Coquilles-saint-jacques, estrela francesa e um bom vinho chileno

“Diz-se «in vino veritas», mas diz-se também que a verdade está no fundo de um poço; logo é um poço cheio de vinho.” Raymond-Claude-Ferdinand Aron

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Introdução

Amigos, hoje o post será breve, pois falaremos rapidamente sobre uma das maiores iguarias francesas e uma das coisas mais gostosas que já comi na vida: o coquilles-saint-jacques.

Cervejas

Antes de falarmos sobre o prato principal, vamos falar sobre algumas excelentes cervejas. A primeira delas é uma witbier muito saborosa: a Hoegaarden.

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A semente de coentro e a casca de laranja encontram-se muito bem harmonizados nessa cerveja, quem não provou vale a pena provar.

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Essa segunda weissbier é bastante famosa por ser produzida pela cervejaria mais antiga do mundo que ainda encontra-se em atividade: a Weihenstephaner. Weihenstephan é uma cervejaria e uma marca de cerveja da região alemã da Baviera. É considerada a cerveja mais antiga do mundo (artesanal ou industrial), sendo vendida desde 1040 e fabricada desde os anos 800.

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Essa terceira é bastante diferente das outras e confesso que não foi muito de meu apreço. Acredito que eles erraram na mão na quantidade de casca de laranja que ela possui. Mas não deixa de ser uma boa cerveja.

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No Brasil esse molusco é muito raro de se encontrar até mesmo em casas mais especializadas. Aqui ele é vendido com o nome de vieira:

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Coquilles Saint Jacques, em peixaria. Foto de David Jones no Flickr

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Ele é um prato famosíssimo na França principalmente no inverno.

Bravo Bistrô

Amigos, quero deixar aqui registrado uma excelente opção de bistrô em São Paulo. Confesso que me surpreendi muito positivamente com o lugar. Bem aconchegante e com excelente atendimento. Fica localizado na Mooca.

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Abaixo segue-se o link para o site deles:

http://bravobistro.com.br/

Como escolha de vinho para acompanhar as vieiras escolheremos um clássico: Brisa Chardonnay Vistamar.

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E para acompanhar uma boa massa de frutos do mar vamos de um rosé italiano bem fresco:

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Para entrada escolhemos umas bruschettas deliciosas:

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E como prato principal escolhi as vieiras:

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Minha esposa escolheu o Tagliatelli ao Frutos do Mar

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Conclusão

Com certeza esse foi um dos pratos mais gostosos que eu já comi na vida. Recomendo com empenho o bistrô!!

Paella de Frutos do Mar com Albariño, Sauvignon Blanc Gran Reserva, Castello D’Alba Vinhas Velhas e Paralelo 8

“O vinho lava nossas inquietações, enxuga a alma até o fundo, e , entre outras coisas, garante a cura da tristeza.” Sêneca

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Introdução

Olá amigos, hoje é um post especial porque estamos comemorando o aniversário da minha esposa Aline e vamos degustar um dos nossos pratos preferidos: a paella de frutos do mar junto com o vinho de perfeita harmonização (uva Albariño) conforme prometido no post anterior. Também teremos algumas cervejas e vinhos perfeitos. Agradecemos aqui a minha tia Sônia por ter preparado essa receita tão maravilhosa.

Apéritif

Continuando com o costume do nosso blog, começaremos falando sobre 3 cervejas muito gostosas e recomendadas: delirium nocturnum, a paulaner oktoberfest bier e uma das minhas cervejas de trigo preferidas: karavelle.

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Esta excelente Belgian Strong Dark Ale é produzida com 3 tipos de levedura e 5 tipos de malte que fazem com que a Delirium Nocturnum tenha um sabor complexo com notas de frutas passas e chocolate além de um aroma adocicado. De cor escura, triplamente fermentada e bem encorpada, é a companhia ideal para o inverno.

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Esta é a cerveja mais famosa que é consumida durante a Oktoberfest da capital Bávara (Munich), que acontece desde o ano de 1810. De coloração amarelo forte com uma ótima formação de espuma de boa duração. É uma cerveja transparente de brilho intenso. No nariz, os aromas do malte lembram biscoito e cereais matinais, seguido do leve floral do lúpulo. A cerveja possui o dulçor dos maltes ao mesmo tempo que o amargor do lúpulo.

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Essa terceira figura entre as cervejas de trigo mais saborosas na minha opinião. Muito encorpada e gosto extremamente agradável. Cerveja paulista que não deixa a desejar para nenhuma outra europeia. Recomendo com empenho!!

Harmonização com a paella de frutos do mar

A paella é um prato bem típico que surgiu na Espanha, nos séculos XV e XVI, na região de Valência, mais especificamente na região de Albufera, região de grandes arrozais e de grande produção de verduras frescas.

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Originalmente um prato popular, foi criada pelos camponeses que partiam para o campo com a paellera ou paella, arroz, azeite e sal e agregavam ingredientes da caça, legumes da estação e as sobras que possuíam. O tomate só foi acrescentado posteriormente, trazido da América por Cristóvão Colombo, e o frango, que era muito caro para os padrões da época. Com a difusão da paella pela costa, foram acrescentados frutos do mar: choco, camarões, lulas, lagostins, amêijoas (vôngole), mexilhões, e polvo, tornando-o um prato misto (terra e mar). Em suas diferentes variações, encontram-se ainda as “paellas marineras” (peixe e frutos do mar) e a “paella negra”, com tinta de lula. No Brasil, normalmente é feita com frutos do mar.

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Vamos começar a fazer a paella usando um molho específico de peixe que pode ser comprado pronto ou pode ser feito em casa somente com o uso das cabeças do peixe e temperadas com sal, pimenta, etc. O fumê de peixe será usado ao invés da água para cozinhá-la:

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As cabeças e cascas dos camarões serão colocadas ao fogo com azeite tomando cuidado para que o molho não chegue ao fervor. Depois essa marinada pode ser utilizada.

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Aproximadamente 2 cebolas picadas:

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O azeite ideal para usarmos é um que é próprio para cozinhar:

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Continuaremos a refogar a cebola junto agora com dois pimentões: 1 amarelo e 1 vermelho. Sugestão: Caso você não goste muito de comer o pimentão a idéia é cortá-lo em fatias grandes como faremos aqui.

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O arroz a ser utilizado é aquele próprio para risotos:

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Refogamo-lo junto com os pimentões e a cebola:

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Acrescentamos então sal e pimenta do reino branca:

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Depois adicionamos o açafrão:

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Agora vamos adicionar o caldo do peixe e deixá-la cozinhar um pouco:

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Após isso iremos adicionar os frutos do mar que já estavam marinando com limão siciliano, cachaça e azeite: Polvo, Lula, Mexilhão e Camarão.

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Depois de um tempo cozinhando iremos adicionar as vagens de ervilha e o camarão gigante:

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Depois de um tempo cozinhando no fogo a paella estará pronta:

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Conforme falei na apresentação do nosso post, o vinho que serve de forma perfeita para a harmonização com essa paella são os feitos com a casta albariño, que é a uva Alvarinho do post anterior produzida no terroir espanhol. Conforme falamos anteriormente, os vinhos produzidos com essa uva são bem minerais e possuem um nível de acidez acima da média.

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O segundo vinho para a harmonização será um dos tops em qualidade da concha y toro: Sauvignon Blanc Gran Reserva. Esse é um vinho branco porém amadeirado que passa o tempo máximo possível em barricas de carvalho.

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Após a paella teremos uma verdadeira obra prima de Portugal: Castello D’alba Vinhas Velhas. Uma vinha velha pode ter 80 ou 100 anos no Douro e 50 no Alentejo – não há fronteiras temporais rígidas, porém o resultado é uma produção pequena de uvas com concentração, profundidade e equilíbrio. Com uma enologia consciente, os resultados no copo chegam a ser comoventes. Poder degustar um vinho desse porte é um verdadeiro sonho estando no Brasil pois nem pela internet consegui encontrar esse vinho!!

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Esse vinho passa 18 meses em barricas de carvalho francês e o resultado é um vinho altamente frutado com aromas claros de frutas negras e vermelhas.

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O segundo vinho tinto é um verdadeiro orgulho para o Brasil e para o Vale do São Francisco. Já tivemos um post sobre um bom vinho da vinícola Rio Sol aqui no blog onde eu também prometi que ia fazer um review sobre o top deles: o paralelo 8. Esse que foi eleito o terceiro melhor vinho do Brasil.

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Vinho que lembra bem o Alentejo. Para finalizar tivemos também o vinho que já nos foi apresentado no post anterior: o redwood creek pinot noir. Um vinho famosíssimo nos Estados Unidos.

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Conclusão

Acho que o ponto que mais frisamos aqui no blog é o fato da comida ser ligada à bebida e vice e versa. Harmonizar uma boa comida com a bebida correta pode obter prazeres inimagináveis e assim foi com nossa paella. Mais uma vez parabéns minha querida Aline.

Paleta de cordeiro com batatas aos murros, vinhos do douro e pinot noir californiano com queijo Serra da Estrela

“O vinho é o mais notável de todos os remédios; onde falta o vinho, os remédios se fazem necessários”. Livros do Talmud (500-400 a.C.)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será muito especial devido ao fato de que iremos desbravar o mundo português tanto da culinária quanto dos vinhos. Iremos falar sobre o queijo mais gostoso que eu já comi na vida e de mais assuntos afins como um excelente pinot noir da Califórnia. Para facilitar o entendimento, abaixo temos a foto do mapa de Portugal com suas regiões vínicas:

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Apéritif

De modo a não perdermos o costume do nosso blog, começaremos falando sobre 3 cervejas muito gostosas e recomendadas: goose island honkers ale, a hofbräu e a eisenbahn weizenbier.

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Essa, junto com a delirium tremens, é uma cerveja altamente agradável e fácil de tomar. Muito encorpada e dotada de aromas extremamente frutados. Excelente standard bitter.

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Essa é o tipo de cerveja que dispensa apresentações. Refrescante, levemente amarga e picante, ela apresenta baixa fermentação e é produzida de acordo com a Lei de Pureza de 1516. A cervejaria Hofbräu pertence à prefeitura de Munique e, nos seus mais de 400 anos de existência, sempre foi a cerveja oficial da Corte Real Bávara. Ela também possui, no coração de Munique, a maior choperia do mundo – o Hofbräuhaus – que recebe 1,2 milhões de visitantes por ano e onde são servidos aproximadamente 5.000 litros de chope por dia.

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Essa terceira é um exemplo de que é possível no Brasil comprar cervejas baratas (aproximadamente R$7 a long neck) com uma qualidade considerável.

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Nossa primeira degustação começará com um vinho feito com uma das uvas brancas mais icônicas de Portugal: a Alvarinho, a qual é prima direta da Albariño Espanhola que é responsável pela perfeita combinação com a paella de frutos do mar (post em breve).

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Essa uva produz um vinho com um aroma muito fino porém austero e elegante com notas cítricas e minerais com pouca fruta. Bom nível de acidez e frescor. Já o segundo vinho é um corte clássico do douro: Malsavia Fina, Gouveio e Rabigato.

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Esse é um vinho que também possui notas minerais e florais porém, ao contrário do anterior, é bem frutado e apresenta aromas claros de frutos brancos como pêra e maçã.

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Queijo Serra da Estrela

Como primeira degustação iremos provar um queijo português cremoso de cabra conhecido como Queijo Serra da Estrela. Ele recebe esse epíteto porque são produzidos nos arredores da Serra da Estrela. Ganhador de diversos títulos é, de longe, o queijo mais gostoso que já provei na vida.

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O queijo harmonizou de forma perfeita com o vinho da casta Alvarinho.

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Todo o momento também foi embalado pela trilha sonora da fadista mais conhecida de Portugal da atualidade: Carminho.

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Caso alguém queira o link para o cd dela no youtube vou deixar aqui em baixo:

https://www.youtube.com/watch?v=u8NkR2csotg&t=775s

A segunda entrada também foi perfeita: Pêra ao vinho com molho de queijo Gorgonzola:

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Apesar dele ter harmonizado com o vinho Quinta da Pedra Alta, ele ficou ainda melhor com um vinho do Porto:

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Harmonização com a paleta de cordeiro com batatas aos murros

É realmente muito difícil ganhar de uma boa carne de cordeiro. E melhor do que ela é ela mais um bom vinho do Douro:

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O Encostas do Tua 2012 é um vinho excelente possuidor de aromas frutais e taninos bem redondos. Na boca podemos perceber a presença de especiarias também.

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Outro vinho que participou da degustação também foi o Redwood Creek Pinot Noir da Califórnia. Ele é um vinho muito agradável e parecido com o búlgaro da Soli do post anterior.

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Dessert et Digestif

Após os pratos maravilhosos temos ainda alguns doces genuinamente portugueses: O pastel de nata ou de Belém e o pastel santa clara. Ambos obtidos na casa rancho português.

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E para completar a degustação teremos um dos melhores vinhos do porto da atualidade: Sandeman Late Bottled Vintage.

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Ele é um tipo de vinho do porto especial porque leva mais tempo envelhecendo e apurando do que os vinhos do porto tradicionais.

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Conclusão

Depois dessa experiência passei a entender que Portugal e sua cultura devem ser um sonho pois tudo parece muito surreal!

Boeuf Bourguignon, a melhor cerveja do mundo e a lenda do vinho Hermitage

“Ouço dizer que os amantes do vinho serão danados no inferno. Não é verdade, mas há mentiras evidentes. Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno, o paraíso deve estar vazio.” Omar Khayyâm

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Introdução

Olá amigos, hoje daremos continuidade à nossa série sobre os vinhos franceses com um prato que esplende toda a glória da culinária francesa: o Boeuf Bourguignon. Não apenas isso, mas todos poderão ver que esse post será duplamente lendário: teremos a melhor cerveja do mundo: Westvleteren 12 junto com o perfeito Syrah Crozes-Hermitage. A escolha dos dois dar-se-á pela perfeita combinação com o prato em questão.

Westvleteren 12: A melhor cerveja do mundo

De modo semelhante ao qual me expressei nos posts anteriores (o do melhor uísque do mundo e o da melhor cachaça do mundo), gostaria de mais uma vez reforçar o fato de que esses títulos não são unânimes entre todos os bons degustadores do mundo. Mas no caso dessa cerveja, nenhuma outra consegue vencer tantos campeonatos de “melhor do mundo”.

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Parte da aura em torno dessas garrafinhas com 330 ml se deve à dificuldade de conseguir uma, principalmente se você não tem planos de ir à Bélgica tão cedo. Os monges exportam a bebida que produzem em ocasiões extremamente pontuais em que precisem de um dinheiro extra. Em 2012 eles exportaram alguns exemplares para os EUA porque o objetivo dos religiosos era usar o dinheiro na reforma da abadia.

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O munícipio de Vleteren, localizado na província de Flandres Oriental, Bélgica, a 150 quilômetros de Bruxelas, possui menos de 5 mil habitantes. Destes, cerca de 30 são monges e pertencem à Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância, uma congregação religiosa da Igreja Católica também conhecida como Ordem Trapista, e vivem na Abadia de St. Sixtus de Westvleteren (vide foto da entrada acima). O que faz estes monges, e por consequência Vleteren, famosos mundialmente, é a produção das cervejas Westvleteren Blond, uma Belgian Specialty Ale com 5,8% de álcool, Westvleteren Extra 8, Belgian Dark Strong Ale com 8% de álcool, e Westvleteren 12, Belgian Quadrupel com 10,2% de álcool. Das sete abadias com certificados para a fabricação de cervejas trapistas no mundo, o mosteiro de Westvleteren é o único que não exporta nem comercializa suas bebidas fora da região. Eliminando custos, as garrafas não têm rótulo. Apesar disso, eles não pretendem aumentar a produção, que é trabalho de apenas dez dos trinta beneditinos que vivem no monastério. A produção destas cervejas é bastante limitada, visto que sua venda não visa lucro, mas apenas o sustento da abadia. Todo o valor que é arrecadado além do necessário para o sustento da abadia é doado. Para comprá-las, é preciso ligar diretamente para o mosteiro, informar a placa de seu carro e marcar um horário para a retirada. Após a compra é necessário aguardar 60 dias para novo agendamento.

Gostaria de deixar o link para um excelente review dela feito no youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=C_IjMXVQqgw

A lenda do Hermitage

Ao lembrarmos da França como referência no mundo vitícola, não é possível olvidarmos dos vinhos produzidos na região do Hermitage. Eles são os tintos produzidos com a uva Syrah mais famosos do mundo!

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De acordo com a lenda, o cavaleiro Gaspard de Stérimberg retornou ferido para casa em 1224 vindo da cruzada Albigense e recebeu permissão da Rainha da França para construir um pequeno refúgio para se recuperar, onde ele viveu como um eremita (ermit em francês). A capela do topo foi construída em honra a São Cristóvão e hoje pertence ao negociante Paul Jaboulet Âiné. Os vinhos dessa região começaram a tornar-se famosos depois que Luís XIII tornou-os como os vinhos oficiais da corte depois que ele provou um cálice deles quando passava em visita à região em 1642.

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A partir daí, vários reis no mundo todo tiveram acesso a esses vinhos fantásticos dando origem assim à lenda do Hermitage.

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E hoje teremos a oportunidade de degustar essa lenda com esse vinho de escolha: Les Meysonniers Crozes-Hermitage 2011.

Harmonização

Conforme falamos no começo, o prato de escolha para a degustação dessas duas raridades será o Boeuf Bourguignon, que é o equivalente de carne bovina do Coq au Vin visto no post anterior.

De início iremos separar cerca de 1,5kg de patinho em cubos:

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1 ou 2 cenouras cortadas em rodelas:

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Algumas folhas de Louro e uma cebola cortada ao meio:

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Agora vamos usar uma boa garrafa de vinho. Na receita original usa-se um da Borgonha, mas qualquer um cai bem na receita.

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Depois fechamos com papel filme e deixamos marinar na geladeira por cerca de 24 horas:

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Enquanto isso iremos degustar 3 grandes cervejas:

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Essa é uma belga muito saborosa que é conhecida no Brasil de maneira afetiva como a cerveja do elefantinho rosa. Essa é uma das cervejas alvo do conhecimento de todo bom degustador.

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A segunda também é um clássico: St. Bernadus Wit. Confesso que não era grande fã do estilo Witbier até conhecer essa obra prima. Recomendo com empenho!!

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A terceira possui um nome no mínimo curioso: Duvel (que em idioma flamenco significa diabo). Segundo a cervejaria, foi um amigo do dono que descreveu a cerveja como um verdadeiro diabo (“nen echten Duvel”, que em português significa algo como “que diabo de cerveja”), isto porque sua graduação alcoólica era extremamente alta, aproximadamente 8.5%.

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No outro dia pela manhã iremos espetar alguns cravos nas cebolas antes de retorná-las ao caldo:

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Depois das 24 horas iremos coar o caldo:

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E separar a carne da cenoura:

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E iremos “selar” com azeite os cubos de carne antes do seu uso:

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Depois, usando o mesmo azeite usado para selar a carne vamos dourar cerca de 300g de bacon bem picadinho:

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Depois juntamos a cenoura e a carne e usaremos duas colheres de sopa de farinha de trigo para engrossar um pouco o caldo:

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Logo após trazemos de volta o caldo coado:

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Acrescentamos cheiro verde (salsa e cebolinha picados), sal e pimenta do reino e deixamos cozinhar por cerca de 2 horas e meia (ou até a carne ficar macia):

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Enquanto isso degustaremos mais uma cerveja clássica do estilo trapista (feita em mosteiros):

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E vamos em paralelo preparar os champignons e as cebolas para acrescentar ao caldo depois das 2 horas e meia de cozimento. No caso dos Champignons tiramos os talos e cortamos eles em 4 pedaços:

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Depois disso levamo-los à frigideira para dourá-los com manteiga e temperamo-los com sal e pimenta do reino:

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Separamos os cogumelos e procedemos com as cebolas caramelizadas:

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Acrescentamos 2 colheres de sopa de açúcar depois de havermos dourado as cebolas:

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Vinagre Balsâmico a gosto:

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Depois de prontos as cebolas e os champignons e a carne ter ficado macia, acrescentamos todos juntos ao caldo, acertamos o sal e a pimenta e deixamos cozinhar por mais ou menos uns 30 minutos:

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Após tudo isso finalmente nosso Boeuf Bourguignon está pronto:

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Primeiro degustaremos ele com a Westvleteren 12 e um bom baguete:

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E logo após degustaremos com a lenda:

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Conclusão

O prato é excessivamente trabalhoso de ser feito, mas o resultado é muito gratificante. Degustar bebidas de peso como estas junto com esse prato maravilhoso realmente foi uma sensação ímpar! Recomendo a todos e nota dez para as duas bebidas!

Foie Gras, Escargot, Coq au Vin e Pinot Noir da Borgonha

“No vinho está a verdade!” Plínio

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Introdução

Olá amigos, depois de viajarmos bastante sobre os vinhos do novo mundo (Uruguai, Chile, Argentina, Estados Unidos, etc), chegou a tão aguardada hora de começarmos a falar sobre os vinhos franceses. Conforme venho falando desde o começo, existe sempre um misticismo que envolve a França no quesito de vinhos. Isso se dá pelo fato que, apesar de existirem bons vinhos produzidos em outros países, em questão de quantidade e variedade nenhum outro país ganha da França. Em específico temos a região de Bordeaux e a Borgonha. E é por essa última que começaremos a falar de tamanha excelência!!

Vinho de escolha: Joseph Drouhin Bourgogne (Pinot Noir)

Conforme falei no meu primeiro post, a grande dificuldade de falar sobre os vinhos europeus é devido à infinidade de variedades e estilos de sabores deles. Então, de forma a sermos canônicos em nossa apresentação dos vinhos da Borgonha, partiremos do clássico, do ortodoxo: uma boa opção deles que irá representá-los todos de maneira genérica. Por isso a escolha pelo Joseph Drouhin.

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Algo que nos ajuda, apesar disso, é a classificação AOC (Appellation D’Origine Contrôllée), que é uma espécie de ISO de altíssima qualidade. Ou seja, até mesmo os vinhos mais vagabundos que possuem essa sigla já podem ser considerados bons vinhos. Logo, tomemos nosso vinho e partamos para o restaurante de escolha: La Casserole.

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A escolha por esse restaurante e Bistrot deu-se por sugestão de um francês amigo meu que me falou que, se eu quisesse comer uma comida com o mesmo padrão de qualidade da França, aquele seria o lugar ideal.

Harmonização

Logo na entrada da casa, fui muito bem recebido pelo proprietário Leo Henry, o qual me deu muitas dicas bacanas e elogiou minha escolha de vinho!

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Foie Gras

Um dos motivos que me levou a procurar o estabelecimento é o fato do Foie Gras ser proibido de vender no Brasil. A autorização é dada apenas para os restaurantes Franceses. Não vou entrar aqui no mérito da maldade que envolve esse tipo de comida, até porque ela é uma iguaria milenar. Mas o Foie Gras é o fígado gordo de ganso. Ele é consumido na maioria das vezes na forma de Terrine (uma espécie de patê). Uma comida por demasiado saborosa!

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Escargot

Para o Escargot eu vou citar uma frase de Alex Atala:

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“Se o caviar é considerado algo chique e o tucupi não o é, isso se dá porque alguém me disse isso. Existe uma interpretação cultural sobre o que são os aromas e sabores!” (Alex Atala)

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Digo isto porque simplesmente não consigo entender porque esse tipo de iguaria é considerado algo chique. Não é que seja uma comida ruim, mas é totalmente desprovida de sabor. É borrachento e sem gosto, mas valeu pelo conhecimento.

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Coq au Vin

E para o prato principal escolheremos esse que é um dos maiores exemplos da gastronomia francesa: o galo ao vinho. Reza a lenda que, durante a batalha de Alesia, Júlio César exigiu a total rendição dos Gauleses.

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Vercingetórix (a quem deu origem ao personagem famoso Asterix), respondeu a essa ordem com uma provocação: enviou um galo aos romanos.

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Júlio César então cozeu o galo no vinho, que representava toda a expressão romana bélica e cultural. E assim nascia o Coq au Vin.

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Digestif

Vamos terminar nossa noite da forma mais Francesa que existe: com Cognac.

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Conclusão

Recomendo o restaurante! Pena que aqui no Brasil é tão complicado comer e beber qualquer coisa da França. Mas tudo com planejamento é importante. O vinho Joseph Drouhin é vendido aqui no Brasil no valor de R$ 300, mas consegui comprá-lo a meia garrafa numa promoção por menos de R$80.  A culinária Francesa também é bem diferente do que estamos acostumados no Brasil, o que faz com que poucos gostem do sabor, mas valeu pelo conhecimento!

Spritzer, Peru, Pernil e Salmão com Espumantes Nacionais e a lendária cachaça: Anísio Santiago

“Amar é como tomar vinho: delicioso, mas em exagero torna-se um veneno que nos mata aos poucos.” Renan Mendonça

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Introdução

Olá amigos, conforme prometi no último post, esse será um post sobre o meu réveillon. Nele darei dicas fantásticas de boas comidas combinadas com espumantes nacionais de altíssima qualidade, bons vinhos, um drink altamente recomendado para o verão, uma boa opção de Brandy português e, para finalizar, teremos a lendária Anísio Santiago.

Apéritif

Começaremos nossa noite com duas cervejas espetaculares: La trappe Golden ale e a Goose Island Ipa.

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Muita gente normalmente não gosta da Ipa devido ao fato dela utilizar muito mais lúpulo na sua receita do que os outros tipos de receita. Mas aprendi com um amigo da marinha que ela é uma cerveja que deve ser utilizada apenas como degustação. Ela deve ser consumida em pequena quantidade e com um doritos de acompanhamento.

Spritzer

Essa bebida é altamente deliciosa e se assemelha à famosa sangria, porém ela é feita com Sprite zero. Na internet existem variações de receitas quanto à porcentagem a ser utilizada de vinho tinto ou branco e o Sprite zero. Sem perda de generalidade iremos utilizar 50% de vinho e 50% de Sprite zero. Iremos utilizar um vinho tinto de boa qualidade porém barato:

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Uma belíssima poncheira:

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E frutas. A receita pode ser feita com as frutas variadas ou até mesmo sem elas.

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Harmonização

Hoje teremos uma mesa muito farta para harmonização: Peru, Pernil, Farofa de bacon, Salmão ao molho de maracujá, salada de kani com manga e molho teriyaki.

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Como acompanhamento, temos vinhos chilenos do tipo Merlot e Carmenère:

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Para acompanhar o peru e o pernil vamos de Carmenère:

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O salmão é um peixe com bom percentual de gordura, logo a compinação com o spritzer fica refrescante e gostosa:

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Abaixo temos exemplos de vários bons espumantes nacionais da região de Bento Gonçalves:

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Digestif

Começaremos 2017 com duas grandes bebidas. A primeira delas é um Brandy Português Espetacular: Aguardente Velha Reserva Carvalho, Ribeiro e Ferreira.

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E a segunda é uma verdadeira lenda Brasileira: a cachaça Anísio Santiago-Havana. Essa é a bebida que imortalizou o Brasil no mundo como sinônimo de boa bebida. Eleita durante vários anos seguidos como a melhor cachaça do mundo, a Anísio Santiago foi declarada como patrimônio cultural imaterial de Salinas por meio de Decreto Municipal número 3728/2006. É dito que grandes líderes do mundo como Fidel Castro possuem garrafas em sua coleção particular. Dizem que a fama dessa bebida deu-se com a lenda que diz que o senhor Anísio pagava seus funcionários com a cachaça e eles a vendiam caro, chegando ao valor de um salário mínimo cada (R$ 450). Mas seus dez anos de envelhecimento no barril de bálsamo também conferem a ela estimado valor. Só quem prova essa lenda é que sabe o que significa beber uma boa cachaça! Versões mais velhas dessa cachaça podem ser encontradas na internet ao preço de R$ 10000.

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Conclusão

Gostaria de deixar registrado aqui um imenso agradecimento à minha família e amigos por terem me proporcionado um réveillon tão maravilhoso. Feliz 2017 e um Ano Novo  com a Graça do nosso bom Deus e com muitas realizações pessoais, espirituais, materiais, etc!!

Peru de Natal, Ceia com Pinot Noir e Espumantes Nacionais

“O bom vinho alegra o coração dos Homens” Sagradas Escrituras

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Introdução

Olá amigos, hoje farei um breve post apenas com dicas sobre espumantes nacionais e um bom vinho relativamente barato para combinar com a ceia de Natal. Em breve farei um post sobre a festa do Réveillon.

Vinho de escolha: Pinot Noir Ventisquero Reserva 2015

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Já falamos aqui no nosso blog sobre a alta qualidade e o bom custo benefício da bodega Chilena Ventisquero. Logo, nossa opção será por ela: aproximadamente R$50.

Harmonização

Hoje teremos 3 pratos para nossa harmonização: Peru, Lombo com farofa de Bacon e molho de laranja e maionese com batata e galinha defumada.

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Para petiscar temos um queijo delicioso muito vendido nessa época natalina no nordeste: Queijo do Reino.

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Abaixo temos exemplos de vários bons espumantes nacionais do vale do São Francisco:

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E para quem gosta de uma versão um pouco mais adocicada temos um do tipo moscatel. Uva que se adaptou perfeitamente no clima semi-árido nordestino.

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Conclusão

A moral da história é que o Brasil possui excelentes opções de espumantes tanto na região de Bento Gonçalves quanto no Vale do São Francisco. Não precisa gastar uma fortuna para aproveitar um bom Natal. Feliz Natal e um Maravilhoso Ano Novo Para todos com a Graça do nosso bom Deus!!

Ostra Crua, Guaiamum com Polvo e Sinfonia Marítima com Sauvignon-Blanc Neo-Zeolandês

“Moderadamente bebido, o vinho é medicamento que rejuvenesce os velhos, cura os enfermos e enriquece os pobres.” Platão

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Introdução

Amigos, hoje o post será uma espécie de continuação do anterior. Continuamos em Recife e continuarei dando dicas de um ótimo lugar para conhecer quando estiver na cidade e desejar comer um bom prato de frutos do mar: O Bar e Restaurante Guaiamum Gigante. Falaremos também sobre como combinar pratos desse tipo com vinhos. A escolha da vez será a casta símbolo da Nova Zelândia: a Sauvignon-Blanc.

Sauvignon-Blanc e a Nova Zelândia

Talvez seja estranho a princípio uma pessoa escutar que a Nova Zelândia também é uma referência em vinhos. Mas isso se dá basicamente pela sua relativa juventude na viticultura. Historicamente o cultivo na Nova Zelândia sempre foi marginalizado devido à cultura inglesa da valorização da cerveja e também ela sofreu bastante com a praga que devastou a Europa: a Philoxera. Apenas em 1970 é que se começa a plantar de forma profissional a uva que se tornará a referência não apenas para o país mas para o mundo em se falando de qualidade: a Sauvignon-Blanc. Assim como a Malbec encontrou sua Shangri-la na Argentina, a Sauvignon-Blanc encontrou a sua na Nova-Zelândia.

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Fonte: http://www.winefolly.com/

A Nova-Zelândia hoje é o país em que muitos críticos a consideram como o melhor produtor do mundo de vinhos com a casta Sauvignon-Blanc. Um deles (George M. Taber) chegou a afirmar que tomar pela primeira vez um Sauvignon-Blanc da Nova Zelândia da região de Marlborough  produz a mesma sensação de fazer sexo pela primeira vez.

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A Sauvignon Blanc está para os vinhos brancos da mesma forma que a merlot está para os vinhos tintos, ou seja, é a segunda colocada em importância e ficando atrás apenas da Chardonnay.

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Fonte: http://www.winefolly.com/

São uvas capazes de produzir vinhos frutados (maçã, pêra, groselha, toranja e limão) ao mesmo tempo que detentores de aromas vegetais (grama, camomila, casca de laranja, jasmin, etc).

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Fonte: https://faberpartner.de/

A grande diferença dos vinhos produzidos na Nova Zelândia em relação aos Franceses de Bordeaux é a presença de aromas exóticos e os frutados bem mais intensos.

Vinho de escolha: Peter Yealands Sauvignon Blanc Marlborough 2013

A escolha então dar-se-á pela vinícola de maior destaque da região de Marlborough: Peter Yealands. Ele é o homem responsável pela grande divulgação dos vinhos Neo-Zeolandeses para o mundo. George M. Taber também falou que nenhuma região no mundo pode se equiparar a Marlborough, a qual parece ser o melhor lugar do mundo para o cultivo das uvas Sauvignon Blanc.

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Harmonização

Conforme já falei no começo do post, hoje iremos a um excelente bar de Recife: o Guaiamum Gigante. Tomemos nosso vinho e partamos.

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Enquanto o vinho chega à sua temperatura ideal poderemos tomar uma grande cerveja brasileira do Rio Grande do Sul: a Serra Malte. Ela pode acompanhar um casquinho de caranguejo junto com um caldinho de polvo delicioso.

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Antes do prato principal o vinho harmonizou muito bem com a ostra crua e o guaiamum cevado:

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A sinfonia Marítima é um prato clássico da culinária nordestina em que é uma espécie de mix de todos os frutos do mar: camarão, lagosta, sururu, marisco, carne de caranguejo, peixada, etc. Ficou um espetáculo junto com o vinho. O melhor foi a presença da família!

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Conclusão

Mais uma vez a combinação da gastronomia nordestina brasileira junto com vinhos dos mais diversos lugares do mundo mostrou-se por demasiado aprazível. Maravilha de vinho! Viva a Nova Zelândia.

Champagne, Lagostim, Agulhinha Frita com Prosecco e Espumantes Nacionais

“O vinho é o mais notável de todos os remédios; onde falta o vinho, os remédios se fazem necessários”(Livros do Talmud (500-400 a.C.))

 

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Fonte: http://www.estadosecapitaisdobrasil.com/

Introdução

Amigos, hoje estamos no nordeste do Brasil (especificamente na bela cidade histórica de Recife) e vamos aproveitar para provarmos o que a região tem de melhor: frutos do mar. Também, como estamos nos aproximando das festas de fim de ano, senti a necessidade de falar sobre o que o Brasil possui de melhor no contexto dos vinhos: os espumantes.

Champagne, Espumante ou Prosecco?

Antes de falarmos qualquer coisa, é necessário entendermos que existe uma diferença entre champanhes e espumantes. O nome Champagne é uma AOC (appellation d’origine contrôlée ou denominação de origem controlada), o que significa dizer que todos os vinhos com esse nome são obrigatoriamente produzidos na região epônima (Na França não existem estados como o Brasil, mas ela está dividida em regiões conhecidas como departamentos. Logo, Champagne seria mais ou menos um estado da França cuja capital é Épernay). Nenhum outro espumante feito fora da região de champanhe pode receber esse título.

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Outra coisa muito importante é que só pode ser considerado Champagne aquele que é feito com as uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay.

O Prosecco é aquele que é feito exclusivamente com as uvas Prosecco Italianas.

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Fonte: http://domgio.com/

O champagne é um vinho?

Sim. Já temos no blog um post sobre como um vinho é feito e vou apenas acrescentar alguns passos diferentes na produção do champanhe. Segue-se o fluxograma ilustrativo:

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Fonte:http://fatcork.com/

De forma bem simplificada, o processo de fabricação é o que se segue:

  • Após as uvas (pinot noir, pinot meunier e chardonnay) serem colhidas e separadas elas são prensadas e só o suco delas é posto para fermentar individualmente.
  • Após a primeira fermentação, o vinho é engarrafado com o blend das três uvas mais a adição de açúcar, fermento e vinhos de safras mais antigas e posto para fermentar uma segunda vez dentro da garrafa.
  • Durante essa segunda fermentação (algo que pode durar entre 15 meses a mais de 15 anos), o champagne sofre um processo conhecido como Remuage, em que todos os dias ele é “girado” de forma aos detritos se acumularem no fundo da garrafa.
  • Após a etapa de envelhecimento, o sedimento que se acumulou é removido, é acrescentado uma pequena dose de liqueur d’expedition (vinho açucarado) para contrabalancear a acidez e o vinho é arrolhado.

Porque o champagne é sinônimo de comemoração e alegria?

O hábito do champagne ser tido como sinônimo de comemoração por grandes conquistas é devido, primeiramente, ao fato de que em Reims, cidade mais importante de Champagne, foram coroados quase todos os grandes reis da França. A coroação acontecia na catedral de Notre-Dame de Reims, construída em 1225, e nas comemorações era servido champanhe. Por este motivo, ficou conhecido como o vinho dos reis e rainhas.

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Breve história do Champagne

O grande pai dessa “bebida da alegria e do sucesso” foi  Pierre Perignón, mais conhecido pelo seu epíteto de Dom Pérignon. Ele foi um monge beneditino da Abadia de Hautvillers que, em 1670, foi o responsável pela “revolução” na produção do champanhe.

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A Dom Pérignon deve-se a descoberta dos cinco principais elementos que em muito contribuíram para o champanhe tal como ele é hoje:

1-A mistura de diferentes vinhos da região (o blend), conseguindo que o produto fique mais harmonioso.

2-A separação e prensagem em separado das uvas que predominam em Champagne, obtendo assim um cristalino sumo de uva.

3-O uso de garrafas de vidro mais espessas para melhor permitirem a pressão da segunda fermentação em garrafa.

4-O uso da rolha de cortiça, vinda de Espanha.

5-A escavação de profundas adegas, hoje galerias com vários quilômetros de extensão e usadas por todos os produtores, para permitir o repouso e envelhecimento do champanhe a uma temperatura constante.

Até hoje o champagne Dom Perignón encontra-se como exemplo de riqueza e finesse. Aqui no Brasil a garrafa mais barata de um Dom Perignón custa em Média R$1000. Há exemplares que chegam a custar R$20000.

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Harmonização

O champagne é um vinho clássico conhecido por harmonizar muito bem com frutos do mar. É um vinho que combina muito bem com regiões quentes como o Brasil. Como estamos no nordeste hoje iremos escolher como harmonização um filé de agulhinha frita (verdadeiro requinte da culinária nordestina) e lagostim.

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Vinhos de escolha

Nós já desmistificamos aqui a idéia de que o Brasil não produz vinhos de boa qualidade, porém não falamos sobre o que ele possui de melhor: seus espumantes. Estudiosos falam que, em no máximo 20 anos, os espumantes brasileiros só não serão melhores em qualidades do que os franceses. Hoje na França é possível comprar espumantes brasileiros em qualquer grande casa de vinhos. Então, nas festas de fim de ano, se você não tem dinheiro para comprar um champagne (custa em média R$300 a R$400 reais no Brasil), escolha um Brasileiro que não fará feio de modo algum. Hoje escolheremos um exemplo de grande espumante gaúcho (de Bento Gonçalves) e um grande espumante nordestino (do vale do São Francisco). Mas o Brasil possui dezenas de outros com altíssima qualidade: Salton, Casa Valduga, Peterlongo, etc.

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Conclusão

Maravilha essa combinação. Ficou muito bom essas comidas feitas pelo meu pai. Nessas festas de fim de ano escolha Espumantes Nacionais e não irá se arrepender.