio em Dubai pela excelência do seu restaurante. Vale a pena conferir:

https://www.youtube.com/watch?v=IF6p5lOUJwE

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Acho que, fora a qualidade ímpar deles, o que mais me chama a atenção é o rodízio de ostras. Simplesmente deliciosas com o molho feito na casa.

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A qualidade deles é tão superior que o niguiri deles vem envolto numa embalagem individualmente.

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A única crítica que eu possuo em relação ao restaurante é a falta de opções em relação à bebida. Sake só tem dois tipos: o Oseki californiano e o Azuma Kirim nacional. Nenhuma opção de vinhos. Escolhemos então o Oseki Sake Dry.

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Como explicamos acima, ele é enquadrado na categoria junmai. Futuramente aqui no blog faremos um review de um daiginjo.

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Sushi de hokkigai delicioso!

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É impressionante a qualidade e variedade de sushis: sushi de enguia, vieira (coquille saint Jacques) e sashimis variados.

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E o melhor para mim foram as ostras: que delícia!

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Ao final ainda tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente o Sr. Isao, uma pessoa altamente humilde e cativante. Se você gosta de comida japonesa não pode deixar de conferir esse restaurante!

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Aoyama

O segundo lugar em que pudemos degustar uma comida japonesa maravilhosa foi no Aoyama, esse que talvez seja o rodízio de japonês mais conhecido da cidade.

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É um lugar belíssimo e muito fino.

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Se você é um amante inveterado dos vinhos e deseja harmonizar a culinária japonesa com eles, a opção ideal são os espumantes dotados de uma acidez acentuada.

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Hoje vamos de Chandon Brut e Rosé:

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Mas também não podemos nos furtar de degustar um belo sake:

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Oseki

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Dentre as opções do cardápio impera a originalidade. Temos um delicioso tartare de salmão:

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Canapés de salmão com ceviche:

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Temos sushi de salmão com azeite trufado

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Os sushis e sashimis impecáveis:

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Shimeji na manteiga e camarão com lula

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Salmão e Anchova grelhados

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Picanha

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E um dos mais deliciosos: yakissoba de frutos do mar

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De sobremesa temos um petit gateau de doce de leite

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Conclusão

Dois lugares realmente imperdíveis assim como a harmonização dessa culinária tão maravilhosa com espumantes e sake. Viva o Japão!

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Fish and Chips, Chardonnay Americano e Duelo de Espumantes

“Se bebemos vinho, encontramos com sonhos que saltam em cima de nós da noite iminente.” D. H. Lawrence

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Introdução

Amigos, primeiramente quero pedir perdão pelo longo tempo de ausência, estava realmente sem tempo, mas fico feliz de poder voltar a escrever por aqui. Hoje o tema do nosso blog será a culinária inglesa e seu famoso fish and chips. Essa comida está para a Inglaterra assim como o sushi está para o Japão e a Paella para a Espanha. O post está dividido em duas partes: uma de um lugar bacana em São Paulo onde se pode degustar essa maravilha e a segunda de uma receita que pode ser feita em casa.

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Vinhos da Inglaterra

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Antes que alguém me pergunte por que não utilizei vinhos da Inglaterra, a resposta é porque eles são muito raros e não são importados para o Brasil ainda. A produção deles é extremamente pequena e o país pode ser considerado ainda uma criança no mundo dos vinhos apesar de já ser possuidor de grandes prêmios. O país produz na sua maioria espumantes que já ganharam dos franceses em vários concursos. Ele já possui grandes maisons francesas famosas como a Taittinger produzindo em solo inglês e vencedoras de diversos prêmios. Prometo num futuro próximo falar sobre eles.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, falaremos brevemente sobre algumas cervejas que degustei recentemente. A primeira delas é uma holandesa de um estilo muito peculiar e quase impossível de se achar no Brasil: a timmermans oude gueuze.

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A timmermans é uma cervejaria considerada a lambique mais velha do mundo (datando de 1702). Oude Gueuze é uma denominação de origem controlada: o seu rótulo é protegido. Esse estilo também é conhecido como o champagne das cervejas, especialmente porque só está disponível como edição limitada. Os aromas especiais dessa cerveja advêm do seu longo e rígido método de preparo. Ela é formada de um blend de velhos lambiques (envelhecidos por 3 anos em barris de madeira) e de novos lambiques os quais garantem a fermentação espontânea na garrafa. Vamos degusta-la junto com um terrine de canard:

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É uma cerveja bastante diferente de todas as outras que eu já tive a oportunidade de provar. Possui aromas cítricos e na boca lembra um champagne porém com uma acidez bastante acentuada. Com certeza foi a cerveja mais ácida que eu já tive a oportunidade de degustar.

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A próxima cerveja da degustação é uma wit feita por uma famosíssima cervejaria trapista a qual já comentamos várias vezes no blog: La trappe. Cerveja La trappe witte trappist.

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Não tenho muito a falar sobre ela: bem equilibrada sem nenhum destaque negativo. Tudo na medida certa: acidez, casca de laranja e semente de coentro.

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Fish and Chips

Como sempre fazemos aqui no nosso blog, iniciamos o nosso assunto de hoje contando brevemente a história desse prato tão famoso. Me arrisco a dizer que, junto com o beef wellington (falaremos sobre ele num futuro post) , representam icônicamente a culinária inglesa. Mas de onde vem tanta popularidade? A resposta é simples: ele foi a comida das massas durante a revolução industrial.

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É necessário lembrar que, nessa época não existia ainda leis trabalhistas, então os trabalhadores trabalhavam entre 14 a 16 horas por dia 6 vezes na semana. Isso tornava impossível cozinhar em casa por isso que surgiram várias barraquinhas vendendo essa delícia (provavelmente os primeiros “food trucks” da história). A Inglaterra é uma ilha então o peixe era algo barato e a batata tinha vindo do novo mundo e isso tornou essa comida em algo prático, saudável e gostoso.

Sirène

Como comentei na introdução, nosso post será divido em duas partes. A primeira delas é sobre um lugar bom e barato em São Paulo onde se pode degustar um fish and chips maravilhoso: Sirène.

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Localizada na avenida paulista muito próximo da estação de metrô brigadeiro, esse quiosque vende o autêntico fish and chips a preços muito atrativos.

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Como é costume na Inglaterra, esse prato é acompanhado de uma boa cerveja do estilo bitter (Ipa, red ale, etc) e a casa possui vários chops artesanais inclusive com a possibilidade de comprar uma caneca da casa a qual permite descontos sempre que se consumir lá e eles guardam sua caneca com o seu nome caso você queira deixa-la lá.

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O peixe utilizado por eles é a tilápia (saint peters).

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É impressionante como uma comida tão simples pode ser tão gostosa!

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É possível também a harmonização com uma boa cerveja de trigo: Erdinger Urweisse.

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Também acredito não haver nenhum ponto específico a ser falado sobre esta cerveja. É uma excelente representante do estilo weizen alemão apresentando aromas acentuados de cravo e banana.

Chardonnay Americano

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Amigos, vocês devem estar se perguntando onde estão os vinhos, já que o blog é sobre eles. Atendendo aos anseios irei responder de forma sublime: chardonnay americano. Um bom fish and chips pode ser harmonizado com esse tipo de vinho ou um bom espumante como faremos no próximo tópico. Woodbridge Robert Mondavi Chardonnay 2016.

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Amigos, desde que eu provei pela primeira vez um pinot noir americano o meu coração ficou cativo dele e, desde então tenho total certeza que os melhores exemplares encontram-se nos Estados Unidos. Porém hoje eu fui surpreendido mais uma vez por esse país! Que delícia de vinho! Quando provamos um chileno ou um brasileiro, ele é agressivo na boca e com a acidez acentuada, já o americano é redondo na boca sem nada se acentuando com aromas tropicais maravilhosos! Depois dessa experiência eu fico mais uma vez com os EUA.

Fish and Chips à la Gordon Ramsay

A segunda parte do post é mostrando uma receita que pode ser feita em casa caso você assim o deseje. Para ajudar nessa aventura eu vou pedir a ajuda de ninguém menos que o chef inglês Gordon Ramsay.

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Com 24 restaurantes ao redor do mundo, 11 estrelas no guia “Michelin” e diversos livros de culinária e programas de TV, Gordon Ramsay é o chef que mais fatura nos Estados Unidos, com um rendimento estimado em US$ 38 milhões, de acordo com uma lista divulgada pela revista “Forbes”. Muita gente o conhece por causa do programa Masterchef. Abaixo segue-se o link para a sua receita de fish and chips:

https://www.youtube.com/watch?v=zit9l5jtbws&t=235s

Começaremos com a escolha do peixe. Originalmente pode-se usar qualquer tipo de peixe branco como a tilapia, por exemplo, mas a nossa escolha será pelo bacalhau assim como a receita do Gordon Ramsay.

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O segredo é deixa-lo bem seco, então o cortamos em filés e deixamo-los secando num papel toalha:

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Como temos um lombo dessalgado iremos temperá-los com sal:

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Deixamo-los reservados enquanto procedemos com a receita do molho tártaro:

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Picamos bem um pepino em conserva, algumas alcaparras, uma mini cebola e adicionamos junto com uma maionese e o sumo de um limão (siciliano ou tahiti). Caso você deseje usar uma maionese caseira fique à vontade, porém uma boa maionese de supermercado também fica perfeito.

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Guardamo-lo na geladeira até o momento do uso e seguimos com a receita do empanado que dará a crocancia da casca. Precisaremos de duas cervejas long neck e dois sacos de fermento para pães:

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Misturamos bem e deixamos fermentar por aproximadamente 10 minutos. Depois adicionamos o líquido junto com 260g de farinha de trigo e 130g de farinha de arroz:

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Procederemos com a receita das ervilhas aos murros: um pouco de óleo

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Ervilhas congeladas, cebola picada, manteiga e alho

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Para assarmos o peixe, primeiro passamo-lo na farinha de trigo temperada com sal e pimenta do reino e depois molhamo-lo na massa que fizemos:

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Fritamo-los com o óleo bem quente:

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Fritamos também as batatas e temperamo-las com salsinha bem picada, sal, pimenta do reino moída na hora e páprica doce:

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E voilá: fish and chips à la Gordon Ramsay

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Para harmonizar com esse belíssimo prato iremos escolher um vinho que se encontra na vanguarda dos melhores vinhos que o Brasil produz e ainda entre os melhores do mundo: Casa Valduga espumante 130 brut.

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Harmonizou perfeitamente. A acidez do vinho casou muito bem com o peixe molhado no molho tártaro, que delícia!

Primeiro duelo: taça gota versus taça flûte

Amigos, vamos trazer aqui pro blog uma novidade quentinha acabada de sair do forno: a taça gota. Como todos estão carecas de saber, a taça que todos utilizam para degustação de espumante é taça flûte ou flauta como falamos no post das taças. Ela aposentou as taças abertas por desenvolver melhor o perlage. Porém hoje essa taça encontra-se caduca pois a mais recente descoberta é a taça do tipo gota a qual desenvolveria melhor os aromas sem deixar de desenvolver o perlage (as bolhas). Façamos então a comparação entre elas:

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Sendo bem sincero não consegui perceber diferença considerável entre elas. Talvez meu paladar e nariz ainda não estejam tão desenvolvidos porque achei as duas bem iguais.

Segundo duelo: 130 versus Casa Valduga Arte tradicional Brut

Como sempre fazemos aqui no blog, a idéia de fazer comparações entre vinhos mais caros e mais baratos é a de se chegar a conclusões se vale a pena pagar muito mais caro ou se um mais simples já está de bom tamanho. Hoje o duelo vai ocorrer entre a própria Casa Valduga: de um lado temos o 130 (que custa aproximadamente R$130) e do outro temos o Casa Valduga Arte tradicional Brut 2016 (que custa aproximadamente R$70).

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A diferença entre os dois é bem pequena! O 130 tem um pouco mais de aromas e no final da boca ele se apresenta um pouco mais redondo, mas a diferença não é considerável a ponto de um valer quase o dobro do outro. Grandes espumantes!

Conclusão

No futuro faremos outro post sobre o fish and chips na Inglaterra, mas por hora posso dizer que é uma comida maravilhosa e harmoniza muito bem tanto com as cervejas inglesas e americanas quanto com bons vinhos.

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Tucupi e harmonização de comida paraense com vinhos

 “O vinho é como a encarnação: é divina e humana.” Paul Tillich

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Introdução

Amigos, hoje teremos um post muito especial sendo uma homenagem aos meus amigos paraenses! Esse evento também é o oitavo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o sétimo encontro, basta clicar aqui. Alerto que falaremos apenas um pouco dessa rica cultura gastronômica e, espero no futuro, falar mais sobre outros pratos típicos como o pirarucu, o açaí e o pato no tucupi por exemplo.

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Tucupi

Amigos, é praticamente impossível falarmos sobre a rica culinária paraense sem falar desse ingrediente tão único e diferente que é o tucupi. Relembremos a famosa frase do nosso grande chef brasileiro Alex Atala:

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“A primeira vez que eu comi caviar me pareceu algo muito estranho e único, mas quando eu provei tucupi pela primeira vez também tive a mesma sensação! Se o caviar é considerado algo chique e o tucupi não o é, isso se dá porque alguém me disse isso. Existe uma interpretação cultural sobre o que são os aromas e sabores!” (Alex Atala)

O tucupi é um caldo feito com a mandioca brava ralada e espremida no tipiti, que é um espremedor feito de palha trançada.

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Depois da mandioca ralada e espremida no tipiti resta-se o caldo, a goma e a farinha. Esse caldo não pode ainda ser utilizado porque a mandioca brava contém alto teor de ácido cianídrico, então ele é cozido e depois deixado para fermentar por cerca de 3 a 5 dias. Abaixo vou deixar um vídeo muito legal e curto mostrando como é feito o tucupi:

https://www.youtube.com/watch?v=wG5Z1VGF_ZU

Ele é o ingrediente principal do prato mais consumido da região norte do Brasil: o Tacacá.

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Evento e harmonização

Essa oportunidade de poder provar essas iguarias paraenses nos foi dada pelos nossos queridos amigos Jéssyka e Lucas que conhecem tão bem dessa rica cultura. A Jéssyka é uma paraense da gema enquanto o Lucas é paulistano porém morou boa parte de sua vida nesse estado tão maravilhoso!

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Como entrada tivemos a famosa farofa de casquinha de caranguejo com tapioca

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Para harmonizar com esse prato o Nelson escolheu um vinho Rosé brasileiro de Espírito Santo do Pinhal, interior do estado de São Paulo! Guaspari Rosé 2016

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Mais uma vez o Brasil nos surpreendendo com vinhos de altíssima qualidade. Não me lembro de ter tomado um rosé mais gostoso do que esse em toda minha vida! Vinho altamente aromático porém jovem e com pouca complexidade. Perfeito porém com preço proibitivo: cerca de R$100. Recomendo com empenho!

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Enquanto nos era explicado o prato principal fomos embalados pelos ritmos paraenses do carimbó e do tecnobrega, tendo Pinduca e sua garota do tacacá como destaque:

https://www.youtube.com/watch?v=0zjFAC7mwdQ

Como prato principal tivemos arroz paraense (arroz fervido com caldo de tucupi misturado com camarão e jambú) com filhote na brasa. O filhote é um peixe de rio muito apreciado na região norte do Brasil.

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A harmonização com pratos à base de tucupi é bastante complicada porque poucos tipos de vinho combinam com esse sabor tão exótico, nos deixando quase que somente com expumantes do tipo Brut ou Extra-Brut. O primeiro que utilizamos foi um dos melhores que eu já provei em toda minha vida: o chileno Viñamar Extra-Brut. Espumante dotado de bastante formação de bolhas (perlage).

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Harmonização perfeita! Provamos também com outro gigante dos espumantes: Casa Valduga Rosé Brut.

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Provamos também outro espumante da Salton que se mostrou uma boa opção porém com qualidade um pouco inferior a esses dois apresentando pouca formação de perlage:

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Salton Évidence Brut

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Provamos também uma cerveja de trigo que a Marcela trouxe que caiu muito bem também com o prato em destaque:

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Mas o mais legal foi provar a cachaça paraense meu garoto feita com jambú que adormece a boca:

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E para terminarmos nosso evento tivemos o lendário sorvete de castanha do Pará com cupuaçu da Cairu:

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A sorveteria Cairu é lendária no estado do Pará, é quase que um patrimônio histórico da cidade!

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Conclusão

Fiquei com muita vontade de conhecer a cidade de Belém depois desse evento tão maravilhoso! Um agradecimento especial à Jéssyka e ao Lucas por tudo e um abraço carinhoso a todos os meus amigos do Pará. Viva o Pará e sua culinária!!

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Natal, Réveillon, o Quinto Melhor Vinho do Mundo e Duelo de Champagne Francês versus Espumante Brasileiro

“O vinho é uma das coisas mais civilizadas do mundo e uma das coisas mais naturais do mundo que alcançou a maior perfeição. Oferece uma gama maior para o prazer e apreciação do que possivelmente qualquer outra coisa puramente sensorial.” Ernest Hemingway

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Introdução

Amigos, hoje eu vou fazer um compilado breve da ceia de Natal e de Ano Novo mostrando como harmonizar bem vinhos com pratos dessa época. Ao fim do post teremos o tão aguardado duelo entre champagne francês versus espumante nacional. Antes que alguém critique minha escrita falando que champagne francês é um pleonasmo pois champagne só existe na região de champagne na França, quero afirmar que a língua portuguesa admite o pleonasmo enfático. Ou seja, como estamos no Brasil e é comum as pessoas chamarem de champagne todos os espumantes, esse pleonasmo servirá para destacar essa cabal verdade!

Natal

O Natal foi na casa dos queridos Jéssyka e Lucas, e como entrada tivemos um delicioso escondidinho de queijo serra da estrela (já comentamos sobre esse queijo no post anterior) com torradinhas, damasco e salaminho para acompanhar.

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Como harmonização caiu muito bem uma deliciosa witbier produzida por ninguém menos que a Casa Valduga. Delícia de cerveja! Cerveja Leopoldina Witbier.

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E o vinho para acompanhar esse prato português tivemos também um rosé português muito suave e agradável. Recomendo com empenho! Pinta Negra Rosé.

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Como pratos principais o cardápio foi: Peru Assado, Lombo de Porco Grelhado no mel e arroz à grega.

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Como harmonização tivemos os seguintes vinhos:

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Puerto Viejo Pinot Noir Reserva 2016

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Eu fiz questão de encaixar um brasileiro também. Aurora Pinto Bandeira Pinot Noir 2016.

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Mais um Pinot Noir: Junta Pinot Noir Reserve 2016.

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Como explicamos no post anterior o Pinot Noir é perfeito para harmonizar com aves pois elas são carnes magras e eles são vinhos de baixíssima tanicidade. Infelizmente o Brasil ainda não está se mostrando promissor com essa uva de difícil cultivo. O brasileiro é claramente inferior aos nossos amigos chilenos apesar de ter o mesmo preço. Mas valeu pelo conhecimento pois precisamos dar espaço para os vinhos do Brasil também! Alto Tierruca Gran Reserva Carménère 2013.

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Outras duas uvas que combinam bem com comidas natalinas são a Carménère e a Merlot, pois são bem parecidas (chegando a enganar especialistas num teste cego) e possuem tanicidade média a baixa. Esse Carménère quase que dispensa apresentações por ser um Gran Reserva. Mas também quero deixar dois exemplos de bom custo benefício de vinhos brasileiros. Como todos sabem desde o post do blog, a uva que se destaca no Brasil é a Merlot.

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Miolo Reserva 2015 Merlot

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Salton Intenso Merlot 2013

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Se você é uma pessoa que busca vinhos bons e baratos brasileiros podem tentar essas duas opções. Principalmente o Salton que eu o comprei por R$35 e agradou bem meu paladar para um vinho desse valor.

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Como sobremesa tivemos a famosa torta americana Red Velvet. O Red Velvet Cake ficou bastante conhecido durante a Segunda Guerra Mundial. Com o racionamento de alimento, eles passaram a fazer o bolo com beterrabas, que além de ser muito comum nos Estados Unidos, é rica em ferro e açúcares, e claro, dá o tom natural avermelhado. Depois da Guerra, com o sucesso do bolo, começaram a substituir a beterraba por corante alimentício. Como harmonização tivemos nada mais nada menos do que o icewine do post anterior (Creif Estate Winery 2015 Vidal Icewine) e um chileno de colheita tardia. Toro de Piedra Late Harvest Gran Reserva Sauvignon Blanc Semillon.

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Réveillon

Nosso réveillon foi na casa dos amados Nelson e Ana e tivemos maravilhosos vinhos e comida. Primeiro degustamos um ótimo Bourbon: Woodford Reserve Labrot and Graham.

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Nosso primeiro prato foi o bacalhau à moda nona do post anterior que tivemos o prazer de degustá-lo junto com um bom vinho verde. Tapada dos Marques Loureiro Vinho Verde.

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Muitas pessoas me perguntam sobre o que é vinho verde. A maioria delas, inclusive eu no passado, pensa que o nome se dá pela coloração esverdeada do vinho. Nada mais inverídico! Vinho verde é todo vinho produzido na região dos vinhos verdes de Portugal, inclusive os tintos recebem essa denominação! E essa uva Loureiro produz vinhos cítricos muito agradáveis.

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Após o Bacalhau nós tivemos duas carnes maravilhosas feitas pelo Vitor. Uma delas foi um filet mignon na churrasqueira temperado com mostarda dijon e salsa chimi-churri e a segunda foi uma alcatra recheada com queijos. Para acompanhar esses pratos eu escolhi dois dos melhores vinhos que o Brasil produz: o Salton Desejo e o Salton Talento. Embora já tivemos aqui no blog um post falando sobre eles, basta dizer que o Salton Desejo é famoso até mesmo na França. O único problema de degustar esses vinhos é o valor deles. Cada um não sai por menos de R$120. Ainda bem que encontrei-os na promoção pela metade do preço!

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Já o Salton Talento foi alvo de vários prêmios inclusive no quesito teste cego. Esse é um vinho brasileiro no estilo bordeaux que não deixa a desejar para nenhum outro! Um orgulho grande poder ver que existem vinhos brasileiros (apesar do alto preço) serem tão bons quanto quaisquer outros: franceses, chilenos, etc. Eu desafio qualquer um que tem preconceito com os vinhos brasileiros a degustarem esses dois grandes vinhos e não mudarem de idéia!

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Desafio qualquer um que duvida que existem bons vinhos no Brasil a não mudar de idéia ao experimentar esses dois colossos! Eles são pioneiros do tipo Gran Reserva no Brasil. Abaixo eu gostaria de deixar o link para uma entrevista com o enólogo responsável pela produção deles. É bem bacana.

https://www.youtube.com/watch?v=bK6F81KfRO0&t=2449s

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Tivemos também um espumante Francês que eu simplesmente adorei: JP. Chenet Ice Rosé. Excelente drinkability.

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O quinto melhor vinho do mundo

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Recentemente nós tivemos um julgamento bastante incomum no mundo dos vinhos. A Associação Mundial de Jornalistas e Escritores de Vinhos e Licores (WAWWJ) elegeu o espumante brasileiro Casa Perini Moscatel, da vinícola Perini, como o quinto melhor vinho do mundo. É lógico que choveram críticas e reviews no mundo todo comentando esse resultado para um vinho de R$ 43,50. É também patente que não existe algo como o melhor vinho do mundo como sempre comentamos aqui no blog. O que existe são paladares e técnicas de produção apurados. Decidimos então comentarmos sobre este vinho. Espumante Moscatel Casa Perini.

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Eu particularmente já vi vários estudos comprovando que é o Brasil o produtor dos melhores moscatéis do mundo, logo eu não consegui ter um paladar suficiente para comprovar que esse é um vinho muito melhor do que todos os outros moscatéis fabricados no Brasil, inclusive os do Vale do São Francisco como já comentamos anteriormente. A minha opinião é a mesma desde nosso último review: de um modo geral os nossos moscatéis são estupendos seja qual for a vinícola produtora. E sim, com certeza esse é um vinho maravilhoso. Muito gostoso de beber e bem equilibrado no açúcar.

Duelo de Champagne Francês versus Espumante Brasileiro

Amigos, preciso confessar que esse é, para mim, um dos posts mais aguardados do blog, pois sempre falamos aqui sobre a alta qualidade dos espumantes brasileiros, mas como se dá o desempenho destes diante dos favoritos do mundo: os champagnes? Para responder a essa pergunta iremos comparar branco com branco e amarelo com amarelo. Do lado Francês iremos escolher dois grandes ícones que simbolizam bem o mundo dos champagnes: o Moët & Chandon e o Veuve Clicquot. Caso haja necessidade de saber mais sobre o assunto de espumantes/ champagnes aqui temos o link para o post sobre eles.

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Hoje a Maison Moët Chandon também é responsável pelo champagne Dom Perignon, que seria uma linha premium da casa. Mas o que importa é que ela é a grande embaixadora do conhecimento do Dom Perignon reputado por ser o criador do champagne conforme falamos no post anterior. Hoje uma garrafa dessas é vendida no Brasil pelo preço proibitivo de cerca de R$300. Por sorte consegui encontrar uma meia garrafa!

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Embora existam na França dezenas de grandes produtores de champagne, o Moët Chandon e o Veuve Clicquot são os que mais se destacam por serem melhores na questão do marketing. O que não significa dizer que não existam outros champagnes muito bons como o Perrier-Jouet e o Laurent Perrier por exemplo. Hoje no Brasil uma garrafa de Veuve-Clicquot não sai por menos de R$400. Eu destaquei aqui esse vinho por possuir uma história no mínimo curiosa. O produtor dessa casa François Clicquot morre prematuramente deixando uma viúva jovem de 27 anos e um filho sem qualquer amparo. Essa viúva (Veuve em francês) Madame Barbe-Nicole Clicquot consegue miraculosamente (against all odds) erguer uma empresa considerada um gigante no mundo dos vinhos. E vai se tornar famosíssima no mundo todo durante a segunda guerra mundial pois passa a se tornar a bebida favorita tanto dos aliados quanto do eixo. É dito que o próprio Hitler presenteava seus generais com garrafas desse champagne. Durante batalhas muitíssimo cruentas como a de Stalingrado, os oficiais do alto escalão nazista consumiam essa bebida. A história dessa grande dama pode ser vista aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=W974kUXxVUI

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Do lado brasileiro temos o Chandon. Um vinho feito pela mesma casa produtora do Moët & Chandon usando as mesmas técnicas e uvas porém com terroir brasileiro. Hoje uma garrafa de Chandon pode ser comprada com um preço médio de R$60-70. Ou seja, estamos diante de um vinho que custa em média 4-5x menos! A pergunta que não quer calar é: vale a pena gastar cerca de 4 a 5 vezes mais de dinheiro de forma a obtermos um verdadeiro exemplar de champagne?

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A resposta é não! Embora consigamos perceber uma complexidade aromática superior no champagne em relação ao Chandon, a diferença entre eles não vale esse preço. É a diferença entre o Don Melchor e o Marquês de Casa Concha. Um é claramente superior ao outro porém numa proporção de 20 a 30% melhor. Percebi que o Chandon é muito bem feito e compensa quando pensamos em custo benefício! Inclusive depois de algumas taças a diferença começa a ficar imperceptível. Entre o Veuve Clicquot e o Moët Chandon eu achei que é uma questão de preferência. O Veuve é mais aromático que o Moët mas achei que no conjunto total o Moët se destacou melhor para o meu paladar! Quando consumimos champagne nós percebemos alguns aromas que não aparecem muito bem nos espumantes brasileiros como aromas de nozes, amêndoas, queijos,etc.

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Conclusão

Amigos, esse post apenas é a confirmação do que sempre falamos aqui no blog que um vinho não precisa ser muito caro para ser muito bom. Valorize os espumantes nacionais sabendo que estão num padrão de qualidade excepcionais. Minha recomendação porém é que provar um champagne original é algo para se fazer pelo menos uma vez na vida!

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Harmonizando Bobó de Camarão e Moqueca com Vinhos

“O vinho é uma das coisas mais civilizadas do mundo e uma das coisas mais naturais do mundo que alcançou a maior perfeição. Oferece uma gama maior para o prazer e apreciação do que possivelmente qualquer outra coisa puramente sensorial.” Ernest Hemingway

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Introdução

Amigos, hoje o post será sobre como harmonizar Bobó de Camarão e Moqueca de Peixe com vinhos. Esse evento também é o oitavo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o sétimo encontro, basta clicar aqui.

Confraria Távola Di Amici

Amigos, estamos hoje mais uma vez na casa dos queridos Daniel e Cláudia numa oportunidade única de poder degustar um bobó de camarão dos deuses junto com uma moqueca de peixe.

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No quesito da harmonização o ideal é o uso de qualquer vinho branco. Mas especificamente esse é um prato que pede um vinho mais encorpado como um Chardonnay ou um Viognier. Mas a combinação com outros brancos ou rosés também fica perfeita.

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A minha primeira escolha foi de modo a podermos celebrar um pouco mais dos vinhos que nosso país produz: Casa Valduga Chardonnay 2015.

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Esse é um vinho que, ao mesmo tempo em que emociona, traz também a decepção de não corresponder ao seu preço. É um grande vinho e traz orgulho ao Brasil, porém é caro por demasiado. É encorpado e embalado por aromas cítricos porém apresenta características mais rústicas como acidez um pouco elevada quando comparado com um chileno por exemplo. Achei que valeu muito a pena degustá-lo como conhecimento porém com R$80 (ou muito menos) compra-se um vinho chileno de qualidade muito superior.

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A viognier é uma uva que se encaixa perfeitamente nessa classificação de vinhos brancos encorpados, porém é muito rara no Brasil e seus vinhos possuem valores elevados. Optei então por uma versão Argentina bem mais barata. Ampakama Viognier 2016.

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Conforme expliquei esse é um vinho no máximo para o dia-a-dia e, nessa perspectiva, cumpre o prometido!

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Mas a prata da casa ainda estava por vir. Apesar da Sauvignon Blanc produzir vinhos brancos leves, ela também harmoniza bem com os pratos em questão. E conforme falamos sobre os vinhos da Nova Zelândia num post anterior, sabemos que é lá onde se produzem os melhores Sauvignon Blanc do mundo. Sileni The Straits Sauvignon Blanc 2015.

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Esse é sem sombra de dúvidas um vinho que todos devem conhecer antes de morrer. Altamente aromático com presença de frutas tropicais como a goiaba embala qualquer boa refeição envolvendo frutos do mar.

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Outro grande vinho que harmonizou muito bem com a refeição foi o Viña Tarapacá Sauvignon Blanc Gran Reserva 2013. Vinho bem estruturado com presença forte de madeira.

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Como entrada tivemos um espumante italiano simples mas excelente para um bom começo de refeição. Spumante Valdorella.

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Outros amigos escolheram utilizar vinhos rosés como harmonização. Como vimos no post sobre como um vinho é feito, o estilo rosé pode ser feito com qualquer uva e eles podem ser levemente adocicados ou secos.

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Esse é um vinho digno de apreciação e harmonizou muito bem com a comida. A despeito da presença de aromas cítricos adocicados como a tangerina ele é um vinho seco e mineral. Boya 2016 Rosé.

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Depois da parada no Chile é hora de voltarmos ao canônico velho mundo: Itália. Stinca Cantine Rosato. Rosé agradabilíssimo.

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O próximo da lista eu fiquei bem surpreso pois nunca tinha visto um rosé de Cabernet Sauvignon! Santa Digna Reserva Cabernet Sauvignon Rosé 2016.

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Esse ficou melhor pós-refeição como digestivo devido ao seu paladar mais adocicado! Não poderíamos nos esquecer de nossas raízes portuguesas: Muralhas de Monção Vinho Verde.

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Por fim tivemos também a presença americana do seu vinho mais consumido: White Zinfandel. Sutter Home White Zinfandel. Caso queira saber mais sobre esse vinho clique aqui para ir ao post sobre ele.

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Conclusão

Excelentes harmonizações embora ache que os mais adocicados combinaram mais no pós refeição do que junto com a comida em si!

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Harmonizando vinhos com feijoada

 “Diz-se «in vino veritas», mas diz-se também que a verdade está no fundo de um poço; logo é um poço cheio de vinho.” Raymond-Claude-Ferdinand Aron

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um pouco diferente porque mostraremos uma harmonização com vinhos pouco comum. Quando pensamos em gastronomia brasileira, o exemplo máximo que nos vem à cabeça é a feijoada com a caipirinha, mas hoje mostraremos que é possível sim degustá-la com uma boa taça de vinho. Também foi um momento maravilhoso por ter sido o aniversário do meu tio Francisco.

Cervejas

Apesar de gostar de quase todos os tipos de cerveja, para mim nenhum estilo me apraz mais do que o estilo weizen (trigo) alemão e hoje quero deixar um dos exemplos mais icônicos do tipo: Franziskaner weissbier.

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Essa é uma cerveja bávara de excelente qualidade que apresenta bem as qualidades desse estilo: presença forte do cravo e da banana com boa turbidez e bastante encorpada. É muito semelhante à Erdinger e/ou à Paulaner, fazendo com que mesmo os bons conhecedores de cervejas se enrolem diante de um teste cego.

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Essa segunda é produzida por uma cervejaria artesanal brasileira jovem porém bastante premiada: a Schornstein. É uma cerveja bem feita que apresenta bom corpo e estrutura de uma Weiss. Na minha opinião só pecou um pouco no amargor. Achei-a com um amargor um pouco acima do agradável para esse estilo, mas achei que valeu a pena experimentá-la. Recomendo!

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Acredito que se o critério de escolha de alguém por uma cerveja seja a embalagem, certamente a Faxe dinamarquesa será uma excelente opção. Sua emblemática lata de 1 litro com a foto de um viking realmente cativa a atenção de um bom apreciador! Achei gostosa essa Wit porém percebi um certo desequilíbrio entre a quantidade de semente de coentro e a casca de laranja. O coentro está bem presente, mas não consegui identificar muito bem a laranja!

Início do evento

A palavra harmonização tem origem no vernáculo italiano Abbinamento, que significa andar lado a lado, casar, formar par, combinar. Dentro desse contexto, duas possibilidades vêm à tona: similaridade ou contraste. E é desse ponto comum que descobriremos qual a melhor harmonização para a feijoada. Podemos tentar usar um vinho mais tânico como o malbec ou o merlot ou também podemos harmonizá-lo com um bom espumante por contraste.

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Para o teste com espumantes temos dois tipos diferentes: um excelente nacional da Salton feito com as uvas Prosecco e um francês rosé Brut.

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É incrível como eles combinaram com a comida! Nunca pensei que fosse boa essa combinação, mas acho que o contraste da acidez com a gordura do prato de alguma forma paradoxal se combinaram entre si. Sobre o espumante Salton eu acredito que ele dispensa comentários pois acredito ser um excelente custo-benefício. Alguns estudiosos consideram o prosecco nacional até mesmo melhor que o italiano. Mas meu favorito do dia foi esse Francês rosé Charles de Fère cuvée Jean Louis. Apesar de não ter sido feito no terroir de champagne, consegue-se perceber algumas características francesas como a presença de aromas de castanhas e avelãs, ainda que sutis.

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Parabéns mais uma vez à minha tia Sônia pela comida maravilhosa. A feijoada estava perfeita! Mas a festa ainda estava praticamente começando porque os três vinhos que foram abertos depois da feijoada foram simplesmente motivo de cair o queixo de emoção.

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O primeiro foi o Escalera 2009, ganhador da medalha de ouro no Annual Wines of Chile Awards 2014 e marcou ainda 92 pontos no La CAV 2014, duas premiações chilenas de grande importância. Esse é um vinho que simboliza toda a potencialidade do Chile diante de países consagrados como a França. Tenho certeza que bate vinhos de milhares de reais num teste cego. É sensacional!!

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Como já falei no post anterior, esse segundo é o melhor vinho tinto que eu já tomei em toda minha vida: Primitivo di Manduria Luccarelli. O que eu degustei no post anterior foi da safra de 2011, e esse é ainda melhor pois foi da safra de 2008. Um vinho agradável do começo ao fim. Mesmo para pessoas que não possuem um olfato tão treinado, consegue-se perceber uma complexidade aromática muito grande nele. Aromas de chocolate, café e frutas negras e vermelhas são embaladas por um equilíbrio fantástico de taninos, acidez, álcool e muita fruta. Mais uma vez ressalto que esse é o melhor vinho tinto que eu já tive a oportunidade de degustar em toda minha vida.

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E esse último é uma compensação dos posts anteriores pois ainda não tinha falado de um bom vinho do Dão. Vamos relembrar o mapa de Portugal:

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O Dão é uma região em que a inovação convive lado a lado com a tradição. É um dos melhores terroirs do país, local de origem da celebrada uva Touriga Nacional. A região produz alguns ótimos vinhos tintos, de enorme estrutura, grande concentração de fruta e elegância. Casa de Cello Quinta da Vegia 2010 é um vinho muito consagrado que recebe 90 pontos pela classificação de Robert Parker. Aqui a estrela é a Touriga Nacional, com aromas florais e frutados.

Conclusão

Parabéns mais uma vez Francisco, sua festa foi por demais egrégia. Foi muito bacana perceber que há também uma alternativa para a feijoada a despeito da famosa caipirinha. Combinar espumante com feijoada provou ser uma excelente combinação!

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Evento de comemoração Le Grand Chef

“Por mais raro que seja, ou mais antigo, só um vinho é deveras excelente… Aquele que tu bebes, calmamente, com teu mais velho e silencioso amigo.” Mário Quintana

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Introdução

Amigos, conforme prometi semana passada, esse será um post especial de comemoração a 1 ano do blog Vinhos e Afins para Leigos. Quero agradecer ao amigo Rafael Campos e a sua esposa Eloísa que nos proporcionaram essa noite tão única. A rede Accor Hotels, especificamente a Cook Lovers Club esteve proporcionando um evento espetacular no estilo masterchef para seus associados. Como meu amigo Rafael Campos me convidou, eu pude participar desse evento maravilhoso!

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http://cookloversleclub.com.br/

Chegada ao evento

Logo na chegada do evento tivemos uma recepção calorosa patrocinada pela rede Accors no Hotel Pullman. Espumante Italiano com vários tipos de amouse bouche. Salmão com geléia de damasco, Ceviche e torradas com queijo brie e geléia.

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Seus aromas de frutas amarelas, como damasco e pêssego, embalam o primeiro gole. Em boca, se mostra cremoso e concentrado, com acidez agradável. Antes de saber que era italiano pensei que fosse brasileiro, pois suas características o fizeram classificar como tal.

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Acompanharam-no muito bem os amouse-bouches e o robalo com sushi de filet mignon!

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Início do evento

Após a recepção por demais calorosa, tivemos início à competição. Esse evento que foi agradável até mesmo para os convidados que ficaram participando do coquetel.

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Enquanto o Raul apresentava o evento e os participantes, descobri que ficaria na equipe amarela:

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E a nossa chef que iria nos apadrinhar seria a Larissa Mazzoli, que apesar de ser bem jovem possui um currículo bem extenso, tendo trabalhado em vários restaurantes de destaque em Dubai. Particularmente não penso que deveríamos ter tido uma ajuda melhor!

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Abaixo segue um artigo com uma breve discussão sobre seu currículo. Vale a pena conferir:

https://www.khaleejtimes.com/shes–got–the-fire

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Equipe mais do que divertida e amigável! Após o sorteio da proteína a ser usada no nosso prato ficamos com o Ojo de Bife (Ribeye). Nossa equipe também foi contemplada com o acompanhamento quiabo. Ou seja, precisávamos fazer um prato principal que envolvesse o quiabo e o Ojo de bife.

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Como é costume em toda prova do tipo masterchef, é necessário fazer compras antes de começarmos a fazer os pratos. Abaixo seguem-se fotos e vídeos do youtube desse momento tão legal:

https://www.youtube.com/watch?v=bCA7IU_S45w&feature=youtu.be

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Após o mercado feito é hora de começar a cozinhar. A chef Larissa Mazzoli nos deu a idéia de fazermos um ribeye com quiabo ao molho de mostarda e como entrada uma salada com maçãs flambadas no vinagre balsâmico.

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https://www.youtube.com/watch?v=SnOjhVRjQsA&feature=youtu.be

Aqui a Larissa dá a dica de como montar o prato principal:

https://www.youtube.com/watch?v=WZoou8ETGVU&feature=youtu.be

Antes de apresentarmos o prato para os jurados tivemos de dar opinião sobre qual será o nome dos pratos. Eu sugeri darmos o nome da entrada de Salade à la pomme:

https://www.youtube.com/watch?v=AFKPSHmujzk&feature=youtu.be

Tivemos de apresentar os pratos para um júri de peso:

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Leonardo Santos (ex-masterchef):

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Natália Clementin (Ex-masterchef):

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Lucas Demetrescu (gerente de Alimentos e Bebidas da Rede Ibis na América Latina):

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Aldo Shiguemi Assada (Eleito sommelier do ano)

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O chef Adriano Cucato:

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E a famosíssima youtuber Camila Masullo Martinhão (dona do canal sal de flor):

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Me pediram para apresentar a entrada do nosso time:

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https://www.youtube.com/watch?v=jjbmQx7r8_s&feature=youtu.be

https://www.youtube.com/watch?v=4c04Yv2jY_o&feature=youtu.be

E o Rodrigo ficou responsável por apresentar o nosso prato principal:

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Jantar

Após o divertidíssimo evento tivemos um jantar maravilhoso com direito inclusive à banda.

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Como vinho tinto tivemos esse malbec maravilhoso: Família Gascón Malbec 2016. Um vinho que apresenta características superiores como aromas bem presentes de frutas e violeta com presença forte de madeira.

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E como vinho branco tivemos minha segunda uva preferida (link): Barone Montalto Pinot Grigio. Ele harmonizou muito bem com a entrada da festa:

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Como prato principal tivemos dois: filet mignon com purê de mandioquinha e salmão com robalo:

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E por fim tivemos uma sobremesa surpreendente: petit gatêau

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Conclusão

Mais uma vez agradeço ao meu amigo Rafael e a todos os que acompanham o blog vinhos e afins para leigos. Esse aniversário de 1 ano é uma data a qual vocês também fazem parte!!!

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Evento enogastronomico e minicurso de vinhos

“Dai-lhes bons vinhos e eles vos darão boas leis.” Montesquieu

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Introdução

Olá amigos, esse talvez seja o post mais especial que tivemos desde o início do nosso blog. É o aniversário da minha tia Sônia de 50 anos e tive a oportunidade de rever vários familiares meus vindos de Recife e Belo Horizonte. O evento contou com um Sommelier e sua equipe proporcionando um minicurso de vinhos e algumas surpresas. Pela primeira vez no blog teremos também alguns vídeos.

Pré-evento

Na noite anterior tivemos a oportunidade de degustar três bons vinhos. O primeiro deles é um Shiraz australiano: Trentham Estate Shiraz 2015.

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E, conforme já foi apresentado anteriormente no blog (link), a uva Shiraz na Austrália demonstra todo o seu potencial só perdendo para a região do Hermitage na França (link). Um vinho que apresenta aromas muito marcantes de frutas negras e de especiarias. Um ótimo custo benefício no valor de R$70.

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Após o novo mundo volvemos ao velho de maneira muito agradável! Jiménez-Landi Bajondillo D.O.P. Méntrida 2015. Esse corte de Garnacha com Shiraz concede ao vinho uma leveza e alto teor gastronômico. Acompanhou bem um pão caseiro com uma canja de galinha.

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Esse último gerou em mim profundo orgulho e satisfação de poder ver que no Brasil já existe coisa boa sendo feita! Já falei em alguns posts (link) sobre como os vinhos do Brasil estão evoluindo e sendo bem vistos no exterior e esse é mais um exemplo. É necessário deixar bem claro que esse ainda não está no nível de um bom Francês ou Chileno ou Argentino ou Americano como tivemos no post anterior (link), mas certamente ele está no caminho certo! Salton Paradoxo 2015. Um vinho de R$35 brasileiro que ganhou meu respeito por se tornar uma opção de um vinho barato e com um bom grau de qualidade.

Evento enogastronômico

Amigos, quero apresentar aqui o sommelier responsável pelo minicurso que tivemos no dia do evento. Em baixo temos um breve resumo sobre sua carreira:

Cássio Henrique Almeida de Oliveira

1-Trabalhou no Sonda Supermercados por 2 anos como Sommelier e encarregado da adega

2-Sommelier do Grupo Oba por 7 anos (até o momento)

3-Sommelier e coordenador geral das lojas de São Paulo do OBA

4-Colunista da revista Brazil-USA (EUA- Flórida), Revista feita para brasileiros que ali residem sendo 100% do conteúdo português.(https://www.facebook.com/brazilusaorlando/?pnref=lhc)

Formação

Universidade Paulista (Unip)

Bacharelado em Administração de Empresas

ABS- Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo

Sommelier 3 módulos (países, fundamentos do vinho e serviço do vinho)

 

Às vezes as pessoas me perguntam sobre onde comprar bons vinhos com um bom custo benefício e, uma boa resposta para essa pergunta é o Oba supermercados. Então se você já entrou na adega de um Oba a procura de bons vinhos e ficou encantado com a boa seleção que eles possuem, agradeçam ao Cássio pois ele é o responsável pela escolha de todos os rótulos que a rede possui.

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Como introdução à palestra, o Cássio falou um pouco sobre os tipos de taças que utilizamos para vinhos. Em baixo temos o link para o vídeo no youtube (peço perdão pela qualidade artesanal dos vídeos):

https://www.youtube.com/watch?v=VdmKgttjm84

E na mesa de cada um dos convidados podemos ver que foi separado um tipo de taça específico (espumante, branco e tinto) para cada tipo de refeição:

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Apéritif (hors d’oeuvre)

Amigos, conforme é costume em uma refeição mais sofisticada, podemos ter como apéritif alguns Canapés, Amuse Bouche ou Amuse Gueule. Que nada mais são do que entradinhas (hours d’oeuvre) antes mesmo da entrada principal. Eles combinam muito bem com um champagne ou espumante. Esses em específico foram feitos com salada de bacalhau na barquinha.

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O espumante escolhido pelo Cássio é o da Casa Valduga, um excelente custo benefício. Ele é um exemplo de que é possível apreciar um bom espumante sem precisar pagar R$400 numa garrafa de Champagne. Em conversa com alguns amigos franceses, esse é sucesso inclusive na França!

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casa valduga

Tivemos também uma surpresa que o Cássio nos proporcionou: a abertura desse espumante com um sabre. Confira o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=eBrpqy68pSk&t=3s

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Depois disso o Cássio começou falando sobre como degustar um vinho. Confira a parte 1:

https://www.youtube.com/watch?v=29wX3dOAPgI

Parte 2:

https://www.youtube.com/watch?v=u446Pl0q0mU

Nessa terceira parte temos a degustação específica com o Casa Valduga:

https://www.youtube.com/watch?v=ZxaXuqG7Vwg&feature=youtu.be

Parte 4:

https://www.youtube.com/watch?v=pCu9Jk6QD9I&feature=youtu.be

Entrée

Logo após os canapés é a hora de servir a entrada da refeição. Normalmente é aqui que é servido um bom vinho branco e, no caso dessa festa em específico foi servido um top considerado um clássico Argentino: Catena Zapata Chardonnay.

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Já tivemos um post em que falamos sobre a bodega Catena Zapata e a importância que o Nicolás Catena teve para a viticultura argentina (link), mas cabe aqui dizer apenas o seguinte: até a década de 90 a Argentina nem era citada como produtora de vinhos razoáveis, mas depois do trabalho dele, ela começou a produzir vinhos até mesmo melhores do que os Chilenos, Americanos e Europeus. Então o nome Catena carrega um peso por si só. E o mais legal é perceber que não é necessário um vinho custar R$500, 1000 ou 10000 reais para ser considerado maravilhoso. Com R$120 podemos comprar uma maravilha como essa.

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No próximo link o Cássio vai falar sobre esse vinho e bodega maravilhosos:

https://www.youtube.com/watch?v=lw4-tyo9w98&feature=youtu.be

Continuação:

https://www.youtube.com/watch?v=e4zk9Rq-58w&feature=youtu.be

Parte 7:

https://www.youtube.com/watch?v=3AWYvkMlL8U&feature=youtu.be

E para acompanhar essa lenda temos dois pratos fantásticos. O primeiro deles é uma salada de folhas verdes com camarão, acompanhada de molho à base de iogurte, mel e condimentos:

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O segundo prato é uma massa. Farfalle acompanhado de molho com fundo de alcachofra, tomates cereja e outros condimentos:

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E aqui o Cassio responde algumas perguntas sobre o mundo do vinho:

https://www.youtube.com/watch?v=l8k4t09VPAI&feature=youtu.be

Plat Principal

Após a entrada está na hora do melhor da festa: o vinho tinto com o prato principal! Confesso que, poucas vezes na minha vida, tomei um vinho tão gostoso quanto esse: Volcanes Tectonia 2012.

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Um vinho maravilhoso formado com um corte mediterrâneo com as uvas Mourvèdre, Petite Syrah e Grenache. Ao tomá-lo e perceber seus aromas de compota de frutas negras como cassis e cereja, me lembrei do Don Melchor (link). Nesse último vídeo o Cássio fala um pouco sobre esse vinho extremamente elegante e agradável de beber:

https://www.youtube.com/watch?v=nFE6dnKwu3s&feature=youtu.be

E o prato principal escolhido é uma paleta de Vitela com vinho tinto e acompanhamentos:

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Também troquei muitas idéias com outro sommelier do grupo Oba, o Damião. Que também me confessou esse ser um dos melhores vinhos que ele já havia degustado até então.

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Dessert

Como sobremesa, o vinho de escolha novamente foi do Chile: Junta Late Harvest Gran Reserva 2013 feito com a uva Semillon. Detalhe para a taça utilizada: tipo ISO. Ela é a taça padrão de degustação do mundo todo, inclusive para outras bebidas como café, cerveja, etc.

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Para acompanhar esse vinho com aromas de figos, frutas vermelhas e mel temos um cheesecake com calda de frutas vermelhas e um pudim de limão siciliano.

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Início da festa

Após a refeição tivemos ainda um espumante moscatel bem docinho e leve: Nero.

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E um Malbec Francês que foi utilizado inclusive para acompanhar o churrasco do dia seguinte: Domain les Barthes 2015 Malbec.

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É fantástico ver como um vinho produzido com a mesma uva pode ser tão diferente quando plantada em outro terroir. Pretendo fazer um post em breve com a comparação entre um malbec francês e um argentino, mas de antemão quero adiantar que o Francês é um vinho bem mais leve e com taninos muito mais suaves do que o argentino. Lembra de longe um pinot noir.

Contato do Cássio

Pessoal, conforme vocês devem ter visto nos vídeos e nas fotos, trata-se de um excelente profissional que eu o recomendo com empenho. Caso alguém queira contatá-lo para assuntos profissionais ou mesmo para realização de um evento, segue-se o seu número de celular/whatsup: (11) 98744-6518.

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Quero deixar também o contato do Damião: (11) 948984989.

Conclusão

Quero deixar um agradecimento muito grande à minha tia Sônia por ter proporcionado a sua família e amigos uma festa tão agradável como essa. Recomendo cada um dos vinhos citados nesse post. Um grande abraço a todos e fiquem com Deus.

Conheça todos os posts do blog através desse link

Camarão à Húngara, cerveja Deus e a champenoise brasileira Wäls

“Onde o bom vinho falta, encurta o espaço para o amor” (João Alberto Catalão)

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Introdução

Olá amigos, hoje teremos um post que sairá um pouco do modelo ortodoxo já visto desde então. Sabemos que o foco do blog é em vinhos, mas hoje teremos um post levemente diferente: vamos falar sobre cervejas champenoises. Teremos uma exemplar belga produzida em champagne e uma brasileira da cervejaria Wäls. Para acompanhar essas maravilhas vamos fazer uma receita deliciosa: camarão à húngara.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, antes de falarmos sobre o evento e os vinhos do post, faremos um breve review de algumas excelentes cervejas. A primeira delas é eleita a melhor cerveja escura do tipo stout do mundo: a guiness.

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A Guinness Draught é a cerveja stout mais consumida do mundo. É uma cerveja especial de cor negra e uma excepcional espuma densa e cremosa, que persiste durante toda experiência da degustação. Aromas e sabores de café e chocolate amargo bastante presente a tornam uma cerveja irlandesa referência do estilo stout.

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A segunda é uma brasileira muito especial. A cervejaria coruja é um exemplo de qualidade não apenas no Brasil mas no mundo todo. E esse exemplar de trigo é levemente diferente das tradicionais weizen por conter maltes defumados e um leve toque de pimenta do reino. Vale a pena experimentar.

Cervejas champagne

Afinal, é um champagne ou uma cerveja? Garrafa típica de espumante, remuage, segunda fermentação em garrafa, estágio em caves francesas, perlage etc. Assim são as características dessas bebidas. A história das cervejas Champenoise começa com a lendária DeuS, produzida pela cervejaria Bosteels – fundada em 1791, na cidade de Buggenhout, na Bélgica. A DeuS é produzida na Bélgica e depois transferida para a França (Epernay), onde passa pelo processo Champenoise, fazendo uma segunda fermentação na garrafa, passando meses em caves dos melhores espumantes franceses.

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Na mesma linha vêm as cervejas Malheur. A história cervejeira da família Malheur iniciou-se em 1839 e a cervejaria, que também fica em Buggenhout, foi construída em 1997, num prédio do século XVI onde funcionava outra cervejaria.

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As cervejas Malheur são todas Ales (alta fermentação), vivas e refermentadas na garrafa onde os fermentos continuam vivos após o engarrafamento, possibilitando que seus sabores evoluam com o tempo. Além disso, são produzidas utilizando-se flores de lúpulo in natura. Foi o mestre-cervejeiro da Malheur, Luc Verhaeghen, quem desenvolveu em 2001 essa técnica a partir de várias visitas à região de Champagne, onde estudou os métodos de produção e, principalmente, de condicionamento de garrafas lá utilizados. Inicialmente, suas tentativas foram recebidas com ceticismo, mas, depois, receberam uma grande ajuda do Epernay Oenologique Institut, que forneceu o fermento e viabilizou a aquisição dos grandes pallets giratórios que completam trinta e seis movimentos em sete dias. Mas sem sombra de dúvida foi a DeuS quem conseguiu popularizar o estilo no mundo todo inclusive recebendo diversos prêmios:

  • Medalha de prata na World Beer Cup nos Estados Unidos em 2002
  • Prêmio de “Beer of the Year” nos Estados Unidos em 2003 pela Malt Advocate Magazine
  • Prêmio de “Best of New Beer” nos Estados Unidos em 2003 pela Celebrator Magazine
  • Prêmio de “Biere d innovation de l annee “ na França em 2003 pela Bière Magasine
  • Medalha de Prata na Brewing Industry International Awards em Londres em 2004

Essa Belgian Strong Ale passa pelo método champenoise, ganhando uma similaridade com o champagne. A cerveja Deus tem um gosto leve, mas que esconde seu nível elevado de graduação alcoólica: 11,5%. Aroma complexo, com maçã, hortelã, gengibre, malte, lúpulo e cravo-da-índia. Sabor refrescante com final seco e adstringente. E hoje nós estamos tendo a oportunidade de degustá-la aqui no nosso blog graças à minha esposa Aline que me deu uma de presente de aniversário. Infelizmente essa é uma bebida que não é possível tomarmos com frequência devido ao seu alto preço (custa o mesmo que uma garrafa de champagne no Brasil R$250-300).

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Também iremos degustar aqui uma champenoise brasileira que eu pude comprar na minha última viagem à Belo Horizonte quando visitei a melhor cervejaria do país: a Wäls.

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Harmonização

Não podemos degustar bebidas de peso sem um prato à altura, logo nossa escolha será pelo famoso camarão à Húngara. Para começar a fazê-lo, tomemos cerca de 1kg de camarão:

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E vamos temperá-los com o sumo de 2 limões:

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2 colheres de sopa de páprica doce e 1 de páprica picante (cuidado pois ela é muito apimentada)

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Azeite, pimenta do reino branca e sal a gosto:

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Depois deixamos o camarão descansar por cerca de meia hora:

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Enquanto isso vamos cozinhar as batatas. Tomemos 1kg de batata Asterix:

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Vamos descascá-las e cortá-las em rodelas:

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Vamos colocar água e sal em uma panela e aguardar o momento de fervura. Após ele começar a acontecer vamos colocar as batatas e cozê-las de forma que elas apenas fiquem levemente cozidas (10 minutos) para que elas não se desfaçam.

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Depois iremos secá-las e separá-las:

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Passemos então os camarões para a frigideira com manteiga, azeite e alho:

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É interessante não cozinhá-los por muito tempo, a idéia é só selá-los já que depois irão ao forno.

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Depois da selagem, vamos acrescentar cerca de 2 colheres de farinha de trigo:

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Adicionamos 800g de creme de leite:

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Por fim vamos acrescentar o açafrão:

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E as batatas:

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Depois colocaremos numa tigela refratária para levarmos ao forno a 200 graus Celsius:

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Um pouco mais de páprica antes:

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O tempo de cozimento leva cerca de 30 minutos. Enquanto isso faremos o arroz na panela de pressão elétrica:

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Usaremos dois copinhos cheios de arroz:

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Vamos refogar azeite, alho e cebola picada junto com o arroz:

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Após vamos acrescentar cerca de 3 copinhos de água, um sachê de sazon e cozinharemos na pressão por cerca de 12 minutos.

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Logo após a comida estará pronta para a degustação:

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Degustamos também uma cerveja dinamarquesa espetacular: Hertog Jan Tripel. Ela possui uma das garrafas mais bonitas que eu já vi numa cerveja: ela é feita toda de cerâmica.

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Conclusão

A noite foi maravilhosa com uma excelente companhia: Aline. Sobre as cervejas a nota é 10. Sei que é muito caro comprar uma DeuS aqui no Brasil, mas ela é do tipo que necessita ser degustada ao menos uma vez na vida. Obrigado pelo present