Espetinho do Tião com vinhos, Languedoc-Roussillon e degustação de cervejas belgas

 “O vinho conforta ao triste, e revive aos velhos, inspira os jovens, permite que o cansado esqueça o seu cansaço.” Lord Byron

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Introdução

Amigos, hoje o post será sobre uma experiência num lugar muito bacana e também será uma dica sobre como harmonizar vinhos com espetinhos. Falaremos sobre o espetinho do Tião e sobre um encontro de degustação de cervejas belgas.

Espetinho do Tião

Um espetinho nada mais é do que um churrasco na brasa, então vale a máxima da harmonização com o Malbec argentino. Mas hoje gostaria de inovar tentando comparar com uma alternativa do velho mundo: Bordeaux. Consultando amigos franceses descobri que na Europa é muito comum essa harmonização então iremos tirar a prova dos nove sobre qual combina mais. Do lado do novo mundo temos um Malbec Argentino Clube des Sommeliers 2016, enquanto que do lado do velho temos o Chatêau Cazat Beauchêne Grand Vin de Bordeaux 2010.

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Enquanto eles chegam à temperatura adequada iremos degustar uma deliciosa cerveja Serra Malte.

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Se você possui alguma dúvida sobre qual cerveja beber em um boteco, ela será sanada agora: Serra Malte é a opção. Cerveja bastante aromática e encorpada com o sabor do malte bem presente. Baixo amargor também.

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Junto com os espetinhos poderemos dar início à degustação.

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Quando postos um ao lado do outro e degustados juntos, percebemos a diferença: o malbec é mais tânico, mais jovem, com taninos um pouco agressivos e acidez acentuada. O Bordeaux é sedoso e mais aromático, taninos mais trabalhados e final agradável. Venceu fácil o Bordeaux.

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Maravilha de lugar e companhia. É de longe o melhor espetinho que já comi! Caso você deseje conferir, ele fica localizado no Bairro do Jaguaré no Butantã.

Languedoc-Roussillon

Amigos, já comentamos várias vezes aqui no blog que a quantidade de vinhos e de regiões produtoras de vinhos na França são praticamente infinitos, porém nos é defeso não citarmos pelo menos as grandes regiões como já o temos feito: Bordeaux, Bourgogne, Champagne, Côte du Rhone, Córsega e, por último, faltou a região do Languedoc-Roussillon.

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Vamos escolher um vinho para representar essa região: Premier Rendez-Vous Pinot Noir 2016.

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Um vinho de bom custo benefício que surpreendeu: é complexo, equilibrado na acidez e no álcool e gostoso de beber (boa drinkability). Recomendo com empenho.

Degustações de cervejas belgas

Antes de iniciarmos a degustação em si farei uma homenagem aos amantes da melhor série não americana de 2018: La casa de papel.

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Como a série é espanhola, podemos ver durante várias cenas um marketing pesado envolvendo a cerveja mais famosa da Espanha: Estrella Galicia.

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É uma cerveja lager puro malte muito bem feita lembrando um pouco a serra malte porém com um sutil toque de amargor no final. Bem equilibrada e com excelente drinkability.

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Amigos, estamos diante de um evento único em que degustaremos fantásticas cervejas belgas dentre elas a considerada a melhor do mundo conforme já falamos no post anterior: Westvleteren 12. E para procedermos com essa degustação de peso teremos uma mesa bastante farta.

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Temos queijos portugueses, franceses e holandeses, salames espanhóis, sardinhas portuguesas e pães alemães.

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Iniciaremos nossa degustação pela mais importante. Caso você tenha um pouco mais de curiosidade de saber porque essa cerveja é considerada a melhor do mundo basta acompanhar o post anterior.

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É uma quadrupel muito complexa que apresenta desde aromas de caramelo a aromas viníferos. Na boca ela é amarga na dose suficiente e levemente adocicada embalada com o sabor de um bom café. Muito difícil de encontrar até mesmo na Bélgica!

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Essa é uma irmã da nossa amada Duchesse de Bourgogne que já degustamos algumas vezes aqui no nosso blog apesar de possuir um processo de fabricação diferente. A Bourgogne Brune é uma cerveja diferenciada, fabricada a partir de uma antiga técnica de fabricação chamada “infusão lambic”. Neste processo, as melhores Lambics são misturadas com cervejas Dark Ale (Brown Ale) e são maturadas por meses em barris de carvalho. O resultado é uma cerveja de coloração marrom escura, espuma abundante e cremosa, bastante leve e agradável. Bourgogne des Flandres.

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Essa daí é conhecida no Brasil como a cerveja do Duende, mas também possui o merecido epíteto de “Scotch das Ardennes”, já que é uma cerveja escura, de corpo pleno e textura complexa, com fortes influências escocesas, utilizando malte de whisky na sua fabricação. Uma cerveja Belgian Strong Dark Ale, cujo frescor e sabor frutado persistem na boca mesmo após segundos de degustação. Mc Chouffe.

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A La Trappe é um clássico no Brasil e já a degustamos algumas vezes no nosso blog a sua versão trippel. Dessa vez iremos degustar a quadrupel. A diferença entre elas não é muito clara pois existem várias teses que indicam a diferença como o dobro da quantidade de malte (dubbel), o triplo (tripel) e o quádruplo (quadrupel). Outra tese vai falar que a diferença é a quantidade de fermentações, mas o fato é que o os monges belgas as classificam pelo teor alcóolico: enkel (básica), dubbel (média), tripel (forte) e quadrupel como extra forte.

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Nossa última cerveja é um clássico e representa muito bem o estilo tripel belga: St. Feuillien. Uma cerveja levemente doce e amarga ao mesmo tempo com aromas de frutas secas e cristalizadas. Deliciosa!

Conclusão

Maravilhosos encontros com sabores, aromas e companhias memoráveis! Caso você queira comer um espetinho da próxima vez e tenha alguma dúvida sobre qual vinho harmonizará mais vá de Bordeaux ou de Malbec.

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Vinícola Góes em São Roque, Quinta do Olivardo e o maravilhoso Philosofia

 “A idade é melhor vista em quatro coisas: madeira velha para queimar, vinho velho para beber, velhos amigos para confiar e autores antigos para ler.” Francis Bacon

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Introdução

Amigos, hoje o post será um pouco diferente dos anteriores porque será nossa primeira visita a uma vinícola: a Góes. Falaremos um pouco sobre a visita e sobre seus bons vinhos incluindo sua prata da casa: o Philosofia. Falaremos também de um restaurante que é, em si próprio, um ponto turístico da cidade de São Roque: o Quinta do Olivardo!

Vinícola Góes

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Para quem mora em São Paulo ou nos arredores não pode perder de fazer esse passeio para essa casa maravilhosa que fica localizada na cidade de São Roque. Apesar da maioria das pessoas terem como referência os vinhos da Góes como sendo aqueles de garrafão ou os ditos “suaves”, hoje vou mostrar aqui que a história contemporânea dessa vinícola fundada em 1938 é bem diferente!

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De início eu me senti muito bem recebido pela alta simpatia das atendentes do lugar. Há dois tipos de degustações diferentes que podem ser feitas lá: uma com vinhos inferiores e outra com vinhos “finos” no valor de apenas R$15. Há também uma opção de fazer essa degustação assistida com o sommelier da casa junto com o passeio pela fábrica por R$35. Escolhemos essa última e ficamos impressionados com a estrutura e qualidade dos vinhos.

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O legal de fazer essa visita é que ela sai quase pelo preço da degustação simples já que você ganha uma taça de brinde que é vendida na loja por R$20. Tivemos uma aula rápida sobre a história da Góes e dos seus principais vinhos finos dela ministrada pelo Jaílson com algumas curiosidades sobre o vinho como a cortiça com que é feita as rolhas:

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É importante frisar que a Góes hoje se juntou com a Casa Venturini e também fabrica vinhos no Rio Grande do Sul. Como primeiro vinho da degustação tivemos um Chardonnay dessa mesma casa:

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Chardonnay Reserva Casa Venturini

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Esse é um vinho premiado que possui um bom custo benefício. Minha humilde opinião é que ele é o mais fraco dentre os que tive a oportunidade de degustar se assemelhando um pouco com o Riesling da Almadén que revisei num post passado. Ele é agradável no paladar porém é pouco encorpado e sem muita personalidade sendo considerado levemente “aguado”. Mas é um excelente custo benefício e ideal para o início de um evento. Recomendo-o a todos!

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O segundo vinho da degustação foi um rosé que me impressionou: Vinho Góes Tempos Pétalas Rosé Cabernet Franc 2017. Apesar de ser pouco encorpado como o Chardonnay, esse vinho possui aromas fortes de pêssego, de frutas tropicais e florais. Muito agradável e me surpreendeu pela qualidade!

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Na sequência tivemos outro vinho que realmente me surpreendeu: Góes Tempos Mineres Syrah. Confesso que não estava esperando muita coisa deste mesmo sabendo que essa Syrah é plantada em Minas Gerais como o vinho que degustamos no post anterior. Fui surpreendido pelo forte aroma de ameixa e de frutas vermelhas. Um vinho agradável que possui taninos trabalhados porém com acidez acentuada. Uma revelação!

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Casa Venturini Tannat Reserva 2014

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O quarto vinho da degustação não me causou nenhum espanto visto que já esperava algo de qualidade vindo da Casa Venturini. Mas confesso que fiquei um pouco apreensivo devido à minha primeira experiência com essa uva. Mas essa apreensão foi em vão porque esse é um daqueles vinhos que todos os que duvidam que existem bons vinhos no Brasil precisam experimentar. Vinho agradável e com forte presença de aromas de frutas negras, taninos presentes como é de costume na tannat porém trabalhados. Acidez um pouco acentuada!

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Saint Tropez Espumante Moscatel

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Apesar de terem pecado servindo-o nessa taça, esse é um moscatel como todos os outros brasileiros. Perdoem-me pela ignorância porém tenho dificuldade de ver diferença entre produtores com esse tipo de vinho. Talvez seja porque o Brasil é o campeão e a qualidade deles é sempre alta!

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O penúltimo vinho da degustação foi o mais esperado por mim: Casa Venturini Merlot Reserva 2014. Assim como o tannat, esse também apresenta aromas fortes de frutas negras e vermelhas e aromas amadeirados. Possui taninos trabalhados e levemente arredondados porém peca no aspecto que quase todos os brasileiros possuem: acidez levemente acentuada!

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O último vinho da rodada de degustações foi o Casa Venturini Vivere Brut. Como é de costume de todo espumante Brasileiro produzido no terroir gaúcho, esse é um bom exemplar. Perlage presente e agradável no paladar. No nariz deixou um pouco a desejar porque careceu de aromas clássicos como o de frutas cítricas, castanhas, amêndoas e nozes dos champagnes.

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A prata da casa não tinha disponível para degustação, apenas para venda: Philosophia Cabernet Franc Reserva 2016. Decidimos levar uma garrafa pelo preço de R$70.

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Gostaria de deixar meus elogios ao bom trabalho desempenhado pela equipe Góes. Parabéns aos seus funcionários pelo ótimo atendimento!

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Quinta do Olivardo

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Com toda certeza um dos pontos turísticos dessa amável pequena cidade é o restaurante Quinta do Olivardo. A sensação que temos ao entrarmos nele é que estamos em Portugal sendo embalados pelo Fado. Ele também produz seu vinho próprio inclusive com a participação dos clientes enterrando os vinhos. Seu Olivardo com certeza é uma pessoa de visão!

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Trouxemos o philosofia para degustarmos nesse lugar. Já faz um certo tempo que tenho tido vontade de degustá-lo porque esse vinho já ganhou medalha de ouro em um concurso internacional sendo o primeiro vinho do sudeste do Brasil a conquistar esse feito. O problema é que como só foram fabricadas 5000 garrafas dele, ele acaba se tornando raro de encontrar para comprar. O que mais me chama a atenção é que ele é feito 100% com Cabernet Franc, que é uma uva muito utilizada em cortes como os Bordeaux por exemplo.

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Enquanto o vinho chega na temperatura ideal iremos pedir uma cerveja de trigo junto com uma entrada símbolo de Portugal: a alheira.

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Até agora fico lambendo os lábios quando me recordo do sabor desse prato. Estava tão macio que ela derretia na boca. A Baden Baden Weiss também deu aquele toque aveludado.

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Como prato principal para acompanhar nosso vinho optamos pelo leitão à bairrada servido com arroz de brócolis.

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Que vinho! Bastante aromático com notas de chocolate e frutas negras e vermelhas. Taninos bem arredondados, álcool equilibrado e leve acidez: nota 10.

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Por último provamos um dos símbolos da casa: o pastel de Belém recém retirado do forno. Parabéns Seu Olivardo pelo lugar maravilhoso!

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Conclusão

Que viagem maravilhosa e rica tanto de sabores, aromas e belezas visuais! Recomendo a todos conhecerem a vinícola Góes junto com seus vinhos “finos” e o restaurante da Quinta do Olivardo.

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O pão líquido, hidromel e receita de pizza com harmonização

“Tenhamos vinho e mulheres, alegria e riso, sermões e água mineralizada no dia seguinte.” Lord Byron

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Introdução

Amigos, sei que já falei sobre como fazer pizza num post anterior porém percebi algumas falhas na receita e decidi refazê-la usando a mesma receita de grandes pizzarias. Vamos comentar um pouco também sobre a idéia do pão líquido, hidromel e sobre boas harmonizações com vinhos.

Cervejas

Vamos iniciar nosso post falando sobre a cerveja que deu início a essa idéia do pão líquido. Inclusive a receita da pizza que mostraremos é bem similar àquela utilizada para fazer pães, mudando apenas a dosagem de alguns ingredientes. Abaixo segue a foto de um pão que fiz com ela:

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Essa brincadeira de comparar bebida alcóolica com comida já rendeu até mesmo frases por demais caricatas como a do nosso ex-presidente Jânio Quadros:

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Certa vez, um jornalista lhe perguntou: “Mas presidente, porque bebes tanto?” E o professor de gramática assim disse:

“Ora, bebo-o porque é líquido, se sólido fosse, comê-lo-ia.”

Mas afinal, de onde vem essa história de comparar a cerveja com pão? Bem, deixe-me apresentar-lhes a Paulaner Salvator:

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Vou deixar abaixo o link para o vídeo do youtube que conta um pouco da história da Paulaner e essa ligação com o uso da expressão do pão líquido:

https://www.youtube.com/watch?v=KgwSRxICui0

Basicamente o que aconteceu é que os monges Paulaner faziam parte de uma ordem católica muito rígida que os proibia de comer qualquer alimento sólido durante a quaresma, então eles tiveram a brilhante idéia de fazer sua própria cerveja que era bastante encorpada e fiel à máxima: “pão líquido não quebrará o jejum”. O problema era que, conforme falei anteriormente no post sobre a melhor cerveja do mundo, os mosteiros medievais não possuíam qualquer pensamento capitalista de ganhar dinheiro com essa fabricação de cerveja. O que muitas vezes eles faziam era oferecer cerveja aos pobres como forma de esmola, o que causou fúria das cervejarias seculares que perdiam dinheiro com isso. Eles escreveram uma carta para as autoridades municipais de Munique que obrigaram o mosteiro a criar sua própria cervejaria e era assim que nascia a Paulaner com sua primeira cerveja: Paulaner Salvator, uma Doppelbock.

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Essa é uma cerveja que possui aromas clássicos de caramelo, café, chocolate e bastante encorpada. Vale a pena conhecer!

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Vou comentar um pouco agora de um lugar excelente que estive aqui em São Paulo no bairro de Pinheiros: Empório Alto de Pinheiros. Um lugar para amantes de cerveja que possui mais de 500 rótulos de cerveja e 33 chopes de todos os lugares do mundo! Foi lá onde encontrei a famosa Coruja Viva.

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Assim como a extra viva do post anterior ela não passa pelo processo de pasteurização e precisa sempre ser conservada gelada. Cerveja deliciosa com sabor de fresca e bastante encorpada. No nariz ela apresenta muito lúpulo o que me fez pensar que se tratava de uma cerveja de alto amargor como uma IPA, mas na boca apresenta amargor ideal para uma lager!

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A última bebida da sequência é um hidromel. Para quem não sabe do que se trata é uma bebida fermentada do mel que fez bastante sucesso na idade média. Muito apreciada desde a antiguidade, passando pela Grécia Antiga, Roma Antiga, Leste europeu, francos, eslavos, anglo-saxões, celtas, saxões, vikings etc. Entre os vikings era tão apreciada que a própria Mitologia Nórdica explicava seu surgimento e sua preciosidade. Também era conhecido o consumo de uma bebida similar pelos maias.

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Na Irlanda, existia a tradição de que os casais recém-casados deveriam consumir esta bebida durante o primeiro ciclo lunar (ou mês) após o casamento. Daí surgiu a tradição atual da lua de mel.

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A sensação é a mesma de estar tomando um vinho branco com alguns aromas um pouco diferentes. Se ele for suave o sabor é levemente adocicado.

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Receita de Pizza

Amigos, a primeira coisa que precisamos para começar a fazer nossa receita é uma bancada bem limpa e seca:

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Apesar da receita também poder ser feita sovando a massa com a mão conforme fizemos anteriormente, nada melhor do que usar uma batedeira planetária para fazer o serviço. É sensacional como a massa fica bem mais uniforme e você bem menos cansado.

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Essa receita possui alguns segredos embora o principal deles seja o ingrediente principal: a farinha de trigo. Embora essa receita possa ser feita com qualquer tipo de farinha de trigo, usaremos aqui a farinha mais famosa do mundo e utilizada pelas grandes pizzarias: a Caputo. Usaremos também a sua forma mais fina: a 00. Eu nunca vi para vender em supermercados, mas acha-se fácil pela internet com o preço médio de 11 reais por pacote de 1kg.

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Usaremos 1kg para essa receita e 1 colher de sopa rasa de sal. Caso a receita fosse de pão usaríamos 0,5kg.

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Enquanto colocamos o fermento para crescer vamos ligar a batedeira na menor velocidade e deixá-la por aproximadamente 30 segundos misturando o sal com a farinha. Esse ponto é muito importante porque o sal não pode entrar diretamente em contato com o fermento sob o risco de matá-lo. Enquanto isso vamos tirar o fermento da sua dormência.

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A dosagem recomendada é de 20g para pizzas e 10g para pães. Usaremos 1 a 2 colheres de sopa de açúcar para “alimentar” as leveduras:

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Usaremos cerca de 350ml de água morna. Muito importante: se a água estiver quente demais ela irá matar as leveduras, logo ela precisa estar na temperatura de comida de bebê. Sinta-a na pele antes de colocar na levedura.

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Agora vamos deixar a levedura crescer por cerca de 5-10 minutos.

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Outro segredo: utilize um bom azeite italiano

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Use aproximadamente 3-5 colheres de azeite e acrescente o fermento junto com a farinha.

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Deixe bater por uns 2 minutos em velocidade média e depois por mais 5 minutos em velocidade alta. Acertar o ponto aqui é por tentativa e erro. Se a massa estiver muito molhada ela não se soltará da tigela e se ela estiver muito seca não se unirá num bolo uniforme, por isso é necessário acompanhar e acrescentar água morna ou mais farinha se for o caso.

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Com essa quantidade de ingredientes é possível fazer 4 pizzas, logo iremos cortar em 4 e armazená-los no freezer em sacos hermeticamente fechados.

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Toda vez que formos utilizar uma massa dessas basta tirar do freezer com algumas horas de antecedência e proceder da mesma maneira que faremos agora. Untamos a tigela com um pouco de azeite.

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Sovamos um pouco a massa com as mãos e fazemos dela um formato de bolinha. Deixamos para descansar cobrindo a “casca” com o azeite para ela não ficar ressecada.

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Deixamo-la descansar por cerca de 1 hora e meia

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Após esse tempo a massa terá quase que dobrado de tamanho

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A partir de agora ela já pode ser utilizada para fazermos a pizza, mas para deixa-la numa consistência ainda melhor vamos murchá-la e sová-la mais uma vez deixando-a descansar por mais uma hora.

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A melhor maneira de fazer essa pizza é com um forno a lenha, o que fará com que ela fique praticamente idêntica a qualquer dessas pizzarias, mas se você não possui esse tipo de forno algumas soluções podem ser utilizadas. A primeira delas é usar uma pedra e uma pá de madeira como mostrei no post anterior:

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Essa solução é um pouco complexa porque há o risco da pizza não escorregar direito e sujar tudo. Portanto uma solução prática e exequível é o uso de uma forma convencional com furinhos:

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Mais um ponto importante aqui: não abra a massa com um rolinho. O segredo é abrir a massa com as mãos como vemos os pizzaiolos fazerem nas pizzarias.

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Utilize o molho de tomate de sua preferência e depois salpique orégano

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Escolha o sabor de sua pizza. Escolhi atum sólido porque é o sabor que mais gosto.

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Regue com um fio de azeite por cima e a pizza estará pronta para ir ao forno.

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Aqui vai a última dica e talvez seja a mais importante: o segredo para ter uma pizza macia e não dura que nem uma pedra é a temperatura do forno e o tempo. Num forno de pizza tradicional a lenha a temperatura interna chega perto dos 500 graus, então o tempo da pizza é de apenas 90 segundos. Num forno tradicional dificilmente passa-se de 280 graus. O segredo é deixar o forno no máximo por pelo menos 20 minutos, colocar a pizza e contar 6 minutos rigorosos de relógio. Após isso a pizza estará pronta para ser partida e servida. Uma tábua de corte ajuda.

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Harmonização

Não existe uma harmonização única com pizzas, pois ela vai depender do sabor dela. No post anterior usamos um Merlot que harmonizou bem com quatro queijos, então como estamos usando atum, uma boa harmonização é um vinho com baixíssimo nível de taninos, como um rosé, por exemplo. Minha escolha será por um vinho francês muito famoso e relativamente barato: Beaujolais Villages Louis Latour 2015.

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Esse vinho é feito com a uva gamay que, possivelmente, é a uva tinta menos tânica que existe (até menos do que o pinot noir). Cerca de 75% desse tipo de vinho é feito na região de Beaujolais na França.

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Existem três tipos diferentes de Beaujolais: Beaujolais Nouveau (baixa qualidade equivalente ao reservado), Beajolais Villages (média qualidade equivalente ao reserva) e o Beaujolais Cru (alta qualidade equivalente ao Gran Reserva). De um modo geral eles não são vinhos de guarda e são melhores quando consumidos cedo. Como é um vinho Francês normalmente são complexos e estruturados não apresentando aromas fortes de frutas como os vinhos do novo mundo. Percebemos um pouco de terra, aromas florais, especiarias e um pouco de fruta.

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Um outro vinho que também pode ser usado como harmonização é o italiano Valpolicella. Também dotado de baixa tanicidade ele é estranho quando se experimenta pela primeira vez pois não apresenta quase nenhum aroma de frutas e sim de terra e vegetais. Bolla Valpolicella 2016.

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Conclusão

Depois que aprendi a fazer pizza em casa nunca mais comprei de nenhuma pizzaria pois é muito mais barato e fica perfeito. Caso você possua um forno a lenha ficará praticamente igual. Experimente também várias harmonizações diferentes e depois as compartilhe conosco e com os amigos!

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Duelo de Malbec Francês-Argentino, Fuller’s Vintage Ale e Receita de Hambúrguer Artesanal

 “O vinho torna tudo possível.” George R. R. Martin

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Introdução

Amigos, hoje o tema do nosso blog será hambúrguer artesanal. Já tivemos anteriormente um post exclusivo sobre hambúrguer onde contamos a história desse prato tão famoso mas hoje o objetivo será ensinar como é fácil preparar esse prato na sua residência que fica tão bom ou melhor do que qualquer boa hamburgueria. Teremos também o aguardado duelo entre dois vinhos malbec: um argentino e um francês.

Cervejas

A primeira cerveja que eu falarei hoje é simplesmente uma das melhores que eu já tive a oportunidade de comentar aqui no blog: Fuller’s Vintage Ale 2015. Nós sabemos sem qualquer sombra de dúvida que é praticamente impossível tecer uma lista das melhores cervejarias do mundo sem incluir nela a Fuller’s e hoje vamos ter a oportunidade de degustar a linha premium dela de maltes safrados. Ou seja, essa é o Dom Perignon das cervejas!

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A caixa em si já é um produto agradável aos olhos!

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Essa cerveja é do estilo Old Ale (maltes envelhecidos) e possui um leve informativo de todas as versões produzidas até o presente ano com explicações das diferenças entre elas!

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Outro ponto interessante é que ela não possui 600ml como é costume nas garrafas de cervejas, mas sim 500ml.

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O meu review para essa cerveja é o seguinte: enquanto a Duchesse de Bourgogne é uma cerveja com sabor de vinho, a Fuller’s Vintage Ale é uma cerveja com sabor de Cognac. Possui aquele sabor de caramelo muito agradável com aquele corpo característico. No retrogosto temos aquele sabor cremoso de baunilha e no nariz perceberemos frutas vermelhas e cítricas junto com o caramelo. Nota 10!

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Apesar de já termos falado várias vezes aqui no blog sobre a Schornstein, essa é a primeira vez que falaremos sobre a versão Pilsen dela.

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De um modo geral ela é mal avaliada nos fóruns de cervejas pela internet mas acredito que seja pelo fato de possuir pouco lúpulo e aromas florais. Quem é muito fã de cervejas com alto nível de amargor como as IPAs vai ficar decepcionado com ela. Porém a falta do lúpulo é altamente compensada com o sabor do malte. Eu adorei essa cerveja porque consegui sentir o sabor muito pronunciado da cevada devido ao seu alto corpo. Recomendo com empenho!

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Essa terceira cerveja foi muito recomendada pelo meu amigo Márcio Barros: Coruja Extra-Viva. O problema é que, como ela não passa pelo processo de pasteurização, ela não pode perder a refrigeração senão estraga rapidamente devendo ser sempre guardada em geladeira. A comparação dela com uma cerveja de supermercado é igual a comparar uma massa fresca com uma massa seca comprada num supermercado. Isso também dificulta bastante o seu comércio. Mas por um acaso fui degustar um delicioso hambúrguer que é um blend de Angus com Wagyu no Menca Búrguer e finalmente a encontrei!

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Com toda certeza essa foi uma das melhores bebidas que já tive o prazer de degustar em toda minha vida. Aromas característicos de malte devido ao seu alto corpo junto com especiarias e levemente cítricos. Harmonizou muito bem com o Hambúrguer de Angus com Wagyu!

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As pessoas às vezes me perguntam se existe diferença no sabor da carne de diferentes espécies de boi. No futuro faremos um post comparando cada uma delas, mas é impressionante a diferença de sabor devido ao alto marmoreio da carne de Wagyu e ao médio da carne de Angus.

Receita de Hambúrguer Artesanal

Amigos, o que não falta na internet é receita de hambúrguer e diferentes blends. Nós iremos partir do canônico, do mais utilizado inclusive nas grande hamburguerias. Dependendo de cada receita, o percentual reservado à quantidade de gordura irá variar. Mas nós usaremos uma média de 20%. Nosso blend consistirá de 70-80% de Fraldinha magra a 20-30% de Bacon.

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Depois iremos temperar nosso blend com sal e pimenta do reino moída na hora:

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Enquanto nossa carne descansa iremos preparar o bacon a ser utilizado na frigideira de forma a ficar crocante:

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Reservamo-los enquanto preparamos a cebola caramelizada:

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Vamos usar a gordura de um bacon bem picadinho antes de reservarmos:

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Vamos dourar as cebolas picadas nessa gordura do bacon:

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Depois de levemente douradas iremos acrescentar 1 a 2 colheres de açúcar mascavo:

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E depois iremos acrescentar vinagre balsâmico:

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Trazemos de volta o bacon utilizado no início e depois reservamos essa cebola.

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Para montarmos o hambúrguer podemos fazer na mão ou com o auxílio de um aro ou forma:

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Em casa você pode prepará-los de várias maneiras: na grelha, na frigideira, etc. Preferimos fazê-los na churrasqueira para termos aquele sabor defumado!

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Após o hambúrguer começar a “sangrar” é hora de colocar o queijo cheddar e o bacon já reservado outrora:

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Depois iremos abafá-los para manter o sabor defumado:

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Existem vários tipos de pães que podem ser usados, mas indubitavelmente eu gosto bastante do pão de brioche:

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Devemos selá-los antes de utilizarmos:

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Logo após procederemos com a montagem:

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Como acompanhamento pode ser utilizado fritas:

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Conforme falamos no post anterior, o acompanhamento perfeito para esse hambúrguer é um vinho com a uva Malbec. E, conforme prometido anteriormente, faremos hoje um duelo entre um Malbec da Argentina e um malbec da França. Do lado Argentino iremos utilizar a linha premium da bodega Nieto Senetiner citada desde nosso primeiro post sobre essa uva:

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Nieto Senetiner Malbec D.O.C. 2013

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Do lado Francês temos o vinho já citado anteriormente aqui no blog: Domaine les Barthes 2015 Malbec.

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O malbec produzido na Argentina parece uma uva totalmente diferente: é um vinho tânico e com nível de álcool mais elevado com bastante presença de frutas vermelhas e negras. Já o malbec francês é um vinho muito mais delicado e estruturado. Lembra de longe um vinho da uva pinot noir devido à sua delicadeza. A versão francesa não apresenta essa pancada de taninos nem essa potencialidade de frutas.

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Outro vinho que poderia acompanhar bem esse prato é um bom Cabernet-Sauvignon Chileno. Gostaria aqui de deixar mais um exemplo de um grande vinho sem necessariamente ser caro. Embora já tenhamos comentado aqui no blog sobre o Toro de Piedra, a versão feita com a uva Cabernet-Sauvignon é um vinho de R$60-80 que vale pelo menos 3-4 vezes mais. É sensacional e recomendo com todo meu humilde entendimento sobre vinhos!

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Conclusão

Caso o objetivo seja degustar um bom hambúrguer feito em casa ou mesmo numa boa hamburgueria, minha indicação é: vá de Malbec Argentino ou Cabernet-Sauvignon Chileno!

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Lambrusco, Vinho Grego e Gigot D’Agneau com Batatas Rústicas ao Aiöli

“O vinho conforta ao triste, e revive aos velhos, inspira os jovens, permite que o cansado esqueça o seu cansaço.” Lord Byron

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Introdução

Amigos, hoje teremos um mix de informações sobre o mundo dos vinhos mas a ênfase será no Lambrusco, nos vinhos da Grécia e em 3 receitas para acompanhá-lo. Esse post é o cumprimento de uma promessa feita no post anterior em que eu tentei fazer o gigot d’agneau (pernil de cordeiro) no forno mas não deu certo. Dessa vez ele será feito na churrasqueira!

Lambrusco

Esse vinho italiano é bastante famoso no Brasil e também no mundo devido ao seu bom custo benefício. Uma garrafa dele no mercado sai em média R$30. Mas afinal o que é o Lambrusco?

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Vimos no post sobre champagnes e espumantes que esse tipo de vinho recebe essas borbulhas que chamamos de perlage devido a uma segunda fermentação que ele sofre na garrafa. Já o lambrusco é enquadrado na categoria de frisante, o que indica que ele não sofre duas fermentações, mas apenas uma. O gás carbônico é introduzido artificialmente igual a um refrigerante. Isso torna o lambrusco uma bebida suave e gaseificada que lembra de longe um spritzer que fizemos no post anterior. Hoje vamos degustar um exemplar bem comum no Brasil: Fratelli Cella Lambrusco Dell’Emilia tinto.

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Esse é um vinho muito agradável e bom de iniciar um evento com os amigos. Também é uma opção para os que gostam dos vinhos mais “adocicados” por assim dizer. Mas claramente percebe-se uma qualidade bem inferior em relação aos espumantes “de verdade” por assim dizer.

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Nessa primeira parte do post quero deixar registrado alguns dos vinhos em que tive o prazer de degustar num evento na casa dos queridos Rafael e Eloísa.

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O primeiro vinho a ser servido foi um espumante italiano de bom custo benefício: Piera Martellozzo 075 Carati Millesimato Extra Dry.

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Esse cumpre o que promete: uma entrada simples porém agradável sem muita personalidade. Vale a pena tentar!

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A Carol trouxe uma Cava espetacular para provarmos. Para quem acompanhou o post sobre a Cava sabe que a Freixenet é hoje a marca mais consumida do mundo e a Cordon Negro é uma versão premium da marca. Simplesmente fantástico!

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Amigos, a Eloísa nos preparou um Boeuf Bourguignon maravilhoso, mas quero pedir desculpas aqui a todos e a ela pois não encontrei a foto do prato, mas estava maravilhoso e os convidados trouxeram vinhos para harmonizar com ele. Além da clássica harmonização com Pinot Noir, tivemos algumas variedades de vinhos como dois primitivos: Messapi Primitivo di Puglia 2013 e Notte Rossa Primitivo Puglia 2015.

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Estes são bons vinhos com bom custo benefício sendo o Messapi superior no sabor. Acho que o fato dele ser de uma safra anterior ao do Notte Rossa ajudou no apuro. Achei-o muito mais redondo que o segundo, o qual me pareceu mais “agressivo”, que normalmente indica juventude num vinho.

E para terminarmos a noite tivemos uma das minhas uvas favoritas: Gewürztraminer. Só que dessa vez foi um Italiano a despeito dos clássicos Alsacianos/Alemães. Gewürztraminer Trentino DOC Cavit 2016.

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Esse vinho nos pregou uma peça pois é normal achar que todo Gewürztraminer é doce como o que apresentamos no post anterior. Apesar de ter aromas doces e presentes como a lichia, esse é um vinho seco e encorpado.

Vinhos da Grécia

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Conforme falamos no post sobre os vinhos de Israel, acredita-se que o primeiro vinho foi feito por Noé na região que hoje é a Geórgia/Armênia. Ou seja, ela é quase que reconhecidamente o berço dessa bebida.

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Já os egípcios foram os primeiros a registrar em pinturas e documentos (datados de 1000 a 3000 a.C.) o processo da vinificação e o uso da bebida em celebrações. Os faraós ofereciam vinhos e queimavam vinhedos aos deuses; os sacerdotes usavam-nos em rituais; os nobres, em festas de todos os tipos; as outras classes eram financeiramente impossibilitadas de sua compra. O consumo de vinho aumentou com o passar do tempo e, junto com o azeite de oliva, foi um grande impulso para o comércio egípcio, tanto o interno quanto externo. Os primeiros enólogos foram egípcios.

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A partir de 2500 a.C., os vinhos egípcios foram exportados para a Europa Mediterrânea, África Central e reinos asiáticos. Os responsáveis por essa propagação foram os fenícios, povo oriundo da Ásia Antiga e natos comerciantes marítimos. Em 2 mil a.C., chegaram à Grécia.

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Os gregos foram considerados o divisor de água no mundo dos vinhos. Toda a cultura mundial que deriva dessa bebida nasceu junto com eles. O vinho era tão importante para os gregos que se acreditava que era uma bebida santa e divina (dada aos homens pelo Deus Dionísio).

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Vinho de Escolha

Para representarmos essa cultura tão rica que foi a Grega iremos ao Peloponeso aonde se encontravam Esparta e seus Bravos Guerreiros. No centro da região, encontramos a denominação de vinhos brancos Mantinia e, a noroeste de Corinto, encontra-se a famosa denominação de tintos Nemea (morada do Agiorgitiko), como foi batizada em 1460, homenagem ao antigo nome da região na época, Agios Georgios (São Jorge). Nemea também é a morada do “Leão de Nemeia”, primeiro trabalho de Hércules.

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Cavino Nemea Grande Reserve 2008

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A vinícola Cavino conta com uma tradição de quase 70 anos. No início deste século sua produção voltou-se exclusivamente para vinhos de alta qualidade, trabalho reconhecido em 2009, quando a Wine & Spirits a premiou como a melhor vinícola da Grécia! Este ótimo Grande Reserve, que traz na bagagem premiações como a medalha de ouro no concurso Mundus Vini e 90 pontos pela influente crítica canadense Natalie MacLean, é o exemplar mais emblemático da linha. Com maturação de 24 meses em barricas de carvalho francês e americano e mais 24 meses em caves, entrega aromas de amoras, ameixas, café, frutas secas, xarope, cacau e violetas. Na boca está extremamente equilibrado, com taninos sedosos, boa acidez e uma certa mineralidade, que está em sintonia com notas de cereja madura, baunilha e alcaçuz.

Harmonização

Os vinhos produzidos com essa casta grega são quase que uma mistura de um primitivo italiano (bastante equilíbrio) junto com a potencialidade de um vinho de Bordeaux (taninos potentes e sedosos junto com frutas negras e vermelhas) e, como o cordeiro é referência para os três países (Itália, Grécia e França), a opção será por ele! Além disso já tinha prometido refazer a receita do Gigot D’Agneau no post anterior. A receita será uma adaptação à receita do Chef André Castro D’olivino que se encontra no vídeo do youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=-7UZr-wpL_Y

Tomemos então uma bela peça de Pernil de Cordeiro:

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Vamos fazer incisões e colocarmos alho junto com alecrim:

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O Sal de especiarias será feito com Sal, Pimenta, Tomilho, Cominho, Coentro em pó e Canela em pó:

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Agora vamos colocar o pernil numa travessa e espalhar esse sal de especiarias no cordeiro:

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Vamos aguardar cerca de 1 hora para que o tempero “pegue” um pouco. Após isso iremos adicionar 150ml de vinho branco:

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E 300ml de suco de laranja:

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Vamos adicionar alho, alecrim e louro e deixar descansar nessa marinada por no mínimo 4 horas sempre virando a peça de modo que toda a carne fique “encharcada”:

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Antes de colocarmos no fogo vamos relembrar qual foi o erro da última vez que tentamos fazer essa receita no forno: Ficou queimado por fora e cru por dentro. Dessa vez vamos fazer diferente: vamos cozinhar um pouco por dentro e depois tostaremos por fora para criar uma crosta. Tomemos um plástico próprio para churrasco e reguemos um pouco de azeite e sal grosso por toda a peça:

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Levemos ao fogo por aproximadamente 1 hora e meia sempre virando:

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Enquanto isso iremos fazer o acompanhamento para o nosso prato: Batatas Rústicas com Herbs de Provence e Aiöli. Essa receita eu peguei de um dos canais de culinária francesa que mais gosto no youtube, o qual já utilizei algumas receitas aqui no Blog. Esse é o Canal da Uiara Araújo: Le Plat du Jour.

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https://www.youtube.com/watch?v=Fl1y3NELHGA

Primeiro vamos dar uma pré-cozida nas batatas:

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Depois vamos cortá-las no formato de barquinhos e deitá-las na forma:

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Depois vamos colocar sal, pimenta do reino, azeite e as Herbs de Preovence (Manjericão, Alecrim e Tomilho):

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Agora vamos levá-las ao forno enquanto vamos nos ocupar novamente do pernil. Após 1 hora e meia vamos retirar o papel de churrasco e deixá-lo grelhar por mais ou menos hora:

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Enquanto isso, façamos o aiöli:

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Vamos amassar uma batata cozida junto com alho para fazermos uma espécie de purê:

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Após isso iremos adicionar uma colher de mostarda de Dijon, Sal, Pimenta do Reino e uma gema de ovo.

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Após isso vamos bater tudo com um fouet acrescentando azeite aos poucos até dar a consistência de uma maionese:

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Após o tempo de grelha iremos retirar o gigot da churrasqueira e vamos pincelá-lo com um pouco de laranja com mel:

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Vamos voltar por mais alguns minutos ao fogo e depois estará pronto:

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Aparentemente o pernil está queimado mas na verdade ficou no ponto perfeito (crosta por fora e no ponto por dentro):

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Conclusão

Valeu a pena refazer essa receita! Harmonizou perfeitamente com esse vinho inaudito!

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Vinhos de Israel, culinária francesa e receita de steak tartare

 “Tenhamos vinho e mulheres, alegria e riso, sermões e água mineralizada no dia seguinte.” Lord Byron

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será a continuação da culinária francesa já abordada num post anterior. Falaremos um pouco mais sobre comidas tipicamente francesas e, ao fim do nosso post, teremos a receita de como fazer um steak tartare. Também será alvo de nossa análise os vinhos produzidos em Israel, em específico os da Galiléia, terra em que nasceu Jesus.

Cervejas

A primeira cerveja de hoje é mais uma produzida pela Wäls, também conhecida como a melhor cervejaria do Brasil conforme já comentamos algumas vezes aqui no blog. Essa é uma witbier diferente pois é produzida com pimenta da Jamaica e laranja da terra. Wäls Belgian Witte.

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Sente-se bastante o sabor característico da pimenta da Jamaica. É uma wit bem diferente para paladares não tão clássicos, mas é uma grande cerveja como diria o baixinho da kaiser!

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A segunda já é uma witbier belga padrão, sem muita alteração ao padrão ortodoxo da receita: Dortmund Schloss witbier.

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Já a última cerveja de hoje é uma repetição, pois já comentamos sobre ela de forma breve no blog (link): Schornstein witbier. Campeã de vários prêmios, dentre eles o de medalha de ouro internacional na competição copa cervezas de américa GCA 2016.

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Como já falei algumas vezes no blog, eu sou um grande fã dessa cervejaria e acredito que os produtores dessa cerveja trazem sempre muito orgulho para o Brasil, porém ela ainda não está no nível das cervejas top como St. Bernardus por exemplo (link). Mas talvez com um pouco mais de esforço possa se chegar lá.

Vinhos de Israel

Quando nos vêm à cabeça a história do Cristianismo/Judaísmo, logo nos lembramos da importância do vinho para a cultura Israelense. O próprio Jesus Cristo celebrou a Santa Ceia firmando um novo pacto com essa bebida que representaria o seu sangue que viria a ser derramado para a salvação de muitos. Foi ele mesmo quem disse que todos os seus seguidores deveriam repetir esse evento como lembrança dele.

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O fato é que o vinho hoje é conhecido no mundo por causa da herança judaica cristã. A bíblia fala que foi Noé o primeiro a fazer o vinho logo após o dilúvio. O primeiro porre com essa bebida de toda a história é reputado a ele.

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Desde então Israel sempre se destacou no cultivo dessa bebida que foi apreciada no mundo então conhecido pelos romanos e gregos, que foi quem ajudaram a disseminar essa bebida. O fato é que Israel sempre teve um terroir mediterrâneo perfeito para o cultivo dessa bebida. Mas apenas após o fim da dominação muçulmana é que houve um renascimento moderno da viticultura israelense. A história da chamada moderna vinicultura de Israel começou em 1882, com a fundação da vinícola Carmel na cidade de Zichron Ya’akov, ao sul de Haifa, pelo Barão Edmond de Rothschild, proprietário da Chateau Lafite, em Bordeaux (França). Desde então Israel tem produzido vinhos no padrão Francês que têm ganho competições mundiais.

Escolha do vinho

A escolha será baseada tanto pela questão de qualidade quanto pela questão histórica e simbólica. Além de ser uma das melhores vinícolas do país, a Golan Heights produz vinhos na Galiléia, que é a terra onde Jesus nasceu!!

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O vinho de escolha será um do estilo Bordeaux, feito com uvas características da região francesa como a cabernet-sauvignon, a merlot, cabernet-franc, malbec e petit-verdot. Mount Hermon Red Wine 2015.

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Esse é um vinho que nos remete à França e seus Bordeaux de qualidade. Presença forte de frutas negras e vermelhas como a cereja e a ameixa e especiarias como cravo e pimenta. Assim como os vinhos dessa região, é bem estruturado e complexo apesar de ser um vinho relativamente jovem.

Restaurante de escolha

Como o vinho possui “alma” francesa iremos harmonizá-lo com tal culinária também. Esse será um post de continuação dessa culinária tão egrégia por assim dizer já que tivemos anteriormente um post sobre ela no restaurante la casserole. Hoje a escolha será por um dos bistrots mais famosos de São Paulo: o Ici Bistrô, um lugar fantástico comandado pelo famosíssimo chef Benny Novak.

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Um lugar fantástico com excelente atendimento!

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Entrée

Pedimos dois pratos característicos franceses: o escalope de Foie Gras e o Steak Tartare que é uma das especialidades do Chef.

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No post do La Casserole falamos da forma mais comum de servir o Foie Gras (em terrines) e hoje falaremos da segunda forma mais famosa: em escalopes sauté (pedaços dele assados na frigideira). Simplesmente Bárbaro! Sua gordura harmonizou bem com o vinho apesar de que sabemos que a harmonização perfeita seria com o Sauternes.

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Adorei também o steak tartare com uma carne muito bem temperada e servida com fritas bem crocantes. Recomendo! (No fim do post teremos a receita de como preparar esse prato). Esse é um prato que já contamos sua história no blog e que pode ser considerado um pouco repulsivo para o paladar brasileiro por ser uma carne crua picada na faca e temperada, mas acredito que todos devem deixar o preconceito de lado e provar essa delícia.

Plat Principal

A prata da casa estava reservada para esse momento. Dois pratos mais franceses imperdíveis: Magret de Canard e o Cassoulet.

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O magret de canard é o peito de pato selado na frigideira. Na boca lembra bastante o sabor de uma picanha na brasa, mas o do Ici estava divino! Poucas foram as vezes na minha vida que comi algo tão gostoso. Ele foi servido com molho à base de Foie Gras e um purê de batatas com manteiga trufada!

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O segundo prato foi outro clássico francês: o cassoulet. Em suma o cassoulet é uma feijoada com feijão branco confitado na gordura de pato. Embora as receitas divirjam um pouco, de um modo geral ele é feito com coxa de pato (confit de canard), costela de porco desfiada e linguiça calabresa.

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A história desse prato é muito bacana. Há uma lenda que tem certa comprovação técnica desde o século XVI, que diz que durante a chamada guerra dos cem anos (1337 – 1453), entre França e Inglaterra, durante um cerco feito pelos ingleses, na cidade de Castelnaudary (Região do Languedoc, sudoeste da França, cidade esta que estava assolada pela fome devido à guerra, as “mamas” locais, prepararam, um tal cozido que levava carnes de porco, linguiças, bacon, ervas e feijão, que tinha o preparo em cozimento muito lento em uma caçarola de barro chamada Cassoulet, que desde então deu nome ao prato.

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Após a substanciosa refeição, os Franceses bem nutridos, venceram a batalha e expulsaram os Ingleses da região. Na minha humilde opinião esse prato é gostoso porém o seu sabor é mais simples quando comparado com o magret de canard que ofuscou a beleza desse prato!

Dessert

Entre as sobremesas tivemos mais dois clássicos franceses: a tarte de mille-feuilles e o crème-brûlée.

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Torta Opera

Essa daqui é para agradar os fãs do masterchef. Quem acompanhou a primeira temporada do profissionais com certeza vai se lembrar da lendária prova de eliminação em que os competidores tiveram de fazer uma torta dessas em duas horas e meia.

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Para quem não lembra do episódio eu vou colocar o link do youtube abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=gQnx8HLGfTw&t=1497s

Pois bem, essa é um clássico da pâtisserie francesa e, infelizmente, não tinha no Ici bistrô. Mas fomos na Dama Confeitaria e pudemos conferir essa maravilha. Harmonizou muito bem com um vinho do porto. Vinho Ceremony Tawny Porto.

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Receita de Steak Tartare

Bem, conforme o prometido, ao fim desse post ensinaremos uma receita simples e fácil de um clássico francês famoso em qualquer bistrô da França. Basicamente o steak tartare é uma carne crua magra (normalmente de filet mignon ou alcatra) picada em cubos minúsculos e temperada. Comecemos com duas gemas de ovos caipira:

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Depois vamos temperar com pimenta do reino e sal:

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Molho inglês:

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Molho de pimenta:

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Uma colher de sopa de mostarda:

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Uma colher de ketchup:

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Misturar e bater tudo com azeite no fouet acrescentando aos poucos e batendo de forma a transformar o molho quase que numa maionese.

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Agora vamos pegar uma cebola pequena e vamos picá-la bastante.

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Vamos também picar bastante com uma faca afiada as alcaparras

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Vamos também picar uma ciboulete ou uma cebolinha bem picadinha:

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Vamos pegar agora cerca de 300g de carne (alcatra ou filet mignon) e vamos picá-la até ficar quase granulada:

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Agora vamos misturar bem a carne com o molho que fizemos:

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E vamos usar uma forminha já untada com azeite para empratar e servir com batatas fritas como acompanhamento:

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Como acompanhamento para essa comida cai muito bem um pinot noir. Escolhi um com excelente custo benefício que já foi citado várias vezes aqui no blog: Ventisquero Pinot Noir Reserva 2015.

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Conclusão

É realmente uma pena que a culinária francesa seja tão cara aqui no Brasil, mas recomendo experimentar pelo menos uma vez na vida a título de conhecimento. Acredito que vale cada centavo.

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Harmonizando vinhos com feijoada

 “Diz-se «in vino veritas», mas diz-se também que a verdade está no fundo de um poço; logo é um poço cheio de vinho.” Raymond-Claude-Ferdinand Aron

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um pouco diferente porque mostraremos uma harmonização com vinhos pouco comum. Quando pensamos em gastronomia brasileira, o exemplo máximo que nos vem à cabeça é a feijoada com a caipirinha, mas hoje mostraremos que é possível sim degustá-la com uma boa taça de vinho. Também foi um momento maravilhoso por ter sido o aniversário do meu tio Francisco.

Cervejas

Apesar de gostar de quase todos os tipos de cerveja, para mim nenhum estilo me apraz mais do que o estilo weizen (trigo) alemão e hoje quero deixar um dos exemplos mais icônicos do tipo: Franziskaner weissbier.

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Essa é uma cerveja bávara de excelente qualidade que apresenta bem as qualidades desse estilo: presença forte do cravo e da banana com boa turbidez e bastante encorpada. É muito semelhante à Erdinger e/ou à Paulaner, fazendo com que mesmo os bons conhecedores de cervejas se enrolem diante de um teste cego.

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Essa segunda é produzida por uma cervejaria artesanal brasileira jovem porém bastante premiada: a Schornstein. É uma cerveja bem feita que apresenta bom corpo e estrutura de uma Weiss. Na minha opinião só pecou um pouco no amargor. Achei-a com um amargor um pouco acima do agradável para esse estilo, mas achei que valeu a pena experimentá-la. Recomendo!

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Acredito que se o critério de escolha de alguém por uma cerveja seja a embalagem, certamente a Faxe dinamarquesa será uma excelente opção. Sua emblemática lata de 1 litro com a foto de um viking realmente cativa a atenção de um bom apreciador! Achei gostosa essa Wit porém percebi um certo desequilíbrio entre a quantidade de semente de coentro e a casca de laranja. O coentro está bem presente, mas não consegui identificar muito bem a laranja!

Início do evento

A palavra harmonização tem origem no vernáculo italiano Abbinamento, que significa andar lado a lado, casar, formar par, combinar. Dentro desse contexto, duas possibilidades vêm à tona: similaridade ou contraste. E é desse ponto comum que descobriremos qual a melhor harmonização para a feijoada. Podemos tentar usar um vinho mais tânico como o malbec ou o merlot ou também podemos harmonizá-lo com um bom espumante por contraste.

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Para o teste com espumantes temos dois tipos diferentes: um excelente nacional da Salton feito com as uvas Prosecco e um francês rosé Brut.

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É incrível como eles combinaram com a comida! Nunca pensei que fosse boa essa combinação, mas acho que o contraste da acidez com a gordura do prato de alguma forma paradoxal se combinaram entre si. Sobre o espumante Salton eu acredito que ele dispensa comentários pois acredito ser um excelente custo-benefício. Alguns estudiosos consideram o prosecco nacional até mesmo melhor que o italiano. Mas meu favorito do dia foi esse Francês rosé Charles de Fère cuvée Jean Louis. Apesar de não ter sido feito no terroir de champagne, consegue-se perceber algumas características francesas como a presença de aromas de castanhas e avelãs, ainda que sutis.

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Parabéns mais uma vez à minha tia Sônia pela comida maravilhosa. A feijoada estava perfeita! Mas a festa ainda estava praticamente começando porque os três vinhos que foram abertos depois da feijoada foram simplesmente motivo de cair o queixo de emoção.

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O primeiro foi o Escalera 2009, ganhador da medalha de ouro no Annual Wines of Chile Awards 2014 e marcou ainda 92 pontos no La CAV 2014, duas premiações chilenas de grande importância. Esse é um vinho que simboliza toda a potencialidade do Chile diante de países consagrados como a França. Tenho certeza que bate vinhos de milhares de reais num teste cego. É sensacional!!

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Como já falei no post anterior, esse segundo é o melhor vinho tinto que eu já tomei em toda minha vida: Primitivo di Manduria Luccarelli. O que eu degustei no post anterior foi da safra de 2011, e esse é ainda melhor pois foi da safra de 2008. Um vinho agradável do começo ao fim. Mesmo para pessoas que não possuem um olfato tão treinado, consegue-se perceber uma complexidade aromática muito grande nele. Aromas de chocolate, café e frutas negras e vermelhas são embaladas por um equilíbrio fantástico de taninos, acidez, álcool e muita fruta. Mais uma vez ressalto que esse é o melhor vinho tinto que eu já tive a oportunidade de degustar em toda minha vida.

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E esse último é uma compensação dos posts anteriores pois ainda não tinha falado de um bom vinho do Dão. Vamos relembrar o mapa de Portugal:

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O Dão é uma região em que a inovação convive lado a lado com a tradição. É um dos melhores terroirs do país, local de origem da celebrada uva Touriga Nacional. A região produz alguns ótimos vinhos tintos, de enorme estrutura, grande concentração de fruta e elegância. Casa de Cello Quinta da Vegia 2010 é um vinho muito consagrado que recebe 90 pontos pela classificação de Robert Parker. Aqui a estrela é a Touriga Nacional, com aromas florais e frutados.

Conclusão

Parabéns mais uma vez Francisco, sua festa foi por demais egrégia. Foi muito bacana perceber que há também uma alternativa para a feijoada a despeito da famosa caipirinha. Combinar espumante com feijoada provou ser uma excelente combinação!

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Primitivo di Manduria, o melhor vinho do mundo e um delicioso polpettone com mix de cervejas

 “O vinho é o amigo do moderado e o inimigo do beberrão.” Avicena

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Introdução

Amigos, a frase que eu mais repito aqui no blog é que o melhor vinho do mundo é aquele que você gosta, e hoje vamos falar do meu tinto preferido: Primitivo di Manduria. Vamos conferir também o melhor polpettone de São Paulo: Jardim de Napoli. Caso você deseje visualizar qual a uva branca que eu mais gosto basta clicar aqui.

Cervejas

Amigos, vou comentar um pouco sobre provavelmente a melhor cerveja de trigo que eu já tomei: Domina Weiss!

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Essa cerveja é produzida pela Cervejaria Nacional que fica próxima ao metrô Faria Lima. Infelizmente ela está um tempo sem ser comercializada em outros lugares, então para poder conferir essa maravilha é necessário comparecer ao lugar. Mas vale cada centavo conhecer essa brasserie pois essa é uma cerveja bem aromática em que se sente claramente os aromas do cravo e da canela e a sua cor turva identifica um corpo e estrutura bem acima da média. Possui excelente drinkability com concentração alcoólica um pouco elevada. Simplesmente perfeita!!

 

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Harmonizou muito bem com os hamburguinhos da casa

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A próxima cerveja é uma raridade japonesa. Embora eu reconheça que há poucas cervejas japonesas de destaque como a Sapporo (link), essa vale a pena conhecer por ser uma cerveja feita em Okinawa.  Apesar de não ser puro malte ela agradou meu paladar e harmonizou muito bem com comida japonesa. Cerveja Orion.

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O lugar em que eu apreciei essa raridade é simplesmente uma das melhores casas de Lámen de São Paulo localizada no bairro da liberdade (Lámen Kazu).

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Guioza

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E finalmente o perfeito shoyu Rámen

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Uva Primitivo

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Fonte: http://www.winefolly.com

Amigos, eu já comentei sobre essa uva anteriormente no post da zinfandel, porque na verdade esse é o nome que ela recebe nos Estados Unidos, mas estudos comprovaram que elas são a mesma uva. Mas o ponto que mais me chama a atenção nessa uva em relação às outras uvas tintas é o seu perfeito equilíbrio. Nada se destaca nessa uva, tudo é perfeito. Nos vinhos da Cabernet temos o forte tanino, nos vinhos feitos com a Pinot Noir temos a acidez um pouco mais presente, mas aqui tudo está na medida certa. Os vinhos dessa uva também são tão perfeitos que apresentam um leve dulçor no seu retrogosto sem deixar o vinho enjoativo. Vale a pena conferir.

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Apesar de sabermos que é na Toscana em que se encontram os vinhos premiados da Itália (a exemplo dos 5 Bs), a uva primitivo é plantada no salto da bota (a região de puglia). Mas é na cidade e arredores de Manduria em que essa uva encontra sua expressão máxima.

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A denominação de origem controlada Primitivo di Manduria é feito com as uvas primitivo plantadas na cidade e arredores de Manduria e alguns levam um pequeno percentual de Negroamaro em sua composição. São vinhos bem estruturados e de grande potencial de guarda (as garrafas são bem mais grossas do que o comum dos vinhos e bem escuras). Todos os vinhos são excelentes, porém minha bodega preferida é a Lucarelli. E é aqui que começa nossa história de hoje. Lucarelli Primitivo di Manduria 2011.

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Essa é uma garrafa que eu estava guardando a um bom tempo porque infelizmente é um vinho bem caro (por volta de R$ 260), mas hoje foi o dia de provarmos essa barbaridade! (Peço perdão pelo rótulo descascando).

Restaurante de escolha: Jardim de Napoli

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Amigos, esse vinho é o mais perfeito para acompanhar pratos feitos com filet mignon, logo precisamos de um lugar à altura para acompanhá-lo. Sabemos que São Paulo é referência em cantinas italianas no mundo assim como tivemos no post anterior, mas ninguém faz um polpettone melhor que o Jardim de Napoli.

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Um ponto negativo assim como vi também no Famiglia Mancini é o fato das taças serem de vidro e não de cristal. Isso é muito ruim tendo em vista a alta qualidade do lugar e do atendimento!

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Vinho estupendo com notas que remetem a chocolate, uvas negras e café

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É um clima muito agradável e você realmente se sente na Itália por ver tantos italianos falando na sua língua natal!

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Como acompanhamento para o Polpettone alla Parmigiana nós escolhemos o mais pedido da casa: Linguine ala Crema com Funghi Freschi.

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Nunca na minha vida comi uma massa fresca mais gostosa do que essa, estava realmente divina e harmonizou perfeitamente com esse vinho maravilhoso!

Vinho brasileiro simples com bom custo benefício

Amigos, sempre que puder tentarei dar algumas sugestões no blog de vinhos brasileiros baratos e com bom custo benefício. E o de hoje vai ser com a minha uva branca preferida: a Riesling. Preciso deixar bem claro que ele quase em nada lembra os bons Rieslings da Alsácia ou da Alemanha, sendo considerado um vinho bem “aguado e sem personalidade” em relação a eles, porém é uma excelente opção para uma pessoa que deseje tomar um vinho no valor de R$ 20. Uma meia garrafa é possível de obter por até menos de R$ 10. Almadén Riesling 2017.

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Se você for degustar esse vinho com os “óculos corretos”, ou seja, sabendo que ele é um brasileiro de R$ 20 e for com essa expectativa você irá se surpreender com a qualidade dele.

Conclusão

Adorei esse post porque fiz questão de frisar que existem bons vinhos em toda faixa de preço. Aqui no nosso blog falaremos de vinhos de R$10, R$100, R$ 1000 e porque não R$10000? Mas o importante é estarmos abertos para o fato de que no mundo dos vinhos, preço é algo subjetivo!

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Segundo B da Itália, Prosecco, Barolo, Bordeaux, Icewine e Evento Italiano

“Toma conselhos com o vinho, mas toma decisões com a água.” Benjamin Franklin

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Introdução

Amigos, hoje o post será a continuação da série em que falamos sobre os 5 Bs da Itália. Nesse segundo episódio falaremos sobre o Barolo, um nome muito famoso no mundo dos vinhos tanto por sua alta qualidade quanto por seu elevado preço. Esse evento também é o sétimo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o sexto encontro, basta clicar aqui. Também falaremos rapidamente sobre um evento em que recebemos os amigos Rafael e Eloísa em nossa residência e compartilhamos um bom Coq au Vin e excelentes vinhos.

Primeiro encontro

Amigos, quem quiser saber como fazer a receita já temos um post no blog. Basta clicar aqui. Mas começaremos falando sobre o maravilhoso Prosecco que o Rafael trouxe de sua última viagem à Itália:

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Bottega Valdobbiadene Prosecco Superiore D.O.C.G.

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Já temos um post no nosso blog em que falamos sobre o processo de fabricação de um champagne e sobre as diferenças de nomenclatura que inclui o Prosecco (clique aqui no link). Mas de uma maneira geral, o Prosecco é o champagne da Itália assim como a cava é o champagne da Espanha (veja o post sobre ela aqui). De forma a receber a denominação Prosecco, o espumante precisa ser feito na Itália e somente com as uvas Prosecco. No paladar e no nariz eu diria que o Prosecco é um meio termo entre o champagne e a cava, pois ele apresenta aromas mais frutados do que o champagne mas menos do que a cava ao mesmo tempo em que ele é mais ácido do que a Cava e um pouco menos do que o Champagne.

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Para acompanhar esse prato, as visitas trouxeram um excelente Pinot Noir do Chile e da mesma bodega lendária a qual me referi no post anterior (link). Essa é a que produz vinhos em solos vulcânicos o que acarreta em aromas e num sabor único. A fim de comprovarmos a diferença real entre o que significa um vinho muito tânico com outro de pouquíssima tanicidade eu resolvi abrir um Barolo.

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Enquanto o Volcanes Reserva Pinot Noir apresenta uma acidez mais acentuada e bom drinkability, o Barolo Tenimenti Ca’Bianca 2012 é bem mais encorpado e com uma sensação de adstringência acima do normal. Ambos apresentam aromas fortes de frutas negras. Mais abaixo falarei um pouco mais sobre esse vinho mitológico.

Confraria Távola Di Amici

Amigos, estamos hoje na casa dos queridos Nelson e Ana num evento de altíssima qualidade sobre a comida e cultura Italianas. E para começar falando sobre o evento nada melhor do que começar pelo Barolo. Beni di Batasiolo Barolo 2013.

Barolo

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Ele vai receber no nosso blog o título de segundo B da Itália apenas por uma questão cronológica já que na realidade esse foi o primeiro B da Itália. É importante lembrar que o nome da uva que produz esse colosso não é Barolo, mas sim Nebbiolo.

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A Nebbiolo é uma uva que produz grandes e importantes vinhos, com estrutura e qualidade, muitos taninos e feitos para guarda. É uma uva de difícil cultivo e que só rende bons frutos na região piemontesa. Essa cepa exige muita atenção e cuidados e, por dar origem a vinhos fortes, tânicos e concentrados, precisa ser domada tanto nos barris de envelhecimento quanto já na garrafa por anos, se não por décadas. Ela é uma uva que perde apenas para a Tannat (link) no quesito de tanicidade.

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O Barolo é famoso principalmente porque ele foi o marco na história dos vinhos da Itália. Até antes do século XIX a Itália não produzia nada de qualidade. Acredita-se que a primeira a perceber que os vinhos locais precisavam mudar foi a última marquesa de Barolo, Juliette Colbert di Maulévrier, ou Giulia Falletti di Barolo. Filha de aristocratas franceses da época da Revolução, ela se casou com o marquês Carlo Tancredi Falletti di Barolo no início do século XIX. Ela desenvolveu grande interesse pela filantropia, mas também por agricultura e contratou um enólogo francês, Louis Oudart, para ajudar os viticultores locais a melhorarem suas técnicas. Antes, o Barolo era doce – como boa parte dos vinhos célebres da época –, então ele transformou-o em uma bebida seca, no estilo de Bordeaux. E foi esse novo vinho que passou a ser servido nas mesas dos nobres e ganhou a reputação de “rei dos vinhos”.

Antepasto

Como entrada tivemos dois molhos deliciosos: a sardela e a alichella.

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De antepasto tivemos Melone com proscuito:

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Foram embaladas com um vinho simples mas excelente para a abertura de uma grande refeição:

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Primo Piatto

A Ana como verdadeira chef italiana fez dois pratos maravilhosos com massa fresca: O Spaghetti col sugo e a Lasagna al prosciutto e Formaggio col sugo rose.

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Para acompanhar esses pratos tivemos uma seleção de dar inveja a qualquer evento enogastronômico. Comecemos provando o spaghetti com o Barolo:

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Como o evento possui a temática italiana eu decidi utilizar o vinho mais italiano possível: o chianti. Esse que está para a Itália assim como a cerveja Brahma ou a Skol estão para o Brasil. Um vinho muito bom e barato feito com a rainha das uvas italianas: a Sangiovese.

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Bindi Sergardi Al Canapo 2014 Chianti

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Tivemos também um outro Sangiovese maravilhoso: Cancelli Coltibuono 2015

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Tivemos também um vinho espanhol de dar inveja feito com as uvas tempranillo  e Graciano: Beronia Rioja 2009 Gran Reserva.

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Um dos confrades trouxe um Merlot de sua última viagem à Paris:

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Que harmonizou muito bem com a lasagna:

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Antes do Secondo Piatto provamos também um vinho branco siciliano feito com uma uva pouco comum: Catarrato. Vinho Benedè Catarrato 2016.

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Tivemos também um vinho do Alentejo e um Italiano da uva Nero d’Ávola: Courela Alentejo 2014 e Baglio di Luna 2014 Nero D’ávola.

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Secondo Piatto

Com certeza essa foi uma das massas mais gostosas que eu já comi na vida. Meus parabéns Ana! Mas o evento ainda não tinha chegado nem na metade ainda. Como Secondo Piatto tivemos uma Saltimbocca ala romana com o Contorno de Cicoria Ripassata in padella. Admito que nunca comi uma carne de vitela melhor!! Nota 10. E para acompanhar o segundo prato tivemos mais vinhos espetaculares. O primeiro deles é o feito com a minha uva preferida: primitivo. Em breve no blog teremos um post exclusivo sobre essa uva apesar de já termos falado dela plantada no terroir americano (zinfandel). Lucarelli Primitivo di Puglia.

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Eu levei um vinho feito com a uva negroamaro porque ela também é produzida na região de puglia e é também utilizada na confecção de grandes vinhos como o primitivo di manduria. Ou seja, negroamaro e primitivo são primas do primeiro grau. Notte Rossa Negroamaro 2015.

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Dolci

Não pensem que o evento acabou meus amigos! Ainda temos uma surpresa a ser revelada! A Ana preparou duas sobremesas tipicamente italianas: o tiramissù e o cannoli. E temos uma surpresa no nosso blog: o icewine ou o vinho das uvas congeladas!

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Esse espetáculo de vinho foi um presente da minha tia Sônia que ela trouxe da sua última viagem do Canadá. Originalmente Alemão (o Eiswein), esse vinho foi descoberto por acaso porque um produtor esqueceu de colher as uvas e elas congelaram no inverno. Então ele teve a idéia de espremê-las congeladas obtendo assim apenas a parte doce e licorosa da uva. Nascia assim o Icewine.

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Embora ele possa ser feito com vários tipos de uvas, é a Vidal que mais se destaca na sua produção. A temperatura tem de se manter por 3 dias a, pelo menos, 8 graus negativos. As uvas congeladas são, então, colhidas de madrugada para evitar que derretam e possam ser processadas ainda com gelo. É devido a essas características que o Canadá é quase que exclusivo na produção desse vinho. No Brasil uma garrafa de 200 ml custa aproximadamente R$400.

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Creif Estate Winery 2015 Vidal Icewine

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Mas o evento ainda não acabou por aí! Um dos confrades que mora em Paris trouxe dois Grand Vin de Bordeaux.

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Lussac Saint-Emillion 2014 Grand Vin de Bordeaux

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Nossa, Bordeaux é sempre uma boa pedida!!!

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Château Bellevue Saint-Martin 2014 Grand Vin de Bordeaux Montagne Saint-Émillion

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Conclusão

Peço perdão pelo post tão longo e se eu não fiz um review mais detalhado sobre algum vinho, mas é porque o volume de informações foi muito grande. Parabéns ao Nelson e a Ana por serem pessoas tão maravilhosas e receptivas e pela comida e bebida maravilhosas. Aguardo ansiosamente o próximo encontro da Confraria Távola di Amici!

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Evento de comemoração Le Grand Chef

“Por mais raro que seja, ou mais antigo, só um vinho é deveras excelente… Aquele que tu bebes, calmamente, com teu mais velho e silencioso amigo.” Mário Quintana

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Introdução

Amigos, conforme prometi semana passada, esse será um post especial de comemoração a 1 ano do blog Vinhos e Afins para Leigos. Quero agradecer ao amigo Rafael Campos e a sua esposa Eloísa que nos proporcionaram essa noite tão única. A rede Accor Hotels, especificamente a Cook Lovers Club esteve proporcionando um evento espetacular no estilo masterchef para seus associados. Como meu amigo Rafael Campos me convidou, eu pude participar desse evento maravilhoso!

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http://cookloversleclub.com.br/

Chegada ao evento

Logo na chegada do evento tivemos uma recepção calorosa patrocinada pela rede Accors no Hotel Pullman. Espumante Italiano com vários tipos de amouse bouche. Salmão com geléia de damasco, Ceviche e torradas com queijo brie e geléia.

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Seus aromas de frutas amarelas, como damasco e pêssego, embalam o primeiro gole. Em boca, se mostra cremoso e concentrado, com acidez agradável. Antes de saber que era italiano pensei que fosse brasileiro, pois suas características o fizeram classificar como tal.

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Acompanharam-no muito bem os amouse-bouches e o robalo com sushi de filet mignon!

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Início do evento

Após a recepção por demais calorosa, tivemos início à competição. Esse evento que foi agradável até mesmo para os convidados que ficaram participando do coquetel.

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Enquanto o Raul apresentava o evento e os participantes, descobri que ficaria na equipe amarela:

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E a nossa chef que iria nos apadrinhar seria a Larissa Mazzoli, que apesar de ser bem jovem possui um currículo bem extenso, tendo trabalhado em vários restaurantes de destaque em Dubai. Particularmente não penso que deveríamos ter tido uma ajuda melhor!

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Abaixo segue um artigo com uma breve discussão sobre seu currículo. Vale a pena conferir:

https://www.khaleejtimes.com/shes–got–the-fire

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Equipe mais do que divertida e amigável! Após o sorteio da proteína a ser usada no nosso prato ficamos com o Ojo de Bife (Ribeye). Nossa equipe também foi contemplada com o acompanhamento quiabo. Ou seja, precisávamos fazer um prato principal que envolvesse o quiabo e o Ojo de bife.

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Como é costume em toda prova do tipo masterchef, é necessário fazer compras antes de começarmos a fazer os pratos. Abaixo seguem-se fotos e vídeos do youtube desse momento tão legal:

https://www.youtube.com/watch?v=bCA7IU_S45w&feature=youtu.be

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Após o mercado feito é hora de começar a cozinhar. A chef Larissa Mazzoli nos deu a idéia de fazermos um ribeye com quiabo ao molho de mostarda e como entrada uma salada com maçãs flambadas no vinagre balsâmico.

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