Tucupi e harmonização de comida paraense com vinhos

 “O vinho é como a encarnação: é divina e humana.” Paul Tillich

IMG_20180224_143051530.jpg

Introdução

Amigos, hoje teremos um post muito especial sendo uma homenagem aos meus amigos paraenses! Esse evento também é o oitavo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o sétimo encontro, basta clicar aqui. Alerto que falaremos apenas um pouco dessa rica cultura gastronômica e, espero no futuro, falar mais sobre outros pratos típicos como o pirarucu, o açaí e o pato no tucupi por exemplo.

900px-Bandeira_do_Pará.svg

Tucupi

Amigos, é praticamente impossível falarmos sobre a rica culinária paraense sem falar desse ingrediente tão único e diferente que é o tucupi. Relembremos a famosa frase do nosso grande chef brasileiro Alex Atala:

28-04-2014_alex_atala_cred-_rubens_kato

“A primeira vez que eu comi caviar me pareceu algo muito estranho e único, mas quando eu provei tucupi pela primeira vez também tive a mesma sensação! Se o caviar é considerado algo chique e o tucupi não o é, isso se dá porque alguém me disse isso. Existe uma interpretação cultural sobre o que são os aromas e sabores!” (Alex Atala)

O tucupi é um caldo feito com a mandioca brava ralada e espremida no tipiti, que é um espremedor feito de palha trançada.

VO_161460_2_lzn.jpg

Depois da mandioca ralada e espremida no tipiti resta-se o caldo, a goma e a farinha. Esse caldo não pode ainda ser utilizado porque a mandioca brava contém alto teor de ácido cianídrico, então ele é cozido e depois deixado para fermentar por cerca de 3 a 5 dias. Abaixo vou deixar um vídeo muito legal e curto mostrando como é feito o tucupi:

https://www.youtube.com/watch?v=wG5Z1VGF_ZU

Ele é o ingrediente principal do prato mais consumido da região norte do Brasil: o Tacacá.

e3c2dc2849e1a3395b1302d49a316966.jpg

Evento e harmonização

Essa oportunidade de poder provar essas iguarias paraenses nos foi dada pelos nossos queridos amigos Jéssyka e Lucas que conhecem tão bem dessa rica cultura. A Jéssyka é uma paraense da gema enquanto o Lucas é paulistano porém morou boa parte de sua vida nesse estado tão maravilhoso!

IMG_20180224_133510561.jpg

Como entrada tivemos a famosa farofa de casquinha de caranguejo com tapioca

IMG_20180224_133522761.jpg

IMG_20180224_133856598.jpg

IMG_20180224_133859911.jpg

Para harmonizar com esse prato o Nelson escolheu um vinho Rosé brasileiro de Espírito Santo do Pinhal, interior do estado de São Paulo! Guaspari Rosé 2016

IMG_20180224_134045791.jpg

IMG_20180224_134051623.jpg

IMG_20180224_134059556.jpg

Mais uma vez o Brasil nos surpreendendo com vinhos de altíssima qualidade. Não me lembro de ter tomado um rosé mais gostoso do que esse em toda minha vida! Vinho altamente aromático porém jovem e com pouca complexidade. Perfeito porém com preço proibitivo: cerca de R$100. Recomendo com empenho!

IMG_20180224_134252121.jpg

Enquanto nos era explicado o prato principal fomos embalados pelos ritmos paraenses do carimbó e do tecnobrega, tendo Pinduca e sua garota do tacacá como destaque:

https://www.youtube.com/watch?v=0zjFAC7mwdQ

Como prato principal tivemos arroz paraense (arroz fervido com caldo de tucupi misturado com camarão e jambú) com filhote na brasa. O filhote é um peixe de rio muito apreciado na região norte do Brasil.

005_-__1.JPG

IMG_20180224_141354963.jpg

IMG-20180225-WA0003.jpg

IMG-20180224-WA0010.jpg

A harmonização com pratos à base de tucupi é bastante complicada porque poucos tipos de vinho combinam com esse sabor tão exótico, nos deixando quase que somente com expumantes do tipo Brut ou Extra-Brut. O primeiro que utilizamos foi um dos melhores que eu já provei em toda minha vida: o chileno Viñamar Extra-Brut. Espumante dotado de bastante formação de bolhas (perlage).

IMG_20180224_142608441.jpg

IMG_20180224_143014722.jpg

IMG-20180225-WA0016

IMG_20180224_143051530.jpg

Harmonização perfeita! Provamos também com outro gigante dos espumantes: Casa Valduga Rosé Brut.

IMG_20180224_130830030.jpg

IMG_20180224_130835678.jpg

IMG_20180224_130845570.jpg

IMG_20180224_150838211.jpg

Provamos também outro espumante da Salton que se mostrou uma boa opção porém com qualidade um pouco inferior a esses dois apresentando pouca formação de perlage:

IMG_20180224_131135166_HDR.jpg

Salton Évidence Brut

IMG_20180224_131139854_HDR.jpg

IMG_20180224_131149290_HDR.jpg

IMG_20180224_153628989.jpg

IMG-20180224-WA0013.jpg

Provamos também uma cerveja de trigo que a Marcela trouxe que caiu muito bem também com o prato em destaque:

IMG-20180225-WA0022.jpg

Mas o mais legal foi provar a cachaça paraense meu garoto feita com jambú que adormece a boca:

IMG-20180225-WA0026.jpg

IMG-20180225-WA0027.jpg

E para terminarmos nosso evento tivemos o lendário sorvete de castanha do Pará com cupuaçu da Cairu:

logo25032015.png

A sorveteria Cairu é lendária no estado do Pará, é quase que um patrimônio histórico da cidade!

IMG_20180224_152525724.jpg

IMG_20180224_152922386.jpg

Conclusão

Fiquei com muita vontade de conhecer a cidade de Belém depois desse evento tão maravilhoso! Um agradecimento especial à Jéssyka e ao Lucas por tudo e um abraço carinhoso a todos os meus amigos do Pará. Viva o Pará e sua culinária!!

Conheça todos os posts do blog através desse link

Natal, Réveillon, o Quinto Melhor Vinho do Mundo e Duelo de Champagne Francês versus Espumante Brasileiro

“O vinho é uma das coisas mais civilizadas do mundo e uma das coisas mais naturais do mundo que alcançou a maior perfeição. Oferece uma gama maior para o prazer e apreciação do que possivelmente qualquer outra coisa puramente sensorial.” Ernest Hemingway

IMG_20180102_172014186

Introdução

Amigos, hoje eu vou fazer um compilado breve da ceia de Natal e de Ano Novo mostrando como harmonizar bem vinhos com pratos dessa época. Ao fim do post teremos o tão aguardado duelo entre champagne francês versus espumante nacional. Antes que alguém critique minha escrita falando que champagne francês é um pleonasmo pois champagne só existe na região de champagne na França, quero afirmar que a língua portuguesa admite o pleonasmo enfático. Ou seja, como estamos no Brasil e é comum as pessoas chamarem de champagne todos os espumantes, esse pleonasmo servirá para destacar essa cabal verdade!

Natal

O Natal foi na casa dos queridos Jéssyka e Lucas, e como entrada tivemos um delicioso escondidinho de queijo serra da estrela (já comentamos sobre esse queijo no post anterior) com torradinhas, damasco e salaminho para acompanhar.

IMG_20171224_210744441.jpg

Como harmonização caiu muito bem uma deliciosa witbier produzida por ninguém menos que a Casa Valduga. Delícia de cerveja! Cerveja Leopoldina Witbier.

IMG_20171224_203343181.jpg

IMG_20171224_203348010.jpg

IMG_20171224_203419371.jpg

IMG_20171224_203555536.jpg

E o vinho para acompanhar esse prato português tivemos também um rosé português muito suave e agradável. Recomendo com empenho! Pinta Negra Rosé.

IMG_20171224_204056268.jpg

Como pratos principais o cardápio foi: Peru Assado, Lombo de Porco Grelhado no mel e arroz à grega.

IMG_20171224_220643532.jpg

Como harmonização tivemos os seguintes vinhos:

IMG_20171224_215930962.jpg

IMG_20171224_215941120.jpg

Puerto Viejo Pinot Noir Reserva 2016

IMG_20171224_220250934.jpg

IMG_20171224_221430408.jpg

Eu fiz questão de encaixar um brasileiro também. Aurora Pinto Bandeira Pinot Noir 2016.

IMG_20171224_200259223.jpg

IMG_20171224_200304859.jpg

IMG_20171224_200316997.jpg

IMG_20171224_222836579.jpg

Mais um Pinot Noir: Junta Pinot Noir Reserve 2016.

IMG_20171224_225709370.jpg

IMG_20171224_225716397.jpg

Como explicamos no post anterior o Pinot Noir é perfeito para harmonizar com aves pois elas são carnes magras e eles são vinhos de baixíssima tanicidade. Infelizmente o Brasil ainda não está se mostrando promissor com essa uva de difícil cultivo. O brasileiro é claramente inferior aos nossos amigos chilenos apesar de ter o mesmo preço. Mas valeu pelo conhecimento pois precisamos dar espaço para os vinhos do Brasil também! Alto Tierruca Gran Reserva Carménère 2013.

IMG_20171224_225743618.jpg

IMG_20171224_225751087.jpg

IMG_20171224_225804390.jpg

Outras duas uvas que combinam bem com comidas natalinas são a Carménère e a Merlot, pois são bem parecidas (chegando a enganar especialistas num teste cego) e possuem tanicidade média a baixa. Esse Carménère quase que dispensa apresentações por ser um Gran Reserva. Mas também quero deixar dois exemplos de bom custo benefício de vinhos brasileiros. Como todos sabem desde o post do blog, a uva que se destaca no Brasil é a Merlot.

IMG_20171224_200149817.jpg

Miolo Reserva 2015 Merlot

IMG_20171224_200200690.jpg

IMG_20171224_200215465.jpg

IMG_20180104_222418302.jpg

Salton Intenso Merlot 2013

IMG_20180104_210458614.jpg

Se você é uma pessoa que busca vinhos bons e baratos brasileiros podem tentar essas duas opções. Principalmente o Salton que eu o comprei por R$35 e agradou bem meu paladar para um vinho desse valor.

IMG_20171224_231608383.jpg

Como sobremesa tivemos a famosa torta americana Red Velvet. O Red Velvet Cake ficou bastante conhecido durante a Segunda Guerra Mundial. Com o racionamento de alimento, eles passaram a fazer o bolo com beterrabas, que além de ser muito comum nos Estados Unidos, é rica em ferro e açúcares, e claro, dá o tom natural avermelhado. Depois da Guerra, com o sucesso do bolo, começaram a substituir a beterraba por corante alimentício. Como harmonização tivemos nada mais nada menos do que o icewine do post anterior (Creif Estate Winery 2015 Vidal Icewine) e um chileno de colheita tardia. Toro de Piedra Late Harvest Gran Reserva Sauvignon Blanc Semillon.

IMG_20171224_093728022.jpg

IMG_20171224_200357920.jpg

IMG_20171224_232511620.jpg

Réveillon

Nosso réveillon foi na casa dos amados Nelson e Ana e tivemos maravilhosos vinhos e comida. Primeiro degustamos um ótimo Bourbon: Woodford Reserve Labrot and Graham.

IMG_20171231_180537666.jpg

Nosso primeiro prato foi o bacalhau à moda nona do post anterior que tivemos o prazer de degustá-lo junto com um bom vinho verde. Tapada dos Marques Loureiro Vinho Verde.

IMG_20171231_210104886.jpg

IMG_20171231_204223976.jpg

IMG_20171231_204254640.jpg

IMG_20171231_210743660.jpg

Muitas pessoas me perguntam sobre o que é vinho verde. A maioria delas, inclusive eu no passado, pensa que o nome se dá pela coloração esverdeada do vinho. Nada mais inverídico! Vinho verde é todo vinho produzido na região dos vinhos verdes de Portugal, inclusive os tintos recebem essa denominação! E essa uva Loureiro produz vinhos cítricos muito agradáveis.

img_20170129_183911194

Após o Bacalhau nós tivemos duas carnes maravilhosas feitas pelo Vitor. Uma delas foi um filet mignon na churrasqueira temperado com mostarda dijon e salsa chimi-churri e a segunda foi uma alcatra recheada com queijos. Para acompanhar esses pratos eu escolhi dois dos melhores vinhos que o Brasil produz: o Salton Desejo e o Salton Talento. Embora já tivemos aqui no blog um post falando sobre eles, basta dizer que o Salton Desejo é famoso até mesmo na França. O único problema de degustar esses vinhos é o valor deles. Cada um não sai por menos de R$120. Ainda bem que encontrei-os na promoção pela metade do preço!

IMG_20171231_175833989_HDR.jpg

IMG_20171231_175840646.jpg

IMG_20171231_175848856.jpg

Já o Salton Talento foi alvo de vários prêmios inclusive no quesito teste cego. Esse é um vinho brasileiro no estilo bordeaux que não deixa a desejar para nenhum outro! Um orgulho grande poder ver que existem vinhos brasileiros (apesar do alto preço) serem tão bons quanto quaisquer outros: franceses, chilenos, etc. Eu desafio qualquer um que tem preconceito com os vinhos brasileiros a degustarem esses dois grandes vinhos e não mudarem de idéia!

IMG_20171231_175937625.jpg

IMG_20171231_175942372.jpg

IMG_20171231_175954751.jpg

Desafio qualquer um que duvida que existem bons vinhos no Brasil a não mudar de idéia ao experimentar esses dois colossos! Eles são pioneiros do tipo Gran Reserva no Brasil. Abaixo eu gostaria de deixar o link para uma entrevista com o enólogo responsável pela produção deles. É bem bacana.

https://www.youtube.com/watch?v=bK6F81KfRO0&t=2449s

IMG_20171231_212255712.jpg

IMG_20171231_213136478.jpg

IMG_20171231_215559481.jpg

Tivemos também um espumante Francês que eu simplesmente adorei: JP. Chenet Ice Rosé. Excelente drinkability.

IMG_20171231_235442765.jpg

IMG_20171231_235637458.jpg

IMG_20180101_000614782.jpg

O quinto melhor vinho do mundo

IMG-20171230-WA0015

Recentemente nós tivemos um julgamento bastante incomum no mundo dos vinhos. A Associação Mundial de Jornalistas e Escritores de Vinhos e Licores (WAWWJ) elegeu o espumante brasileiro Casa Perini Moscatel, da vinícola Perini, como o quinto melhor vinho do mundo. É lógico que choveram críticas e reviews no mundo todo comentando esse resultado para um vinho de R$ 43,50. É também patente que não existe algo como o melhor vinho do mundo como sempre comentamos aqui no blog. O que existe são paladares e técnicas de produção apurados. Decidimos então comentarmos sobre este vinho. Espumante Moscatel Casa Perini.

IMG_20171202_141920832.jpg

IMG_20171203_192637669.jpg

IMG_20171203_192657153.jpg

IMG_20171203_213218397.jpg

Eu particularmente já vi vários estudos comprovando que é o Brasil o produtor dos melhores moscatéis do mundo, logo eu não consegui ter um paladar suficiente para comprovar que esse é um vinho muito melhor do que todos os outros moscatéis fabricados no Brasil, inclusive os do Vale do São Francisco como já comentamos anteriormente. A minha opinião é a mesma desde nosso último review: de um modo geral os nossos moscatéis são estupendos seja qual for a vinícola produtora. E sim, com certeza esse é um vinho maravilhoso. Muito gostoso de beber e bem equilibrado no açúcar.

Duelo de Champagne Francês versus Espumante Brasileiro

Amigos, preciso confessar que esse é, para mim, um dos posts mais aguardados do blog, pois sempre falamos aqui sobre a alta qualidade dos espumantes brasileiros, mas como se dá o desempenho destes diante dos favoritos do mundo: os champagnes? Para responder a essa pergunta iremos comparar branco com branco e amarelo com amarelo. Do lado Francês iremos escolher dois grandes ícones que simbolizam bem o mundo dos champagnes: o Moët & Chandon e o Veuve Clicquot. Caso haja necessidade de saber mais sobre o assunto de espumantes/ champagnes aqui temos o link para o post sobre eles.

IMG_20180102_115141515_HDR.jpg

IMG_20180102_115149795.jpg

IMG_20180102_115156609_HDR.jpg

IMG_20180102_115207208.jpg

IMG_20180102_115212097_HDR.jpg

Hoje a Maison Moët Chandon também é responsável pelo champagne Dom Perignon, que seria uma linha premium da casa. Mas o que importa é que ela é a grande embaixadora do conhecimento do Dom Perignon reputado por ser o criador do champagne conforme falamos no post anterior. Hoje uma garrafa dessas é vendida no Brasil pelo preço proibitivo de cerca de R$300. Por sorte consegui encontrar uma meia garrafa!

IMG_20180102_114648685_HDR.jpg

IMG_20180102_114659945.jpg

IMG_20180102_114726854.jpg

IMG_20180102_114738568.jpg

Embora existam na França dezenas de grandes produtores de champagne, o Moët Chandon e o Veuve Clicquot são os que mais se destacam por serem melhores na questão do marketing. O que não significa dizer que não existam outros champagnes muito bons como o Perrier-Jouet e o Laurent Perrier por exemplo. Hoje no Brasil uma garrafa de Veuve-Clicquot não sai por menos de R$400. Eu destaquei aqui esse vinho por possuir uma história no mínimo curiosa. O produtor dessa casa François Clicquot morre prematuramente deixando uma viúva jovem de 27 anos e um filho sem qualquer amparo. Essa viúva (Veuve em francês) Madame Barbe-Nicole Clicquot consegue miraculosamente (against all odds) erguer uma empresa considerada um gigante no mundo dos vinhos. E vai se tornar famosíssima no mundo todo durante a segunda guerra mundial pois passa a se tornar a bebida favorita tanto dos aliados quanto do eixo. É dito que o próprio Hitler presenteava seus generais com garrafas desse champagne. Durante batalhas muitíssimo cruentas como a de Stalingrado, os oficiais do alto escalão nazista consumiam essa bebida. A história dessa grande dama pode ser vista aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=W974kUXxVUI

IMG_20180102_115054015_HDR.jpg

IMG_20180102_115107667.jpg

Do lado brasileiro temos o Chandon. Um vinho feito pela mesma casa produtora do Moët & Chandon usando as mesmas técnicas e uvas porém com terroir brasileiro. Hoje uma garrafa de Chandon pode ser comprada com um preço médio de R$60-70. Ou seja, estamos diante de um vinho que custa em média 4-5x menos! A pergunta que não quer calar é: vale a pena gastar cerca de 4 a 5 vezes mais de dinheiro de forma a obtermos um verdadeiro exemplar de champagne?

IMG_20180102_165206504.jpg

IMG_20180102_171801223.jpg

IMG_20180102_175749121.jpg

A resposta é não! Embora consigamos perceber uma complexidade aromática superior no champagne em relação ao Chandon, a diferença entre eles não vale esse preço. É a diferença entre o Don Melchor e o Marquês de Casa Concha. Um é claramente superior ao outro porém numa proporção de 20 a 30% melhor. Percebi que o Chandon é muito bem feito e compensa quando pensamos em custo benefício! Inclusive depois de algumas taças a diferença começa a ficar imperceptível. Entre o Veuve Clicquot e o Moët Chandon eu achei que é uma questão de preferência. O Veuve é mais aromático que o Moët mas achei que no conjunto total o Moët se destacou melhor para o meu paladar! Quando consumimos champagne nós percebemos alguns aromas que não aparecem muito bem nos espumantes brasileiros como aromas de nozes, amêndoas, queijos,etc.

IMG_20180102_172014186.jpg

Conclusão

Amigos, esse post apenas é a confirmação do que sempre falamos aqui no blog que um vinho não precisa ser muito caro para ser muito bom. Valorize os espumantes nacionais sabendo que estão num padrão de qualidade excepcionais. Minha recomendação porém é que provar um champagne original é algo para se fazer pelo menos uma vez na vida!

Conheça todos os posts do blog através desse link

Harmonizando vinhos com feijoada

 “Diz-se «in vino veritas», mas diz-se também que a verdade está no fundo de um poço; logo é um poço cheio de vinho.” Raymond-Claude-Ferdinand Aron

 IMG_20171008_132613711.jpg

Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um pouco diferente porque mostraremos uma harmonização com vinhos pouco comum. Quando pensamos em gastronomia brasileira, o exemplo máximo que nos vem à cabeça é a feijoada com a caipirinha, mas hoje mostraremos que é possível sim degustá-la com uma boa taça de vinho. Também foi um momento maravilhoso por ter sido o aniversário do meu tio Francisco.

Cervejas

Apesar de gostar de quase todos os tipos de cerveja, para mim nenhum estilo me apraz mais do que o estilo weizen (trigo) alemão e hoje quero deixar um dos exemplos mais icônicos do tipo: Franziskaner weissbier.

IMG_20171024_143612280.jpg

IMG_20171024_143619731.jpg

IMG_20171024_144023225.jpg

Essa é uma cerveja bávara de excelente qualidade que apresenta bem as qualidades desse estilo: presença forte do cravo e da banana com boa turbidez e bastante encorpada. É muito semelhante à Erdinger e/ou à Paulaner, fazendo com que mesmo os bons conhecedores de cervejas se enrolem diante de um teste cego.

IMG_20171027_132343979.jpg

IMG_20171027_132349069.jpg

IMG_20171027_132403463.jpg

IMG_20171027_145643410.jpg

Essa segunda é produzida por uma cervejaria artesanal brasileira jovem porém bastante premiada: a Schornstein. É uma cerveja bem feita que apresenta bom corpo e estrutura de uma Weiss. Na minha opinião só pecou um pouco no amargor. Achei-a com um amargor um pouco acima do agradável para esse estilo, mas achei que valeu a pena experimentá-la. Recomendo!

IMG_20171027_153610098.jpg

IMG_20171027_153617380.jpg

IMG_20171027_153631100.jpg

IMG_20171027_153826267.jpg

Acredito que se o critério de escolha de alguém por uma cerveja seja a embalagem, certamente a Faxe dinamarquesa será uma excelente opção. Sua emblemática lata de 1 litro com a foto de um viking realmente cativa a atenção de um bom apreciador! Achei gostosa essa Wit porém percebi um certo desequilíbrio entre a quantidade de semente de coentro e a casca de laranja. O coentro está bem presente, mas não consegui identificar muito bem a laranja!

Início do evento

A palavra harmonização tem origem no vernáculo italiano Abbinamento, que significa andar lado a lado, casar, formar par, combinar. Dentro desse contexto, duas possibilidades vêm à tona: similaridade ou contraste. E é desse ponto comum que descobriremos qual a melhor harmonização para a feijoada. Podemos tentar usar um vinho mais tânico como o malbec ou o merlot ou também podemos harmonizá-lo com um bom espumante por contraste.

IMG_20171008_124225270_HDR.jpg

IMG_20171008_132613711

IMG-20171007-WA0007.jpg

IMG_20171008_124724822.jpg

IMG_20171008_124731447.jpg

Para o teste com espumantes temos dois tipos diferentes: um excelente nacional da Salton feito com as uvas Prosecco e um francês rosé Brut.

IMG_20171008_124148042.jpg

IMG_20171008_124153951.jpg

IMG_20171008_132321127.jpg

IMG_20171008_132248384.jpg

IMG-20171007-WA0009.jpg

IMG_20171008_132256776.jpg

IMG_20171008_132448329.jpg

É incrível como eles combinaram com a comida! Nunca pensei que fosse boa essa combinação, mas acho que o contraste da acidez com a gordura do prato de alguma forma paradoxal se combinaram entre si. Sobre o espumante Salton eu acredito que ele dispensa comentários pois acredito ser um excelente custo-benefício. Alguns estudiosos consideram o prosecco nacional até mesmo melhor que o italiano. Mas meu favorito do dia foi esse Francês rosé Charles de Fère cuvée Jean Louis. Apesar de não ter sido feito no terroir de champagne, consegue-se perceber algumas características francesas como a presença de aromas de castanhas e avelãs, ainda que sutis.

IMG_20171008_133443562.jpg

IMG_20171008_133449449.jpg

Parabéns mais uma vez à minha tia Sônia pela comida maravilhosa. A feijoada estava perfeita! Mas a festa ainda estava praticamente começando porque os três vinhos que foram abertos depois da feijoada foram simplesmente motivo de cair o queixo de emoção.

IMG_20171008_145508279.jpg

IMG_20171008_145520477.jpg

IMG_20171008_145842279.jpg

O primeiro foi o Escalera 2009, ganhador da medalha de ouro no Annual Wines of Chile Awards 2014 e marcou ainda 92 pontos no La CAV 2014, duas premiações chilenas de grande importância. Esse é um vinho que simboliza toda a potencialidade do Chile diante de países consagrados como a França. Tenho certeza que bate vinhos de milhares de reais num teste cego. É sensacional!!

IMG_20171008_153246422.jpg

IMG_20171008_153216997.jpg

Como já falei no post anterior, esse segundo é o melhor vinho tinto que eu já tomei em toda minha vida: Primitivo di Manduria Luccarelli. O que eu degustei no post anterior foi da safra de 2011, e esse é ainda melhor pois foi da safra de 2008. Um vinho agradável do começo ao fim. Mesmo para pessoas que não possuem um olfato tão treinado, consegue-se perceber uma complexidade aromática muito grande nele. Aromas de chocolate, café e frutas negras e vermelhas são embaladas por um equilíbrio fantástico de taninos, acidez, álcool e muita fruta. Mais uma vez ressalto que esse é o melhor vinho tinto que eu já tive a oportunidade de degustar em toda minha vida.

IMG_20171008_165522321.jpg

IMG_20171008_165535789.jpg

IMG_20171008_165541504.jpg

IMG_20171008_165745934.jpg

E esse último é uma compensação dos posts anteriores pois ainda não tinha falado de um bom vinho do Dão. Vamos relembrar o mapa de Portugal:

img_20170129_183911194

O Dão é uma região em que a inovação convive lado a lado com a tradição. É um dos melhores terroirs do país, local de origem da celebrada uva Touriga Nacional. A região produz alguns ótimos vinhos tintos, de enorme estrutura, grande concentração de fruta e elegância. Casa de Cello Quinta da Vegia 2010 é um vinho muito consagrado que recebe 90 pontos pela classificação de Robert Parker. Aqui a estrela é a Touriga Nacional, com aromas florais e frutados.

Conclusão

Parabéns mais uma vez Francisco, sua festa foi por demais egrégia. Foi muito bacana perceber que há também uma alternativa para a feijoada a despeito da famosa caipirinha. Combinar espumante com feijoada provou ser uma excelente combinação!

 Conheça todos os posts do blog através desse link

Evento enogastronomico e minicurso de vinhos

“Dai-lhes bons vinhos e eles vos darão boas leis.” Montesquieu

IMG_20170805_130700235.jpg

Introdução

Olá amigos, esse talvez seja o post mais especial que tivemos desde o início do nosso blog. É o aniversário da minha tia Sônia de 50 anos e tive a oportunidade de rever vários familiares meus vindos de Recife e Belo Horizonte. O evento contou com um Sommelier e sua equipe proporcionando um minicurso de vinhos e algumas surpresas. Pela primeira vez no blog teremos também alguns vídeos.

Pré-evento

Na noite anterior tivemos a oportunidade de degustar três bons vinhos. O primeiro deles é um Shiraz australiano: Trentham Estate Shiraz 2015.

IMG_20170804_195347416.jpg

IMG_20170804_195419849.jpg

E, conforme já foi apresentado anteriormente no blog (link), a uva Shiraz na Austrália demonstra todo o seu potencial só perdendo para a região do Hermitage na França (link). Um vinho que apresenta aromas muito marcantes de frutas negras e de especiarias. Um ótimo custo benefício no valor de R$70.

IMG_20170804_201121041.jpg

IMG_20170804_201142245.jpg

Após o novo mundo volvemos ao velho de maneira muito agradável! Jiménez-Landi Bajondillo D.O.P. Méntrida 2015. Esse corte de Garnacha com Shiraz concede ao vinho uma leveza e alto teor gastronômico. Acompanhou bem um pão caseiro com uma canja de galinha.

IMG_20170804_211003755.jpg

IMG_20170804_211016466.jpg

IMG_20170804_211031474.jpg

IMG_20170804_211035082.jpg

Esse último gerou em mim profundo orgulho e satisfação de poder ver que no Brasil já existe coisa boa sendo feita! Já falei em alguns posts (link) sobre como os vinhos do Brasil estão evoluindo e sendo bem vistos no exterior e esse é mais um exemplo. É necessário deixar bem claro que esse ainda não está no nível de um bom Francês ou Chileno ou Argentino ou Americano como tivemos no post anterior (link), mas certamente ele está no caminho certo! Salton Paradoxo 2015. Um vinho de R$35 brasileiro que ganhou meu respeito por se tornar uma opção de um vinho barato e com um bom grau de qualidade.

Evento enogastronômico

Amigos, quero apresentar aqui o sommelier responsável pelo minicurso que tivemos no dia do evento. Em baixo temos um breve resumo sobre sua carreira:

Cássio Henrique Almeida de Oliveira

1-Trabalhou no Sonda Supermercados por 2 anos como Sommelier e encarregado da adega

2-Sommelier do Grupo Oba por 7 anos (até o momento)

3-Sommelier e coordenador geral das lojas de São Paulo do OBA

4-Colunista da revista Brazil-USA (EUA- Flórida), Revista feita para brasileiros que ali residem sendo 100% do conteúdo português.(https://www.facebook.com/brazilusaorlando/?pnref=lhc)

Formação

Universidade Paulista (Unip)

Bacharelado em Administração de Empresas

ABS- Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo

Sommelier 3 módulos (países, fundamentos do vinho e serviço do vinho)

 

Às vezes as pessoas me perguntam sobre onde comprar bons vinhos com um bom custo benefício e, uma boa resposta para essa pergunta é o Oba supermercados. Então se você já entrou na adega de um Oba a procura de bons vinhos e ficou encantado com a boa seleção que eles possuem, agradeçam ao Cássio pois ele é o responsável pela escolha de todos os rótulos que a rede possui.

IMG_20170805_130432306.jpg

Como introdução à palestra, o Cássio falou um pouco sobre os tipos de taças que utilizamos para vinhos. Em baixo temos o link para o vídeo no youtube (peço perdão pela qualidade artesanal dos vídeos):

https://www.youtube.com/watch?v=VdmKgttjm84

E na mesa de cada um dos convidados podemos ver que foi separado um tipo de taça específico (espumante, branco e tinto) para cada tipo de refeição:

IMG_20170805_130344423.jpg

Apéritif (hors d’oeuvre)

Amigos, conforme é costume em uma refeição mais sofisticada, podemos ter como apéritif alguns Canapés, Amuse Bouche ou Amuse Gueule. Que nada mais são do que entradinhas (hours d’oeuvre) antes mesmo da entrada principal. Eles combinam muito bem com um champagne ou espumante. Esses em específico foram feitos com salada de bacalhau na barquinha.

IMG_20170805_130700235

O espumante escolhido pelo Cássio é o da Casa Valduga, um excelente custo benefício. Ele é um exemplo de que é possível apreciar um bom espumante sem precisar pagar R$400 numa garrafa de Champagne. Em conversa com alguns amigos franceses, esse é sucesso inclusive na França!

IMG_20170805_130355837.jpg

IMG_20170805_130403273.jpg

IMG_20170805_130416098.jpg

IMG_20170805_131146156.jpg

casa valduga

Tivemos também uma surpresa que o Cássio nos proporcionou: a abertura desse espumante com um sabre. Confira o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=eBrpqy68pSk&t=3s

IMG_20170805_134218532.jpg

Depois disso o Cássio começou falando sobre como degustar um vinho. Confira a parte 1:

https://www.youtube.com/watch?v=29wX3dOAPgI

Parte 2:

https://www.youtube.com/watch?v=u446Pl0q0mU

Nessa terceira parte temos a degustação específica com o Casa Valduga:

https://www.youtube.com/watch?v=ZxaXuqG7Vwg&feature=youtu.be

Parte 4:

https://www.youtube.com/watch?v=pCu9Jk6QD9I&feature=youtu.be

Entrée

Logo após os canapés é a hora de servir a entrada da refeição. Normalmente é aqui que é servido um bom vinho branco e, no caso dessa festa em específico foi servido um top considerado um clássico Argentino: Catena Zapata Chardonnay.

IMG_20170805_134518355.jpg

IMG_20170805_134522548.jpg

IMG_20170805_134536188.jpg

IMG_20170805_134543454.jpg

IMG_20170805_134946032.jpg

Já tivemos um post em que falamos sobre a bodega Catena Zapata e a importância que o Nicolás Catena teve para a viticultura argentina (link), mas cabe aqui dizer apenas o seguinte: até a década de 90 a Argentina nem era citada como produtora de vinhos razoáveis, mas depois do trabalho dele, ela começou a produzir vinhos até mesmo melhores do que os Chilenos, Americanos e Europeus. Então o nome Catena carrega um peso por si só. E o mais legal é perceber que não é necessário um vinho custar R$500, 1000 ou 10000 reais para ser considerado maravilhoso. Com R$120 podemos comprar uma maravilha como essa.

IMG_20170805_135536404.jpg

IMG_20170805_135757210.jpg

IMG_20170805_135822793.jpg

No próximo link o Cássio vai falar sobre esse vinho e bodega maravilhosos:

https://www.youtube.com/watch?v=lw4-tyo9w98&feature=youtu.be

Continuação:

https://www.youtube.com/watch?v=e4zk9Rq-58w&feature=youtu.be

Parte 7:

https://www.youtube.com/watch?v=3AWYvkMlL8U&feature=youtu.be

E para acompanhar essa lenda temos dois pratos fantásticos. O primeiro deles é uma salada de folhas verdes com camarão, acompanhada de molho à base de iogurte, mel e condimentos:

IMG_20170805_141637128.jpg

IMG-20170807-WA0115.jpg

O segundo prato é uma massa. Farfalle acompanhado de molho com fundo de alcachofra, tomates cereja e outros condimentos:

IMG_20170805_150124581.jpg

IMG-20170807-WA0111.jpg

E aqui o Cassio responde algumas perguntas sobre o mundo do vinho:

https://www.youtube.com/watch?v=l8k4t09VPAI&feature=youtu.be

Plat Principal

Após a entrada está na hora do melhor da festa: o vinho tinto com o prato principal! Confesso que, poucas vezes na minha vida, tomei um vinho tão gostoso quanto esse: Volcanes Tectonia 2012.

IMG_20170805_144721587.jpg

IMG_20170805_144725834.jpg

IMG_20170805_144728151.jpg

IMG_20170805_144738184.jpg

IMG_20170805_151717935.jpg

IMG-20170807-WA0107.jpg

Um vinho maravilhoso formado com um corte mediterrâneo com as uvas Mourvèdre, Petite Syrah e Grenache. Ao tomá-lo e perceber seus aromas de compota de frutas negras como cassis e cereja, me lembrei do Don Melchor (link). Nesse último vídeo o Cássio fala um pouco sobre esse vinho extremamente elegante e agradável de beber:

https://www.youtube.com/watch?v=nFE6dnKwu3s&feature=youtu.be

E o prato principal escolhido é uma paleta de Vitela com vinho tinto e acompanhamentos:

IMG_20170805_154348156.jpg

Também troquei muitas idéias com outro sommelier do grupo Oba, o Damião. Que também me confessou esse ser um dos melhores vinhos que ele já havia degustado até então.

IMG-20170807-WA0116

Dessert

Como sobremesa, o vinho de escolha novamente foi do Chile: Junta Late Harvest Gran Reserva 2013 feito com a uva Semillon. Detalhe para a taça utilizada: tipo ISO. Ela é a taça padrão de degustação do mundo todo, inclusive para outras bebidas como café, cerveja, etc.

IMG_20170805_162829700.jpg

IMG_20170805_162836496.jpg

IMG_20170805_162844856.jpg

Para acompanhar esse vinho com aromas de figos, frutas vermelhas e mel temos um cheesecake com calda de frutas vermelhas e um pudim de limão siciliano.

IMG_20170805_163250579.jpg

Início da festa

Após a refeição tivemos ainda um espumante moscatel bem docinho e leve: Nero.

IMG_20170805_165700465.jpg

E um Malbec Francês que foi utilizado inclusive para acompanhar o churrasco do dia seguinte: Domain les Barthes 2015 Malbec.

IMG_20170805_174118430.jpg

IMG_20170806_132245231.jpg

IMG_20170806_132252649.jpg

IMG_20170806_134453666.jpg

É fantástico ver como um vinho produzido com a mesma uva pode ser tão diferente quando plantada em outro terroir. Pretendo fazer um post em breve com a comparação entre um malbec francês e um argentino, mas de antemão quero adiantar que o Francês é um vinho bem mais leve e com taninos muito mais suaves do que o argentino. Lembra de longe um pinot noir.

Contato do Cássio

Pessoal, conforme vocês devem ter visto nos vídeos e nas fotos, trata-se de um excelente profissional que eu o recomendo com empenho. Caso alguém queira contatá-lo para assuntos profissionais ou mesmo para realização de um evento, segue-se o seu número de celular/whatsup: (11) 98744-6518.

IMG-20170805-WA0016.jpg

Quero deixar também o contato do Damião: (11) 948984989.

Conclusão

Quero deixar um agradecimento muito grande à minha tia Sônia por ter proporcionado a sua família e amigos uma festa tão agradável como essa. Recomendo cada um dos vinhos citados nesse post. Um grande abraço a todos e fiquem com Deus.

Conheça todos os posts do blog através desse link

Spritzer, Peru, Pernil e Salmão com Espumantes Nacionais e a lendária cachaça: Anísio Santiago

“Amar é como tomar vinho: delicioso, mas em exagero torna-se um veneno que nos mata aos poucos.” Renan Mendonça

IMG_20170101_034914607.jpg

Introdução

Olá amigos, conforme prometi no último post, esse será um post sobre o meu réveillon. Nele darei dicas fantásticas de boas comidas combinadas com espumantes nacionais de altíssima qualidade, bons vinhos, um drink altamente recomendado para o verão, uma boa opção de Brandy português e, para finalizar, teremos a lendária Anísio Santiago.

Apéritif

Começaremos nossa noite com duas cervejas espetaculares: La trappe Golden ale e a Goose Island Ipa.

IMG_20161230_183449707.jpg

IMG_20161230_191958886.jpg

IMG_20161231_174839903.jpg

Muita gente normalmente não gosta da Ipa devido ao fato dela utilizar muito mais lúpulo na sua receita do que os outros tipos de receita. Mas aprendi com um amigo da marinha que ela é uma cerveja que deve ser utilizada apenas como degustação. Ela deve ser consumida em pequena quantidade e com um doritos de acompanhamento.

Spritzer

Essa bebida é altamente deliciosa e se assemelha à famosa sangria, porém ela é feita com Sprite zero. Na internet existem variações de receitas quanto à porcentagem a ser utilizada de vinho tinto ou branco e o Sprite zero. Sem perda de generalidade iremos utilizar 50% de vinho e 50% de Sprite zero. Iremos utilizar um vinho tinto de boa qualidade porém barato:

IMG_20161231_222217693.jpg

Uma belíssima poncheira:

IMG_20161231_222112451.jpg

E frutas. A receita pode ser feita com as frutas variadas ou até mesmo sem elas.

IMG_20161231_222204555.jpg

IMG_20161231_222202200.jpg

IMG_20161231_222135836.jpg

IMG_20161231_222143547.jpg

IMG_20161231_222159235.jpg

IMG_20161231_222231747.jpg

IMG_20161231_222236855.jpg

IMG_20161231_222459474.jpg

IMG_20161231_222750072.jpg

Harmonização

Hoje teremos uma mesa muito farta para harmonização: Peru, Pernil, Farofa de bacon, Salmão ao molho de maracujá, salada de kani com manga e molho teriyaki.

IMG_20161231_222322569.jpg

IMG_20161231_223517740.jpg

IMG_20161231_224159454.jpg

IMG_20161231_224433154.jpg

Como acompanhamento, temos vinhos chilenos do tipo Merlot e Carmenère:

IMG_20161231_223303503.jpg

Para acompanhar o peru e o pernil vamos de Carmenère:

IMG_20161231_224613588.jpg

IMG_20161231_225042635.jpg

IMG_20161231_225130854.jpg

IMG_20161231_225403580.jpg

O salmão é um peixe com bom percentual de gordura, logo a compinação com o spritzer fica refrescante e gostosa:

IMG_20161231_231021161.jpg

Abaixo temos exemplos de vários bons espumantes nacionais da região de Bento Gonçalves:

IMG_20161231_235046838.jpg

IMG_20161231_235109607.jpg

IMG_20170101_014201064.jpg

IMG_20170101_014230092.jpg

IMG_20170101_014628373.jpg

IMG_20170101_241124877.jpg

Digestif

Começaremos 2017 com duas grandes bebidas. A primeira delas é um Brandy Português Espetacular: Aguardente Velha Reserva Carvalho, Ribeiro e Ferreira.

12670204_1111480535537118_5262075189701220511_n.jpg

IMG_20170101_034914607.jpg

IMG_20170101_034919284.jpg

E a segunda é uma verdadeira lenda Brasileira: a cachaça Anísio Santiago-Havana. Essa é a bebida que imortalizou o Brasil no mundo como sinônimo de boa bebida. Eleita durante vários anos seguidos como a melhor cachaça do mundo, a Anísio Santiago foi declarada como patrimônio cultural imaterial de Salinas por meio de Decreto Municipal número 3728/2006. É dito que grandes líderes do mundo como Fidel Castro possuem garrafas em sua coleção particular. Dizem que a fama dessa bebida deu-se com a lenda que diz que o senhor Anísio pagava seus funcionários com a cachaça e eles a vendiam caro, chegando ao valor de um salário mínimo cada (R$ 450). Mas seus dez anos de envelhecimento no barril de bálsamo também conferem a ela estimado valor. Só quem prova essa lenda é que sabe o que significa beber uma boa cachaça! Versões mais velhas dessa cachaça podem ser encontradas na internet ao preço de R$ 10000.

IMG_20170101_112802730.jpg

IMG_20170101_112845851.jpg

Conclusão

Gostaria de deixar registrado aqui um imenso agradecimento à minha família e amigos por terem me proporcionado um réveillon tão maravilhoso. Feliz 2017 e um Ano Novo  com a Graça do nosso bom Deus e com muitas realizações pessoais, espirituais, materiais, etc!!

Conheça todos os posts do blog através desse link

Peru de Natal, Ceia com Pinot Noir e Espumantes Nacionais

“O bom vinho alegra o coração dos Homens” Sagradas Escrituras

IMG_20161224_215601397.jpg

Introdução

Olá amigos, hoje farei um breve post apenas com dicas sobre espumantes nacionais e um bom vinho relativamente barato para combinar com a ceia de Natal. Em breve farei um post sobre a festa do Réveillon.

Vinho de escolha: Pinot Noir Ventisquero Reserva 2015

IMG_20161224_213557735.jpg

Já falamos aqui no nosso blog sobre a alta qualidade e o bom custo benefício da bodega Chilena Ventisquero. Logo, nossa opção será por ela: aproximadamente R$50.

Harmonização

Hoje teremos 3 pratos para nossa harmonização: Peru, Lombo com farofa de Bacon e molho de laranja e maionese com batata e galinha defumada.

IMG_20161224_203721991.jpg

IMG_20161224_214238313.jpg

IMG_20161224_214909251.jpg

IMG_20161224_215601397.jpg

IMG_20161224_212944455.jpg

Para petiscar temos um queijo delicioso muito vendido nessa época natalina no nordeste: Queijo do Reino.

IMG_20161224_204814306.jpg

Abaixo temos exemplos de vários bons espumantes nacionais do vale do São Francisco:

IMG_20161224_204154040.jpg

IMG_20161224_210846869.jpg

E para quem gosta de uma versão um pouco mais adocicada temos um do tipo moscatel. Uva que se adaptou perfeitamente no clima semi-árido nordestino.

IMG_20161224_212523903.jpg

IMG_20161224_212831645.jpg

Conclusão

A moral da história é que o Brasil possui excelentes opções de espumantes tanto na região de Bento Gonçalves quanto no Vale do São Francisco. Não precisa gastar uma fortuna para aproveitar um bom Natal. Feliz Natal e um Maravilhoso Ano Novo Para todos com a Graça do nosso bom Deus!!

Conheça todos os posts do blog através desse link

Champagne, Lagostim, Agulhinha Frita com Prosecco e Espumantes Nacionais

“O vinho é o mais notável de todos os remédios; onde falta o vinho, os remédios se fazem necessários”(Livros do Talmud (500-400 a.C.))

 

praca-do-marco-zero-recife-pernambuco.jpg
Fonte: http://www.estadosecapitaisdobrasil.com/

Introdução

Amigos, hoje estamos no nordeste do Brasil (especificamente na bela cidade histórica de Recife) e vamos aproveitar para provarmos o que a região tem de melhor: frutos do mar. Também, como estamos nos aproximando das festas de fim de ano, senti a necessidade de falar sobre o que o Brasil possui de melhor no contexto dos vinhos: os espumantes.

Champagne, Espumante ou Prosecco?

Antes de falarmos qualquer coisa, é necessário entendermos que existe uma diferença entre champanhes e espumantes. O nome Champagne é uma AOC (appellation d’origine contrôlée ou denominação de origem controlada), o que significa dizer que todos os vinhos com esse nome são obrigatoriamente produzidos na região epônima (Na França não existem estados como o Brasil, mas ela está dividida em regiões conhecidas como departamentos. Logo, Champagne seria mais ou menos um estado da França cuja capital é Épernay). Nenhum outro espumante feito fora da região de champanhe pode receber esse título.

Champagne-Production-Area-Map.jpg

Outra coisa muito importante é que só pode ser considerado Champagne aquele que é feito com as uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay.

O Prosecco é aquele que é feito exclusivamente com as uvas Prosecco Italianas.

8cc6c7d92ab12220b08d6994a59234c9.png

Uvas Prosecco

uva34.jpg
Fonte: http://domgio.com/

O champagne é um vinho?

Sim. Já temos no blog um post sobre como um vinho é feito e vou apenas acrescentar alguns passos diferentes na produção do champanhe. Segue-se o fluxograma ilustrativo:

Champagne-Infographic-Poster.jpg
Fonte:http://fatcork.com/

De forma bem simplificada, o processo de fabricação é o que se segue:

  • Após as uvas (pinot noir, pinot meunier e chardonnay) serem colhidas e separadas elas são prensadas e só o suco delas é posto para fermentar individualmente.
  • Após a primeira fermentação, o vinho é engarrafado com o blend das três uvas mais a adição de açúcar, fermento e vinhos de safras mais antigas e posto para fermentar uma segunda vez dentro da garrafa.
  • Durante essa segunda fermentação (algo que pode durar entre 15 meses a mais de 15 anos), o champagne sofre um processo conhecido como Remuage, em que todos os dias ele é “girado” de forma aos detritos se acumularem no fundo da garrafa.
  • Após a etapa de envelhecimento, o sedimento que se acumulou é removido, é acrescentado uma pequena dose de liqueur d’expedition (vinho açucarado) para contrabalancear a acidez e o vinho é arrolhado.

Porque o champagne é sinônimo de comemoração e alegria?

O hábito do champagne ser tido como sinônimo de comemoração por grandes conquistas é devido, primeiramente, ao fato de que em Reims, cidade mais importante de Champagne, foram coroados quase todos os grandes reis da França. A coroação acontecia na catedral de Notre-Dame de Reims, construída em 1225, e nas comemorações era servido champanhe. Por este motivo, ficou conhecido como o vinho dos reis e rainhas.

facade_de_la_cathedrale_de_reims_-_parvis

Breve história do Champagne

O grande pai dessa “bebida da alegria e do sucesso” foi  Pierre Perignón, mais conhecido pelo seu epíteto de Dom Pérignon. Ele foi um monge beneditino da Abadia de Hautvillers que, em 1670, foi o responsável pela “revolução” na produção do champanhe.

dom-perignon

A Dom Pérignon deve-se a descoberta dos cinco principais elementos que em muito contribuíram para o champanhe tal como ele é hoje:

1-A mistura de diferentes vinhos da região (o blend), conseguindo que o produto fique mais harmonioso.

2-A separação e prensagem em separado das uvas que predominam em Champagne, obtendo assim um cristalino sumo de uva.

3-O uso de garrafas de vidro mais espessas para melhor permitirem a pressão da segunda fermentação em garrafa.

4-O uso da rolha de cortiça, vinda de Espanha.

5-A escavação de profundas adegas, hoje galerias com vários quilômetros de extensão e usadas por todos os produtores, para permitir o repouso e envelhecimento do champanhe a uma temperatura constante.

Até hoje o champagne Dom Perignón encontra-se como exemplo de riqueza e finesse. Aqui no Brasil a garrafa mais barata de um Dom Perignón custa em Média R$1000. Há exemplares que chegam a custar R$20000.

domperignon-vintage2006-0-75l-gb-p-ec-1

Harmonização

O champagne é um vinho clássico conhecido por harmonizar muito bem com frutos do mar. É um vinho que combina muito bem com regiões quentes como o Brasil. Como estamos no nordeste hoje iremos escolher como harmonização um filé de agulhinha frita (verdadeiro requinte da culinária nordestina) e lagostim.

img_20161214_195115039

img_20161214_200942373

Vinhos de escolha

Nós já desmistificamos aqui a idéia de que o Brasil não produz vinhos de boa qualidade, porém não falamos sobre o que ele possui de melhor: seus espumantes. Estudiosos falam que, em no máximo 20 anos, os espumantes brasileiros só não serão melhores em qualidades do que os franceses. Hoje na França é possível comprar espumantes brasileiros em qualquer grande casa de vinhos. Então, nas festas de fim de ano, se você não tem dinheiro para comprar um champagne (custa em média R$300 a R$400 reais no Brasil), escolha um Brasileiro que não fará feio de modo algum. Hoje escolheremos um exemplo de grande espumante gaúcho (de Bento Gonçalves) e um grande espumante nordestino (do vale do São Francisco). Mas o Brasil possui dezenas de outros com altíssima qualidade: Salton, Casa Valduga, Peterlongo, etc.

img_20161214_174337983

img_20161214_173555729

img_20161214_173507970

img_20161214_205309335

img_20161214_212659055

img_20161214_212723954

Conclusão

Maravilha essa combinação. Ficou muito bom essas comidas feitas pelo meu pai. Nessas festas de fim de ano escolha Espumantes Nacionais e não irá se arrepender.

Conheça todos os posts do blog através desse link