Lambrusco, Vinho Grego e Gigot D’Agneau com Batatas Rústicas ao Aiöli

“O vinho conforta ao triste, e revive aos velhos, inspira os jovens, permite que o cansado esqueça o seu cansaço.” Lord Byron

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Introdução

Amigos, hoje teremos um mix de informações sobre o mundo dos vinhos mas a ênfase será no Lambrusco, nos vinhos da Grécia e em 3 receitas para acompanhá-lo. Esse post é o cumprimento de uma promessa feita no post anterior em que eu tentei fazer o gigot d’agneau (pernil de cordeiro) no forno mas não deu certo. Dessa vez ele será feito na churrasqueira!

Lambrusco

Esse vinho italiano é bastante famoso no Brasil e também no mundo devido ao seu bom custo benefício. Uma garrafa dele no mercado sai em média R$30. Mas afinal o que é o Lambrusco?

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Vimos no post sobre champagnes e espumantes que esse tipo de vinho recebe essas borbulhas que chamamos de perlage devido a uma segunda fermentação que ele sofre na garrafa. Já o lambrusco é enquadrado na categoria de frisante, o que indica que ele não sofre duas fermentações, mas apenas uma. O gás carbônico é introduzido artificialmente igual a um refrigerante. Isso torna o lambrusco uma bebida suave e gaseificada que lembra de longe um spritzer que fizemos no post anterior. Hoje vamos degustar um exemplar bem comum no Brasil: Fratelli Cella Lambrusco Dell’Emilia tinto.

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Esse é um vinho muito agradável e bom de iniciar um evento com os amigos. Também é uma opção para os que gostam dos vinhos mais “adocicados” por assim dizer. Mas claramente percebe-se uma qualidade bem inferior em relação aos espumantes “de verdade” por assim dizer.

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Nessa primeira parte do post quero deixar registrado alguns dos vinhos em que tive o prazer de degustar num evento na casa dos queridos Rafael e Eloísa.

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O primeiro vinho a ser servido foi um espumante italiano de bom custo benefício: Piera Martellozzo 075 Carati Millesimato Extra Dry.

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Esse cumpre o que promete: uma entrada simples porém agradável sem muita personalidade. Vale a pena tentar!

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A Carol trouxe uma Cava espetacular para provarmos. Para quem acompanhou o post sobre a Cava sabe que a Freixenet é hoje a marca mais consumida do mundo e a Cordon Negro é uma versão premium da marca. Simplesmente fantástico!

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Amigos, a Eloísa nos preparou um Boeuf Bourguignon maravilhoso, mas quero pedir desculpas aqui a todos e a ela pois não encontrei a foto do prato, mas estava maravilhoso e os convidados trouxeram vinhos para harmonizar com ele. Além da clássica harmonização com Pinot Noir, tivemos algumas variedades de vinhos como dois primitivos: Messapi Primitivo di Puglia 2013 e Notte Rossa Primitivo Puglia 2015.

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Estes são bons vinhos com bom custo benefício sendo o Messapi superior no sabor. Acho que o fato dele ser de uma safra anterior ao do Notte Rossa ajudou no apuro. Achei-o muito mais redondo que o segundo, o qual me pareceu mais “agressivo”, que normalmente indica juventude num vinho.

E para terminarmos a noite tivemos uma das minhas uvas favoritas: Gewürztraminer. Só que dessa vez foi um Italiano a despeito dos clássicos Alsacianos/Alemães. Gewürztraminer Trentino DOC Cavit 2016.

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Esse vinho nos pregou uma peça pois é normal achar que todo Gewürztraminer é doce como o que apresentamos no post anterior. Apesar de ter aromas doces e presentes como a lichia, esse é um vinho seco e encorpado.

Vinhos da Grécia

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Conforme falamos no post sobre os vinhos de Israel, acredita-se que o primeiro vinho foi feito por Noé na região que hoje é a Geórgia/Armênia. Ou seja, ela é quase que reconhecidamente o berço dessa bebida.

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Já os egípcios foram os primeiros a registrar em pinturas e documentos (datados de 1000 a 3000 a.C.) o processo da vinificação e o uso da bebida em celebrações. Os faraós ofereciam vinhos e queimavam vinhedos aos deuses; os sacerdotes usavam-nos em rituais; os nobres, em festas de todos os tipos; as outras classes eram financeiramente impossibilitadas de sua compra. O consumo de vinho aumentou com o passar do tempo e, junto com o azeite de oliva, foi um grande impulso para o comércio egípcio, tanto o interno quanto externo. Os primeiros enólogos foram egípcios.

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A partir de 2500 a.C., os vinhos egípcios foram exportados para a Europa Mediterrânea, África Central e reinos asiáticos. Os responsáveis por essa propagação foram os fenícios, povo oriundo da Ásia Antiga e natos comerciantes marítimos. Em 2 mil a.C., chegaram à Grécia.

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Os gregos foram considerados o divisor de água no mundo dos vinhos. Toda a cultura mundial que deriva dessa bebida nasceu junto com eles. O vinho era tão importante para os gregos que se acreditava que era uma bebida santa e divina (dada aos homens pelo Deus Dionísio).

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Vinho de Escolha

Para representarmos essa cultura tão rica que foi a Grega iremos ao Peloponeso aonde se encontravam Esparta e seus Bravos Guerreiros. No centro da região, encontramos a denominação de vinhos brancos Mantinia e, a noroeste de Corinto, encontra-se a famosa denominação de tintos Nemea (morada do Agiorgitiko), como foi batizada em 1460, homenagem ao antigo nome da região na época, Agios Georgios (São Jorge). Nemea também é a morada do “Leão de Nemeia”, primeiro trabalho de Hércules.

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Cavino Nemea Grande Reserve 2008

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A vinícola Cavino conta com uma tradição de quase 70 anos. No início deste século sua produção voltou-se exclusivamente para vinhos de alta qualidade, trabalho reconhecido em 2009, quando a Wine & Spirits a premiou como a melhor vinícola da Grécia! Este ótimo Grande Reserve, que traz na bagagem premiações como a medalha de ouro no concurso Mundus Vini e 90 pontos pela influente crítica canadense Natalie MacLean, é o exemplar mais emblemático da linha. Com maturação de 24 meses em barricas de carvalho francês e americano e mais 24 meses em caves, entrega aromas de amoras, ameixas, café, frutas secas, xarope, cacau e violetas. Na boca está extremamente equilibrado, com taninos sedosos, boa acidez e uma certa mineralidade, que está em sintonia com notas de cereja madura, baunilha e alcaçuz.

Harmonização

Os vinhos produzidos com essa casta grega são quase que uma mistura de um primitivo italiano (bastante equilíbrio) junto com a potencialidade de um vinho de Bordeaux (taninos potentes e sedosos junto com frutas negras e vermelhas) e, como o cordeiro é referência para os três países (Itália, Grécia e França), a opção será por ele! Além disso já tinha prometido refazer a receita do Gigot D’Agneau no post anterior. A receita será uma adaptação à receita do Chef André Castro D’olivino que se encontra no vídeo do youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=-7UZr-wpL_Y

Tomemos então uma bela peça de Pernil de Cordeiro:

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Vamos fazer incisões e colocarmos alho junto com alecrim:

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O Sal de especiarias será feito com Sal, Pimenta, Tomilho, Cominho, Coentro em pó e Canela em pó:

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Agora vamos colocar o pernil numa travessa e espalhar esse sal de especiarias no cordeiro:

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Vamos aguardar cerca de 1 hora para que o tempero “pegue” um pouco. Após isso iremos adicionar 150ml de vinho branco:

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E 300ml de suco de laranja:

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Vamos adicionar alho, alecrim e louro e deixar descansar nessa marinada por no mínimo 4 horas sempre virando a peça de modo que toda a carne fique “encharcada”:

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Antes de colocarmos no fogo vamos relembrar qual foi o erro da última vez que tentamos fazer essa receita no forno: Ficou queimado por fora e cru por dentro. Dessa vez vamos fazer diferente: vamos cozinhar um pouco por dentro e depois tostaremos por fora para criar uma crosta. Tomemos um plástico próprio para churrasco e reguemos um pouco de azeite e sal grosso por toda a peça:

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Levemos ao fogo por aproximadamente 1 hora e meia sempre virando:

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Enquanto isso iremos fazer o acompanhamento para o nosso prato: Batatas Rústicas com Herbs de Provence e Aiöli. Essa receita eu peguei de um dos canais de culinária francesa que mais gosto no youtube, o qual já utilizei algumas receitas aqui no Blog. Esse é o Canal da Uiara Araújo: Le Plat du Jour.

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https://www.youtube.com/watch?v=Fl1y3NELHGA

Primeiro vamos dar uma pré-cozida nas batatas:

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Depois vamos cortá-las no formato de barquinhos e deitá-las na forma:

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Depois vamos colocar sal, pimenta do reino, azeite e as Herbs de Preovence (Manjericão, Alecrim e Tomilho):

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Agora vamos levá-las ao forno enquanto vamos nos ocupar novamente do pernil. Após 1 hora e meia vamos retirar o papel de churrasco e deixá-lo grelhar por mais ou menos hora:

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Enquanto isso, façamos o aiöli:

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Vamos amassar uma batata cozida junto com alho para fazermos uma espécie de purê:

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Após isso iremos adicionar uma colher de mostarda de Dijon, Sal, Pimenta do Reino e uma gema de ovo.

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Após isso vamos bater tudo com um fouet acrescentando azeite aos poucos até dar a consistência de uma maionese:

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Após o tempo de grelha iremos retirar o gigot da churrasqueira e vamos pincelá-lo com um pouco de laranja com mel:

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Vamos voltar por mais alguns minutos ao fogo e depois estará pronto:

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Aparentemente o pernil está queimado mas na verdade ficou no ponto perfeito (crosta por fora e no ponto por dentro):

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Conclusão

Valeu a pena refazer essa receita! Harmonizou perfeitamente com esse vinho inaudito!

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Harmonizando vinhos com feijoada

 “Diz-se «in vino veritas», mas diz-se também que a verdade está no fundo de um poço; logo é um poço cheio de vinho.” Raymond-Claude-Ferdinand Aron

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um pouco diferente porque mostraremos uma harmonização com vinhos pouco comum. Quando pensamos em gastronomia brasileira, o exemplo máximo que nos vem à cabeça é a feijoada com a caipirinha, mas hoje mostraremos que é possível sim degustá-la com uma boa taça de vinho. Também foi um momento maravilhoso por ter sido o aniversário do meu tio Francisco.

Cervejas

Apesar de gostar de quase todos os tipos de cerveja, para mim nenhum estilo me apraz mais do que o estilo weizen (trigo) alemão e hoje quero deixar um dos exemplos mais icônicos do tipo: Franziskaner weissbier.

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Essa é uma cerveja bávara de excelente qualidade que apresenta bem as qualidades desse estilo: presença forte do cravo e da banana com boa turbidez e bastante encorpada. É muito semelhante à Erdinger e/ou à Paulaner, fazendo com que mesmo os bons conhecedores de cervejas se enrolem diante de um teste cego.

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Essa segunda é produzida por uma cervejaria artesanal brasileira jovem porém bastante premiada: a Schornstein. É uma cerveja bem feita que apresenta bom corpo e estrutura de uma Weiss. Na minha opinião só pecou um pouco no amargor. Achei-a com um amargor um pouco acima do agradável para esse estilo, mas achei que valeu a pena experimentá-la. Recomendo!

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Acredito que se o critério de escolha de alguém por uma cerveja seja a embalagem, certamente a Faxe dinamarquesa será uma excelente opção. Sua emblemática lata de 1 litro com a foto de um viking realmente cativa a atenção de um bom apreciador! Achei gostosa essa Wit porém percebi um certo desequilíbrio entre a quantidade de semente de coentro e a casca de laranja. O coentro está bem presente, mas não consegui identificar muito bem a laranja!

Início do evento

A palavra harmonização tem origem no vernáculo italiano Abbinamento, que significa andar lado a lado, casar, formar par, combinar. Dentro desse contexto, duas possibilidades vêm à tona: similaridade ou contraste. E é desse ponto comum que descobriremos qual a melhor harmonização para a feijoada. Podemos tentar usar um vinho mais tânico como o malbec ou o merlot ou também podemos harmonizá-lo com um bom espumante por contraste.

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Para o teste com espumantes temos dois tipos diferentes: um excelente nacional da Salton feito com as uvas Prosecco e um francês rosé Brut.

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É incrível como eles combinaram com a comida! Nunca pensei que fosse boa essa combinação, mas acho que o contraste da acidez com a gordura do prato de alguma forma paradoxal se combinaram entre si. Sobre o espumante Salton eu acredito que ele dispensa comentários pois acredito ser um excelente custo-benefício. Alguns estudiosos consideram o prosecco nacional até mesmo melhor que o italiano. Mas meu favorito do dia foi esse Francês rosé Charles de Fère cuvée Jean Louis. Apesar de não ter sido feito no terroir de champagne, consegue-se perceber algumas características francesas como a presença de aromas de castanhas e avelãs, ainda que sutis.

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Parabéns mais uma vez à minha tia Sônia pela comida maravilhosa. A feijoada estava perfeita! Mas a festa ainda estava praticamente começando porque os três vinhos que foram abertos depois da feijoada foram simplesmente motivo de cair o queixo de emoção.

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O primeiro foi o Escalera 2009, ganhador da medalha de ouro no Annual Wines of Chile Awards 2014 e marcou ainda 92 pontos no La CAV 2014, duas premiações chilenas de grande importância. Esse é um vinho que simboliza toda a potencialidade do Chile diante de países consagrados como a França. Tenho certeza que bate vinhos de milhares de reais num teste cego. É sensacional!!

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Como já falei no post anterior, esse segundo é o melhor vinho tinto que eu já tomei em toda minha vida: Primitivo di Manduria Luccarelli. O que eu degustei no post anterior foi da safra de 2011, e esse é ainda melhor pois foi da safra de 2008. Um vinho agradável do começo ao fim. Mesmo para pessoas que não possuem um olfato tão treinado, consegue-se perceber uma complexidade aromática muito grande nele. Aromas de chocolate, café e frutas negras e vermelhas são embaladas por um equilíbrio fantástico de taninos, acidez, álcool e muita fruta. Mais uma vez ressalto que esse é o melhor vinho tinto que eu já tive a oportunidade de degustar em toda minha vida.

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E esse último é uma compensação dos posts anteriores pois ainda não tinha falado de um bom vinho do Dão. Vamos relembrar o mapa de Portugal:

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O Dão é uma região em que a inovação convive lado a lado com a tradição. É um dos melhores terroirs do país, local de origem da celebrada uva Touriga Nacional. A região produz alguns ótimos vinhos tintos, de enorme estrutura, grande concentração de fruta e elegância. Casa de Cello Quinta da Vegia 2010 é um vinho muito consagrado que recebe 90 pontos pela classificação de Robert Parker. Aqui a estrela é a Touriga Nacional, com aromas florais e frutados.

Conclusão

Parabéns mais uma vez Francisco, sua festa foi por demais egrégia. Foi muito bacana perceber que há também uma alternativa para a feijoada a despeito da famosa caipirinha. Combinar espumante com feijoada provou ser uma excelente combinação!

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Evento enogastronomico e minicurso de vinhos

“Dai-lhes bons vinhos e eles vos darão boas leis.” Montesquieu

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Introdução

Olá amigos, esse talvez seja o post mais especial que tivemos desde o início do nosso blog. É o aniversário da minha tia Sônia de 50 anos e tive a oportunidade de rever vários familiares meus vindos de Recife e Belo Horizonte. O evento contou com um Sommelier e sua equipe proporcionando um minicurso de vinhos e algumas surpresas. Pela primeira vez no blog teremos também alguns vídeos.

Pré-evento

Na noite anterior tivemos a oportunidade de degustar três bons vinhos. O primeiro deles é um Shiraz australiano: Trentham Estate Shiraz 2015.

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E, conforme já foi apresentado anteriormente no blog (link), a uva Shiraz na Austrália demonstra todo o seu potencial só perdendo para a região do Hermitage na França (link). Um vinho que apresenta aromas muito marcantes de frutas negras e de especiarias. Um ótimo custo benefício no valor de R$70.

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Após o novo mundo volvemos ao velho de maneira muito agradável! Jiménez-Landi Bajondillo D.O.P. Méntrida 2015. Esse corte de Garnacha com Shiraz concede ao vinho uma leveza e alto teor gastronômico. Acompanhou bem um pão caseiro com uma canja de galinha.

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Esse último gerou em mim profundo orgulho e satisfação de poder ver que no Brasil já existe coisa boa sendo feita! Já falei em alguns posts (link) sobre como os vinhos do Brasil estão evoluindo e sendo bem vistos no exterior e esse é mais um exemplo. É necessário deixar bem claro que esse ainda não está no nível de um bom Francês ou Chileno ou Argentino ou Americano como tivemos no post anterior (link), mas certamente ele está no caminho certo! Salton Paradoxo 2015. Um vinho de R$35 brasileiro que ganhou meu respeito por se tornar uma opção de um vinho barato e com um bom grau de qualidade.

Evento enogastronômico

Amigos, quero apresentar aqui o sommelier responsável pelo minicurso que tivemos no dia do evento. Em baixo temos um breve resumo sobre sua carreira:

Cássio Henrique Almeida de Oliveira

1-Trabalhou no Sonda Supermercados por 2 anos como Sommelier e encarregado da adega

2-Sommelier do Grupo Oba por 7 anos (até o momento)

3-Sommelier e coordenador geral das lojas de São Paulo do OBA

4-Colunista da revista Brazil-USA (EUA- Flórida), Revista feita para brasileiros que ali residem sendo 100% do conteúdo português.(https://www.facebook.com/brazilusaorlando/?pnref=lhc)

Formação

Universidade Paulista (Unip)

Bacharelado em Administração de Empresas

ABS- Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo

Sommelier 3 módulos (países, fundamentos do vinho e serviço do vinho)

 

Às vezes as pessoas me perguntam sobre onde comprar bons vinhos com um bom custo benefício e, uma boa resposta para essa pergunta é o Oba supermercados. Então se você já entrou na adega de um Oba a procura de bons vinhos e ficou encantado com a boa seleção que eles possuem, agradeçam ao Cássio pois ele é o responsável pela escolha de todos os rótulos que a rede possui.

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Como introdução à palestra, o Cássio falou um pouco sobre os tipos de taças que utilizamos para vinhos. Em baixo temos o link para o vídeo no youtube (peço perdão pela qualidade artesanal dos vídeos):

https://www.youtube.com/watch?v=VdmKgttjm84

E na mesa de cada um dos convidados podemos ver que foi separado um tipo de taça específico (espumante, branco e tinto) para cada tipo de refeição:

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Apéritif (hors d’oeuvre)

Amigos, conforme é costume em uma refeição mais sofisticada, podemos ter como apéritif alguns Canapés, Amuse Bouche ou Amuse Gueule. Que nada mais são do que entradinhas (hours d’oeuvre) antes mesmo da entrada principal. Eles combinam muito bem com um champagne ou espumante. Esses em específico foram feitos com salada de bacalhau na barquinha.

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O espumante escolhido pelo Cássio é o da Casa Valduga, um excelente custo benefício. Ele é um exemplo de que é possível apreciar um bom espumante sem precisar pagar R$400 numa garrafa de Champagne. Em conversa com alguns amigos franceses, esse é sucesso inclusive na França!

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Tivemos também uma surpresa que o Cássio nos proporcionou: a abertura desse espumante com um sabre. Confira o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=eBrpqy68pSk&t=3s

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Depois disso o Cássio começou falando sobre como degustar um vinho. Confira a parte 1:

https://www.youtube.com/watch?v=29wX3dOAPgI

Parte 2:

https://www.youtube.com/watch?v=u446Pl0q0mU

Nessa terceira parte temos a degustação específica com o Casa Valduga:

https://www.youtube.com/watch?v=ZxaXuqG7Vwg&feature=youtu.be

Parte 4:

https://www.youtube.com/watch?v=pCu9Jk6QD9I&feature=youtu.be

Entrée

Logo após os canapés é a hora de servir a entrada da refeição. Normalmente é aqui que é servido um bom vinho branco e, no caso dessa festa em específico foi servido um top considerado um clássico Argentino: Catena Zapata Chardonnay.

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Já tivemos um post em que falamos sobre a bodega Catena Zapata e a importância que o Nicolás Catena teve para a viticultura argentina (link), mas cabe aqui dizer apenas o seguinte: até a década de 90 a Argentina nem era citada como produtora de vinhos razoáveis, mas depois do trabalho dele, ela começou a produzir vinhos até mesmo melhores do que os Chilenos, Americanos e Europeus. Então o nome Catena carrega um peso por si só. E o mais legal é perceber que não é necessário um vinho custar R$500, 1000 ou 10000 reais para ser considerado maravilhoso. Com R$120 podemos comprar uma maravilha como essa.

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No próximo link o Cássio vai falar sobre esse vinho e bodega maravilhosos:

https://www.youtube.com/watch?v=lw4-tyo9w98&feature=youtu.be

Continuação:

https://www.youtube.com/watch?v=e4zk9Rq-58w&feature=youtu.be

Parte 7:

https://www.youtube.com/watch?v=3AWYvkMlL8U&feature=youtu.be

E para acompanhar essa lenda temos dois pratos fantásticos. O primeiro deles é uma salada de folhas verdes com camarão, acompanhada de molho à base de iogurte, mel e condimentos:

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O segundo prato é uma massa. Farfalle acompanhado de molho com fundo de alcachofra, tomates cereja e outros condimentos:

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E aqui o Cassio responde algumas perguntas sobre o mundo do vinho:

https://www.youtube.com/watch?v=l8k4t09VPAI&feature=youtu.be

Plat Principal

Após a entrada está na hora do melhor da festa: o vinho tinto com o prato principal! Confesso que, poucas vezes na minha vida, tomei um vinho tão gostoso quanto esse: Volcanes Tectonia 2012.

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Um vinho maravilhoso formado com um corte mediterrâneo com as uvas Mourvèdre, Petite Syrah e Grenache. Ao tomá-lo e perceber seus aromas de compota de frutas negras como cassis e cereja, me lembrei do Don Melchor (link). Nesse último vídeo o Cássio fala um pouco sobre esse vinho extremamente elegante e agradável de beber:

https://www.youtube.com/watch?v=nFE6dnKwu3s&feature=youtu.be

E o prato principal escolhido é uma paleta de Vitela com vinho tinto e acompanhamentos:

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Também troquei muitas idéias com outro sommelier do grupo Oba, o Damião. Que também me confessou esse ser um dos melhores vinhos que ele já havia degustado até então.

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Dessert

Como sobremesa, o vinho de escolha novamente foi do Chile: Junta Late Harvest Gran Reserva 2013 feito com a uva Semillon. Detalhe para a taça utilizada: tipo ISO. Ela é a taça padrão de degustação do mundo todo, inclusive para outras bebidas como café, cerveja, etc.

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Para acompanhar esse vinho com aromas de figos, frutas vermelhas e mel temos um cheesecake com calda de frutas vermelhas e um pudim de limão siciliano.

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Início da festa

Após a refeição tivemos ainda um espumante moscatel bem docinho e leve: Nero.

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E um Malbec Francês que foi utilizado inclusive para acompanhar o churrasco do dia seguinte: Domain les Barthes 2015 Malbec.

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É fantástico ver como um vinho produzido com a mesma uva pode ser tão diferente quando plantada em outro terroir. Pretendo fazer um post em breve com a comparação entre um malbec francês e um argentino, mas de antemão quero adiantar que o Francês é um vinho bem mais leve e com taninos muito mais suaves do que o argentino. Lembra de longe um pinot noir.

Contato do Cássio

Pessoal, conforme vocês devem ter visto nos vídeos e nas fotos, trata-se de um excelente profissional que eu o recomendo com empenho. Caso alguém queira contatá-lo para assuntos profissionais ou mesmo para realização de um evento, segue-se o seu número de celular/whatsup: (11) 98744-6518.

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Quero deixar também o contato do Damião: (11) 948984989.

Conclusão

Quero deixar um agradecimento muito grande à minha tia Sônia por ter proporcionado a sua família e amigos uma festa tão agradável como essa. Recomendo cada um dos vinhos citados nesse post. Um grande abraço a todos e fiquem com Deus.

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Teste cego de Bordeaux Chileno Versus Grand Vin de Bordeaux

“Onde o bom vinho falta, encurta o espaço para o amor” (João Alberto Catalão)

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Introdução

Olá amigos, hoje teremos um post bem diferente do que estamos habituados aqui no blog pois ele será o cumprimento de uma promessa feita desde o nosso primeiro post (link). Desde o começo temos falado que vinhos chilenos e argentinos possuem a mesma qualidade que os europeus mas ainda não fizemos nenhuma comprovação prática no blog salvo no último post (link). Hoje iremos comparar na prática um vinho premiado do chile com outro premiado de Bordeaux (região produtora de vinhos mais famosa do mundo).

Teste Cego

Aqui no blog já tivemos a oportunidade de falarmos sobre teste cego inclusive daquele que foi o mais famoso já feito: O Julgamento de Paris de 1976 (link). Nesse ano pela primeira vez vinhos americanos desbancaram vinhos franceses que até então eram cridos serem imbatíveis.

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Julgamento de Paris de 1976

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Recentemente, Eduardo Chadwick decidiu provar que seus vinhos de aproximadamente R$500 eram melhores do que renomados franceses de até mesmo R$17.400 como o Château Lafite-Rothschild 2000 e promoveu vários testes cegos com diversos especialistas.

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E o resultado foi como ele esperava: seus vinhos eram melhores do que os franceses e os italianos. Se alguém quiser saber mais detalhadamente sobre esse evento basta clicar no link abaixo:

http://vinho.ig.com.br/index.php/2013/07/05/chadwick-o-chileno-que-desafia-e-ganha-dos-franceses/

O canal Vox do youtube também fez um vídeo mostrando que é idiotice pensar que um vinho muito caro é necessariamente melhor do que um mais barato. É lógico que um vinho de qualidade não é tão barato, mas é uma ilusão achar que porque ele é muito caro ele é muito melhor. Confiram o link:

https://www.youtube.com/watch?v=mVKuCbjFfIY&feature=share

Vinhos de escolha

Mas para se realizar um teste adequado é necessário comparar semelhantes. Não se compara banana com abacaxi. Devido à diferença de moeda é possível comprar um vinho muito top chileno por cerca de R$100-150, mas um da mesma qualidade europeu (Francês ou Italiano) não sai por menos de R$200. Outro ponto importante é compararmos vinhos de uvas e/ou blends semelhantes. Bordeaux praticamente só produz assemblages (vinhos com mais de uma uva diferentes, normalmente Cabernet-Sauvignon, Merlot e Cabernet-Franc) enquanto que vinhos do Chile e os do Novo Mundo em geral são feitos quase sempre com uma única uva.

Montes Alpha Cabernet-Sauvignon 2011

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Do lado chileno temos uma lenda que é um verdadeiro clássico da América do Sul. O Montes Alpha foi o primeiro grande tinto chileno, inspirado nos melhores vinhos de Bordeaux. Foi eleito o “melhor Bordeaux chileno” pela revista Decanter, e equivale em qualidade a um “cru bourgeois” de preço três ou quatro vezes maior! Concentrado e refinado, com muita estrutura, camadas e mais camadas de fruta madura e um elegante final de boca. Um vinho excelente, de imbatível relação qualidade/preço. Esse foi o vinho recomendado pelo sommelier Gérson num post anterior do Blog (link). Apesar de possuir o nome Cabernet-Sauvignon ele é um blend com outras uvas como a Merlot. Custa em média R$120-150.

Château Villa Bel Air 2010

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Do lado Francês temos outra lenda que é considerado como um dos maiores representantes dos vinhos de Bordeaux. Um vinho realmente apetitoso na opinião de Jancis Robinson e um livro texto da região de Graves nas palavras de Robert Parker, o Château Villa Bel-Air é um Bordeaux cheio de personalidade, combinando as castas Cabernet Sauvignon (40%), Merlot (50%) e Cabernet Franc (10%) de vinhedos plantados nos famosos solos da região, repletos de pedregulhos. Elaborado com maestria pela família Cazes, do famoso Château Lynch Bages, é um grande achado de Bordeaux. Uma garrafa padrão de 750ml dele corresponde a aproximadamente R$230-260. Por sorte consegui comprar uma meia garrafa numa promoção.

O embate

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Durante o teste cego os participantes tiveram opiniões bem semelhantes. Os dois vinhos possuem boa estrutura e apresentam alto grau de qualidade, mas o da esquerda (taça maior e mais alongada) se mostrou bem superior no quesito aromas e retrogosto. Esse é realmente um vinho muito aromático e agradável ao nariz; na boca eles são bem semelhantes mas o retrogosto do da esquerda é também muito superior e agradável. O fim dele é longo, muito persistente e saboroso. Enquanto que o da direita possui um final seco, levemente amargo e desagradável. Devido a essas características, o da esquerda foi escolhido por unanimidade como o melhor vinho. O resultado é o que se segue:

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Ou seja, o Chileno se saiu como vitorioso para minha surpresa, pois eu pensei que o melhor era o Francês!! Isso apenas confirma o que foi dito no post anterior (link): é no Chile que a Cabernet-Sauvignon encontra sua expressão máxima!!

Harmonização

Os vinhos do tipo Bordeaux harmonizam muito bem com um bom pernil de cordeiro (gigot d’agneau) mas, infelizmente dessa vez eu não acertei a mão da receita e prometo que eu refá-la-ei em breve aqui no blog. Por enquanto deixo as fotos da tentativa:

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Conclusão

Conseguimos comprovar o que venho dizendo desde o começo do blog: um vinho não é melhor do que outro necessariamente por ser mais caro ou por ser de um lugar muito consagrado como Bordeaux ou Bourgogne. Mas ao mesmo tempo quero frisar aqui que não é meu objetivo afirmar que os vinhos franceses são inferiores aos chilenos ou a qualquer outro, mas encorajar a todos que provem e aproveitem todos os tipos de vinhos, franceses ou não. Em breve espero estar trazendo mais vinhos franceses aqui no blog. Abraços e fiquem com Deus.

Conheça todos os posts do blog através desse link

Coq au vin, queijos e vinhos franceses, chartreuse e degustações de pinot noir

“Ao contrário dos relacionamentos pessoais e profissionais, no vinho a infidelidade é essencial” (João Filipe Clemente)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um tanto especial pois será um evento francês com uma receita de um coq au vin e degustações múltiplas de grandes Pinot Noir e outros vinhos. Esse é o quinto encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares) e ele ocorrerá na minha casa. Caso alguém queira conferir o quarto encontro, basta clicar aqui.

Receita do Coq au Vin

Amigos, essa é uma receita que demora algumas horas para ficar pronta, logo recomendo começar a prepara-la cedo. Já tivemos aqui no blog um post sobre o coq au vin contando sua história, caso queira conferi-lo basta clicar aqui.

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Tomemos então cerca de 25 mini cebolas, descascamo-las e reservamos:

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Picamos também cerca de duas mini cebolas e reservamo-las:

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Cortamos em rodelas duas cenouras:

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Numa panela grande de ferro colocamos azeite e manteiga para dourarmos as cebolas:

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Depois de douradas, retiramo-las do fogo e reservamo-las:

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Usando o mesmo azeite e manteiga usados para dourar as cebolas, douramos cerca de 750g de bacon:

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Assim que o bacon estiver dourado, acrescentaremos cerca de 2,5kg de frango caipira. A receita original previa um galo mas, devido à dificuldade de acha-lo, iremos utilizar frango caipira comum. Também se usa o galo todo na receita original, mas aqui iremos usar apenas sobrecoxas.

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Vamos dourar o frango junto com o bacon:

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Assim que o frango estiver dourado iremos acrescentar a cebola picada e a cenoura para dourarem juntos:

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Depois de cozê-los juntos, o próximo passo é acrescentar cerca de duas colheres de sopa de farinha de trigo e cozê-la junto com os outros ingredientes:

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Depois de cozidos iremos acrescentar alho, sal, pimenta e algumas folhas de louro:

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Depois vamos cobrir todos os ingredientes com duas garrafas de vinho tinto:

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E agora se inicia um longo cozimento. Baixe o fogo e deixe o galo cozinhar por cerca de 2 horas sempre mexendo para não grudar no fundo da panela.

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Enquanto isso iremos preparar os champignons:

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Aproximadamente 600g e partimos todos em 4 pedaços:

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Vamos agora coloca-los na frigideira com manteiga:

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Vamos agora usar o suco de 1 limão, sal e pimenta do reino:

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Depois de fritos, apenas reservamo-los junto com os outros ingredientes. Após aproximadamente 2 horas o frango já vai ter adquirido uma consistência bonita:

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É a hora de unirmos as cebolas, o champignon e checar o sal e a pimenta:

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Depois disso o coq au vin deve ainda ser cozinhado por cerca de 30-40 minutos. Enquanto isso prepararemos umas entradas para o início do evento: queijos franceses e batatas gratinadas com queijo gorgonzola feitos pela minha esposa Aline.

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Para fazer as batatas basta primeiro cozê-las na água:

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Fazer orifícios e colocar o molho feito com queijo gorgonzola e creme de leite antes de gratiná-las no forno:

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Com essas entradas temos algumas cervejas artesanais:

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Witbier brasileira muito bem feita, vale a pena conferir.

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Uma weizen alemã:

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Outra witbier artesanal muito bem feita:

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Harmonização e características da pinot noir

Conforme falamos no post anterior, o coq au vin combina perfeitamente com vinhos da Borgonha, principalmente os feitos com a uva pinot noir. Essa que é considerada uma das uvas mais difíceis de serem cultivadas por exigir terroirs muito específicos. É dela que se obtém vinhos lendários como o romanée-conti que são vendidos no Brasil com valores absurdos de até R$40 mil reais:

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A pinot noir é talvez a uva mais adorada pelos grandes apreciadores de vinhos. É dito que, através dela produz-se vinhos muito delicados e saborosos. Ficou muito famosa no mundo e, principalmente nos EUA, depois do filme Sideways.

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São vinhos que possuem baixo nível de taninos, uma acidez moderada e aromas muito frutados de cereja, amora, framboesa, especiarias, ervas e flores. Com a idade ressalta toques animais, couro e cogumelos secos. Mas é difícil definir um gosto típico de Pinot Noir, justamente por depender muito do terroir do qual foi extraída, e do seu processo de vinificação.

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Fonte: https://www.winefolly.com

Por esses motivos, houve uma decisão de harmonizar nosso coq au vin com diversos tipos de pinot noir. O primeiro e o segundo da lista foram degustados num evento anterior com o mesmo prato. Segue-se um pinot noir maravilhoso chileno da bodega ventisquero já citada algumas vezes no blog:

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E um pinot noir argentino maravilhoso: Partidge Reserva Pinot Noir 2013

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Degustados lado a lado todos os dois harmonizaram com o prato porém pode-se perceber a diferença de um pro outro: o chileno bastante aromático e com presença de madeira, porém com uma acidez um pouco acima da média. Já o argentino bem mais redondo e equilibrado em nada se destacando (chileno da esquerda e argentino da direita).

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Vinhos de escolha

O desafio era degustar vários tipos de pinot noir e dizer qual país produz o melhor deles. Para esse desafio tivemos alguns vinhos de peso. O primeiro deles foi um chileno ganhador de vários prêmios, detentor de 91 pontos pelo Wine Spectator (James Suckling): Arboleda Pinot Noir 2014.

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O segundo é um clássico da Califórnia cujo nome dispensa comentários: Robert Mondavi Private Selection Pinot Noir 2014. Caso alguém não tenha visto o post sobre os vinhos californianos pode clicar aqui.

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E temos também dois representantes clássicos da região lendária da Borgonha (o berço da Pinot Noir e dita pelos especialistas possuir os melhores vinhos). Masson Dubois Bougorne 2011 e Louis Latour 2013.

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Início das degustações

Após o tempo previsto o coq au vin ficou pronto:

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Como acompanhamento fica perfeito uma baguete de parmesão.

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Quando colocamos os três um do lado do outro fica fácil ver algumas características: o chileno é o mais aromático porém o mais ácido de todos. O americano é o mais redondo e agradável com um retrogosto agradável e macio enquanto que o francês é um bom vinho mas sem personalidade e com retrogosto seco e levemente desagradável. Nada se destaca nele, mas de acordo com os presentes foi o que melhor harmonizou com o prato. Nesse duelo não houve vencedores pois todos eram muito bons.

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Além desses pinot noir tivemos alguns outros muito bons:

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Esse é um Francês feito com um assemblage de uvas:

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Um primitivo italiano que foi uma das estrelas da festa: La Marchesana Primitivo di Puglia 2015.

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Mais uma vez um vinho da bodega ventisquero: Carmenère 2015

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E um vinho português do Douro que impressionou por sua qualidade por ser um vinho de R$30 reais. Ele é um dos exemplos de que um vinho não precisa ser caro para ser bom!

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Dessert

Como sempre na confraria sempre temos uma surpresa que nos aguarda e hoje foi a vez da maravilhosa torta mais do que genuinamente francesa feita pela minha tia Sônia: Tarte Tatin.

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Essa torta é muito conhecida na França e tem uma história bem legal. Reza a lenda que a Tarte Tatin teria nascido de um erro culinário, ocasionado por um momento de desatenção da cozinheira. Quando Jean Tatin faleceu no final do século XIX, suas filhas Stéphanie e Caroline herdaram o hotel e restaurante Tatin, situado na pacata cidade de Lamotte-Beuvron, no Loir-et-Cher (centro da França). Caroline era conhecida por ser uma excelente administradora. Já Stéphanie, era uma cozinheira muito talentosa. As duas formavam uma ótima equipe e, mesmo após o falecimento do pai, elas continuaram gerindo com brio o estabelecimento familiar. Uma das especialidades de Stéphanie era a torta de maçãs, que ela servia morna, caramelizada e bem macia. Os clientes vinham de longe para apreciar a famosa iguaria. No entanto, Stéphanie também era conhecida pelo seu jeito meio distraído e tagarela. Assim, num dia de muito movimento, ela ficou conversando demais com os clientes até que se deu conta de que a sobremesa não estava pronta. Então, ela correu para preparar a famosa torta, pôs ela no forno e só depois é que reparou que tinha esquecido de colocar a massa no fundo da forma. Vendo que as maçãs estavam caramelizadas, ela teve a idéia de pôr a massa por cima e de virar a torta quando ela saísse do forno. Quanto aos clientes, eles simplesmente adoraram a nova receita!

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Como acompanhamento para essa receita temos dois licores genuinamente franceses e difíceis de encontrar fora da França. O primeiro deles é o Chartreuse, um licor de pêra:

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O segundo é o liqueur de génépi de savoie feito com uma florzinha que cresce nos alpes franceses:

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Conclusão

Foi um prazer muito grande receber todos na minha humilde residência e partilhar de momentos tão indeléveis! Recomendo cada um dos vinhos desse post. Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

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Harmonizando frango assado com vinhos brancos e rosés

“Para vinho ter gosto de vinho, deve ser tomado com um amigo” (Provérbio Espanhol)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um exemplo de como a simplicidade pode ser perfeita para um encontro de amigos. Como um simples frango na brasa pode ser uma comida tão espetacular. Este é o quarto encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o terceiro encontro, basta clicar aqui.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, antes de falarmos sobre o evento e os vinhos do post, faremos um breve review de algumas excelentes cervejas. Hoje falaremos das cervejas produzidas pela Cervejaria Colorado, a qual, na minha opinião, é a melhor cervejaria do Brasil. O que torna elas tão especiais é não apenas o altíssimo nível de qualidade mas também os ingredientes típicos brasileiros usados nas receitas. A primeira delas é uma pilsen bem incomum que recebe mandioca na sua composição: a Cauim.

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Confesso que demorei um bom tempo até me animar a querer degustar essa cerveja por pensar que mandioca nada tinha a ver com a bebida. Mas essa combinação é simplesmente estonteante e produz uma pilsen bem mais encorpada do que as outras comumente conhecidas. O nome Cauim vem do Tupi e se refere a uma antiga bebida fermentada de cereais e mandioca, fabricada pelos índios brasileiros.

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Essa segunda é simplesmente uma das cervejas de trigo mais gostosas que eu já provei na vida (se não foi a melhor). A combinação de maltes de trigo com mel de abelhas dá um toque todo especial a essa cerveja. Já é a segunda vez que falo dela no blog (confira o primeiro review aqui).

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A terceira é uma IPA consagrada no mundo todo e vencedora de diversos prêmios por sua qualidade e inovação por utilizar rapadura na sua confecção. Vale a pena conferir mesmo se você não curte muito o estilo IPA.

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Essa quarta cerveja do estilo porter ganhou o prêmio em 2016 junto com a Wäls Dubbel (review aqui) pois foram eleitas as melhores do mundo pelo World Beer Award, prêmio considerado o Oscar da cerveja.

Início do evento

Amigos, hoje estamos na casa maravilhosa e aconchegante dos amigos Vitor e Marcela e vamos provar um frango assado na brasa que é especialidade dele:

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O segredo é deixar o frango marinando por 4 horas com limão tahiti, limão siciliano, cerveja preta, suco de laranja e whiskey (pode ser Scotch ou Bourbon).

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Enquanto o frango é assado, vamos apreciar uma deliciosa witbier:

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Cerveja muito agradável e fácil de beber! Sente-se o aroma da casca de laranja e da semente de coentro sem destoar dos outros. Cerveja bem equilibrada!

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Essa segunda já foi alvo de review no nosso blog (link).

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Essas cervejas harmonizaram bem com alguns queijos como provolone e emmental e com umas deliciosas bruschettas preparadas pelo Vitor com pão de milho:

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Vinhos de escolha

Normalmente um frango na brasa harmoniza muito bem com um vinho tinto como o pinot noir, mas o desafio lançado foi que a harmonização deveria ser feita exclusivamente com vinhos brancos ou rosés.

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O primeiro vinho é um corte chileno feito majoritariamente com a cepa chardonnay com um pouco de pinot blanc e pinot grigio. A denominação reserva garante a esse vinho um estágio de médio prazo em barricas de carvalho.

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O segundo vinho é simplesmente magnânimo por ser produzido por uma bodega de muito prestígio no Chile e por receber classificação máxima de qualidade. O selo Gran Reserva indica não apenas longo tratamento e envelhecimento em barricas de carvalho mas também utiliza-se uvas de primeira qualidade (caso alguém queira entender mais sobre a diferença entre reservado, reserva e gran reserva clique aqui).

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O terceiro e o quarto são rosés franceses originários da região de Provence. Eles são um assemblage de várias uvas (Cinsault, Grenache, etc).

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E como guarnição temos uma batata recheada com queijos.

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Dessert

Após o frango maravilhoso temos ainda uma sobremesa deslumbrante feita pela Marcela:

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E para harmonizar com ela temos dois vinhos de sobremesa: um argentino e outro da África do Sul.

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Conclusão

Vitor e Marcela, acredito que não foi apenas minha opinião mas de todos os amigos da confraria de que foi o frango assado mais gostoso que já comi na vida. Foi um prazer muito grande esses momentos com vocês! Confesso que fiquei meio incrédulo a princípio sobre se a harmonização daria certo e, mais uma vez, fui surpreendido! Recomendo cada um dos vinhos desse post. Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

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Fettuccine verde ao molho pomodoro, frango na cerveja e duelo de shiraz australiano com chileno

 “Os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons.” Cícero

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Introdução

Olá amigos, hoje iremos falar sobre como combinar massas com vinhos e faremos um teste cego para decidirmos qual o melhor Shiraz: australiano ou argentino?

Cervejas

Começaremos falando sobre uma cerveja japonesa que tem se popularizado bastante no Brasil: Kirin Ichiban.

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Essa é uma cerveja que pode ser tida como uma boa opção para o público brasileiro em geral por se tratar de uma puro malte de bom custo benefício.A segunda é uma witbier espanhola: Estrella Damm Inedit.

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Essa é uma cerveja artesanal espanhola criada em parceria com o chef Ferran Adrià, do Restaurante El Bulli. Combina maltes de cevada e trigo, lúpulos, coentro, casca de laranja e alcaçuz, e passa por segunda fermentação na garrafa para ganhar complexidade. Frutada e floral no aroma, adocicada no paladar. É cremosa, fresca, frisante e de final agradável. A terceira cerveja é uma Weiss alemã muito conhecida: Erdinger Urweisse.

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Como todos sabem, a Erdinger tradicional é a cerveja de trigo mais consumida do mundo. Já a Urweisse é produzida apenas com o processo de alta fermentação nos tanques (não é refermentada na garrafa), mantendo assim as características típicas de uma cerveja Weiss, com aroma e paladar complexos, rico em notas frutadas.

Características da Shiraz

Amigos, já tivemos aqui no blog um post sobre o vinho que é considerado o melhor Shiraz do mundo: o Crozes-Hermitage (link para o post). E hoje vamos falar sobre o país que produz os segundos melhores Shiraz: a Austrália. Mas quais são as características dessa uva tão famosa?

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Fonte: http:\\www.winefolly.com

A Shiraz é uma das uvas mais antigas usadas para fazer vinho datando dos gregos e romanos. Ela tem origem no vale do Rhone na França e possui aromas deliciosos de amoras, chocolate, pimenta, baunilha, tabaco e cogumelos:

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Fonte: https://br.pinterest.com

Harmonização e Teste Cego

Hoje vamos escolher uma massa para harmonizar com essa uva maravilhosa. O prato de escolha será um fettuccine verde (leva espinafre na massa) ao molho pomodoro e um frango na cerveja.

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Enquanto a comida vai sendo preparado podemos ir saboreando um delicioso pão caseiro com queijos e uma boa cerveja.

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Ou uma caipiroska feita com uma maravilhosa vodka francesa: Cîroc.

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Com a comida pronta podemos começar o embate entre os dois vinhos: Chileno ou Australiano?

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No teste cego realizado entre as 5 pessoas presentes, todas foram unânimes em escolher o Australiano, o qual se mostrou bem superior tanto no bouquet quanto na boca. Testamos também como harmonização um pinot noir californiano (redwood creek) e um cabernet-sauvignon da África do Sul.

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E o pinot noir mais uma vez foi a bola da vez ganhando no quesito harmonização!

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Sobremesa

Para a torta de limão tivemos uma seleção de drinks:

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Licor 43:

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Bellini e Rossini:

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Conclusão

Dessa vez o australiano se sobressaiu ao chileno mas para a harmonização com a comida o pinot noir californiano surgiu incólume!!

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Camarão à Húngara, cerveja Deus e a champenoise brasileira Wäls

“Onde o bom vinho falta, encurta o espaço para o amor” (João Alberto Catalão)

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Introdução

Olá amigos, hoje teremos um post que sairá um pouco do modelo ortodoxo já visto desde então. Sabemos que o foco do blog é em vinhos, mas hoje teremos um post levemente diferente: vamos falar sobre cervejas champenoises. Teremos uma exemplar belga produzida em champagne e uma brasileira da cervejaria Wäls. Para acompanhar essas maravilhas vamos fazer uma receita deliciosa: camarão à húngara.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, antes de falarmos sobre o evento e os vinhos do post, faremos um breve review de algumas excelentes cervejas. A primeira delas é eleita a melhor cerveja escura do tipo stout do mundo: a guiness.

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A Guinness Draught é a cerveja stout mais consumida do mundo. É uma cerveja especial de cor negra e uma excepcional espuma densa e cremosa, que persiste durante toda experiência da degustação. Aromas e sabores de café e chocolate amargo bastante presente a tornam uma cerveja irlandesa referência do estilo stout.

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A segunda é uma brasileira muito especial. A cervejaria coruja é um exemplo de qualidade não apenas no Brasil mas no mundo todo. E esse exemplar de trigo é levemente diferente das tradicionais weizen por conter maltes defumados e um leve toque de pimenta do reino. Vale a pena experimentar.

Cervejas champagne

Afinal, é um champagne ou uma cerveja? Garrafa típica de espumante, remuage, segunda fermentação em garrafa, estágio em caves francesas, perlage etc. Assim são as características dessas bebidas. A história das cervejas Champenoise começa com a lendária DeuS, produzida pela cervejaria Bosteels – fundada em 1791, na cidade de Buggenhout, na Bélgica. A DeuS é produzida na Bélgica e depois transferida para a França (Epernay), onde passa pelo processo Champenoise, fazendo uma segunda fermentação na garrafa, passando meses em caves dos melhores espumantes franceses.

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Na mesma linha vêm as cervejas Malheur. A história cervejeira da família Malheur iniciou-se em 1839 e a cervejaria, que também fica em Buggenhout, foi construída em 1997, num prédio do século XVI onde funcionava outra cervejaria.

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As cervejas Malheur são todas Ales (alta fermentação), vivas e refermentadas na garrafa onde os fermentos continuam vivos após o engarrafamento, possibilitando que seus sabores evoluam com o tempo. Além disso, são produzidas utilizando-se flores de lúpulo in natura. Foi o mestre-cervejeiro da Malheur, Luc Verhaeghen, quem desenvolveu em 2001 essa técnica a partir de várias visitas à região de Champagne, onde estudou os métodos de produção e, principalmente, de condicionamento de garrafas lá utilizados. Inicialmente, suas tentativas foram recebidas com ceticismo, mas, depois, receberam uma grande ajuda do Epernay Oenologique Institut, que forneceu o fermento e viabilizou a aquisição dos grandes pallets giratórios que completam trinta e seis movimentos em sete dias. Mas sem sombra de dúvida foi a DeuS quem conseguiu popularizar o estilo no mundo todo inclusive recebendo diversos prêmios:

  • Medalha de prata na World Beer Cup nos Estados Unidos em 2002
  • Prêmio de “Beer of the Year” nos Estados Unidos em 2003 pela Malt Advocate Magazine
  • Prêmio de “Best of New Beer” nos Estados Unidos em 2003 pela Celebrator Magazine
  • Prêmio de “Biere d innovation de l annee “ na França em 2003 pela Bière Magasine
  • Medalha de Prata na Brewing Industry International Awards em Londres em 2004

Essa Belgian Strong Ale passa pelo método champenoise, ganhando uma similaridade com o champagne. A cerveja Deus tem um gosto leve, mas que esconde seu nível elevado de graduação alcoólica: 11,5%. Aroma complexo, com maçã, hortelã, gengibre, malte, lúpulo e cravo-da-índia. Sabor refrescante com final seco e adstringente. E hoje nós estamos tendo a oportunidade de degustá-la aqui no nosso blog graças à minha esposa Aline que me deu uma de presente de aniversário. Infelizmente essa é uma bebida que não é possível tomarmos com frequência devido ao seu alto preço (custa o mesmo que uma garrafa de champagne no Brasil R$250-300).

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Também iremos degustar aqui uma champenoise brasileira que eu pude comprar na minha última viagem à Belo Horizonte quando visitei a melhor cervejaria do país: a Wäls.

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Harmonização

Não podemos degustar bebidas de peso sem um prato à altura, logo nossa escolha será pelo famoso camarão à Húngara. Para começar a fazê-lo, tomemos cerca de 1kg de camarão:

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E vamos temperá-los com o sumo de 2 limões:

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2 colheres de sopa de páprica doce e 1 de páprica picante (cuidado pois ela é muito apimentada)

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Azeite, pimenta do reino branca e sal a gosto:

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Depois deixamos o camarão descansar por cerca de meia hora:

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Enquanto isso vamos cozinhar as batatas. Tomemos 1kg de batata Asterix:

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Vamos descascá-las e cortá-las em rodelas:

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Vamos colocar água e sal em uma panela e aguardar o momento de fervura. Após ele começar a acontecer vamos colocar as batatas e cozê-las de forma que elas apenas fiquem levemente cozidas (10 minutos) para que elas não se desfaçam.

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Depois iremos secá-las e separá-las:

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Passemos então os camarões para a frigideira com manteiga, azeite e alho:

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É interessante não cozinhá-los por muito tempo, a idéia é só selá-los já que depois irão ao forno.

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Depois da selagem, vamos acrescentar cerca de 2 colheres de farinha de trigo:

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Adicionamos 800g de creme de leite:

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Por fim vamos acrescentar o açafrão:

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E as batatas:

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Depois colocaremos numa tigela refratária para levarmos ao forno a 200 graus Celsius:

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Um pouco mais de páprica antes:

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O tempo de cozimento leva cerca de 30 minutos. Enquanto isso faremos o arroz na panela de pressão elétrica:

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Usaremos dois copinhos cheios de arroz:

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Vamos refogar azeite, alho e cebola picada junto com o arroz:

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Após vamos acrescentar cerca de 3 copinhos de água, um sachê de sazon e cozinharemos na pressão por cerca de 12 minutos.

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Logo após a comida estará pronta para a degustação:

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Degustamos também uma cerveja dinamarquesa espetacular: Hertog Jan Tripel. Ela possui uma das garrafas mais bonitas que eu já vi numa cerveja: ela é feita toda de cerâmica.

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Conclusão

A noite foi maravilhosa com uma excelente companhia: Aline. Sobre as cervejas a nota é 10. Sei que é muito caro comprar uma DeuS aqui no Brasil, mas ela é do tipo que necessita ser degustada ao menos uma vez na vida. Obrigado pelo presente de aniversário querida.

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Coquilles-saint-jacques, estrela francesa e um bom vinho chileno

“Diz-se «in vino veritas», mas diz-se também que a verdade está no fundo de um poço; logo é um poço cheio de vinho.” Raymond-Claude-Ferdinand Aron

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Introdução

Amigos, hoje o post será breve, pois falaremos rapidamente sobre uma das maiores iguarias francesas e uma das coisas mais gostosas que já comi na vida: o coquilles-saint-jacques.

Cervejas

Antes de falarmos sobre o prato principal, vamos falar sobre algumas excelentes cervejas. A primeira delas é uma witbier muito saborosa: a Hoegaarden.

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A semente de coentro e a casca de laranja encontram-se muito bem harmonizados nessa cerveja, quem não provou vale a pena provar.

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Essa segunda weissbier é bastante famosa por ser produzida pela cervejaria mais antiga do mundo que ainda encontra-se em atividade: a Weihenstephaner. Weihenstephan é uma cervejaria e uma marca de cerveja da região alemã da Baviera. É considerada a cerveja mais antiga do mundo (artesanal ou industrial), sendo vendida desde 1040 e fabricada desde os anos 800.

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Essa terceira é bastante diferente das outras e confesso que não foi muito de meu apreço. Acredito que eles erraram na mão na quantidade de casca de laranja que ela possui. Mas não deixa de ser uma boa cerveja.

Coquilles-saint-jacques

No Brasil esse molusco é muito raro de se encontrar até mesmo em casas mais especializadas. Aqui ele é vendido com o nome de vieira:

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Coquilles Saint Jacques, em peixaria. Foto de David Jones no Flickr

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Ele é um prato famosíssimo na França principalmente no inverno.

Bravo Bistrô

Amigos, quero deixar aqui registrado uma excelente opção de bistrô em São Paulo. Confesso que me surpreendi muito positivamente com o lugar. Bem aconchegante e com excelente atendimento. Fica localizado na Mooca.

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Abaixo segue-se o link para o site deles:

http://bravobistro.com.br/

Como escolha de vinho para acompanhar as vieiras escolheremos um clássico: Brisa Chardonnay Vistamar.

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E para acompanhar uma boa massa de frutos do mar vamos de um rosé italiano bem fresco:

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Para entrada escolhemos umas bruschettas deliciosas:

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E como prato principal escolhi as vieiras:

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Minha esposa escolheu o Tagliatelli ao Frutos do Mar

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Conclusão

Com certeza esse foi um dos pratos mais gostosos que eu já comi na vida. Recomendo com empenho o bistrô!!

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