Harmonizando frango assado com vinhos brancos e rosés

“Para vinho ter gosto de vinho, deve ser tomado com um amigo” (Provérbio Espanhol)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um exemplo de como a simplicidade pode ser perfeita para um encontro de amigos. Como um simples frango na brasa pode ser uma comida tão espetacular. Este é o quarto encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o terceiro encontro, basta clicar aqui.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, antes de falarmos sobre o evento e os vinhos do post, faremos um breve review de algumas excelentes cervejas. Hoje falaremos das cervejas produzidas pela Cervejaria Colorado, a qual, na minha opinião, é a melhor cervejaria do Brasil. O que torna elas tão especiais é não apenas o altíssimo nível de qualidade mas também os ingredientes típicos brasileiros usados nas receitas. A primeira delas é uma pilsen bem incomum que recebe mandioca na sua composição: a Cauim.

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Confesso que demorei um bom tempo até me animar a querer degustar essa cerveja por pensar que mandioca nada tinha a ver com a bebida. Mas essa combinação é simplesmente estonteante e produz uma pilsen bem mais encorpada do que as outras comumente conhecidas. O nome Cauim vem do Tupi e se refere a uma antiga bebida fermentada de cereais e mandioca, fabricada pelos índios brasileiros.

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Essa segunda é simplesmente uma das cervejas de trigo mais gostosas que eu já provei na vida (se não foi a melhor). A combinação de maltes de trigo com mel de abelhas dá um toque todo especial a essa cerveja. Já é a segunda vez que falo dela no blog (confira o primeiro review aqui).

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A terceira é uma IPA consagrada no mundo todo e vencedora de diversos prêmios por sua qualidade e inovação por utilizar rapadura na sua confecção. Vale a pena conferir mesmo se você não curte muito o estilo IPA.

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Essa quarta cerveja do estilo porter ganhou o prêmio em 2016 junto com a Wäls Dubbel (review aqui) pois foram eleitas as melhores do mundo pelo World Beer Award, prêmio considerado o Oscar da cerveja.

Início do evento

Amigos, hoje estamos na casa maravilhosa e aconchegante dos amigos Vitor e Marcela e vamos provar um frango assado na brasa que é especialidade dele:

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O segredo é deixar o frango marinando por 4 horas com limão tahiti, limão siciliano, cerveja preta, suco de laranja e whiskey (pode ser Scotch ou Bourbon).

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Enquanto o frango é assado, vamos apreciar uma deliciosa witbier:

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Cerveja muito agradável e fácil de beber! Sente-se o aroma da casca de laranja e da semente de coentro sem destoar dos outros. Cerveja bem equilibrada!

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Essa segunda já foi alvo de review no nosso blog (link).

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Essas cervejas harmonizaram bem com alguns queijos como provolone e emmental e com umas deliciosas bruschettas preparadas pelo Vitor com pão de milho:

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Vinhos de escolha

Normalmente um frango na brasa harmoniza muito bem com um vinho tinto como o pinot noir, mas o desafio lançado foi que a harmonização deveria ser feita exclusivamente com vinhos brancos ou rosés.

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O primeiro vinho é um corte chileno feito majoritariamente com a cepa chardonnay com um pouco de pinot blanc e pinot grigio. A denominação reserva garante a esse vinho um estágio de médio prazo em barricas de carvalho.

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O segundo vinho é simplesmente magnânimo por ser produzido por uma bodega de muito prestígio no Chile e por receber classificação máxima de qualidade. O selo Gran Reserva indica não apenas longo tratamento e envelhecimento em barricas de carvalho mas também utiliza-se uvas de primeira qualidade (caso alguém queira entender mais sobre a diferença entre reservado, reserva e gran reserva clique aqui).

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O terceiro e o quarto são rosés franceses originários da região de Provence. Eles são um assemblage de várias uvas (Cinsault, Grenache, etc).

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E como guarnição temos uma batata recheada com queijos.

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Dessert

Após o frango maravilhoso temos ainda uma sobremesa deslumbrante feita pela Marcela:

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E para harmonizar com ela temos dois vinhos de sobremesa: um argentino e outro da África do Sul.

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Conclusão

Vitor e Marcela, acredito que não foi apenas minha opinião mas de todos os amigos da confraria de que foi o frango assado mais gostoso que já comi na vida. Foi um prazer muito grande esses momentos com vocês! Confesso que fiquei meio incrédulo a princípio sobre se a harmonização daria certo e, mais uma vez, fui surpreendido! Recomendo cada um dos vinhos desse post. Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

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Don Melchor, o melhor vinho chileno e a churrascaria Vento Haragano

“Nunca fiz amigos bebendo leite, por isso bebo vinho.” Silas Sequetin

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Introdução

Amigos, hoje o post será o cumprimento de uma promessa que eu fiz num post anterior sobre poder degustar o melhor vinho do Chile e, sem perda de generalidade, o melhor Cabernet-Sauvignon do mundo. Já falei várias vezes que essa denominação de o melhor do mundo é relativa mas, em questão de Qualidade, o Don Melchor é praticamente imbatível. Quero agradecer ao meu pai por ter feito a gentileza de ter trazido esse vinho lá da Concha Y Toro para mim e ao meu amigo Rafael Campos por ter trazido de Cuba um presente muito especial para mim: um charuto cubano Cohiba.

Vinhos de escolha: Don Melchor 2013 e Marquês de Casa Concha Cabernet Sauvignon

O Don Melchor é um vinho muito difícil de ser consumido aqui no Brasil devido ao seu alto preço. No post do Spettus Boa Viagem eu falei que, no restaurante, ele estava sendo vendido por R$800. Pela Internet é possível encontrá-lo por cerca de R$600. Já na Concha Y Toro ele custa R$300. Ou seja, se você tiver vontade de degustá-lo, não o compre no Brasil. Meu pai me deu esse presente maravilhoso.

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Abaixo temos uma lista de premiações que ele recebeu:

  • Don Melchor 2008: 94 pontos. Wine Spectator Octubre 2012.
  • Wine Spectator: 94 pontos (2011).
  • Robert Parker 95 pontos (2010).
  • Wine Spectator: 95 pontos (2010)
  • Top 10 vinhos de 2014 = Nono Lugar!
Don-Melchor
Fonte:http://www.conchaytoro.com

No aplicativo do vivino ele recebe a oitava colocação como o melhor vinho do mundo. Don Melchor é a expressão máxima da uva Cabernet Sauvignon no Chile! Estamos diante de uma lenda viva. Abaixo eu vou deixar uma entrevista muito bacana no youtube com o enólogo responsável por este vinho tão maravilhoso. Nela pode-se ver a plantação das uvas e o Enrique Tirado explica como é possível termos um vinho dessa qualidade. Vale a pena conferir:

https://www.youtube.com/watch?v=4jqmODTcXks

Para degustarmos um vinho dessa qualidade precisamos também de um lugar à altura: churrascaria Vento Haragano. Eleita como uma das melhores de São Paulo e do Brasil.

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Outro ponto que eu considero o mais importante é saber se realmente há uma diferença concreta e real entre um vinho considerado premium e um top como esse. Por isso vamos comparar o Don Melchor com o vinho o qual eu o considero o melhor custo benefício no Brasil: o Marquês de Casa Concha Cabernet Sauvignon. Já degustamos esse vinho no post da lagosta e caviar.

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Tomemos então nossos vinhos e partamos para o restaurante.

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Chegada ao restaurante e harmonizações

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O Vento Haragano fica localizado na avenida Rebouças. É muito legal ir ao estabelecimento pois o clima é realmente do Rio Grande do Sul: pessoas bonitas e todos os atendentes, garçons, recepcionistas e gerentes vestidos a caráter (com a pilcha gaúcha). Parece que estamos indo para um fandango de alto nível!

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A recepção e o atendimento do restaurante é bem acima da média. Os dois sommeliers da noite Alcyr e Tiago muito profissionais e competentes nos deram muitas dicas de valor que agregou bastante.

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Primeiro o Don Melchor:

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Depois o Marquês de Casa Concha (após tomar água):

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Uma comparação entre os dois juntos: o da direita é o Don Melchor

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A diferença entre eles é clara e perceptível. Não chega a ser um absurdo mas percebe-se realmente a superioridade de um para com o outro. Enquanto no Marquês de Casa Concha há a presença clara de frutas negras e vermelhas como amoras, cerejas e ameixas, no Don Melchor esses aromas se acentuam parecendo uma compota de frutas. É fantástico poder ver essa diferença tão clara. A acidez presente no Marquês de Casa Concha se suaviza no Don Melchor. Ela perde um pouco a “aspereza”. Outro ponto fantástico é que eu pude entender na prática o que significa taninos redondos. No Don Melchor os taninos são muito suaves e o vinho desce como uma pomada (como dizem os portugueses), já no Marquês de Casa Concha percebe-se que eles ainda encontram-se rústicos e eles “agridem” mais a boca. Maravilhosa Experiência.

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Todas as carnes da casa são fantásticas, mas a costela premium é a mais gostosa que eu já comi na vida.

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A fraldinha (vazio) deles também é espetacular:

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A paleta de cordeiro:

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O assado de tira

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A alcatra

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Carré de Cordeiro

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Tambaqui

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Picanha perfeita

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Paralelamente a isso o Alcyr me convidou para conhecer a adega da casa e me mostrou rótulos realmente lendários custando mais de R$15 mil reais (Romanée Conti, Petrus, etc).

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Esse custa mais de R$10 mil:

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Aqui é o lendário Vega Sicília Espanhol, custando pouco mais de R$16 mil

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O lendário Château Mouton-Rothschild custando R$17 mil

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Mas talvez a maior preciosidade da casa seja esse aqui trazido pelo Papa ao Brasil. Um dos vinhos mais raros do mundo.

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Para terminar o jantar vamos repetir a dose do Spettus Boa Viagem: Baileys Frappe

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Charuto Cohiba com Cognac Francês

Amigos, a noite foi maravilhosa, porém ainda não tinha terminado ali. Ao chegar em casa vou experimentar o melhor charuto do mundo que meu amigo Rafael Campos trouxe como um presente de sua última viagem a Cuba. E nada mais perfeito para harmonizar do que um legítimo Cognac francês.

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Conclusão

O Vento Haragano é um excelente restaurante que possui as melhores carnes que eu já comi na vida. O atendimento também é sensacional, recomendo com empenho. Possuo apenas três críticas: o preço é muito acima da média, o buffet não é muito variado e ele não possui carnes nobres como faisão ou avestruz. Tirando esses três pontos o restaurante merece nota 10, vale a pena conhecer. Sobre o vinho Don Melchor foi uma experiência maravilhosa porém não a repetiria pois a diferença entre ele e o Marquês de Casa Concha não chega a ser suficiente para pagar 7 ou 8 vezes mais nele. Recomendo porém tomar uma única vez na vida para conhecer essa lenda.

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Paleta de cordeiro com batatas aos murros, vinhos do douro e pinot noir californiano com queijo Serra da Estrela

“O vinho é o mais notável de todos os remédios; onde falta o vinho, os remédios se fazem necessários”. Livros do Talmud (500-400 a.C.)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será muito especial devido ao fato de que iremos desbravar o mundo português tanto da culinária quanto dos vinhos. Iremos falar sobre o queijo mais gostoso que eu já comi na vida e de mais assuntos afins como um excelente pinot noir da Califórnia. Para facilitar o entendimento, abaixo temos a foto do mapa de Portugal com suas regiões vínicas:

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Apéritif

De modo a não perdermos o costume do nosso blog, começaremos falando sobre 3 cervejas muito gostosas e recomendadas: goose island honkers ale, a hofbräu e a eisenbahn weizenbier.

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Essa, junto com a delirium tremens, é uma cerveja altamente agradável e fácil de tomar. Muito encorpada e dotada de aromas extremamente frutados. Excelente standard bitter.

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Essa é o tipo de cerveja que dispensa apresentações. Refrescante, levemente amarga e picante, ela apresenta baixa fermentação e é produzida de acordo com a Lei de Pureza de 1516. A cervejaria Hofbräu pertence à prefeitura de Munique e, nos seus mais de 400 anos de existência, sempre foi a cerveja oficial da Corte Real Bávara. Ela também possui, no coração de Munique, a maior choperia do mundo – o Hofbräuhaus – que recebe 1,2 milhões de visitantes por ano e onde são servidos aproximadamente 5.000 litros de chope por dia.

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Essa terceira é um exemplo de que é possível no Brasil comprar cervejas baratas (aproximadamente R$7 a long neck) com uma qualidade considerável.

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Nossa primeira degustação começará com um vinho feito com uma das uvas brancas mais icônicas de Portugal: a Alvarinho, a qual é prima direta da Albariño Espanhola que é responsável pela perfeita combinação com a paella de frutos do mar (post em breve).

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Essa uva produz um vinho com um aroma muito fino porém austero e elegante com notas cítricas e minerais com pouca fruta. Bom nível de acidez e frescor. Já o segundo vinho é um corte clássico do douro: Malsavia Fina, Gouveio e Rabigato.

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Esse é um vinho que também possui notas minerais e florais porém, ao contrário do anterior, é bem frutado e apresenta aromas claros de frutos brancos como pêra e maçã.

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Queijo Serra da Estrela

Como primeira degustação iremos provar um queijo português cremoso de cabra conhecido como Queijo Serra da Estrela. Ele recebe esse epíteto porque são produzidos nos arredores da Serra da Estrela. Ganhador de diversos títulos é, de longe, o queijo mais gostoso que já provei na vida.

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O queijo harmonizou de forma perfeita com o vinho da casta Alvarinho.

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Todo o momento também foi embalado pela trilha sonora da fadista mais conhecida de Portugal da atualidade: Carminho.

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Caso alguém queira o link para o cd dela no youtube vou deixar aqui em baixo:

https://www.youtube.com/watch?v=u8NkR2csotg&t=775s

A segunda entrada também foi perfeita: Pêra ao vinho com molho de queijo Gorgonzola:

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Apesar dele ter harmonizado com o vinho Quinta da Pedra Alta, ele ficou ainda melhor com um vinho do Porto:

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Harmonização com a paleta de cordeiro com batatas aos murros

É realmente muito difícil ganhar de uma boa carne de cordeiro. E melhor do que ela é ela mais um bom vinho do Douro:

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O Encostas do Tua 2012 é um vinho excelente possuidor de aromas frutais e taninos bem redondos. Na boca podemos perceber a presença de especiarias também.

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Outro vinho que participou da degustação também foi o Redwood Creek Pinot Noir da Califórnia. Ele é um vinho muito agradável e parecido com o búlgaro da Soli do post anterior.

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Dessert et Digestif

Após os pratos maravilhosos temos ainda alguns doces genuinamente portugueses: O pastel de nata ou de Belém e o pastel santa clara. Ambos obtidos na casa rancho português.

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E para completar a degustação teremos um dos melhores vinhos do porto da atualidade: Sandeman Late Bottled Vintage.

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Ele é um tipo de vinho do porto especial porque leva mais tempo envelhecendo e apurando do que os vinhos do porto tradicionais.

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Conclusão

Depois dessa experiência passei a entender que Portugal e sua cultura devem ser um sonho pois tudo parece muito surreal!

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Vale do São Francisco, Bulgária, Alentejo e o Melhor Uísque do Mundo

“O vinho tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e filosofia.” Bossuet

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Introdução

Olá amigos, acho que a coisa que mais gosto do nosso blog é o fato de não haver preferências ou qualquer tipo de preconceito quanto à origem dos vinhos mostrados aqui no Blog. Falamos desde os vinhos Brasileiros passando pelos americanos e também dos Neozelandeses. Hoje o nosso post será um mix de dois encontros maravilhosos que participei: uma visita que fiz ao meu tio Rômulo em Recife e uma segunda visita a familiares em São Paulo. Na primeira visita tive a oportunidade de degustar esse que é o melhor uísque do mundo: o Macallan junto com um maravilhoso vinho Pernambucano da vinícola Rio Sol. Na segunda visita tivemos queijos e churrasco com vinhos Búlgaros e um Português da região do Alentejo.

Recife

Antes de ir à casa do meu tio, resolvi escolher um vinho de uma vinícola o qual há muito desejava apreciá-la: Rio-Sol. Os vinhos dessa vinícola já se encontram disponíveis em cartas de bons restaurantes como, por exemplo, o La Casserole do post anterior. Como primeira degustação, escolheremos um bom exemplar: Rio Sol Reserva 2014. E muito em breve teremos no nosso blog um post específico sobre o vinho top de linha da Rio Sol: Paralelo 8. Eleito um dos 3 melhores vinhos tintos do Brasil.

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Para mim sempre foi uma incógnita sobre como é possível se produzir bons vinhos num lugar tão quente quanto o sertão Pernambucano. A resposta para essa incógnita está no uso de tecnologia israelense. Através de técnicas de irrigação consegue-se simular um ambiente e temperaturas propícios para o bom desenvolvimento das cepas. A vinícola Rio Sol está localizada no Vale do São Francisco, na cidade de Lagoa Grande, em Pernambuco. Ela produz vinhos e espumantes, cujos rótulos vêm, cada vez mais, conquistando prêmios nacionais e internacionais.

A empresa pertence a Global Wines, com sede na região do Dão, em Portugal, produtora de vinhos reconhecida no mercado mundial pelo dinamismo e inovação, com grande diversidade de rótulos premiados entre os melhores da Europa. O enólogo português João Antônio Santos é um homem muito visionário que, em menos de 10 anos, conseguiu produzir no semi-árido nordestino um vinho de excelente qualidade. Abaixo eu quero deixar um link para um vídeo de uma entrevista com ele. No youtube também é possível encontrar várias delas.

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Link para a entrevista:

https://www.youtube.com/watch?v=_V_gIa9vOic&t=712s

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Esse é um vinho muito bom produzido com o corte de várias uvas: 40% Cabernet Sauvignon / 30% Syrah / 30% Alicante Bouschet. Também muito frutado e aromático. Vale a pena conferir. Como segunda degustação da noite temos um vinho francês Sainte Eugenie (Récolte La Réserva 2015).

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Vinho muito frutado, floral e aromático com presença forte de framboesas.

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Estes vinhos acompanharam muito bem queijos e petiscos como amendoim, azeitona, etc.

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O melhor uísque do mundo

Já tivemos a oportunidade aqui no blog de degustarmos a melhor cachaça do mundo e agora teremos a oportunidade de conhecermos este que é o melhor uísque do mundo: O Macallan. Entendo perfeitamente que esses títulos de melhor do mundo não são unânimes e depende também do gosto individual de cada um, mas no caso da cachaça Anísio Santiago e do Scotch Macallan, a quantidade de autoridades no assunto dando a eles essa devida alcunha é muito grande. A revista Forbes é uma delas que o declarou como tal. Ele recebe o epíteto de o “Rolls-Royce” do Whiskey.

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Para degustarmos essa obra de arte não podemos utilizar qualquer tipo de copo. Ele pede um exclusivo:

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Participou também desse momento singular nosso amigo das crônicas saxônicas de Bernard Cornwell Uhtred Ragnarson:

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Meus sinceros agradecimentos ao meu tio Rômulo por ter me proporcionado uma noite tão agradável não apenas com boas bebidas, mas também com uma excelente conversa!

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São Paulo

Antes da visita aos meus amigos Jéssika e Lucas, gostaria de mostrar uma cerveja fantástica japonesa: a Sapporo. Pra quem é fã de um estilo pilsen com lúpulos suaves, recomendo essa cerveja fortemente. É encorpada e ao mesmo tempo suave de beber! Possui também a lata mais bonita que eu já vi numa cerveja.

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Antes de começar o churrasco, nada como uma boa cerveja pilsen puro malte:

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Assim como o caso da região do Vale do São Francisco, teremos hoje também 2 vinhos búlgaros: Pinot Noir e um corte da bodega Soli. Sei que, quando pensamos em vinho, nunca vem ao pensamento a Bulgária, mas é de se espantar a boa qualidade da bodega.E, assim como o caso da Rio Sol que possui origem portuguesa, a Soli também possui origem européia (italiana). O seu proprietário Edoardo Miroglio viu na região do Vale dos Thraces na Bulgária uma região em potencial e fundou sua vinícola, de 200 hectares, em Elenovo em 2000.

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São vinhos de excelente custo-benefício. Muito frutados e florais.

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O pinot noir combinou muito bem com os queijos Gouda, Emmental e Gorgonzola:

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O estilo Bordeaux (Cabernet-Sauvignon com Cabernet-Franc) combinou muito bem com o churrasco de Picanha, Linguiça toscana e Costela:

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E por fim, temos um português muito saboroso: Farizoa. Esse é um dos exemplos de que, se alguém quiser conhecer um vinho característico da região do Alentejo em Portugal, pode arriscar com esse exemplar sem medo de errar.

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Conclusão

Meus sinceros agradecimentos a todos os meus amigos e familiares que me proporcionaram momentos tão aprazíveis como esse. Cada uma das bebidas e comidas citadas nesse post são altamente recomendáveis.

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Peru de Natal, Ceia com Pinot Noir e Espumantes Nacionais

“O bom vinho alegra o coração dos Homens” Sagradas Escrituras

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Introdução

Olá amigos, hoje farei um breve post apenas com dicas sobre espumantes nacionais e um bom vinho relativamente barato para combinar com a ceia de Natal. Em breve farei um post sobre a festa do Réveillon.

Vinho de escolha: Pinot Noir Ventisquero Reserva 2015

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Já falamos aqui no nosso blog sobre a alta qualidade e o bom custo benefício da bodega Chilena Ventisquero. Logo, nossa opção será por ela: aproximadamente R$50.

Harmonização

Hoje teremos 3 pratos para nossa harmonização: Peru, Lombo com farofa de Bacon e molho de laranja e maionese com batata e galinha defumada.

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Para petiscar temos um queijo delicioso muito vendido nessa época natalina no nordeste: Queijo do Reino.

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Abaixo temos exemplos de vários bons espumantes nacionais do vale do São Francisco:

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E para quem gosta de uma versão um pouco mais adocicada temos um do tipo moscatel. Uva que se adaptou perfeitamente no clima semi-árido nordestino.

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Conclusão

A moral da história é que o Brasil possui excelentes opções de espumantes tanto na região de Bento Gonçalves quanto no Vale do São Francisco. Não precisa gastar uma fortuna para aproveitar um bom Natal. Feliz Natal e um Maravilhoso Ano Novo Para todos com a Graça do nosso bom Deus!!

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Como um vinho é feito?

“O Conhecimento e a educação sensorial apurada podem obter do vinho prazeres infinitos.” – Ernest Hemingway (Death in the Afternoon)

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Introdução

“Degustar é beber prestando atenção, é aplicar um critério, um crivo”. Essas foram as palavras através das quais eu desenvolvi o segundo post do blog (Como degustar um vinho) e, conforme elas, a qualidade de uma degustação está intrinsecamente ligada à quantidade e à qualidade de critérios e informações que o degustador possui em relação ao vinho de escolha. Por qual motivo alguns vinhos possuem aromas de tabaco e baunilha enquanto outros não? Por qual motivo um vinho produzido com a mesma uva e com o mesmo processo de fabricação é completamente díspar de outro vinho produzido em um lugar diferente? Todas essas informações só podem ser respondidas através do conhecimento do processo de fabricação de um vinho. Falaremos também da diferença de produção dos vinhos tintos, brancos, rosés, do porto, etc. Só não falaremos nesse post dos champanhes e espumantes pois, para isso, haverá um post específico em breve. Embarquemos então nessa jornada magnífica!

1. Cultivo

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Fonte:https://chaoswallpapers.com/

Embora os 7 passos descritos acima sejam todos muito importantes na produção de um bom vinho, nenhum deles é tão primordial quanto o primeiro. O vinho é um alimento e, como tal, não importa o quão bom seja o cozinheiro se os ingredientes são de qualidade duvidável. Aprendi com um francês amigo meu essa inesquecível frase: “Le secret d’une bonne nourriture sont les ingredients, ça veut dire que si tu cuisines la merde, le résultat sera une merde!!!”. Logo, todos os vinhos de altíssima qualidade do mundo todo possuem o diferencial de serem uvas de altíssima qualidade: isto é condição sine qua non. O assunto é tão importante que, de maneira genérica, um enólogo no fundo é um agrônomo, pois boa parte do curso é só sobre a agronomia.

Vitis Vinifera

É a variedade que produz vinho. Existem mais de 5000 espécies conhecidas (cabernet sauvignon, chardonnay, zinfandel, etc) e ela é originária da região mediterrânea, Europa Central e sudoeste asiático, do Marrocos a Portugal, do norte ao sul da Alemanha e a leste da parte norte do Irã.

Mas Pedro, é possível fazer vinho com aquelas uvas que eu encontro pra vender no supermercado? Sim, existem vários vídeos na internet e artigos escritos falando sobre como você fazer isso em casa. A única questão é que não será um bom vinho, pois a uva vinífera apresenta aspectos diferentes da uva de mesa vendida no supermercado: acidez, dulçor, espessura da casca diferente, etc. O raciocínio é o mesmo da pipoca: se ela é feita de milho significa dizer que posso fazer pipoca com qualquer tipo de milho? Não, pois o milho que estoura tem uma concentração maior de água no seu interior do que os outros. Ou a lógica da batata frita: posso fazer batata frita com qualquer batata? Sim, porém ela não vai ficar tão boa quanto a do Mc Donalds ou Outback porque, fora o processo de fabricação, ela é feita de uma espécie específica.

O que é o terroir?

A palavra terroir vem do Francês e significa não apenas o pedaço de terra com solo próprio para a vinicultura como também suas características geológicas, topológicas e climáticas. Ele é, sem sombra de dúvidas, o elemento mais importante do processo de produção de um vinho. No quarto post eu citei o exemplo da Malbec, que existia há séculos em Bordeaux junto com os melhores enólogos do mundo e não produzia vinhos bons, mas a mesma uva tornou-se famosa no mundo dos vinhos após o encontro com o terroir de Mendoza. Olivier Poussier (eleito o melhor sommelier do mundo em 2000)  possui uma frase célebre sobre o papel do terroir na elaboração de um grande vinho:

Um grande vinho é uma conjugação de complexidade, finesse, equilíbrio e persistência que propicia grande prazer ao degustador. Com o tempo, ele deve ganhar em sabores e aromas. Sua grandeza de expressão provém mais de seu terroir do que sua cepa e/ou de sua safra. Não há grande vinho sem um homem que, por seus conhecimentos sobre o terroir, saiba revelar toda a sua quintessência.

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Olivier Poussier

A vinha possuirá o sabor e aroma específicos do seu terroir.

Necessidades da vinha

               De um modo geral, pode-se dizer que a vinha precisa dos seguintes elementos:

-Boas condições climáticas

 1- Temperaturas médias entre 10 ᵒC e 25 ᵒC (temperaturas baixas ou altas demais interrompem o seu crescimento)

2- Pluviosidade moderada de 500 a 700 mm por ano (muita água vai acarretar bagas grandes com muita água e pouco açúcar

3- Pouco vento

-Bons solos

1-Pouco férteis: uma pérola é formada dentro de uma ostra quando ela sofre devido a um distúrbio, e da mesma forma é com a uva: ela precisa “sofrer” pela pobreza do solo de forma a produzir um vinho de qualidade. Com um solo pobre, as raízes tornam-se mais profundas e isso permite a vinha obter o máximo de minerais.

2-Drenagem adequada: esse fator vai depender de cada uva, cada tipo pede um solo mais ou menos permeável.

Altitude adequada

Embora seja possível produzir bons vinhos em terreno plano, a maioria das uvas se adapta melhor em planaltos com altitude moderada. Isso se dá porque nestes locais os dias são bastante ensolarados e as noites são bem frescas, originando uma grande amplitude térmica e que permite à vinha o desenvolvimento de todo seu potencial.

2.Colheita

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O momento exato para a vindima irá variar dependendo do tipo de uva e região, mas ela ocorrerá quando o nível de açúcar na uva chegar ao seu máximo e estagnar. Ao mesmo tempo em que o nível de acidez diminui até ao seu ponto ideal e ali permanece.

3.Desengaçamento

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Imediatamente após a colheita, a uva é posta numa máquina responsável por separar as uvas dos cachos antes delas serem prensadas.

4.Prensa

Essa, junto com a etapa da fermentação serão o ponto que irá definir se o vinho será branco, tinto ou rosé. No caso do vinho branco, logo após o desengaçamento, as uvas são prensadas e filtradas de forma que, apenas o caldo, o “suco” delas é posto para fermentar, com a ausência de qualquer casca. No caso dos vinhos tintos, as uvas são prensadas e deixadas para fermentar junto com as cascas. Se esse tempo de contato com as cascas é curto, surge o vinho rosé.

Nos primórdios a prensa era feita pisando as uvas com os pés:

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Fonte:https://allartsgallery.com/

Logo após evoluiu-se para a prensa mecânica:

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Mas hoje usa-se uma prensa do tipo pneumática (um balão interno se expande esmagando as uvas contra a parede do tanque):

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Após o esmagamento das uvas ou da extração do suco delas (no caso do vinho branco), esse sumo é levado para tanques de fermentação (geralmente de aço inox) onde ficam por cerca de 2 a 3 semanas com a temperatura deles sendo controlada.

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Fonte:https://papodevinho.com/

É nessa etapa que vão surgir boa parte dos aromas que vemos nos vinhos (groselha, mirtilo, cereja, etc) devido à ação das leveduras degradando os açúcares e transformando-os em álcool e resíduos. A mais famosa das leveduras é a saccharomyces cerevisiae, responsável pela produção da cerveja e dos pães.

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É importante lembrar que a própria casca da uva já possui essas leveduras, porém pode-se manipular o resultado final de um vinho fazendo-se uso de porções adicionais delas.

Após essa etapa da fermentação, esse mosto é filtrado e o resultado já pode ser considerado vinho. Aqueles vinhos reservados que você encontra no supermercado e os compra por R$30 reais é exatamente esse produto: um vinho novo sem nenhum tratamento adicional.

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Mas o que são aqueles “vinhos” ditos “suaves” baratos que encontramos no supermercado?

São feitos com o refugo do mosto e adição de açúcar. Após o vinho ser filtrado, o mosto resultante é prensado em uma extração final e acrescenta-se um pouco mesmo do vinho junto com açúcar e outros ingredientes.

6.Envelhecimento

É nessa etapa que o vinho vai ser sofisticado. A permanência dele no barril de carvalho é que vai definir os aromas “complexos” que percebemos em boa parte dos bons vinhos: baunilha, madeira e tabaco (porque o barril de carvalho recebe tratamento com fogo antes de ser utilizado).

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O tempo de amadurecimento no barril pode durar de 6 meses até 2 anos em alguns casos. É daí que vem a diferença entre os títulos reserva e gran reserva: o tempo em que cada vinho permanece dentro do barril de carvalho. Na Europa esse tempo é padronizado, mas nos países do novo mundo como o Chile cada produtor determina o que é reserva ou gran reserva.

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Fonte:https://casillerodeldiablo.com/
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Fonte: https://mochilandoroots.wordpress.com/

7.Engarrafamento

Et voilá, após o vinho ser colocado na garrafa e enrolhado ele está pronto para ser consumido, o que não significa que ele possa ainda “apurar” mais no caso de um vinho de guarda ou transformar-se em vinagre no caso um vinho simples, de mesa. Vale a máxima:

“O sonho de todo vinho é transformar-se em vinagre!”

Conclusão

O assunto é bem complexo e há muitas lacunas que criei no meu artigo, porém é necessário compreender que fazer um vinho resume-se a 4 coisas:

1-Esmagar as uvas

2-Deixá-las fermentar

3-Filtrar o mosto e engarrafar a bebida ou

4-Deixá-la envelhecendo num barril de carvalho antes de engarrafá-la

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Fonte: https://crowdact.com/

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Tannat, Uruguai e Parrilla

“No que se refere a vinho, sempre recomendo que se joguem fora tabelas de safras e manuais investindo num saca-rolhas. Vinho se conhece mesmo é bebendo!” – Alexis Lichine

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Fonte: http://blog.phileaswineclub.com/

Introdução

Após termos falado sobre Chile, Argentina e Estados Unidos, o próximo destino de nossa viagem será o Uruguai. Vimos também que praticamente todo país do novo mundo possui uma uva emblemática: a Zinfandel nos Estados Unidos, a Malbec na Argentina e a Carmenère (falaremos sobre ela ainda) no Chile. A casta que representa o Uruguai é essa magnífica uva que iremos tratar nesse post: Tannat.

História

Na história das uvas vimos que a Malbec era conhecida como o patinho feio e recebeu seu nome devido ao seu gosto ruim. A tannat por sua vez pode ser considerada como a irmã da Malbec, pois ela também era rejeitada na França devido à alta quantidade de taninos. Muitas pessoas acham que a Tannat é originiária do Uruguai mas ela é da região de Madiran, ao sul da França.

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Fonte: http://accents-terroirs.com/

Acredita-se que a Tannat foi trazida para o Uruguai por imigrantes bascos no século XIX. Por volta do ano de 1870 um imigrante basco, Pascual Harriague, formou os primeiros vinhedos de Tannat em Salto, noroeste do país. Hoje, o Uruguai já produz vinhos dessa uva com qualidade igual a dos vinhos chilenos, argentinos, franceses, etc.

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Fonte: http://viveruruguay.com/

Características da Tannat

A tannat é uma casta muito singular pois ela se encontra provavelmente como a uva vinífera conhecida mais tânica. Vimos no segundo post que os taninos produzem uma adstringência grande num vinho e, caso não sejam tratados, amargor:

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Fonte: http://winefolly.com/

Tem um ditado que diz que para tomar um vinho dessa possante uva é necessário estar munido de um martelo e uma bigorna para poder aguentar a “pancada” desses vinhos tão austeros e rascantes mas, ao mesmo tempo, estruturados, encorpados e intensos.

Ela também faz parte da família dos vinhos tintos frutados, ou seja: vai apresentar vários dos aromas presentes nos vinhos que já vimos por aqui como o cabernet-sauvignon, malbec, zinfandel, etc.

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Fonte: http://br.pinterest.com

Aromas claros de cassis, cerejas, ameixas, goiaba, amora, mirtillo. Aromas secundários de côco, baunilha e tabaco devido ao envelhecimento no barril de carvalho.

Harmonização

Conforme falei no post da malbec, quando se pensa em churrasco logo surge a idéia de combiná-lo com a uva malbec. Não tiro nenhuma razão desse pensamento, mas acredito que ele surge também devido ao pouco conhecimento da uva Tannat, pois ela é perfeita com gordura devido aos seus fortes taninos. Mais especificamente, a perfeição da harmonização é alcançada junto com o famoso churrasco Uruguaio: Parrilla (Pronuncia-se Parrija no Uruguai). Ele consiste basicamente num conjunto de várias carnes, verduras e miúdos feitos na lenha ao mesmo tempo.

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Fonte:http://www.osul.com.br/

Um breve comentário: antes que alguém me critique dizendo que minha Parrilla é incompleta, vou explicar de antemão que a farei apenas com as carnes e legumes que me apetecem e usarei carvão ao invés de lenha por falta de churrasqueira específica para o uso dela. Numa Parrilla autêntica feita no Uruguai teríamos mais opções de carnes e miúdos: pimentão verde, amarelo, vermelho, chorizo (linguiça preta feita do sangue do porco), intestino de boi, etc.

Bife de ancho e de chorizo:

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Picanha:

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Bife de tira angus:

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Apenas colocaremos sal e pimenta:

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Para a parrilha, iremos usar também legumes:

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Para temperar os legumes iremos utilizar o molho chimi-churri:

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Para prepará-lo, usaremos duas colheres de sopa de água, duas colheres de sopa de vinagre, duas colheres de sopa de azeite e sal.

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Enquanto esperamos a parrilla, o aperitivo será com a cerveja Budweiser e amendoim. Ela é uma excelente cerveja apesar de não ser puro malte (ser feita apenas com cevada, seguir a lei de pureza de 1516 da Baviera).

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Vinho de escolha: Río de los Pájaros, família Pisano 2013

Na opinião de especialistas do vinho como Jancis Robinson e Steven Spurrier, a bodega Pisano é a melhor produtora do Uruguai e produz os melhores vinhos Tannat do mundo. Também ele não é um vinho tão caro (na faixa de R$ 70 reais). Logo nossa escolha será por ele.

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Conclusão

Realmente o vinho apresenta uma qualidade muito acima da média com aromas complexos como o da madeira comprovando o fato de que o Uruguay também produz vinhos tops. A minha opinião pessoal sobre a tannat é que ela só combina mesmo com muita gordura, devido à sua “pancada” de taninos. É um vinho bem austero, difícil de tomar, o exato oposto da primitivo, por exemplo. Gostei da experiência e da combinação mas definitivamente a tannat não faz parte das minhas uvas preferidas.

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História e tipos de copos ou “taças” de vinho

“Uma descrição assaz polida do mais horrível dos vinhos é ‘interessante’ – Hubrecht Dujke

Vou começar esse post com o logo da linha spicy da Spiegelaus pois, como falei no primeiro post, apesar de existir dezenas de bons produtores de taças, a Spiegelaus é uma marca consagrada historicamente por sua qualidade.

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Etimologia

Qual o nome correto: copo ou taça de vinho? Examinando essa questão em suas minúcias pode-se chegar à conclusão que, no Brasil, ambos os nomes estão corretos. A palavra taça vem do francês tasse que significa caneca (de café, de chope, etc), que por sua vez vem do árabe vulgar Tasâ. Provavelmente esse nome associou-se ao vinho porque na idade média era comum o consumo em canecas nas tavernas, como ocorria com a cerveja. Na França o correto é verre du vin, que significa copo de vinho. No inglês também se usa copo de vinho: wine glass. Em alguns livros técnicos sobre vinho, como o Larousse do vinho o nome correto para o português é copo de vinho. Logo, sinta-se à vontade para usar copo ou taça.

História

Nos primórdios da civilização humana, aproximadamente na era do bronze, a cultura argárica (no sudeste da Espanha) realizou as primeiras taças com argila cozida como parte de enxovais funerários.

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Na antiguidade clássica entre os gregos, romanos e fenícios era comum o uso de uma única taça para toda a família ou entre uma roda de amigos, que se colocava na metade da mesa para uso de todos. Devido ao seu alto preço, somente as famílias ricas podiam permitir-se uma, normalmente de luxo e muito pesada. Na Grécia antiga essas taças eram chamadas de kylix.

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Esse ato de beber comunitariamente era algo muito comum como podemos ver numa das cenas mais icônicas da humanidade: Jesus e seus doze discípulos na santa ceia, ato este repetido até hoje por muitas igrejas. Foi nesta cena que se popularizou o mito do Santo Cálice (ou Santo Graal, Holy Grail), a mística taça que Jesus Cristo teria usado na Última Ceia e a que se atribuem poderes sobrenaturais, tais como curar as enfermidades ou conceder a vida eterna. Mito este altamente explorado em livros como o código da Vinci ou filmes como Indiana Jones e a última cruzada.

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E foi essa cena coletiva que caracterizou o consumo de vinho durante a idade média, pois ele era algo muito limitado a comemorações religiosas na igreja. Nessa época o material usado nas taças era metal (principalmente prata).

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Somente na idade moderna é que o vidro começou a fazer parte do universo vinícola, apesar das descobertas de técnicas de sua fabricação e manuseio datarem de antes de Cristo. As cidades italianas tomaram à frente na fabricação do vidro em fins da idade média; no século XV, com a descoberta do cristal, e com a utilização do chumbo pelos ingleses, os recipientes para a degustação do vinho ficaram mais transparentes e menos grossos.

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Na França, a origem de algumas taças estava na necessidade de cada região: em Borgonha foram criadas taças mais abertas e amplas para os tintos, já em Bordeaux, foram criadas com características contrárias a estas. E assim começa o desenvolvimento das taças que possuímos atualmente.

Tipos específicos de taças para determinados tipos de vinho

Conforme falei no segundo post, o gosto de uma bebida é o conjunto de sabor mais aromas e mais sensações, logo a escolha do copo ideal é primordial para uma boa degustação. É fato que o mesmo vinho degustado em copos de formatos diferentes não tem o mesmo gosto.

Bordeaux

Como tenho falado desde o primeiro post, esse é o tipo de taça que qualquer pessoa deve ter, pois ela é a ideal para a grande maioria dos vinhos tintos. Eles necessitam de espaço para respirar (aerar), pois possuem aromas e sabores muito intensos. Por isso, a taça tem corpo grande, alongado, dando espaço para que se libere toda potência dos seus aromas. O formato também é ideal para que a bebida possa “girar” no copo.

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Borgonha

Os vinhos produzidos na Borgonha são mais complexos e concentrados em aromas que os da região de Bordeaux e são produzidos principalmente com a uva Pinot Noir. Portanto, as taças possuem um formato de balão (ou seja, com bojo maior do que as Bordeaux) para que haja mais contato com o ar. Além da Pinot Noir, também é ideal para que sejam apreciados vinhos Rioja tradicional, Barbera Barricato, Amarone, Nebbiolo etc.

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Vinhos brancos ou rosés

As taças são menores do que as para vinho tinto porque o vinho branco exige temperaturas de serviço mais baixas e, portanto, em um copo menor, permite menos trocas de calor com o ambiente. Os vinhos rosés são uma mistura (um meio termo) entre os brancos e os tintos: possuem os taninos dos tintos, mas os aromas dos brancos.

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Espumantes e/ou Champanhes

A taça original de champanhe (pode ser vista no filme sobre Edith Piaf: La vie em rose, por exemplo) pode ser considerada como pura fantasia no âmbito da degustação pois ela dissipa rapidamente os aromas e a espuma, perdendo assim as bolhas.

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Para um Champagne ou um espumante comum, a taça adequada é a que chamamos de flûte, ou flauta. Ela serve para que possam ser apreciadas as borbulhas de gás carbônico mais conhecidas com perlage. A taça fina também direciona a efervescência e os aromas para o nariz, enquanto controla o fluxo acima da língua, mantendo o equilíbrio entre a limpeza da acidez e a saborosa profundidade.

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Vinhos do porto

Os vinhos do porto são conhecidos por serem bem licorosos e doces, logo exigem um copo parecido com o de licor: pequeno porém bojudo e alongado.

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Água

O copo a ser usado para água pode ser livre em sua forma e matéria ou seja, qualquer um serve.

Conclusão

É importante perceber que não é necessário ter determinado tipo de taça para poder apreciar um vinho, porém uma específica para o tipo dele irá potencializar uma boa degustação. Segue-se uma foto das minhas taças.

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Malbec, Churrasco, Shangri-la e afins

A Vida é curta demais para beber vinho de má qualidade – Hubrecht Dujke

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Introdução

Depois do primeiro passo no mundo da enofilia (palavra formada da junção da palavra grega οἶνος (oinos, “vinho”) com a palavra φιλος (filos, “amor, apreço, afeição por”)) é hora de continuar peregrinando por essa jornada arrebatadora. E conforme falei no primeiro post, para nós brasileiros, a melhor opção custo-benefício para o consumo de vinhos encontra-se nos vinhos produzidos na América do Sul: principalmente Chile e Argentina; apesar de haver boas opções também no Uruguai e Brasil. Dito isto, a bola da vez é esta que é considerada como o ícone, a expressão máxima, o ponto clímax da enocultura argentina: a Malbec.

História

Se uma uva pudesse ser considerada como um personagem de romances, com certeza a história da Malbec seria lembrada como um exemplo de determinação, paciência e superação, pois na vida real a “Malbec” era considerada como o “patinho feio” das uvas. Diz a história que Malbeck era o nome do negociante húngaro de vinho que primeiro vendeu a uva t originária de Cahors para os produtores de Bordeaux. Descartando o “K” do nome, ela com isso ganhava uma origem muito mais próxima e um significado que a caracterizava, mesmo que de um modo que nenhuma uva gostaria de ser conhecida. Porque Malbec em francês quer dizer ruim de boca, ruim de bico, amarga, adstringente como uma banana verde.

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Não obstante a todas essas adversidades, a Europa sofreu com uma praga devastadora que chegou a dizimar boa parte dos seus vinhedos no fim do século XIX: a Filoxera. Ocorreram também fortes geadas que minaram quase que por completo a viticultura europeia, levando assim algumas décadas para se reerguer. Paralelamente a esses acontecimentos, a Argentina passava por uma época de ouro após o fim da Guerra do Paraguai e com seu novo presidente visionário: Domingo Faustino Sarmiento.

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Sarmiento tinha o grande sonho de tornar a Argentina um país com padrão europeu, logo apoiou bastante a imigração européia para o país e contratou o enólogo francês Michel Aimé Pouget, que levou para a Argentina diversos tipos de uvas, dentre elas a Malbec, que passou a ser cultivada  principalmente na região de Mendoza e se adaptou muito bem a essa região.

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O problema é que, enquanto seu vizinho Chile já produzia vinhos de excelente qualidade, os argentinos estavam ainda muito aquém e desconhecidos. Somente no final do século XX, na década de 90, ocorreu a grande revolução do vinho Malbec na Argentina, quando Nicolas Catena produziu o primeiro vinho 100% Malbec, maturado por 24 meses em carvalho francês.A qualidade do vinho foi tão absurda que venceu diversos concursos de degustações às cegas contra vinhos clássicos franceses e americanos. A partir daí a Argentina entra no panorama mundial como referência em vinho da uva Malbec. Daí vem a história de que a Malbec encontrou na Argentina a sua Shangri-la (Paraíso terrestre como criação literária de 1925 do inglês James Hilton, Lost Horizon)

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Aromas da uva Malbec

A malbec produz vinhos muito frutados, assim como o Cabernet Sauvignon, logo ela também apresentará vinhos com aromas de frutas negras e vermelhas.

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Three plums with leaves on white background.

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Contudo, no Cabernet-Sauvignon a cereja se sobressai enquanto que no malbec é a amora (blackberry). Outra característica também é que a malbec vai apresentar também aromas florais de violeta, por exemplo.

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E por último teremos também aroma de tabaco devido ao envelhecimento em barris de carvalho.

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Harmonização com vinhos da uva Malbec

Nada melhor para harmonizar com vinhos da uva malbec do que churrasco. E dentro do churrasco, o que fica perfeito com malbec são os cortes característicos da argentina: bife de ancho e bife de chorizo:

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Basta temperar com sal grosso e uma pimenta do reino e colocar direto na brasa:

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Primeira degustação da noite

Gostaria de deixar aqui uma dica de como transportar seu vinho quando for para a casa de um amigo, por exemplo. Essa bolsa é de couro, mas existem também outras de neoprene :

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Nossa primeira degustação será com um vinho da bodega argentina Casa Montez: Ampakama

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Um vinho muito bom e gostoso de apreciar. Combinou muito bem com o bife de ancho:

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Realmente quando se aprecia vinhos em sequência pode-se fazer uma comparação melhor. Em relação ao Cabernet-Sauvignon a uva malbec também apresenta aroma frutado porém realmente percebe-se que o aroma mais enfático é o de amora. O aroma de cereja é bem menos perceptível. No paladar também apresenta taninos fortes, porém não tem o sabor de pimenta do reino como no casillero del diablo cabernet-sauvignon. Um vinho muito bom e preço acessível: R$ 34.

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Segunda degustação da noite

O próximo vinho é também da mesma bodega: Casa Montez. Só que da linha premium: Fuego negro. Se o primeiro vinho já era muito bom, esse superou as expectativas: aromas muito mais marcantes e sabor espetacular. Como ele é envelhecido em barricas de carvalho francês, percebe-se muito bem o aroma de tabaco. Ficou um espetáculo com o bife de chorizo. Recomendo com empenho!! Valor aproximado nos supermercados: R$50.

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Última degustação da noite

O Gran finale ficou com o meu malbec preferido: Nieto Senetiner reserva. É legal perceber que ele possui um aroma muito amadeirado apresentando forte potencial de guarda. Já tomo esse vinho há um bom tempo, mas só consegui observar essa característica fazendo essa degustação tripla. É difícil perceber todas as qualidades de um vinho tomando-o sozinho! Valor aproximado: R$65.

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Degustando uma lenda: Casillero del Diablo (Cabernet Sauvignon)

“Existem mais de mil anos de história em uma velha garrafa.” ( Paul Claudel)

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Introdução

Tendo dado início aos nossos primeiros passos no mundo do vinho, finalmente chegamos a nossa primeira degustação e, nada melhor do que começá-la de maneira mitológica: degustando uma lenda! A história desse vinho é, talvez, o que o tornou assombrosamente famoso. Tudo começa há aproximadamente 100 anos atrás com Don Melchor de Concha y Toro: um empresário, advogado, político chileno e o Marquês de Casa Concha pela coroa Espanhola.

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Em 1883, ele decidiu se aventurar no ramo dos vinhos plantando vinhas no vale do rio Maipo. De sua viagem à Bordeaux, ele trouxe consigo para o Chile sementes selecionadas e contratou um grande enólogo francês: Monsieur Labouchère. Nascia assim a Concha y Toro. Devido à altíssima qualidade dos vinhos produzidos naquela região, Don Melchor decidiu reservar para si uma pequena parcela dos melhores vinhos produzidos ali: sua adega particular. A fim de evitar os constantes roubos de seu acervo (arquivo, casillero em espanhol) ele espalhou o boato de que naquele lugar habitava o diabo e assim nasce a lenda do Casillero del Diablo.

Sei que já coloquei esse link no primeiro post, mas vale muito a pena quem não viu ainda poder conferir essa história animada num vídeo feito pela concha y toro:

https://www.youtube.com/watch?v=h8XSss1o8x8

Abaixo temos algumas fotos da vinícola Concha y Toro, cortesia do nosso amigo Anderson Lopes:

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Plantação das uvas (cepas)

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Adega onde fica o Casillero del Diablo:

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Há também dezenas de vídeos no youtube falando sobre o casillero del diablo, mas vale deixar aqui o vídeo promocional mais recente do vinho, é sensacional!

https://www.youtube.com/watch?v=RaN-hswZ8gw

Temperatura de serviço

Conforme falei no primeiro post, cada vinho precisa ser degustado na temperatura ideal de forma a liberar o máximo de sabor e aromas. Então, o vinho deve ser mantido todo tempo dentro da adega. Como a adega possui vinhos variados, e normalmente como a maioria dos vinhos são tintos, eu tento manter todos na temperatura média de 16 ᵒC. Para o caso da nossa uva em questão (cabernet-sauvignon), a temperatura ideal de serviço é de 18 ᵒC.

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Esse é, talvez, o maior erro dos degustadores que se comete aqui no Brasil: deixar o vinho depois de aberto na temperatura ambiente. O Brasil é um país quente, então se o vinho passar muito tempo fora da adega ele vai esquentar. Uma solução barata e simples é: apenas no momento de colocar o vinho na taça, deve-se tirá-lo da adega. Depois disso ele deve ser novamente enrolhado e colocado na adega até o próximo momento de tomá-lo. Uma solução mais elegante e um pouco cara é fazer uso de um wine cooler. Eu utilizo um da cuisinart (custa aproximadamente R$600-700 na internet). O bacana dele é porque você consegue setar a temperatura do vinho baseado no seu catálogo de uvas e ele mantém o vinho durante toda a degustação na temperatura ideal para o tipo da uva. É realmente fantástico, recomendo com empenho!!!!

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Abrindo o vinho

Como já falei no segundo post, eu gosto muito de utilizar o abridor elétrico devido à sua praticidade mas, atendendo a pedidos do blog, farei uma demonstração de como abrir uma garrafa com um abridor simples e barato:

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Depois de aberto, a rolha também possui papel de destaque desse ritual admirável. Aprendi com um amigo essa prática de colocar a data de abertura da rolha e armazená-la para o futuro:

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Depois disso a rolha vai para o meu quadro de decoração:

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Taça específica

Semelhantemente, utilizaremos a taça de escolha do primeiro post: Bordeaux Spiegelaus.

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Aerando o vinho

Diz-se que, quando um vinho é engarrafado por um bom tempo, ele encontra-se num estado de dormência. Com seus aromas “dormindo”, ou seja, ainda pouco perceptíveis. Há duas formas de “quebrar” esse estado de dormência: usando um decânter ou um aerador. Gostaria de frisar aqui que esse assunto não é muito simples e requer um post exclusivo. Fá-lo-ei num futuro próximo. De forma simplória vou me resumir a dizer que para esse tipo de vinho jovem cai muito bem o uso de um aerador, pois ele faz com que as moléculas do vinho se misturem com as moléculas do ar, liberando assim os aromas mais rapidamente. No meu caso aconselho fortemente o aerador da vinturi (o qual é encontrado na internet e em lojas grandes num valor de aproximadamente R$150 junto com a torre e R$50 apenas o aerador).

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O olhar do vinho (L’examen visuel)

Como era de se esperar de um cabernet-sauvignon, esse vinho possui uma cor vermelho rubi intenso e lágrimas médias, aparentando leve dulçor.

O nariz do vinho (Le nez du vin)

Algo muito bacana para uma pessoa que está iniciando no mundo dos vinhos e ainda não conhece quais aromas estão presentes num cabernet-sauvignon é procurar informações antes da degustação (internet, livros, etc).

As características dos vinhos da uva cabernet-sauvignon são intensos e ricos em aromas e sabores, como: frutas vermelhas (cereja, amora, morango, framboesa), frutas pretas (ameixa, mirtilo(blueberry), cassis), especiarias (pimentas em pó, cravo) e também marcados por aromas vegetais, de oliva, menta, tabaco, madeira, cedro e anis.

Como maneira de conhecer os aromas, existem maneiras sofisticadas e caras (como o le nez du vin, o qual falarei futuramente) ou mesmo cheirando e conhecendo as frutas. Fiz uma seleção de frutas negras e vermelhas antes da degustação:

-ameixa

-morango

-mirtilo (blueberry)

-amora negra

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amora

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A boca do vinho (L’examen gustatif)

Finalmente na hora de beber o vinho, todas as informações encontradas nos passos anteriores se confirmaram. Deixando o vinho na boca por aproximadamente 10 segundos, ele apresentou adstringência (taninos) fortes porém suavizados pelo barril de carvalho (impressionante porque não amargou na boca como outros cabernets de pior qualidade), leve picância do tipo pimenta do reino e leve dulçor embalado pelos aromas de frutas vermelhas e negras. Excelente vinho!!!

Harmonização

Conforme falei no post anterior, a cepa cabernet-sauvignon é amiga íntima das carnes vermelhas e com temperos picantes, como a pimenta do reino. Então nada melhor para degustar esse assombroso vinho do que com filet-mignon ao molho madeira e fritas.

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