Le nez du vin, bardega e mix de clássicos

“Rapidamente, traga-me um copo de vinho, para que possa refrescar minha mente e dizer algo inteligente.” Aristófanes

20190406_195445.jpg

Introdução

Amigos, esse provavelmente será o post mais extenso do nosso blog, pois falaremos de uma maneira geral de como se aprender o básico do mundo dos vinhos e teremos um grande mix de lendas dos vinhos.

Como estudar sobre vinhos: dicas de livros

Vou citar aqui algumas dicas, mas acredito que ninguém faz um material mais didático e bacana do que a nossa amada Madeline Puckette.

maxresdefault.jpg

Além do seu badaladíssimo site winefolly, temos duas opções de livros fantásticos:

39347230_10156668607531543_3113723651761897472_n.jpg

Esse master guide para mim é o melhor livro já feito no mundo dos vinhos. Altamente didático e objetivo. Não chega a ser exaustivo, mas aborda de forma completa o assunto. Pena que ainda não existe em português. Pode ser encontrado no site da amazon por R$120. Caso você deseje algum em português pode tentar o de baixo que é um resumo do primeiro:

Capa-Wine-Folly-vinhobasico.jpg

Como sugestão de harmonização eu curti muito esse daqui:

Livro Comida e Vinho.jpg

Também temos uma obra bem extensa e consagrada: Grande Larousse do vinho

larousse.jpg

Como estudar sobre vinhos: dica de curso de aromas

Não existe outra opção no mundo de um grande curso de aromas que não seja o do Jean Lenoir. O le nez du vin é uma ferramenta de ensino utilizada em todos os grandes cursos de sommeliers do mundo. Ele consiste numa caixa contendo 54 aromas, num livro descrevendo-os e em 54 cartas contendo cada aroma.

20190427_190457.jpg

20190427_190517.jpg

20190427_194138

20190427_194218.jpg

Ele é importado para o Brasil através do site:

https://www.delacroixvinhos.com.br/le-nez-du-vin.html

Como estudar sobre vinhos: dica de local de degustação

A melhor forma de estudar sobre vinhos é em winebars (lugares em que se pode degustar apenas uma taça ao invés de uma garrafa). No Brasil infelizmente há poucos nesse formato, mas existe um deles que é sensacional: o Bardega.

entrada-bardega

20190406_181659.jpg

bardega-wine.jpg

E é lá que iremos degustar alguns clássicos que eu estive devendo há um bom tempo no Blog.

Supertoscano (Bolgheri e o quarto B da Itália) – Gaja Ca’Marcanda Promis 2013

Já comentamos no post do Barolo que ele foi o primeiro vinho italiano de sucesso em comparação com os franceses. Mas os italianos não pararam por aí e decidiram produzir seus próprios vinhos de Bordeaux (Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, etc) com um toque próprio (Sangiovese). E foi na região da cidade de Bolgheri que esses vinhos atingiram sua perfeição. E para diferenciá-los dos vinhos de baixa qualidade produzidos (os vinos de távola), os produtores decidiram chamá-los de supertoscanos.

wine.jpg

Com 92+ pontos de Robert Parker e 91+ pontos de James Suckling na safra 2013, o Promis é macio e envolvente, com bastante presença de boca, concentração e camadas e mais camadas de fruta. Este delicioso tinto é produzido na propriedade de Angelo Gaja em Bolgheri, na Toscana. Ele é um corte de Merlot (55%), Syrah (35%) e Sangiovese (10%). Esse é um bolgheri que custa aproximadamente R$360 e dono de um roxo lilás que apresenta aromas marcantes de frutas negras e vermelhas como a ameixa e a groselha negra.

83457bfdf965853a4c2d0e27f0c33864_2048x.jpg

20190406_184151.jpg

20190406_184201.jpg

20190406_184312.jpg

20190406_184801.jpg

Catena Zapata Malbec Argentino 2015

malbec_argentino.jpg

O segundo vinho da nossa degustação é, verdadeiramente, uma lenda. Já comentamos aqui no blog várias vezes sobre a superioridade da bodega Argentina Catena Zapata (link). Compará-la com as outras vinícolas é simplesmente ganhar de 7 a 1, mas agora ela simplesmente atingiu sua expressão máxima com esse novo rótulo. Adrianna Catena criou esse rótulo inspirado na história da sua variedade principal, contada através de quatro mulheres simbólicas. O rótulo retrata quatro figuras femininas que incorporam diferentes marcos na história da casta. A primeira mulher, que simboliza o nascimento da Malbec e símbolo dessa casta na região de Cahors, é Eleanor da Aquitânia. A segunda mulher é a imigrante, simbolizando o movimento dos colonos da Europa para o Novo Mundo. A terceira mulher simboliza a filoxera, que dizimou videiras europeias no final do século XIX. A última mulher, representando o presente, é Adrianna Catena, que dá nome ao vinhedo mais famoso de Catena, plantado por Nicolás Catena Zapata em Gualtallary com o objetivo de encontrar o local mais interessante para cultivar videiras em Mendoza. O rótulo é raro e de difícil acesso mesmo pela internet, chegando a custar mais de US$ 200. O vinho é fermentado em barris novos de carvalho, nos quais 20% dos cachos foram colocados inteiros e permanecem por 30 dias, para a integração entre madeira e fruta. Depois, foi burilado por 18 meses também em barricas de carvalho francês. Complexo, fino, combina intensidade com elegância. Nos aromas há notas florais, de tabaco, especiarias e algo mineral, em meio a fruta madura, como cereja e cassis. Untuoso, concentrado, tem taninos maduros, boa acidez e frescor. É vigoroso e muito expressivo na boca. É necessário deixa-lo respirar para que todo o seu buquê seja revelado.

20190406_184810.jpg

20190406_184817.jpg

20190406_184908.jpg

A minha percepção pessoal desse vinho é a mesma que eu tive ao degustar o Don Melchor (link), ou seja, ele é superior e muito mais trabalhado, mas não vale nem de longe o preço que é cobrado. Como falei anteriormente, a Catena Zapata mantém um altíssimo padrão de qualidade mesmo para as suas linhas mais simples!

Vignobles Mayard Châteauneuf-du-Pape Clos du Calvaire 2015

A Expressão “Châteauneuf du Pape”  é francesa, e  significa literalmente “O  castelo novo do Papa”. E sua origem está relacionada à chegada dos Papas à cidade de Avignon, no sul da França no início do século XIV. Entre os anos de 1315 e 1333, o Papa João XXII, o segundo Papa eleito em Avignon, ordenou a construção de um castelo ao norte da cidade a ser utilizado exclusivamente como casa de veraneio dos Papas.

220px-Papa_Ioannes_Vicesimus_Secundus.jpg

220px-Château_des_papes_gravure_du_XVIe_siècle.jpg

Infelizmente, hoje só sobraram ruínas do castelo, que ainda podem ser visitadas na região.

Chateau_de_Chateauneuf_du_Pape.jpg

O castelo foi construído em uma região estratégica, distante o suficiente da sede do papado, garantindo seu descanso, porém, próxima o suficiente para se manter a comunicação com a sede. Sobre seu terreno rochoso foram plantadas parreiras para produção de vinho de consumo do castelo, e assim começava a história do “vin du Pape” ou “vinho do Papa”. Mas como todo vinho famoso, existe alguém que o apresentou ao mundo. E esse alguém é nada mais nada menos do que Robert Parker, possivelmente o maior crítico de vinhos do mundo.

Robert_Parker_WIne_Advocate (1)

Ele foi um dos maiores divulgadores dessa denominação de origem controlada e foi assim que o chateauneuf se tornou o símbolo que é hoje. Portanto quando você ver o chapéu do papa estampado em alto relevo numa garrafa de vinho tenha a absoluta certeza de estar diante de um colosso.

chateauneuf_du_pape_wine_label.jpg

Essa denominação é formada de um corte de várias uvas como a grenache (astro principal compondo cerca de 60-70%) e o resto formado normalmente por: cinsault, counoise, mourvèdre, muscardin, syrah, terret noir e vaccarèse.

20190406_185334.jpg

20190406_185338.jpg

20190406_185344.jpg

Amigos, eu perdi a foto que eu tirei da taça quando eu degustava esse vinho, então me perdoem, pois irei usar uma foto que não é minha aqui:

RH47811

Esse é um vinho vendido na faixa de R$350 e que vale cada centavo. Sente-se bastante o aroma de morango e de framboesa nele, bastante sedoso e redondo! O corte é formado pelas castas: 70% Grenache, 15% Syrah, 10% Cinsault, 5% Mourvèdre.

PREMIAÇÕES

Robert Parker 94

Jancis Robinson 17,5

Vinous 88-90

Wine Front 91

Bourgogne versus Napa Valley

20190406_190346.jpg

A próxima degustação foi um duelo entre um pinot noir top da Borgonha e um americano. Abaixo segue-se o detalhe de cada um desses vinhos:

Domaine Masse Père et Fils Givry 1er Cru 2014

112816_1626_DomaineMass1.jpg

Representante mais do que clássico da Borgonha que custa por volta de R$400

Robert Mondavi Winery Pinot Noir 2009

10676278.jpg

Como comentamos anteriormente, essa bodega é talvez a mais famosa dos EUA. Esse vinho custa em média metade do Francês (por volta dos R$200).

20190406_190354.jpg

Mais uma vez eu fui desafiado a provar quem vence essa batalha de titãs: um pinot noir da Borgonha ou dos EUA. No primeiro embate os EUA ganharam fácil (link). Será que dessa vez foi diferente?

20190406_190513.jpg

Dessa vez a vitória foi da França sem sombra de dúvida. Embora o americano tenha se mostrado um grande vinho e bem trabalhado, a França levou a melhor tanto nos aromas quanto no paladar. Nunca degustei um pinot noir tão delicado e bem feito na boca, extremamente aveludado!

Vinho Basco: Mendraka Txakoliña White 2016

Amigos, pela primeira vez temos um vinho muitíssimo díspar da grande maioria dos vinhos conhecidos no mundo. Estamos falando de um vinho do país basco (que na verdade pertence à Espanha embora tenha ganhado alta autonomia com o advento da constituição espanhola de 1978).

Euskal_Herria_Europa.png

Mendraka+Txakoliña.jpg

Esse vinho é feito com a uva autóctone hondarrabi zuri e apresenta características próprias.

20190406_191038.jpg

20190406_191153.jpg

20190406_191157.jpg

20190406_191507.jpg

Vinho de cor dourada belíssima. No nariz temos notas cítricas como maçã e pêra. Na boca temos um vinho macio e untuoso com um final levemente amargo.

A expressão máxima de Portugal e o descobrimento do Brasil: Pêra Manca

20190406_191908.jpg

Pessoal, hoje é o dia de falarmos de muitas lendas. Também devemos falar do vinho símbolo de toda a potencialidade portuguesa: o Pêra Manca. Hoje iremos degustar a versão branca dessa lenda.

rotulo-pera_manca.jpg

Assim como boa parte dos grandes vinhos já citados aqui no blog, ele tem a ver com tradição católica cristã europeia. De acordo com ela, o nome de Pêra-Manca deriva do toponímico “pedra manca” ou “pedra oscilante” – uma formação granítica de blocos arredondados, em desequilíbrio sobre rocha firme. Reza a história que a tradição do vinho Pêra-Manca remonta à Idade Média. Por volta de 1365, Nossa Senhora teria aparecido em cima de um espinheiro a um pastor. Alguns anos depois, foi edificado um oratório em sua honra e em 1458, dada a crescente importância do local como ponto de peregrinação, uma igreja. A posterior fundação de um Convento, que viria albergar a Ordem de S. Jerónimo seguiu-se-lhe. E, nos séculos XV e XVI, os vinhedos de Pêra-Manca eram propriedade dos frades do Convento do Espinheiro. Em 1517, os frades do Convento do Espinheiro foram obrigados a arrendar esses vinhedos – por ser muito dispendioso o seu trato – a Álvaro Azedo, escudeiro do Rei e a sua mulher, Filipa Rodrigues. Deles, fala D. João II, numa carta à Câmara de Évora.

caravela_portuguesa01-e1511116095763.jpg

A história desse vinho é tão lendária que se confunde com a própria história do Brasil porque o próprio Pedro Álvares Cabral o transportou em suas naus quando chegou ao Brasil!

Pedro-Álvares-Cabral.jpg

20150729145452453_0001.jpg

20190406_194025.jpg

20190406_194053.jpg

20190406_194058.jpg

Vamos degustar esse vinho com um Polvo à galega

20190406_195445

Realmente não nega ser um grande vinho porém esperava muito mais. Achei pouco encorpado e os aromas não estavam tão aparentes quanto vinhos até mesmo mais simples. Não fez jus ao preço e à sua fama!

Chablis e a lenda do chardonnay da Borgonha:

20190406_192601.jpg

20190406_192257.jpg

20190406_192305.jpg

Esse também é um dos exemplares que eu já venho com vontade de degustar há bastante tempo. É praticamente impossível pensarmos em vinhos da uva chardonnay sem nos lembrarmos de onde essa uva encontra sua expressão máxima: a Borgonha. Esse é um grande vinho que infelizmente custa muito caro no Brasil (R$ 400).

49800448_2072283009517553_2726197186733347126_n.jpg

Quem não se lembra da harmonização clássica das ostras com Chablis? Uma verdadeira maravilha!

20190406_192604.jpg

Esse vinho me levou a repensar todo o meu conceito da uva Chardonnay. Extremamente equilibrado mesmo sendo altamente mineral e ácido. Redondo e perfeito sendo embalado por aromas de frutas tropicais maduras como pêssego e lima com notas florais a lhe conferir um verdadeiro perfume. Muito melhor até mesmo que o pêra manca.

O vinho laranja: Tinaja Moscatel de Alexandria

56452272_343598782947762_5137395391489744732_n.jpg

Se já não bastasse a imensa quantidade de diferentes aventuras postadas hoje, aqui vai mais uma extremamente insólita: degustar um vinho laranja. Garanto que é uma das mais estranhas sensações que você pode ter ao degustar um vinho, pois ele é produzido com uvas brancas mas não é branco. Possui taninos mas não é um vinho tinto.

20190406_192822.jpg

20190406_192814.jpg

20190406_192817.jpg

Dotado de uma maravilhosa cor dourada âmbar, é um vinho encorpado em que se sente bem a presença do tanino, pois o vinho laranja é um vinho feito de uvas brancas porém fermentado junto com as cascas.

20190406_192858.jpg

20190406_192914.jpg

Apresenta aromas florais e cítricos no olfato enquanto que, no paladar, apresenta notas herbais. Bem excêntrico!

Degustação de T-Bone com dois clássicos de Bordeaux: Médoc e Pomerol

Amigos, já comentamos aqui no blog que entender a totalidade dos vinhos da França é uma tarefa por demasiado hercúlea (Acho que nem mesmo o próprio Hércules estaria apto para esse trabalho).

1_0GBIXzP7VAsbPjUrueVQsg.jpeg

Mas iremos comentar sobre provavelmente a região mais famosa do mundo dos vinhos: Bordeaux. Abaixo podemos ter uma ideia da infinidade de sub-regiões e de denominações diferentes:

20190609_161758.jpg

Possivelmente as duas grandes regiões são a região do Pomerol e a do Médoc. A primeira é consagrada por ser onde o lendário Pétrus é produzido. Infelizmente não é possível encontrar um desses exemplares no Brasil por menos de R$15 mil.

Château_Pétrus.jpg

Embora os vinhos de Pomerol nunca sejam classificados, o Pétrus é considerado um dos grandes vinhos de Bordeaux assim como outros Grands Crus do Médoc.

20190406_202711.jpg

Vamos começar com o Pomerol:

20190406_193501.jpg

20190406_193554.jpg

Vinho Le Carillon de Rouget Pomerol 2011, provavelmente o mais próximo que se pode chegar de um Pétrus com um preço “pagável”. Vinho que custa aproximadamente R$ 500 e contém todo o potencial da região do Pomerol.

20190406_193548.jpg

Vinho de cor roxa viva lindíssima! Muita fruta presente nos aromas como ameixas, cassis e framboesa. Final levemente seco como boa parte dos Bordeaux.

20190406_200904.jpg

20190406_200859.jpg

Vinho Château Patache d’Aux 2010 Médoc. Enquanto o de pomerol é praticamente só Merlot, esse daqui é um clássico corte bordalês (60% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot, 7% Cabernet Franc, 3% Petit Verdot). Mais estruturado do que o anterior com a presença maior de taninos e aromas fortes de frutas negras e de especiarias como a pimenta. É um vinho altamente gastronômico.

20190406_200934.jpg

Conclusão

Estudar sobre vinhos é relativamente fácil meus amigos. Basta comprar bons livros, um curso de aromas e beber muito! Au revoir!

Conheça todos os posts do blog através desse link

Fish and Chips, Chardonnay Americano e Duelo de Espumantes

“Se bebemos vinho, encontramos com sonhos que saltam em cima de nós da noite iminente.” D. H. Lawrence

IMG_20181027_174135563_HDR.jpg

Introdução

Amigos, primeiramente quero pedir perdão pelo longo tempo de ausência, estava realmente sem tempo, mas fico feliz de poder voltar a escrever por aqui. Hoje o tema do nosso blog será a culinária inglesa e seu famoso fish and chips. Essa comida está para a Inglaterra assim como o sushi está para o Japão e a Paella para a Espanha. O post está dividido em duas partes: uma de um lugar bacana em São Paulo onde se pode degustar essa maravilha e a segunda de uma receita que pode ser feita em casa.

england-2906827_1280.png

Vinhos da Inglaterra

xmaswines2016_sparklingwine.jpg

Antes que alguém me pergunte por que não utilizei vinhos da Inglaterra, a resposta é porque eles são muito raros e não são importados para o Brasil ainda. A produção deles é extremamente pequena e o país pode ser considerado ainda uma criança no mundo dos vinhos apesar de já ser possuidor de grandes prêmios. O país produz na sua maioria espumantes que já ganharam dos franceses em vários concursos. Ele já possui grandes maisons francesas famosas como a Taittinger produzindo em solo inglês e vencedoras de diversos prêmios. Prometo num futuro próximo falar sobre eles.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, falaremos brevemente sobre algumas cervejas que degustei recentemente. A primeira delas é uma holandesa de um estilo muito peculiar e quase impossível de se achar no Brasil: a timmermans oude gueuze.

IMG-20180729-WA0033.jpg

IMG_20180729_003932119.jpg

IMG_20180729_003936620.jpg

A timmermans é uma cervejaria considerada a lambique mais velha do mundo (datando de 1702). Oude Gueuze é uma denominação de origem controlada: o seu rótulo é protegido. Esse estilo também é conhecido como o champagne das cervejas, especialmente porque só está disponível como edição limitada. Os aromas especiais dessa cerveja advêm do seu longo e rígido método de preparo. Ela é formada de um blend de velhos lambiques (envelhecidos por 3 anos em barris de madeira) e de novos lambiques os quais garantem a fermentação espontânea na garrafa. Vamos degusta-la junto com um terrine de canard:

IMG_20180818_164229400.jpg

IMG_20180818_164343149.jpg

IMG_20180818_165356456.jpg

É uma cerveja bastante diferente de todas as outras que eu já tive a oportunidade de provar. Possui aromas cítricos e na boca lembra um champagne porém com uma acidez bastante acentuada. Com certeza foi a cerveja mais ácida que eu já tive a oportunidade de degustar.

IMG-20180729-WA0048.jpg

A próxima cerveja da degustação é uma wit feita por uma famosíssima cervejaria trapista a qual já comentamos várias vezes no blog: La trappe. Cerveja La trappe witte trappist.

IMG_20181006_122623538.jpg

Não tenho muito a falar sobre ela: bem equilibrada sem nenhum destaque negativo. Tudo na medida certa: acidez, casca de laranja e semente de coentro.

IMG_20181006_122845471.jpg

Fish and Chips

Como sempre fazemos aqui no nosso blog, iniciamos o nosso assunto de hoje contando brevemente a história desse prato tão famoso. Me arrisco a dizer que, junto com o beef wellington (falaremos sobre ele num futuro post) , representam icônicamente a culinária inglesa. Mas de onde vem tanta popularidade? A resposta é simples: ele foi a comida das massas durante a revolução industrial.

image.png

fishandchips1.jpg

É necessário lembrar que, nessa época não existia ainda leis trabalhistas, então os trabalhadores trabalhavam entre 14 a 16 horas por dia 6 vezes na semana. Isso tornava impossível cozinhar em casa por isso que surgiram várias barraquinhas vendendo essa delícia (provavelmente os primeiros “food trucks” da história). A Inglaterra é uma ilha então o peixe era algo barato e a batata tinha vindo do novo mundo e isso tornou essa comida em algo prático, saudável e gostoso.

Sirène

Como comentei na introdução, nosso post será divido em duas partes. A primeira delas é sobre um lugar bom e barato em São Paulo onde se pode degustar um fish and chips maravilhoso: Sirène.

IMG_20180922_164510637.jpg

IMG_20180922_165044238.jpg

IMG_20180922_165033745.jpg

Localizada na avenida paulista muito próximo da estação de metrô brigadeiro, esse quiosque vende o autêntico fish and chips a preços muito atrativos.

IMG_20180922_165616140.jpg

IMG_20180922_164515829.jpg

Como é costume na Inglaterra, esse prato é acompanhado de uma boa cerveja do estilo bitter (Ipa, red ale, etc) e a casa possui vários chops artesanais inclusive com a possibilidade de comprar uma caneca da casa a qual permite descontos sempre que se consumir lá e eles guardam sua caneca com o seu nome caso você queira deixa-la lá.

IMG_20180922_165222416.jpg

IMG_20180922_165231694.jpg

O peixe utilizado por eles é a tilápia (saint peters).

IMG_20180922_165506357.jpg

É impressionante como uma comida tão simples pode ser tão gostosa!

IMG_20180922_165253152.jpg

IMG_20180922_165301350.jpg

É possível também a harmonização com uma boa cerveja de trigo: Erdinger Urweisse.

IMG_20180922_174340059.jpg

IMG_20180922_181253518.jpg

Também acredito não haver nenhum ponto específico a ser falado sobre esta cerveja. É uma excelente representante do estilo weizen alemão apresentando aromas acentuados de cravo e banana.

Chardonnay Americano

IMG_20180922_121343969.jpg

IMG_20180922_121347387.jpg

IMG_20180922_121358613.jpg

Amigos, vocês devem estar se perguntando onde estão os vinhos, já que o blog é sobre eles. Atendendo aos anseios irei responder de forma sublime: chardonnay americano. Um bom fish and chips pode ser harmonizado com esse tipo de vinho ou um bom espumante como faremos no próximo tópico. Woodbridge Robert Mondavi Chardonnay 2016.

IMG_20180922_184550417.jpg

Amigos, desde que eu provei pela primeira vez um pinot noir americano o meu coração ficou cativo dele e, desde então tenho total certeza que os melhores exemplares encontram-se nos Estados Unidos. Porém hoje eu fui surpreendido mais uma vez por esse país! Que delícia de vinho! Quando provamos um chileno ou um brasileiro, ele é agressivo na boca e com a acidez acentuada, já o americano é redondo na boca sem nada se acentuando com aromas tropicais maravilhosos! Depois dessa experiência eu fico mais uma vez com os EUA.

Fish and Chips à la Gordon Ramsay

A segunda parte do post é mostrando uma receita que pode ser feita em casa caso você assim o deseje. Para ajudar nessa aventura eu vou pedir a ajuda de ninguém menos que o chef inglês Gordon Ramsay.

81437484_770x433_acf_cropped_770x433_acf_cropped

Com 24 restaurantes ao redor do mundo, 11 estrelas no guia “Michelin” e diversos livros de culinária e programas de TV, Gordon Ramsay é o chef que mais fatura nos Estados Unidos, com um rendimento estimado em US$ 38 milhões, de acordo com uma lista divulgada pela revista “Forbes”. Muita gente o conhece por causa do programa Masterchef. Abaixo segue-se o link para a sua receita de fish and chips:

https://www.youtube.com/watch?v=zit9l5jtbws&t=235s

Começaremos com a escolha do peixe. Originalmente pode-se usar qualquer tipo de peixe branco como a tilapia, por exemplo, mas a nossa escolha será pelo bacalhau assim como a receita do Gordon Ramsay.

IMG_20181027_150317730.jpg

O segredo é deixa-lo bem seco, então o cortamos em filés e deixamo-los secando num papel toalha:

IMG_20181027_154837101.jpg

Como temos um lombo dessalgado iremos temperá-los com sal:

IMG_20181027_160830643.jpg

Deixamo-los reservados enquanto procedemos com a receita do molho tártaro:

IMG_20181027_161138583_HDR.jpg

Picamos bem um pepino em conserva, algumas alcaparras, uma mini cebola e adicionamos junto com uma maionese e o sumo de um limão (siciliano ou tahiti). Caso você deseje usar uma maionese caseira fique à vontade, porém uma boa maionese de supermercado também fica perfeito.

IMG_20181027_162356731_HDR.jpg

Guardamo-lo na geladeira até o momento do uso e seguimos com a receita do empanado que dará a crocancia da casca. Precisaremos de duas cervejas long neck e dois sacos de fermento para pães:

IMG_20181027_150654508.jpg

Misturamos bem e deixamos fermentar por aproximadamente 10 minutos. Depois adicionamos o líquido junto com 260g de farinha de trigo e 130g de farinha de arroz:

IMG_20181027_151319140.jpg

IMG_20181027_151513812.jpg

IMG_20181027_151619604.jpg

IMG_20181027_153123427_HDR.jpg

Procederemos com a receita das ervilhas aos murros: um pouco de óleo

IMG_20181027_163742579.jpg

Ervilhas congeladas, cebola picada, manteiga e alho

IMG_20181027_163826643.jpg

IMG_20181027_163929344.jpg

IMG_20181027_164801335.jpg

IMG_20181027_170120474

IMG_20181027_170220529.jpg

Para assarmos o peixe, primeiro passamo-lo na farinha de trigo temperada com sal e pimenta do reino e depois molhamo-lo na massa que fizemos:

IMG_20181027_165337252.jpg

IMG_20181027_165424529.jpg

IMG_20181027_165740511.jpg

Fritamo-los com o óleo bem quente:

IMG_20181027_170500540.jpg

IMG_20181027_171359537.jpg

Fritamos também as batatas e temperamo-las com salsinha bem picada, sal, pimenta do reino moída na hora e páprica doce:

IMG_20181027_173439444.jpg

E voilá: fish and chips à la Gordon Ramsay

IMG_20181027_173810062.jpg

IMG_20181027_173813277.jpg

IMG_20181027_173818027.jpg

Para harmonizar com esse belíssimo prato iremos escolher um vinho que se encontra na vanguarda dos melhores vinhos que o Brasil produz e ainda entre os melhores do mundo: Casa Valduga espumante 130 brut.

IMG_20181027_164040332.jpg

130.jpg

IMG_20181027_174021852_HDR.jpg

IMG_20181027_174135563_HDR

Harmonizou perfeitamente. A acidez do vinho casou muito bem com o peixe molhado no molho tártaro, que delícia!

Primeiro duelo: taça gota versus taça flûte

Amigos, vamos trazer aqui pro blog uma novidade quentinha acabada de sair do forno: a taça gota. Como todos estão carecas de saber, a taça que todos utilizam para degustação de espumante é taça flûte ou flauta como falamos no post das taças. Ela aposentou as taças abertas por desenvolver melhor o perlage. Porém hoje essa taça encontra-se caduca pois a mais recente descoberta é a taça do tipo gota a qual desenvolveria melhor os aromas sem deixar de desenvolver o perlage (as bolhas). Façamos então a comparação entre elas:

IMG_20181027_180502006_HDR.jpg

Sendo bem sincero não consegui perceber diferença considerável entre elas. Talvez meu paladar e nariz ainda não estejam tão desenvolvidos porque achei as duas bem iguais.

Segundo duelo: 130 versus Casa Valduga Arte tradicional Brut

Como sempre fazemos aqui no blog, a idéia de fazer comparações entre vinhos mais caros e mais baratos é a de se chegar a conclusões se vale a pena pagar muito mais caro ou se um mais simples já está de bom tamanho. Hoje o duelo vai ocorrer entre a própria Casa Valduga: de um lado temos o 130 (que custa aproximadamente R$130) e do outro temos o Casa Valduga Arte tradicional Brut 2016 (que custa aproximadamente R$70).

casa valduga.png

IMG_20181027_182310687.jpg

A diferença entre os dois é bem pequena! O 130 tem um pouco mais de aromas e no final da boca ele se apresenta um pouco mais redondo, mas a diferença não é considerável a ponto de um valer quase o dobro do outro. Grandes espumantes!

Conclusão

No futuro faremos outro post sobre o fish and chips na Inglaterra, mas por hora posso dizer que é uma comida maravilhosa e harmoniza muito bem tanto com as cervejas inglesas e americanas quanto com bons vinhos.

Conheça todos os posts do blog através desse link

 

 

Áustria, Hungria, Brunello di Montalcino com Pinot Noir da Córsega e Risoto de Manga com Camarão e Paillard de Mignon

“Rezo para que você se apaixone por mim, porque eu sou mais falso do que as promessas feitas no vinho.” William Shakespeare

IMG_20180407_150505039.jpg

Introdução

Amigos, hoje no post falaremos sobre uma das minhas comidas preferidas: o risotto! Esse evento também é o nono encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o oitavo encontro, basta clicar aqui. Teremos também no post dois países inéditos aqui no blog: Áustria e Hungria e também falaremos novamente sobre o lendário Brunello di Montalcino que falamos no post anterior. Por fim falaremos da terra de Napoleão Bonaparte e de um pinot noir da Córsega!

Áustria e a Grüner-Veltliner

Gruner-Veltliner-wine-glass-with-grapes.jpg
Fonte: http://www.winefolly.com
Austria-Map-by-Wine-Folly1.png
Fonte: http://www.winefolly.com

Amigos, a Áustria muitas vezes não figura entre os países famosos no mundo do vinho, o que não significa que esse país não produza vinhos de excepcional qualidade! E com certeza a uva que simboliza esse país é a autóctona (praticamente só existe naquele país) Grüner-Veltliner. Essa uva tão exótica que lembra de longe uma Sauvignon Blanc. O nome dela é traduzido como o vinho verde de Veltlin, que era uma área nos alpes baixos durante os anos de 1600 que hoje é parte da Valtelina, Itália. É um vinho que apresenta aromas bastante frutados como a Lima e a Nectarina assim como toques de mel. Para iniciarmos nosso estudo nesse país tão especial iremos escolher um vinho dessa uva tão emblemática: weingut bründlemayer langenloiser grüner veltliner 2004.

IMG_20180407_111211185_HDR.jpg

IMG_20180407_111215218.jpg

IMG_20180407_111227538.jpg

Tokaj e a Hungria

tokaj-regiao-do-vinho-tokaji.png

Amigos, eu sei que quando pensamos em vinhos húngaros é inevitável nos lembrarmos do vinho de sobremesa tokaj. Esse é um vinho que pode chegar facilmente na casa dos R$5000. Mas meu objetivo hoje é mostrar que a Hungria não produz apenas bons vinhos de sobremesa como também temos vinhos brancos e tintos maravilhosos. Hoje iremos escolher um branco feito com a uva harsevelu: Ladiva Harsevelu Tokaj 2015.

IMG_20180407_111254721_HDR.jpg

IMG_20180407_111304437.jpg

Início do evento

Preciso tirar o chapéu para o Vitor, porque não apenas suas comidas são extremamente saborosas como sua criatividade é muitíssimo acima da média. Pela primeira vez tive a oportunidade de comer palmito pupunha fresco!

IMG-20180407-WA0012.jpg

Depois de um tempo na brasa com papel alumínio, é hora de temperarmos com sal, pimenta do reino e azeite antes de colocarmos diretamente ao fogo para “gratinarmos”.

IMG-20180407-WA0013.jpg

Gostaria de deixar uma dica que aprendi com o Vitor para dar um defumado especial: madeira de barril de whiskey.

IMG_20180407_140358889_HDR.jpg

IMG_20180407_140407513_HDR.jpg

IMG_20180407_140413317.jpg

Depois de o palmito pronto, é hora de escolhermos a harmonização ideal! Nossa escolha será pelo grüner veltliner austríaco.

IMG_20180407_141339741.jpg

IMG_20180407_141752298.jpg

IMG_20180407_142210445.jpg

IMG-20180408-WA0022

Como acompanhamento temos um molho de pesto.

IMG-20180408-WA0027

O palmito estava delicioso e muito suculento. Já o vinho eu confesso que não agradou muito meu paladar. Ele possui um aroma muito forte de mel de abelhas porém na boca ele se torna um pouco enjoativo e achei o álcool um pouco desequilibrado. Mas valeu pela experiência!

IMG_20180407_141908203_HDR.jpg

Também acompanhou bem essa entrada um vinho italiano da uva trebbiano. Fantini Farnese Trebbiano D’abruzzo.

IMG_20180407_141912015.jpg

IMG_20180407_141917880.jpg

Esse é um vinho que não é necessário qualquer tipo de conhecimento sofisticado sobre aromas para perceber a maçã muitíssimo presente nele! Delícia de vinho, bem frutado com acidez compatível!

IMG_20180407_143543380.jpg

IMG_20180407_150505039.jpg

O primeiro prato principal do Vitor é de arrebatar corações. O melhor risoto de camarão com manga que já tive a oportunidade de degustar. Tivemos também a oportunidade de prova-lo junto com o tokaj húngaro. Tokaji “S” Hárslevelü 2015 dry pajzos.

IMG-20180408-WA0011

Esse vinho já é o oposto do austríaco, apresentando boa mineralidade e álcool equilibrado. Harmonizou perfeitamente com o risoto!

IMG-20180408-WA0009.jpg

Nós também degustamos junto com ele um rosé maravilhoso já visto no post anterior que a Marcela escolheu: Pinta Negra Rosé 2016.

IMG_20180407_155818211.jpg

Se não bastasse o maravilhoso sabor do risoto de camarão com manga o Victor conseguiu se superar nesse paillard de filet mignon com limão! Ele também nos presenteou com um maravilhoso cabernet-sauvignon gran reserva: Haras de Pirque Hussonet Cabernet-Sauvignon 2015 Gran Reserva. Como já falei anteriormente aqui no blog, os melhores cabernet-sauvignon do mundo se encontram no Chile!

IMG-20180408-WA0015

Brunello di Montalcino

Devo estar no céu para ser tão abençoado assim. Na semana passada tínhamos degustado pela primeira vez um Brunello di Montalcino e ficamos simplesmente atônitos com aquela explosão de sabores achando que nada poderia melhorar pois já tínhamos alcançado o ápice, mas a vida é uma caixinha de surpresas!

IMG_20180407_155049670.jpg

Meus tios guardaram a prata da casa para o final. Tomamos um dos melhores (se não for o melhor) Brunello di Montalcino da atualidade da safra de 2011: Caprili Brunello di Montalcino 2011.

IMG-20180408-WA0016

IMG_20180407_155659152.jpg

IMG_20180407_155711577.jpg

IMG-20180408-WA0017

IMG-20180407-WA0016.jpg

Amigos, definitivamente eu mudei de opinião após esses dois grandes eventos. Retiro o que falei anteriormente sobre o primitivo di mandúria ser o melhor vinho do mundo. Ele se tornou o segundo melhor porque o primeiro realmente se tornou o brunello di montalcino! Uma pena saber que uma maravilha dessas custa tão caro. Esse Caprili é vendido no Brasil no valor de R$430.

IMG_20180407_165404422.jpg

Tivemos mais um Pinot Noir chileno de alta qualidade que o Victor nos presenteou: Casas del Toqur Pinot Noir Reserva 2015.

IMG-20180408-WA0007.jpg

E mais uma vez um pinot noir famosíssimo americano já citado tantas vezes anteriormente no blog: Redwood Creek Califórnia.

Pinot Noir da Córsega

corsega_quinta_22h.jpg

sardenha corsega

Amigos, pra quem não se recorda muito bem sobre a importância dessa ilha (além da beleza), basta lembrar que ela é a terra natal de Napoleão Bonaparte.

biografia-de-napoleao-bonaparte

Vamos falar sobre os vinhos desse lugar devido a um presente maravilhoso que eu ganhei de aniversário da Jéssyka e do Lucas: Barton & Guestier Pinot Noir Réserve 2016. Pela primeira vez degustaremos um vinho da Córsega!

IMG_20180414_153836148.jpg

IMG_20180414_153841173.jpg

IMG_20180414_153850483.jpg

IMG_20180414_164254453.jpg

Maravilhoso: complexo, estruturado e equilibrado como todo vinho francês. A sensação que tive foi de estar na Borgonha!

Conclusão

Amigos, quantas sensações diferentes e quantos países diferentes num único post! Agradeço de coração à Marcela e ao Victor pela degustação maravilhosa e aos meus tios pelo maravilhoso Brunello di Montalcino. Agradeço também à Jéssyka e ao Lucas pelo maravilhoso vinho de presente. Caso alguém queira conferir as opiniões sobre o truelo de pinot noir basta clicar aqui.

Conheça todos os posts do blog através desse link

Harmonizando Bobó de Camarão e Moqueca com Vinhos

“O vinho é uma das coisas mais civilizadas do mundo e uma das coisas mais naturais do mundo que alcançou a maior perfeição. Oferece uma gama maior para o prazer e apreciação do que possivelmente qualquer outra coisa puramente sensorial.” Ernest Hemingway

IMG_20171012_134832659_HDR.jpg

Introdução

Amigos, hoje o post será sobre como harmonizar Bobó de Camarão e Moqueca de Peixe com vinhos. Esse evento também é o oitavo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o sétimo encontro, basta clicar aqui.

Confraria Távola Di Amici

Amigos, estamos hoje mais uma vez na casa dos queridos Daniel e Cláudia numa oportunidade única de poder degustar um bobó de camarão dos deuses junto com uma moqueca de peixe.

IMG_20171012_134847307.jpg

IMG_20171012_134842816_HDR.jpg

No quesito da harmonização o ideal é o uso de qualquer vinho branco. Mas especificamente esse é um prato que pede um vinho mais encorpado como um Chardonnay ou um Viognier. Mas a combinação com outros brancos ou rosés também fica perfeita.

IMG_20171012_115157090_HDR.jpg

A minha primeira escolha foi de modo a podermos celebrar um pouco mais dos vinhos que nosso país produz: Casa Valduga Chardonnay 2015.

IMG_20171012_115201513.jpg

IMG_20171012_115216090_HDR.jpg

IMG_20171012_115221178.jpg

IMG-20171014-WA0048.jpg

Esse é um vinho que, ao mesmo tempo em que emociona, traz também a decepção de não corresponder ao seu preço. É um grande vinho e traz orgulho ao Brasil, porém é caro por demasiado. É encorpado e embalado por aromas cítricos porém apresenta características mais rústicas como acidez um pouco elevada quando comparado com um chileno por exemplo. Achei que valeu muito a pena degustá-lo como conhecimento porém com R$80 (ou muito menos) compra-se um vinho chileno de qualidade muito superior.

IMG_20171012_115240904.jpg

A viognier é uma uva que se encaixa perfeitamente nessa classificação de vinhos brancos encorpados, porém é muito rara no Brasil e seus vinhos possuem valores elevados. Optei então por uma versão Argentina bem mais barata. Ampakama Viognier 2016.

IMG_20171012_115244731.jpg

IMG_20171012_115253680.jpg

IMG-20171014-WA0011.jpg

Conforme expliquei esse é um vinho no máximo para o dia-a-dia e, nessa perspectiva, cumpre o prometido!

IMG_20171012_132037826.jpg

Mas a prata da casa ainda estava por vir. Apesar da Sauvignon Blanc produzir vinhos brancos leves, ela também harmoniza bem com os pratos em questão. E conforme falamos sobre os vinhos da Nova Zelândia num post anterior, sabemos que é lá onde se produzem os melhores Sauvignon Blanc do mundo. Sileni The Straits Sauvignon Blanc 2015.

IMG_20171012_132043721.jpg

IMG_20171012_132054001_HDR.jpg

IMG_20171012_132057461_HDR.jpg

Esse é sem sombra de dúvidas um vinho que todos devem conhecer antes de morrer. Altamente aromático com presença de frutas tropicais como a goiaba embala qualquer boa refeição envolvendo frutos do mar.

IMG_20171012_135826250.jpg

Outro grande vinho que harmonizou muito bem com a refeição foi o Viña Tarapacá Sauvignon Blanc Gran Reserva 2013. Vinho bem estruturado com presença forte de madeira.

IMG-20171014-WA0020.jpg

IMG_20171012_150420089.jpg

Como entrada tivemos um espumante italiano simples mas excelente para um bom começo de refeição. Spumante Valdorella.

IMG_20171012_132931755.jpg

IMG_20171012_132937221.jpg

IMG_20171012_132944329.jpg

IMG_20171012_133350993.jpg

Outros amigos escolheram utilizar vinhos rosés como harmonização. Como vimos no post sobre como um vinho é feito, o estilo rosé pode ser feito com qualquer uva e eles podem ser levemente adocicados ou secos.

IMG_20171012_132156761.jpg

IMG_20171012_132200192.jpg

IMG_20171012_132209225.jpg

Esse é um vinho digno de apreciação e harmonizou muito bem com a comida. A despeito da presença de aromas cítricos adocicados como a tangerina ele é um vinho seco e mineral. Boya 2016 Rosé.

IMG_20171012_142712203.jpg

Depois da parada no Chile é hora de voltarmos ao canônico velho mundo: Itália. Stinca Cantine Rosato. Rosé agradabilíssimo.

IMG_20171012_131706219.jpg

IMG_20171012_131714631.jpg

IMG_20171012_144159798.jpg

IMG-20171014-WA0013.jpg

O próximo da lista eu fiquei bem surpreso pois nunca tinha visto um rosé de Cabernet Sauvignon! Santa Digna Reserva Cabernet Sauvignon Rosé 2016.

IMG_20171012_131612064_HDR.jpg

IMG-20171014-WA0059.jpg

Esse ficou melhor pós-refeição como digestivo devido ao seu paladar mais adocicado! Não poderíamos nos esquecer de nossas raízes portuguesas: Muralhas de Monção Vinho Verde.

IMG_20171012_134328636.jpg

IMG_20171012_134339995.jpg

Por fim tivemos também a presença americana do seu vinho mais consumido: White Zinfandel. Sutter Home White Zinfandel. Caso queira saber mais sobre esse vinho clique aqui para ir ao post sobre ele.

IMG-20171014-WA0054.jpg

Conclusão

Excelentes harmonizações embora ache que os mais adocicados combinaram mais no pós refeição do que junto com a comida em si!

Conheça todos os posts do blog através desse link

Coq au vin, queijos e vinhos franceses, chartreuse e degustações de pinot noir

“Ao contrário dos relacionamentos pessoais e profissionais, no vinho a infidelidade é essencial” (João Filipe Clemente)

IMG_20170611_145757123.jpg

Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um tanto especial pois será um evento francês com uma receita de um coq au vin e degustações múltiplas de grandes Pinot Noir e outros vinhos. Esse é o quinto encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares) e ele ocorrerá na minha casa. Caso alguém queira conferir o quarto encontro, basta clicar aqui.

Receita do Coq au Vin

Amigos, essa é uma receita que demora algumas horas para ficar pronta, logo recomendo começar a prepara-la cedo. Já tivemos aqui no blog um post sobre o coq au vin contando sua história, caso queira conferi-lo basta clicar aqui.

IMG_20170611_112642303_HDR.jpg

Tomemos então cerca de 25 mini cebolas, descascamo-las e reservamos:

IMG_20170611_113736168.jpg

Picamos também cerca de duas mini cebolas e reservamo-las:

IMG_20170611_114228631_HDR.jpg

IMG_20170624_094046465.jpg

Cortamos em rodelas duas cenouras:

IMG_20170611_115123483.jpg

IMG_20170624_100259256.jpg

Numa panela grande de ferro colocamos azeite e manteiga para dourarmos as cebolas:

IMG_20170611_114701169_HDR.jpg

IMG_20170611_114709501.jpg

IMG_20170611_114727154

IMG_20170611_114832912.jpg

IMG_20170611_115018764.jpg

IMG_20170624_094618242.jpg

Depois de douradas, retiramo-las do fogo e reservamo-las:

IMG_20170624_095432894.jpg

Usando o mesmo azeite e manteiga usados para dourar as cebolas, douramos cerca de 750g de bacon:

IMG_20170624_095613478.jpg

IMG_20170624_095833319.jpg

Assim que o bacon estiver dourado, acrescentaremos cerca de 2,5kg de frango caipira. A receita original previa um galo mas, devido à dificuldade de acha-lo, iremos utilizar frango caipira comum. Também se usa o galo todo na receita original, mas aqui iremos usar apenas sobrecoxas.

IMG_20170611_120851364.jpg

Vamos dourar o frango junto com o bacon:

IMG_20170624_100929317.jpg

Assim que o frango estiver dourado iremos acrescentar a cebola picada e a cenoura para dourarem juntos:

IMG_20170624_102338734.jpg

IMG_20170624_102402705.jpg

IMG_20170624_103338243.jpg

Depois de cozê-los juntos, o próximo passo é acrescentar cerca de duas colheres de sopa de farinha de trigo e cozê-la junto com os outros ingredientes:

IMG_20170624_103343590.jpg

IMG_20170624_103440366.jpg

Depois de cozidos iremos acrescentar alho, sal, pimenta e algumas folhas de louro:

IMG_20170611_122920805.jpg

IMG_20170611_123107747.jpg

IMG_20170611_123116155.jpg

IMG_20170611_123216453.jpg

IMG_20170611_123252412.jpg

Depois vamos cobrir todos os ingredientes com duas garrafas de vinho tinto:

IMG_20170611_123323647.jpg

IMG_20170611_123612404.jpg

IMG_20170624_105325710.jpg

E agora se inicia um longo cozimento. Baixe o fogo e deixe o galo cozinhar por cerca de 2 horas sempre mexendo para não grudar no fundo da panela.

IMG_20170624_105919191.jpg

Enquanto isso iremos preparar os champignons:

IMG_20170624_111043347_HDR.jpg

Aproximadamente 600g e partimos todos em 4 pedaços:

IMG_20170624_112945829.jpg

Vamos agora coloca-los na frigideira com manteiga:

IMG_20170624_114611898.jpg

Vamos agora usar o suco de 1 limão, sal e pimenta do reino:

IMG_20170611_133145151.jpg

IMG_20170611_132912920.jpg

IMG_20170624_115701549.jpg

Depois de fritos, apenas reservamo-los junto com os outros ingredientes. Após aproximadamente 2 horas o frango já vai ter adquirido uma consistência bonita:

IMG_20170624_113101563.jpg

É a hora de unirmos as cebolas, o champignon e checar o sal e a pimenta:

IMG_20170624_125215971.jpg

IMG_20170624_125249632.jpg

Depois disso o coq au vin deve ainda ser cozinhado por cerca de 30-40 minutos. Enquanto isso prepararemos umas entradas para o início do evento: queijos franceses e batatas gratinadas com queijo gorgonzola feitos pela minha esposa Aline.

IMG_20170624_124218307.jpg

IMG_20170624_125005659.jpg

IMG_20170624_124646864.jpg

IMG_20170624_125419043.jpg

IMG_20170624_125435171.jpg

IMG_20170624_125626986.jpg

Para fazer as batatas basta primeiro cozê-las na água:

IMG_20170624_122939550.jpg

Fazer orifícios e colocar o molho feito com queijo gorgonzola e creme de leite antes de gratiná-las no forno:

IMG_20170624_124729272.jpg

IMG-20170625-WA0014.jpg

IMG-20170625-WA0019.jpg

Com essas entradas temos algumas cervejas artesanais:

IMG_20170611_144944831.jpg

Witbier brasileira muito bem feita, vale a pena conferir.

IMG_20170611_144952499.jpg

IMG_20170611_145229988.jpg

Uma weizen alemã:

IMG_20170624_132158541.jpg

Outra witbier artesanal muito bem feita:

IMG_20170624_132211585.jpg

IMG_20170624_140223612_HDR.jpg

IMG_20170624_135823710.jpg

Harmonização e características da pinot noir

Conforme falamos no post anterior, o coq au vin combina perfeitamente com vinhos da Borgonha, principalmente os feitos com a uva pinot noir. Essa que é considerada uma das uvas mais difíceis de serem cultivadas por exigir terroirs muito específicos. É dela que se obtém vinhos lendários como o romanée-conti que são vendidos no Brasil com valores absurdos de até R$40 mil reais:

pinot-noir-1-1024x683-1040x585.jpg

romanee.jpg

A pinot noir é talvez a uva mais adorada pelos grandes apreciadores de vinhos. É dito que, através dela produz-se vinhos muito delicados e saborosos. Ficou muito famosa no mundo e, principalmente nos EUA, depois do filme Sideways.

260x365_519ebb6848706.jpg

São vinhos que possuem baixo nível de taninos, uma acidez moderada e aromas muito frutados de cereja, amora, framboesa, especiarias, ervas e flores. Com a idade ressalta toques animais, couro e cogumelos secos. Mas é difícil definir um gosto típico de Pinot Noir, justamente por depender muito do terroir do qual foi extraída, e do seu processo de vinificação.

bdf73d8176c47900aa2fcc13fdfa36f4--wine-varietals-wine-education.jpg
Fonte: https://www.winefolly.com

Por esses motivos, houve uma decisão de harmonizar nosso coq au vin com diversos tipos de pinot noir. O primeiro e o segundo da lista foram degustados num evento anterior com o mesmo prato. Segue-se um pinot noir maravilhoso chileno da bodega ventisquero já citada algumas vezes no blog:

IMG_20170611_150535137.jpg

E um pinot noir argentino maravilhoso: Partidge Reserva Pinot Noir 2013

IMG_20170611_150509657.jpg

Degustados lado a lado todos os dois harmonizaram com o prato porém pode-se perceber a diferença de um pro outro: o chileno bastante aromático e com presença de madeira, porém com uma acidez um pouco acima da média. Já o argentino bem mais redondo e equilibrado em nada se destacando (chileno da esquerda e argentino da direita).

IMG_20170611_151126069.jpg

Vinhos de escolha

O desafio era degustar vários tipos de pinot noir e dizer qual país produz o melhor deles. Para esse desafio tivemos alguns vinhos de peso. O primeiro deles foi um chileno ganhador de vários prêmios, detentor de 91 pontos pelo Wine Spectator (James Suckling): Arboleda Pinot Noir 2014.

IMG_20170624_134902576_HDR.jpg

IMG_20170624_134912726_HDR.jpg

O segundo é um clássico da Califórnia cujo nome dispensa comentários: Robert Mondavi Private Selection Pinot Noir 2014. Caso alguém não tenha visto o post sobre os vinhos californianos pode clicar aqui.

IMG_20170613_192049668.jpg

E temos também dois representantes clássicos da região lendária da Borgonha (o berço da Pinot Noir e dita pelos especialistas possuir os melhores vinhos). Masson Dubois Bougorne 2011 e Louis Latour 2013.

IMG_20170624_131825335_HDR.jpg

IMG_20170624_131833031.jpg

IMG_20170624_131848567_HDR.jpg

IMG_20170624_131859983.jpg

Início das degustações

Após o tempo previsto o coq au vin ficou pronto:

IMG_20170624_142235108.jpg

Como acompanhamento fica perfeito uma baguete de parmesão.

IMG_20170624_142815228.jpg

IMG_20170624_143114951.jpg

IMG_20170624_143441830.jpg

IMG_20170624_143559618.jpg

IMG_20170624_144232076.jpg

IMG_20170624_144345742.jpg

Quando colocamos os três um do lado do outro fica fácil ver algumas características: o chileno é o mais aromático porém o mais ácido de todos. O americano é o mais redondo e agradável com um retrogosto agradável e macio enquanto que o francês é um bom vinho mas sem personalidade e com retrogosto seco e levemente desagradável. Nada se destaca nele, mas de acordo com os presentes foi o que melhor harmonizou com o prato. Nesse duelo não houve vencedores pois todos eram muito bons.

IMG_20170624_150857970.jpg

IMG_20170624_150906664.jpg

Além desses pinot noir tivemos alguns outros muito bons:

IMG_20170624_131033740.jpg

Esse é um Francês feito com um assemblage de uvas:

IMG_20170624_161749107.jpg

Um primitivo italiano que foi uma das estrelas da festa: La Marchesana Primitivo di Puglia 2015.

IMG_20170624_134750596_HDR.jpg

IMG_20170624_134802897.jpg

IMG_20170624_153351840.jpg

Mais uma vez um vinho da bodega ventisquero: Carmenère 2015

IMG_20170624_162714832.jpg

IMG_20170624_162735319.jpg

IMG_20170624_164127208.jpg

E um vinho português do Douro que impressionou por sua qualidade por ser um vinho de R$30 reais. Ele é um dos exemplos de que um vinho não precisa ser caro para ser bom!

IMG_20170611_155920762.jpg

IMG_20170611_155934342_HDR.jpg

Dessert

Como sempre na confraria sempre temos uma surpresa que nos aguarda e hoje foi a vez da maravilhosa torta mais do que genuinamente francesa feita pela minha tia Sônia: Tarte Tatin.

IMG_20170624_151951859_HDR.jpg

Essa torta é muito conhecida na França e tem uma história bem legal. Reza a lenda que a Tarte Tatin teria nascido de um erro culinário, ocasionado por um momento de desatenção da cozinheira. Quando Jean Tatin faleceu no final do século XIX, suas filhas Stéphanie e Caroline herdaram o hotel e restaurante Tatin, situado na pacata cidade de Lamotte-Beuvron, no Loir-et-Cher (centro da França). Caroline era conhecida por ser uma excelente administradora. Já Stéphanie, era uma cozinheira muito talentosa. As duas formavam uma ótima equipe e, mesmo após o falecimento do pai, elas continuaram gerindo com brio o estabelecimento familiar. Uma das especialidades de Stéphanie era a torta de maçãs, que ela servia morna, caramelizada e bem macia. Os clientes vinham de longe para apreciar a famosa iguaria. No entanto, Stéphanie também era conhecida pelo seu jeito meio distraído e tagarela. Assim, num dia de muito movimento, ela ficou conversando demais com os clientes até que se deu conta de que a sobremesa não estava pronta. Então, ela correu para preparar a famosa torta, pôs ela no forno e só depois é que reparou que tinha esquecido de colocar a massa no fundo da forma. Vendo que as maçãs estavam caramelizadas, ela teve a idéia de pôr a massa por cima e de virar a torta quando ela saísse do forno. Quanto aos clientes, eles simplesmente adoraram a nova receita!

IMG_20170624_153711444.jpg

Como acompanhamento para essa receita temos dois licores genuinamente franceses e difíceis de encontrar fora da França. O primeiro deles é o Chartreuse, um licor de pêra:

IMG_20170624_132424202.jpg

IMG_20170624_132426652.jpg

IMG_20170624_132436080.jpg

IMG_20170624_154414486_HDR.jpg

IMG_20170624_154603925.jpg

O segundo é o liqueur de génépi de savoie feito com uma florzinha que cresce nos alpes franceses:

IMG_20170624_132352565.jpg

IMG_20170624_132400904.jpg

IMG_20170624_160902030.jpg

Conclusão

Foi um prazer muito grande receber todos na minha humilde residência e partilhar de momentos tão indeléveis! Recomendo cada um dos vinhos desse post. Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

Conheça todos os posts do blog através desse link

Fettuccine verde ao molho pomodoro, frango na cerveja e duelo de shiraz australiano com chileno

 “Os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons.” Cícero

IMG_20170521_143850936.jpg

Introdução

Olá amigos, hoje iremos falar sobre como combinar massas com vinhos e faremos um teste cego para decidirmos qual o melhor Shiraz: australiano ou argentino?

Cervejas

Começaremos falando sobre uma cerveja japonesa que tem se popularizado bastante no Brasil: Kirin Ichiban.

IMG_20170504_195405572.jpg

IMG_20170504_195505158.jpg

Essa é uma cerveja que pode ser tida como uma boa opção para o público brasileiro em geral por se tratar de uma puro malte de bom custo benefício.A segunda é uma witbier espanhola: Estrella Damm Inedit.

IMG_20170513_240614527.jpg

IMG_20170513_240646009.jpg

IMG_20170513_240849529.jpg

Essa é uma cerveja artesanal espanhola criada em parceria com o chef Ferran Adrià, do Restaurante El Bulli. Combina maltes de cevada e trigo, lúpulos, coentro, casca de laranja e alcaçuz, e passa por segunda fermentação na garrafa para ganhar complexidade. Frutada e floral no aroma, adocicada no paladar. É cremosa, fresca, frisante e de final agradável. A terceira cerveja é uma Weiss alemã muito conhecida: Erdinger Urweisse.

IMG_20170513_243345952.jpg

IMG_20170513_243355207.jpg

IMG_20170513_243804690.jpg

Como todos sabem, a Erdinger tradicional é a cerveja de trigo mais consumida do mundo. Já a Urweisse é produzida apenas com o processo de alta fermentação nos tanques (não é refermentada na garrafa), mantendo assim as características típicas de uma cerveja Weiss, com aroma e paladar complexos, rico em notas frutadas.

Características da Shiraz

Amigos, já tivemos aqui no blog um post sobre o vinho que é considerado o melhor Shiraz do mundo: o Crozes-Hermitage (link para o post). E hoje vamos falar sobre o país que produz os segundos melhores Shiraz: a Austrália. Mas quais são as características dessa uva tão famosa?

Syrah-wine-guide.jpg
Fonte: http:\\www.winefolly.com

A Shiraz é uma das uvas mais antigas usadas para fazer vinho datando dos gregos e romanos. Ela tem origem no vale do Rhone na França e possui aromas deliciosos de amoras, chocolate, pimenta, baunilha, tabaco e cogumelos:

frequent-aromas-in-shiraz.png

8332586b318b7903f5b6ed985f28ff44.jpg
Fonte: https://br.pinterest.com

Harmonização e Teste Cego

Hoje vamos escolher uma massa para harmonizar com essa uva maravilhosa. O prato de escolha será um fettuccine verde (leva espinafre na massa) ao molho pomodoro e um frango na cerveja.

IMG_20170521_131129103_HDR.jpg

IMG_20170521_131327728_HDR (1).jpg

IMG_20170521_131358949_HDR.jpg

IMG_20170521_131216812_HDR.jpg

IMG_20170521_131154305.jpg

Enquanto a comida vai sendo preparado podemos ir saboreando um delicioso pão caseiro com queijos e uma boa cerveja.

IMG_20170521_131229442.jpg

IMG_20170521_132033940.jpg

Ou uma caipiroska feita com uma maravilhosa vodka francesa: Cîroc.

IMG_20170521_142455252.jpg

IMG_20170521_134023756.jpg

IMG_20170521_135744798.jpg

IMG_20170521_143850936.jpg

IMG_20170521_142735636.jpg

IMG_20170521_144738659.jpg

Com a comida pronta podemos começar o embate entre os dois vinhos: Chileno ou Australiano?

IMG_20170521_120512741.jpg

IMG_20170521_120539915.jpg

IMG_20170521_143036559.jpg

IMG_20170521_143136832.jpg

IMG_20170521_143402858.jpg

IMG_20170521_143937917.jpg

No teste cego realizado entre as 5 pessoas presentes, todas foram unânimes em escolher o Australiano, o qual se mostrou bem superior tanto no bouquet quanto na boca. Testamos também como harmonização um pinot noir californiano (redwood creek) e um cabernet-sauvignon da África do Sul.

IMG_20170521_150038292.jpg

IMG_20170521_150232986.jpg

IMG_20170521_150243986.jpg

IMG_20170521_150136724.jpg

IMG_20170521_151320549.jpg

E o pinot noir mais uma vez foi a bola da vez ganhando no quesito harmonização!

IMG_20170521_162742446

IMG_20170521_162745843.jpg

IMG_20170521_163234921.jpg

Sobremesa

Para a torta de limão tivemos uma seleção de drinks:

IMG_20170521_155515031.jpg

Licor 43:

IMG_20170521_154925395.jpg

Bellini e Rossini:

IMG_20170521_155111304.jpg

IMG_20170521_155127818.jpg

IMG_20170521_155247234.jpg

IMG_20170521_155447270.jpg

IMG_20170521_155454488.jpg

IMG_20170521_155501495.jpg

IMG_20170521_162405189.jpg

IMG_20170521_155540915.jpg

Conclusão

Dessa vez o australiano se sobressaiu ao chileno mas para a harmonização com a comida o pinot noir californiano surgiu incólume!!

Conheça todos os posts do blog através desse link

Paella de Frutos do Mar com Albariño, Sauvignon Blanc Gran Reserva, Castello D’Alba Vinhas Velhas e Paralelo 8

“O vinho lava nossas inquietações, enxuga a alma até o fundo, e , entre outras coisas, garante a cura da tristeza.” Sêneca

IMG_20170225_143505725.jpg

Introdução

Olá amigos, hoje é um post especial porque estamos comemorando o aniversário da minha esposa Aline e vamos degustar um dos nossos pratos preferidos: a paella de frutos do mar junto com o vinho de perfeita harmonização (uva Albariño) conforme prometido no post anterior. Também teremos algumas cervejas e vinhos perfeitos. Agradecemos aqui a minha tia Sônia por ter preparado essa receita tão maravilhosa.

Apéritif

Continuando com o costume do nosso blog, começaremos falando sobre 3 cervejas muito gostosas e recomendadas: delirium nocturnum, a paulaner oktoberfest bier e uma das minhas cervejas de trigo preferidas: karavelle.

IMG_20170210_124733141.jpg

IMG_20170210_124951117.jpg

Esta excelente Belgian Strong Dark Ale é produzida com 3 tipos de levedura e 5 tipos de malte que fazem com que a Delirium Nocturnum tenha um sabor complexo com notas de frutas passas e chocolate além de um aroma adocicado. De cor escura, triplamente fermentada e bem encorpada, é a companhia ideal para o inverno.

IMG_20170210_130842414.jpg

IMG_20170210_130955889.jpg

Esta é a cerveja mais famosa que é consumida durante a Oktoberfest da capital Bávara (Munich), que acontece desde o ano de 1810. De coloração amarelo forte com uma ótima formação de espuma de boa duração. É uma cerveja transparente de brilho intenso. No nariz, os aromas do malte lembram biscoito e cereais matinais, seguido do leve floral do lúpulo. A cerveja possui o dulçor dos maltes ao mesmo tempo que o amargor do lúpulo.

IMG_20170210_134445523.jpg

IMG_20170210_134707976 (1).jpg

Essa terceira figura entre as cervejas de trigo mais saborosas na minha opinião. Muito encorpada e gosto extremamente agradável. Cerveja paulista que não deixa a desejar para nenhuma outra europeia. Recomendo com empenho!!

Harmonização com a paella de frutos do mar

A paella é um prato bem típico que surgiu na Espanha, nos séculos XV e XVI, na região de Valência, mais especificamente na região de Albufera, região de grandes arrozais e de grande produção de verduras frescas.

valencia_mapadeespana_520x350

Originalmente um prato popular, foi criada pelos camponeses que partiam para o campo com a paellera ou paella, arroz, azeite e sal e agregavam ingredientes da caça, legumes da estação e as sobras que possuíam. O tomate só foi acrescentado posteriormente, trazido da América por Cristóvão Colombo, e o frango, que era muito caro para os padrões da época. Com a difusão da paella pela costa, foram acrescentados frutos do mar: choco, camarões, lulas, lagostins, amêijoas (vôngole), mexilhões, e polvo, tornando-o um prato misto (terra e mar). Em suas diferentes variações, encontram-se ainda as “paellas marineras” (peixe e frutos do mar) e a “paella negra”, com tinta de lula. No Brasil, normalmente é feita com frutos do mar.

IMG_20170225_125846533_HDR.jpg

IMG_20170225_130005531.jpg

Vamos começar a fazer a paella usando um molho específico de peixe que pode ser comprado pronto ou pode ser feito em casa somente com o uso das cabeças do peixe e temperadas com sal, pimenta, etc. O fumê de peixe será usado ao invés da água para cozinhá-la:

IMG_20170225_133606971.jpg

As cabeças e cascas dos camarões serão colocadas ao fogo com azeite tomando cuidado para que o molho não chegue ao fervor. Depois essa marinada pode ser utilizada.

IMG_20170225_133903773.jpg

IMG_20170225_134131087.jpg

Aproximadamente 2 cebolas picadas:

IMG_20170225_134913559.jpg

O azeite ideal para usarmos é um que é próprio para cozinhar:

IMG_20170225_134549760.jpg

Continuaremos a refogar a cebola junto agora com dois pimentões: 1 amarelo e 1 vermelho. Sugestão: Caso você não goste muito de comer o pimentão a idéia é cortá-lo em fatias grandes como faremos aqui.

IMG_20170225_135333864.jpg

IMG_20170225_135338062.jpg

IMG_20170225_135629228.jpg

O arroz a ser utilizado é aquele próprio para risotos:

IMG_20170225_134424524.jpg

IMG_20170225_134527911.jpg

Refogamo-lo junto com os pimentões e a cebola:

IMG_20170225_135929575.jpg

IMG_20170225_135935095.jpg

Acrescentamos então sal e pimenta do reino branca:

IMG_20170225_140004363.jpg

IMG_20170225_140005958.jpg

Depois adicionamos o açafrão:

IMG_20170225_140205933.jpg

IMG_20170225_140049758.jpg

IMG_20170225_140054040.jpg

Agora vamos adicionar o caldo do peixe e deixá-la cozinhar um pouco:

IMG_20170225_140244435.jpg

IMG_20170225_140246982.jpg

IMG_20170225_140409504.jpg

Após isso iremos adicionar os frutos do mar que já estavam marinando com limão siciliano, cachaça e azeite: Polvo, Lula, Mexilhão e Camarão.

IMG_20170225_141014293.jpg

IMG_20170225_141159616.jpg

Depois de um tempo cozinhando iremos adicionar as vagens de ervilha e o camarão gigante:

IMG_20170225_141808479.jpg

IMG_20170225_133834293.jpg

IMG_20170225_142118059.jpg

Depois de um tempo cozinhando no fogo a paella estará pronta:

IMG_20170225_143341016.jpg

IMG_20170225_143501022.jpg

IMG_20170225_143505725.jpg

Conforme falei na apresentação do nosso post, o vinho que serve de forma perfeita para a harmonização com essa paella são os feitos com a casta albariño, que é a uva Alvarinho do post anterior produzida no terroir espanhol. Conforme falamos anteriormente, os vinhos produzidos com essa uva são bem minerais e possuem um nível de acidez acima da média.

IMG_20170225_144349250.jpg

O segundo vinho para a harmonização será um dos tops em qualidade da concha y toro: Sauvignon Blanc Gran Reserva. Esse é um vinho branco porém amadeirado que passa o tempo máximo possível em barricas de carvalho.

IMG_20170225_150316549.jpg

Após a paella teremos uma verdadeira obra prima de Portugal: Castello D’alba Vinhas Velhas. Uma vinha velha pode ter 80 ou 100 anos no Douro e 50 no Alentejo – não há fronteiras temporais rígidas, porém o resultado é uma produção pequena de uvas com concentração, profundidade e equilíbrio. Com uma enologia consciente, os resultados no copo chegam a ser comoventes. Poder degustar um vinho desse porte é um verdadeiro sonho estando no Brasil pois nem pela internet consegui encontrar esse vinho!!

IMG_20170225_133134229.jpg

Esse vinho passa 18 meses em barricas de carvalho francês e o resultado é um vinho altamente frutado com aromas claros de frutas negras e vermelhas.

IMG_20170225_152110052_HDR.jpg

IMG_20170225_153318522.jpg

O segundo vinho tinto é um verdadeiro orgulho para o Brasil e para o Vale do São Francisco. Já tivemos um post sobre um bom vinho da vinícola Rio Sol aqui no blog onde eu também prometi que ia fazer um review sobre o top deles: o paralelo 8. Esse que foi eleito o terceiro melhor vinho do Brasil.

IMG_20170225_155720910.jpg

IMG_20170225_161219408.jpg

IMG_20170225_161016636.jpg

Vinho que lembra bem o Alentejo. Para finalizar tivemos também o vinho que já nos foi apresentado no post anterior: o redwood creek pinot noir. Um vinho famosíssimo nos Estados Unidos.

IMG_20170225_163850562.jpg

IMG_20170225_164502779.jpg

Conclusão

Acho que o ponto que mais frisamos aqui no blog é o fato da comida ser ligada à bebida e vice e versa. Harmonizar uma boa comida com a bebida correta pode obter prazeres inimagináveis e assim foi com nossa paella. Mais uma vez parabéns minha querida Aline.

Conheça todos os posts do blog através desse link

Paleta de cordeiro com batatas aos murros, vinhos do douro e pinot noir californiano com queijo Serra da Estrela

“O vinho é o mais notável de todos os remédios; onde falta o vinho, os remédios se fazem necessários”. Livros do Talmud (500-400 a.C.)

img_20170129_140004634

Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será muito especial devido ao fato de que iremos desbravar o mundo português tanto da culinária quanto dos vinhos. Iremos falar sobre o queijo mais gostoso que eu já comi na vida e de mais assuntos afins como um excelente pinot noir da Califórnia. Para facilitar o entendimento, abaixo temos a foto do mapa de Portugal com suas regiões vínicas:

IMG_20170129_183911194.jpg

Apéritif

De modo a não perdermos o costume do nosso blog, começaremos falando sobre 3 cervejas muito gostosas e recomendadas: goose island honkers ale, a hofbräu e a eisenbahn weizenbier.

IMG_20170128_193626547.jpg

IMG_20170128_193730712.jpg

Essa, junto com a delirium tremens, é uma cerveja altamente agradável e fácil de tomar. Muito encorpada e dotada de aromas extremamente frutados. Excelente standard bitter.

IMG_20170128_195857095.jpg

IMG_20170128_200035569.jpg

Essa é o tipo de cerveja que dispensa apresentações. Refrescante, levemente amarga e picante, ela apresenta baixa fermentação e é produzida de acordo com a Lei de Pureza de 1516. A cervejaria Hofbräu pertence à prefeitura de Munique e, nos seus mais de 400 anos de existência, sempre foi a cerveja oficial da Corte Real Bávara. Ela também possui, no coração de Munique, a maior choperia do mundo – o Hofbräuhaus – que recebe 1,2 milhões de visitantes por ano e onde são servidos aproximadamente 5.000 litros de chope por dia.

IMG_20170128_210629626.jpg

IMG_20170128_210811129.jpg

Essa terceira é um exemplo de que é possível no Brasil comprar cervejas baratas (aproximadamente R$7 a long neck) com uma qualidade considerável.

IMG_20170129_131205074.jpg

IMG_20170129_131517756.jpg

Nossa primeira degustação começará com um vinho feito com uma das uvas brancas mais icônicas de Portugal: a Alvarinho, a qual é prima direta da Albariño Espanhola que é responsável pela perfeita combinação com a paella de frutos do mar (post em breve).

IMG_20170129_131534074_HDR.jpg

Essa uva produz um vinho com um aroma muito fino porém austero e elegante com notas cítricas e minerais com pouca fruta. Bom nível de acidez e frescor. Já o segundo vinho é um corte clássico do douro: Malsavia Fina, Gouveio e Rabigato.

IMG_20170129_131552199_HDR.jpg

Esse é um vinho que também possui notas minerais e florais porém, ao contrário do anterior, é bem frutado e apresenta aromas claros de frutos brancos como pêra e maçã.

IMG_20170129_134149906_HDR.jpg

Queijo Serra da Estrela

Como primeira degustação iremos provar um queijo português cremoso de cabra conhecido como Queijo Serra da Estrela. Ele recebe esse epíteto porque são produzidos nos arredores da Serra da Estrela. Ganhador de diversos títulos é, de longe, o queijo mais gostoso que já provei na vida.

IMG_20170129_131853683.jpg

IMG_20170129_131903475.jpg

IMG_20170129_132038103.jpg

IMG_20170129_132131591.jpg

IMG_20170129_132136269.jpg

IMG_20170129_132206504.jpg

O queijo harmonizou de forma perfeita com o vinho da casta Alvarinho.

IMG_20170129_132307433.jpg

Todo o momento também foi embalado pela trilha sonora da fadista mais conhecida de Portugal da atualidade: Carminho.

carminho-644x362

IMG_20170129_131721068.jpg

Caso alguém queira o link para o cd dela no youtube vou deixar aqui em baixo:

https://www.youtube.com/watch?v=u8NkR2csotg&t=775s

A segunda entrada também foi perfeita: Pêra ao vinho com molho de queijo Gorgonzola:

IMG_20170129_134543576.jpg

Apesar dele ter harmonizado com o vinho Quinta da Pedra Alta, ele ficou ainda melhor com um vinho do Porto:

IMG_20170129_134851674.jpg

Harmonização com a paleta de cordeiro com batatas aos murros

É realmente muito difícil ganhar de uma boa carne de cordeiro. E melhor do que ela é ela mais um bom vinho do Douro:

IMG-20170129-WA0004.jpg

IMG-20170129-WA0006.jpg

IMG_20170129_135718115.jpg

O Encostas do Tua 2012 é um vinho excelente possuidor de aromas frutais e taninos bem redondos. Na boca podemos perceber a presença de especiarias também.

img_20170129_140004634

IMG_20170129_140030109.jpg

IMG_20170129_140149862.jpg

IMG_20170129_140223273.jpg

IMG_20170129_140704466.jpg

Outro vinho que participou da degustação também foi o Redwood Creek Pinot Noir da Califórnia. Ele é um vinho muito agradável e parecido com o búlgaro da Soli do post anterior.

IMG_20170129_163027818.jpg

IMG_20170129_163034625.jpg

IMG_20170129_164235258.jpg

Dessert et Digestif

Após os pratos maravilhosos temos ainda alguns doces genuinamente portugueses: O pastel de nata ou de Belém e o pastel santa clara. Ambos obtidos na casa rancho português.

IMG_20170129_143932988.jpg

IMG_20170129_144213427.jpg

IMG_20170129_143134618.jpg

E para completar a degustação teremos um dos melhores vinhos do porto da atualidade: Sandeman Late Bottled Vintage.

IMG_20170129_143949620.jpg

Ele é um tipo de vinho do porto especial porque leva mais tempo envelhecendo e apurando do que os vinhos do porto tradicionais.

IMG_20170129_144445762.jpg

IMG_20170129_144453029.jpg

IMG_20170129_144932162.jpg

Conclusão

Depois dessa experiência passei a entender que Portugal e sua cultura devem ser um sonho pois tudo parece muito surreal!

Conheça todos os posts do blog através desse link

White Zinfandel, Vinho Rosé e Salmão ao Molho de Alcaparras

“O vinho é o mais belo presente que Deus fez aos homens.” (Platão)

ZinJohnHensley.JPG
Fonte: http://pasowine.com/

Introdução

Apesar de já termos falado sobre a zinfandel no tópico sobre os EUA, senti que foi criado um vácuo em relação ao tipo de vinho mais famoso consumido lá (a sua versão mais “fraca”, por assim dizer): o seu rosé White Zinfandel. Então esse será nosso primeiro post a falarmos de uma maneira geral sobre os vinhos rosés. Estudos comprovam que 1 em cada 10 dos vinhos consumidos nos EUA são do tipo White Zinfandel.

Características dos vinhos White Zinfandel

Os vinhos do tipo White Zinfandel são odiados por muitos apreciadores de bons vinhos principalmente porque eles são adocicados e mais baratos do que outros tipos de vinho. Os rosés muitas vezes não são considerados “como vinhos” por estarem em cima do muro: nem são brancos e nem são tintos.

Os vinhos do tipo White Zinfandel apresentam aromas muito parecidos com os Zinfandel como frutas negras e vermelhas como cassis, groselha, framboesa, cereja, ameixa, etc.

Harmonização

Devido à sua baixa tanicidade, o prato de escolha para esse tipo de vinho será um peixe e, especificamente, um salmão. Faremos um salmão ao molho de alcaparras com batata sauté como acompanhamento.

Vinho de escolha: Robert Mondavi Woodbridge White Zinfandel, Califórnia 2014

Falamos bastante no nosso último post sobre a Zinfandel e os EUA sobre a alta qualidade dos vinhos produzidos no Napa Valley e, sobre seu lendário idealizador, Robert Mondavi. Logo, de forma a não errarmos, faremos a escolha pelos vinhos produzidos e idealizados pelo “Steve Jobs” do mundo do vinho americano.

IMG_20161202_195059196.jpg

Receita do Salmão ao molho de Alcaparras

Tomamos uma peça de um bom salmão

IMG_20161202_204335749.jpg

IMG_20161202_205018858.jpg

Cortamo-lo em pedaços de média espessura

IMG_20161202_205041388.jpg

Depois o temperamos com sal e pimenta do reino branca

IMG_20161202_205708477.jpg

IMG_20161202_210024573.jpg

Deixamo-lo descansar enquanto levamos as batatas para cozinhar

IMG_20161202_210136700.jpg

A fim de “selarmos” o salmão, vamos levá-lo à frigideira com um leve fio de óleo e deixar cada lado dele por aproximadamente 4 minutos num fogo médio. As laterais dele deixaremos por 1 minuto apenas:

IMG_20161202_210432892.jpg

Após esse tempo tiramos o salmão da frigideira e deixamo-lo descansar enquanto terminamos de fazer as batatas. Descascamo-las:

IMG_20161202_212953479.jpg

Cortamo-las ao meio e levamo-las a uma frigideira com um fio de azeite ou manteiga e temperamo-las com sal e orégano:

IMG_20161202_214531640.jpg

Enquanto isso preparamos o molho de alcaparras na mesma frigideira usada para selar o salmão. Alho a gosto:

IMG_20161202_212149590.jpg

5 colheres de sopa de manteiga

IMG_20161202_212232282.jpg

50g de alcaparras

IMG_20161202_212204602.jpg

Suco de 1/2 limão

IMG_20161202_212358709.jpg

Sal e pimenta a gosto. Depois juntamos as peças que estavam fora da panela ao molho e deixamos por um pouco de tempo:

IMG_20161202_214503599.jpg

Conclusão

Et voilà, combinação perfeita:

IMG_20161202_215256955.jpg

IMG_20161202_215401185.jpg

Conheça todos os posts do blog através desse link

Zinfandel, Primitivo e Costelinha do Outback

“O vinho é prova constante de que Deus nos ama e nos deseja ver felizes”- Benjamin Franklin

Embora existam mais de 5000 espécies catalogadas de uvas viníferas (Vitis Vinifera), é fato claro que todo apreciador de vinhos possui a sua uva preferida. E comigo não é diferente, pois a uva tinta que mais aprecio é a Primitivo, a qual é muito famosa na Itália.

primitivo-di-manduria

Mas o post atual será para falarmos sobre sua versão americana: a Zinfandel.

zinfandel_grapes

Durante muito tempo acreditou-se que elas eram uvas distintas, mas testes demonstraram tratar-se da mesma uva. Porém, como já falei nos posts anteriores, uma Malbec na França não produz o mesmo vinho que uma Malbec na Argentina e assim é com a Zinfandel e a Primitivo: ambas produzem vinhos espetaculares porém com características únicas.

Breve história da viticultura americana

A história da viticultura americana tem início na era da corrida do ouro, onde vários imigrantes foram em busca do metal precioso e, com eles, trouxeram diversas uvas. Ninguém sabe ao certo como e quando a zinfandel chegou aos EUA, mas acredita-se que foi nesta época. Tudo ia às mil maravilhas até os EUA estabelecerem a lei seca (1920 a 1933) proibindo qualquer tipo de bebida alcóolica no país. Foi aí que todas as vinícolas foram destruídas.

5_prohibition_disposal9

Foi nesta época que surgiu um dos primeiros gangsters da história do mundo e o maior da história americana: Al Capone. Muito antes de Pablo Escobar e El Chapo, ele foi o responsável por contrabandear álcool para os EUA e chefiar a maior quadrilha já conhecida para a época até ser preso acusado de sonegar imposto de renda por vários anos.

Gangster Al Capone Smoking Cigar

Quando a lei seca é derrubada, lentamente a cultura vinícola volta a renascer a passos muito lentos e isso persiste até a década de 60 com a participação de um homem: Robert Mondavi.

robert-mondavi-forbes-magazine-e1465249542230

Esse é aquele que pode ser considerado como o Steve Jobs do mundo do vinho, pois poucas personalidades no mundo foram tão expressivas quanto ele! Robert Mondavi começou no mundo do vinho na empresa da família, com o pai e o irmão. Assim como todos os produtores norte-americanos da época, o foco era na produção de vinhos de garrafão, de baixa qualidade. Após uma viagem pela Europa visitando vinícolas, ele voltou para casa decidido a transformar a produção da família com o seguinte bordão: “Vou produzir um vinho com uma qualidade tão absurda que irá derrotar todos os franceses!”, algo impensável na Napa Valley dos anos 1960. As diferenças de objetivo levaram a um racha com a família, e Robert Mondavi abriu sua própria empresa em 1966, quando ele tinha 53 anos de idade.

robertmondaviwinery

Abaixo temos imagens da primeira safra:

1966-front

1966-robertmondavi-zinfandel-225x300

1976 é o ano mais importante da vinicultura americana pois foi quando houve o julgamento de paris (The Paris Wine Tasting of 1976; vale a pena conferir o filme que está no netflix bottle shock), que foi uma competição organizada em Paris em que apenas alguns dos maiores sommeliers franceses participaram de um teste cego organizado entre vinhos franceses e americanos. Pela primeira vez em toda a história do mundo os vinhos americanos tiraram em primeiro lugar, tanto na categoria de brancos quanto na de tintos, quebrando assim o dito de que apenas na França se produzia bons vinhos e tornando assim Robert Mondavi uma lenda viva. Imagine que a França produz vinhos há pelo menos 1000 anos com milhares de grandes produtores e um único homem em apenas 16 anos derruba um império desses. Essa lenda se chamava Robert Mondavi! Abaixo segue a foto dos vinhos vencedores:

producers_from_judgement_of_paris_wine_tasting

Desde então, os EUA (especificamente o Napa Valley) tem produzido vinhos tão bons ou até melhores do que os Europeus. E embora se produza boa parte das uvas conhecidas (chardonnay, cabernet-sauvignon, shyraz, etc) com a mesma qualidade, a uva que mais se destaca é a Zinfandel (e ainda mais especificamente os vinhos rosés dela: White Zinfandel).

Características da Zinfandel

O fato de ser minha uva preferida diz respeito a uma característica única da primitivo/zinfandel: equilíbrio. Nenhuma outra uva produz um vinho tão equilibrado quanto essa uva. Tem cor rubi violácea, com um aroma que apresenta certa dose de frutas negras bem maduras (principalmente cerejas negras(cassis), morango e ameixas) e especiarias doces, escoltadas por um mentolado remetendo a cânfora. Na boca, é macio, com bom volume, e nada se destaca, nem acidez, nem taninos, nem álcool. Tudo equilibrado e sem chamar atenção.H2DH‡ôÈ §KP

Plum.jpg

freegreatpicture-com-637-high-definition-material-strawberry

Algo muito presente nos vinhos americanos é o aroma característico de baunilha devido ao barril de carvalho americano:

essencias-baunilha-essencia

Harmonização

A uva primitivo é uma uva bem “coringa” devido ao seu equilíbrio de sabores então ela combina com vários tipos de pratos diferentes, mas nenhum deles casou tão bem quanto a famosa costelinha do outback, por isso a escolha será ela.

img_20161021_190158794

Com aproximadamente 1,5kg de costela, tempera-se aproximadamente com:

  1. 1 colher de sopa de sal
  2. 1 colher de sopa de cebola desidratada
  3. 1 colher de sopa de alho desidratado
  4. 1 colher de sopa de páprica
  5. 1 colher de açúcar mascavo
  6. 1 colher de sopa de pimenta do reino
  7. Pimenta tabasco

img_20161021_192256270

Após temperada, devemos envolvê-la com aquele tipo de plástico específico para churrasco e levar para a churrasqueira a 50 cm da brasa por aproximadamente duas horas:

img_20161021_200218236

Apéritif

Nos países europeus (principalmente a França) é muito comum antes da bebida e do prato principal ser servido um aperitivo (apéritif) como forma de “abrir” o apetite para o prato principal, que pode ser ou uma cerveja ou um vinho branco. Nesse caso iremos de cerveja patagônia com salame espanhol:

img_20161021_220359616

Vinho de escolha: Robert Mondavi Zinfandel Private Selection

img_20161021_202917406

A linha Private Selection foi criada em 1994 e, apesar do nome, esta linha visou o mercado popular premium, isto é, vinhos com preços mais acessíveis, com foco em consumidores que não estavam dispostos a pagar dezenas ou centenas de dólares por um vinho. É mais ou menos o que o Tommy Hilfiger se propôs: fazer uma roupa de luxo com preço popular!

Após as duas horas na churrasqueira, devemos retirar o plástico, pincelar com molho barbecue e retornar à churrasqueira por mais 30 minutos. Depois disso está pronto:

img_20161021_224433377

Ficou muito gostoso e macio:

img_20161021_224502461

O vinho é realmente um espetáculo: poucas vezes vi um vinho tão aromático como esse. Aromas adocicados de frutas vermelhas (cereja negra, morango e ameixas) com um toque de baunilha torna-o bem redondo e pronto para beber. Vinho extremamente agradável na boca: macio, sem taninos fortes, sem acidez forte. Nota: 10. Recomendo com empenho!!!

img_20161021_223951348

Digestif

Assim como o apéritif, após as refeições principais pode ser servido um licor ou um vinho do porto ou, como é costume na cidade de Cognac ou região de Bordeaux: servir um Cognac. O Cognac é uma bebida destilada de vinho e armazenada em barris de carvalho por pelo menos 5 anos. Vale ressaltar que só pode ser chamado de Cognac a bebida que é produzida nessa região, todas as outras são chamadas de Brandy. No nosso caso iremos de Brandy espanhol: Osborne.

img_20161020_200419497

img_20161020_200513419

Conheça todos os posts do blog através desse link