Harmonizando Bobó de Camarão e Moqueca com Vinhos

“O vinho é uma das coisas mais civilizadas do mundo e uma das coisas mais naturais do mundo que alcançou a maior perfeição. Oferece uma gama maior para o prazer e apreciação do que possivelmente qualquer outra coisa puramente sensorial.” Ernest Hemingway

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Introdução

Amigos, hoje o post será sobre como harmonizar Bobó de Camarão e Moqueca de Peixe com vinhos. Esse evento também é o oitavo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o sétimo encontro, basta clicar aqui.

Confraria Távola Di Amici

Amigos, estamos hoje mais uma vez na casa dos queridos Daniel e Cláudia numa oportunidade única de poder degustar um bobó de camarão dos deuses junto com uma moqueca de peixe.

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No quesito da harmonização o ideal é o uso de qualquer vinho branco. Mas especificamente esse é um prato que pede um vinho mais encorpado como um Chardonnay ou um Viognier. Mas a combinação com outros brancos ou rosés também fica perfeita.

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A minha primeira escolha foi de modo a podermos celebrar um pouco mais dos vinhos que nosso país produz: Casa Valduga Chardonnay 2015.

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Esse é um vinho que, ao mesmo tempo em que emociona, traz também a decepção de não corresponder ao seu preço. É um grande vinho e traz orgulho ao Brasil, porém é caro por demasiado. É encorpado e embalado por aromas cítricos porém apresenta características mais rústicas como acidez um pouco elevada quando comparado com um chileno por exemplo. Achei que valeu muito a pena degustá-lo como conhecimento porém com R$80 (ou muito menos) compra-se um vinho chileno de qualidade muito superior.

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A viognier é uma uva que se encaixa perfeitamente nessa classificação de vinhos brancos encorpados, porém é muito rara no Brasil e seus vinhos possuem valores elevados. Optei então por uma versão Argentina bem mais barata. Ampakama Viognier 2016.

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Conforme expliquei esse é um vinho no máximo para o dia-a-dia e, nessa perspectiva, cumpre o prometido!

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Mas a prata da casa ainda estava por vir. Apesar da Sauvignon Blanc produzir vinhos brancos leves, ela também harmoniza bem com os pratos em questão. E conforme falamos sobre os vinhos da Nova Zelândia num post anterior, sabemos que é lá onde se produzem os melhores Sauvignon Blanc do mundo. Sileni The Straits Sauvignon Blanc 2015.

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Esse é sem sombra de dúvidas um vinho que todos devem conhecer antes de morrer. Altamente aromático com presença de frutas tropicais como a goiaba embala qualquer boa refeição envolvendo frutos do mar.

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Outro grande vinho que harmonizou muito bem com a refeição foi o Viña Tarapacá Sauvignon Blanc Gran Reserva 2013. Vinho bem estruturado com presença forte de madeira.

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Como entrada tivemos um espumante italiano simples mas excelente para um bom começo de refeição. Spumante Valdorella.

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Outros amigos escolheram utilizar vinhos rosés como harmonização. Como vimos no post sobre como um vinho é feito, o estilo rosé pode ser feito com qualquer uva e eles podem ser levemente adocicados ou secos.

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Esse é um vinho digno de apreciação e harmonizou muito bem com a comida. A despeito da presença de aromas cítricos adocicados como a tangerina ele é um vinho seco e mineral. Boya 2016 Rosé.

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Depois da parada no Chile é hora de voltarmos ao canônico velho mundo: Itália. Stinca Cantine Rosato. Rosé agradabilíssimo.

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O próximo da lista eu fiquei bem surpreso pois nunca tinha visto um rosé de Cabernet Sauvignon! Santa Digna Reserva Cabernet Sauvignon Rosé 2016.

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Esse ficou melhor pós-refeição como digestivo devido ao seu paladar mais adocicado! Não poderíamos nos esquecer de nossas raízes portuguesas: Muralhas de Monção Vinho Verde.

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Por fim tivemos também a presença americana do seu vinho mais consumido: White Zinfandel. Sutter Home White Zinfandel. Caso queira saber mais sobre esse vinho clique aqui para ir ao post sobre ele.

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Conclusão

Excelentes harmonizações embora ache que os mais adocicados combinaram mais no pós refeição do que junto com a comida em si!

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Coq au vin, queijos e vinhos franceses, chartreuse e degustações de pinot noir

“Ao contrário dos relacionamentos pessoais e profissionais, no vinho a infidelidade é essencial” (João Filipe Clemente)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um tanto especial pois será um evento francês com uma receita de um coq au vin e degustações múltiplas de grandes Pinot Noir e outros vinhos. Esse é o quinto encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares) e ele ocorrerá na minha casa. Caso alguém queira conferir o quarto encontro, basta clicar aqui.

Receita do Coq au Vin

Amigos, essa é uma receita que demora algumas horas para ficar pronta, logo recomendo começar a prepara-la cedo. Já tivemos aqui no blog um post sobre o coq au vin contando sua história, caso queira conferi-lo basta clicar aqui.

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Tomemos então cerca de 25 mini cebolas, descascamo-las e reservamos:

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Picamos também cerca de duas mini cebolas e reservamo-las:

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Cortamos em rodelas duas cenouras:

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Numa panela grande de ferro colocamos azeite e manteiga para dourarmos as cebolas:

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Depois de douradas, retiramo-las do fogo e reservamo-las:

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Usando o mesmo azeite e manteiga usados para dourar as cebolas, douramos cerca de 750g de bacon:

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Assim que o bacon estiver dourado, acrescentaremos cerca de 2,5kg de frango caipira. A receita original previa um galo mas, devido à dificuldade de acha-lo, iremos utilizar frango caipira comum. Também se usa o galo todo na receita original, mas aqui iremos usar apenas sobrecoxas.

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Vamos dourar o frango junto com o bacon:

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Assim que o frango estiver dourado iremos acrescentar a cebola picada e a cenoura para dourarem juntos:

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Depois de cozê-los juntos, o próximo passo é acrescentar cerca de duas colheres de sopa de farinha de trigo e cozê-la junto com os outros ingredientes:

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Depois de cozidos iremos acrescentar alho, sal, pimenta e algumas folhas de louro:

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Depois vamos cobrir todos os ingredientes com duas garrafas de vinho tinto:

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E agora se inicia um longo cozimento. Baixe o fogo e deixe o galo cozinhar por cerca de 2 horas sempre mexendo para não grudar no fundo da panela.

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Enquanto isso iremos preparar os champignons:

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Aproximadamente 600g e partimos todos em 4 pedaços:

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Vamos agora coloca-los na frigideira com manteiga:

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Vamos agora usar o suco de 1 limão, sal e pimenta do reino:

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Depois de fritos, apenas reservamo-los junto com os outros ingredientes. Após aproximadamente 2 horas o frango já vai ter adquirido uma consistência bonita:

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É a hora de unirmos as cebolas, o champignon e checar o sal e a pimenta:

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Depois disso o coq au vin deve ainda ser cozinhado por cerca de 30-40 minutos. Enquanto isso prepararemos umas entradas para o início do evento: queijos franceses e batatas gratinadas com queijo gorgonzola feitos pela minha esposa Aline.

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Para fazer as batatas basta primeiro cozê-las na água:

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Fazer orifícios e colocar o molho feito com queijo gorgonzola e creme de leite antes de gratiná-las no forno:

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Com essas entradas temos algumas cervejas artesanais:

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Witbier brasileira muito bem feita, vale a pena conferir.

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Uma weizen alemã:

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Outra witbier artesanal muito bem feita:

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Harmonização e características da pinot noir

Conforme falamos no post anterior, o coq au vin combina perfeitamente com vinhos da Borgonha, principalmente os feitos com a uva pinot noir. Essa que é considerada uma das uvas mais difíceis de serem cultivadas por exigir terroirs muito específicos. É dela que se obtém vinhos lendários como o romanée-conti que são vendidos no Brasil com valores absurdos de até R$40 mil reais:

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A pinot noir é talvez a uva mais adorada pelos grandes apreciadores de vinhos. É dito que, através dela produz-se vinhos muito delicados e saborosos. Ficou muito famosa no mundo e, principalmente nos EUA, depois do filme Sideways.

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São vinhos que possuem baixo nível de taninos, uma acidez moderada e aromas muito frutados de cereja, amora, framboesa, especiarias, ervas e flores. Com a idade ressalta toques animais, couro e cogumelos secos. Mas é difícil definir um gosto típico de Pinot Noir, justamente por depender muito do terroir do qual foi extraída, e do seu processo de vinificação.

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Fonte: https://www.winefolly.com

Por esses motivos, houve uma decisão de harmonizar nosso coq au vin com diversos tipos de pinot noir. O primeiro e o segundo da lista foram degustados num evento anterior com o mesmo prato. Segue-se um pinot noir maravilhoso chileno da bodega ventisquero já citada algumas vezes no blog:

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E um pinot noir argentino maravilhoso: Partidge Reserva Pinot Noir 2013

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Degustados lado a lado todos os dois harmonizaram com o prato porém pode-se perceber a diferença de um pro outro: o chileno bastante aromático e com presença de madeira, porém com uma acidez um pouco acima da média. Já o argentino bem mais redondo e equilibrado em nada se destacando (chileno da esquerda e argentino da direita).

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Vinhos de escolha

O desafio era degustar vários tipos de pinot noir e dizer qual país produz o melhor deles. Para esse desafio tivemos alguns vinhos de peso. O primeiro deles foi um chileno ganhador de vários prêmios, detentor de 91 pontos pelo Wine Spectator (James Suckling): Arboleda Pinot Noir 2014.

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O segundo é um clássico da Califórnia cujo nome dispensa comentários: Robert Mondavi Private Selection Pinot Noir 2014. Caso alguém não tenha visto o post sobre os vinhos californianos pode clicar aqui.

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E temos também dois representantes clássicos da região lendária da Borgonha (o berço da Pinot Noir e dita pelos especialistas possuir os melhores vinhos). Masson Dubois Bougorne 2011 e Louis Latour 2013.

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Início das degustações

Após o tempo previsto o coq au vin ficou pronto:

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Como acompanhamento fica perfeito uma baguete de parmesão.

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Quando colocamos os três um do lado do outro fica fácil ver algumas características: o chileno é o mais aromático porém o mais ácido de todos. O americano é o mais redondo e agradável com um retrogosto agradável e macio enquanto que o francês é um bom vinho mas sem personalidade e com retrogosto seco e levemente desagradável. Nada se destaca nele, mas de acordo com os presentes foi o que melhor harmonizou com o prato. Nesse duelo não houve vencedores pois todos eram muito bons.

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Além desses pinot noir tivemos alguns outros muito bons:

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Esse é um Francês feito com um assemblage de uvas:

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Um primitivo italiano que foi uma das estrelas da festa: La Marchesana Primitivo di Puglia 2015.

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Mais uma vez um vinho da bodega ventisquero: Carmenère 2015

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E um vinho português do Douro que impressionou por sua qualidade por ser um vinho de R$30 reais. Ele é um dos exemplos de que um vinho não precisa ser caro para ser bom!

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Dessert

Como sempre na confraria sempre temos uma surpresa que nos aguarda e hoje foi a vez da maravilhosa torta mais do que genuinamente francesa feita pela minha tia Sônia: Tarte Tatin.

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Essa torta é muito conhecida na França e tem uma história bem legal. Reza a lenda que a Tarte Tatin teria nascido de um erro culinário, ocasionado por um momento de desatenção da cozinheira. Quando Jean Tatin faleceu no final do século XIX, suas filhas Stéphanie e Caroline herdaram o hotel e restaurante Tatin, situado na pacata cidade de Lamotte-Beuvron, no Loir-et-Cher (centro da França). Caroline era conhecida por ser uma excelente administradora. Já Stéphanie, era uma cozinheira muito talentosa. As duas formavam uma ótima equipe e, mesmo após o falecimento do pai, elas continuaram gerindo com brio o estabelecimento familiar. Uma das especialidades de Stéphanie era a torta de maçãs, que ela servia morna, caramelizada e bem macia. Os clientes vinham de longe para apreciar a famosa iguaria. No entanto, Stéphanie também era conhecida pelo seu jeito meio distraído e tagarela. Assim, num dia de muito movimento, ela ficou conversando demais com os clientes até que se deu conta de que a sobremesa não estava pronta. Então, ela correu para preparar a famosa torta, pôs ela no forno e só depois é que reparou que tinha esquecido de colocar a massa no fundo da forma. Vendo que as maçãs estavam caramelizadas, ela teve a idéia de pôr a massa por cima e de virar a torta quando ela saísse do forno. Quanto aos clientes, eles simplesmente adoraram a nova receita!

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Como acompanhamento para essa receita temos dois licores genuinamente franceses e difíceis de encontrar fora da França. O primeiro deles é o Chartreuse, um licor de pêra:

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O segundo é o liqueur de génépi de savoie feito com uma florzinha que cresce nos alpes franceses:

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Conclusão

Foi um prazer muito grande receber todos na minha humilde residência e partilhar de momentos tão indeléveis! Recomendo cada um dos vinhos desse post. Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

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Fettuccine verde ao molho pomodoro, frango na cerveja e duelo de shiraz australiano com chileno

 “Os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons.” Cícero

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Introdução

Olá amigos, hoje iremos falar sobre como combinar massas com vinhos e faremos um teste cego para decidirmos qual o melhor Shiraz: australiano ou argentino?

Cervejas

Começaremos falando sobre uma cerveja japonesa que tem se popularizado bastante no Brasil: Kirin Ichiban.

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Essa é uma cerveja que pode ser tida como uma boa opção para o público brasileiro em geral por se tratar de uma puro malte de bom custo benefício.A segunda é uma witbier espanhola: Estrella Damm Inedit.

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Essa é uma cerveja artesanal espanhola criada em parceria com o chef Ferran Adrià, do Restaurante El Bulli. Combina maltes de cevada e trigo, lúpulos, coentro, casca de laranja e alcaçuz, e passa por segunda fermentação na garrafa para ganhar complexidade. Frutada e floral no aroma, adocicada no paladar. É cremosa, fresca, frisante e de final agradável. A terceira cerveja é uma Weiss alemã muito conhecida: Erdinger Urweisse.

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Como todos sabem, a Erdinger tradicional é a cerveja de trigo mais consumida do mundo. Já a Urweisse é produzida apenas com o processo de alta fermentação nos tanques (não é refermentada na garrafa), mantendo assim as características típicas de uma cerveja Weiss, com aroma e paladar complexos, rico em notas frutadas.

Características da Shiraz

Amigos, já tivemos aqui no blog um post sobre o vinho que é considerado o melhor Shiraz do mundo: o Crozes-Hermitage (link para o post). E hoje vamos falar sobre o país que produz os segundos melhores Shiraz: a Austrália. Mas quais são as características dessa uva tão famosa?

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Fonte: http:\\www.winefolly.com

A Shiraz é uma das uvas mais antigas usadas para fazer vinho datando dos gregos e romanos. Ela tem origem no vale do Rhone na França e possui aromas deliciosos de amoras, chocolate, pimenta, baunilha, tabaco e cogumelos:

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Fonte: https://br.pinterest.com

Harmonização e Teste Cego

Hoje vamos escolher uma massa para harmonizar com essa uva maravilhosa. O prato de escolha será um fettuccine verde (leva espinafre na massa) ao molho pomodoro e um frango na cerveja.

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Enquanto a comida vai sendo preparado podemos ir saboreando um delicioso pão caseiro com queijos e uma boa cerveja.

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Ou uma caipiroska feita com uma maravilhosa vodka francesa: Cîroc.

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Com a comida pronta podemos começar o embate entre os dois vinhos: Chileno ou Australiano?

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No teste cego realizado entre as 5 pessoas presentes, todas foram unânimes em escolher o Australiano, o qual se mostrou bem superior tanto no bouquet quanto na boca. Testamos também como harmonização um pinot noir californiano (redwood creek) e um cabernet-sauvignon da África do Sul.

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E o pinot noir mais uma vez foi a bola da vez ganhando no quesito harmonização!

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Sobremesa

Para a torta de limão tivemos uma seleção de drinks:

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Licor 43:

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Bellini e Rossini:

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Conclusão

Dessa vez o australiano se sobressaiu ao chileno mas para a harmonização com a comida o pinot noir californiano surgiu incólume!!

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Paella de Frutos do Mar com Albariño, Sauvignon Blanc Gran Reserva, Castello D’Alba Vinhas Velhas e Paralelo 8

“O vinho lava nossas inquietações, enxuga a alma até o fundo, e , entre outras coisas, garante a cura da tristeza.” Sêneca

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Introdução

Olá amigos, hoje é um post especial porque estamos comemorando o aniversário da minha esposa Aline e vamos degustar um dos nossos pratos preferidos: a paella de frutos do mar junto com o vinho de perfeita harmonização (uva Albariño) conforme prometido no post anterior. Também teremos algumas cervejas e vinhos perfeitos. Agradecemos aqui a minha tia Sônia por ter preparado essa receita tão maravilhosa.

Apéritif

Continuando com o costume do nosso blog, começaremos falando sobre 3 cervejas muito gostosas e recomendadas: delirium nocturnum, a paulaner oktoberfest bier e uma das minhas cervejas de trigo preferidas: karavelle.

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Esta excelente Belgian Strong Dark Ale é produzida com 3 tipos de levedura e 5 tipos de malte que fazem com que a Delirium Nocturnum tenha um sabor complexo com notas de frutas passas e chocolate além de um aroma adocicado. De cor escura, triplamente fermentada e bem encorpada, é a companhia ideal para o inverno.

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Esta é a cerveja mais famosa que é consumida durante a Oktoberfest da capital Bávara (Munich), que acontece desde o ano de 1810. De coloração amarelo forte com uma ótima formação de espuma de boa duração. É uma cerveja transparente de brilho intenso. No nariz, os aromas do malte lembram biscoito e cereais matinais, seguido do leve floral do lúpulo. A cerveja possui o dulçor dos maltes ao mesmo tempo que o amargor do lúpulo.

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Essa terceira figura entre as cervejas de trigo mais saborosas na minha opinião. Muito encorpada e gosto extremamente agradável. Cerveja paulista que não deixa a desejar para nenhuma outra europeia. Recomendo com empenho!!

Harmonização com a paella de frutos do mar

A paella é um prato bem típico que surgiu na Espanha, nos séculos XV e XVI, na região de Valência, mais especificamente na região de Albufera, região de grandes arrozais e de grande produção de verduras frescas.

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Originalmente um prato popular, foi criada pelos camponeses que partiam para o campo com a paellera ou paella, arroz, azeite e sal e agregavam ingredientes da caça, legumes da estação e as sobras que possuíam. O tomate só foi acrescentado posteriormente, trazido da América por Cristóvão Colombo, e o frango, que era muito caro para os padrões da época. Com a difusão da paella pela costa, foram acrescentados frutos do mar: choco, camarões, lulas, lagostins, amêijoas (vôngole), mexilhões, e polvo, tornando-o um prato misto (terra e mar). Em suas diferentes variações, encontram-se ainda as “paellas marineras” (peixe e frutos do mar) e a “paella negra”, com tinta de lula. No Brasil, normalmente é feita com frutos do mar.

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Vamos começar a fazer a paella usando um molho específico de peixe que pode ser comprado pronto ou pode ser feito em casa somente com o uso das cabeças do peixe e temperadas com sal, pimenta, etc. O fumê de peixe será usado ao invés da água para cozinhá-la:

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As cabeças e cascas dos camarões serão colocadas ao fogo com azeite tomando cuidado para que o molho não chegue ao fervor. Depois essa marinada pode ser utilizada.

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Aproximadamente 2 cebolas picadas:

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O azeite ideal para usarmos é um que é próprio para cozinhar:

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Continuaremos a refogar a cebola junto agora com dois pimentões: 1 amarelo e 1 vermelho. Sugestão: Caso você não goste muito de comer o pimentão a idéia é cortá-lo em fatias grandes como faremos aqui.

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O arroz a ser utilizado é aquele próprio para risotos:

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Refogamo-lo junto com os pimentões e a cebola:

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Acrescentamos então sal e pimenta do reino branca:

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Depois adicionamos o açafrão:

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Agora vamos adicionar o caldo do peixe e deixá-la cozinhar um pouco:

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Após isso iremos adicionar os frutos do mar que já estavam marinando com limão siciliano, cachaça e azeite: Polvo, Lula, Mexilhão e Camarão.

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Depois de um tempo cozinhando iremos adicionar as vagens de ervilha e o camarão gigante:

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Depois de um tempo cozinhando no fogo a paella estará pronta:

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Conforme falei na apresentação do nosso post, o vinho que serve de forma perfeita para a harmonização com essa paella são os feitos com a casta albariño, que é a uva Alvarinho do post anterior produzida no terroir espanhol. Conforme falamos anteriormente, os vinhos produzidos com essa uva são bem minerais e possuem um nível de acidez acima da média.

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O segundo vinho para a harmonização será um dos tops em qualidade da concha y toro: Sauvignon Blanc Gran Reserva. Esse é um vinho branco porém amadeirado que passa o tempo máximo possível em barricas de carvalho.

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Após a paella teremos uma verdadeira obra prima de Portugal: Castello D’alba Vinhas Velhas. Uma vinha velha pode ter 80 ou 100 anos no Douro e 50 no Alentejo – não há fronteiras temporais rígidas, porém o resultado é uma produção pequena de uvas com concentração, profundidade e equilíbrio. Com uma enologia consciente, os resultados no copo chegam a ser comoventes. Poder degustar um vinho desse porte é um verdadeiro sonho estando no Brasil pois nem pela internet consegui encontrar esse vinho!!

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Esse vinho passa 18 meses em barricas de carvalho francês e o resultado é um vinho altamente frutado com aromas claros de frutas negras e vermelhas.

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O segundo vinho tinto é um verdadeiro orgulho para o Brasil e para o Vale do São Francisco. Já tivemos um post sobre um bom vinho da vinícola Rio Sol aqui no blog onde eu também prometi que ia fazer um review sobre o top deles: o paralelo 8. Esse que foi eleito o terceiro melhor vinho do Brasil.

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Vinho que lembra bem o Alentejo. Para finalizar tivemos também o vinho que já nos foi apresentado no post anterior: o redwood creek pinot noir. Um vinho famosíssimo nos Estados Unidos.

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Conclusão

Acho que o ponto que mais frisamos aqui no blog é o fato da comida ser ligada à bebida e vice e versa. Harmonizar uma boa comida com a bebida correta pode obter prazeres inimagináveis e assim foi com nossa paella. Mais uma vez parabéns minha querida Aline.

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Paleta de cordeiro com batatas aos murros, vinhos do douro e pinot noir californiano com queijo Serra da Estrela

“O vinho é o mais notável de todos os remédios; onde falta o vinho, os remédios se fazem necessários”. Livros do Talmud (500-400 a.C.)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será muito especial devido ao fato de que iremos desbravar o mundo português tanto da culinária quanto dos vinhos. Iremos falar sobre o queijo mais gostoso que eu já comi na vida e de mais assuntos afins como um excelente pinot noir da Califórnia. Para facilitar o entendimento, abaixo temos a foto do mapa de Portugal com suas regiões vínicas:

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Apéritif

De modo a não perdermos o costume do nosso blog, começaremos falando sobre 3 cervejas muito gostosas e recomendadas: goose island honkers ale, a hofbräu e a eisenbahn weizenbier.

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Essa, junto com a delirium tremens, é uma cerveja altamente agradável e fácil de tomar. Muito encorpada e dotada de aromas extremamente frutados. Excelente standard bitter.

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Essa é o tipo de cerveja que dispensa apresentações. Refrescante, levemente amarga e picante, ela apresenta baixa fermentação e é produzida de acordo com a Lei de Pureza de 1516. A cervejaria Hofbräu pertence à prefeitura de Munique e, nos seus mais de 400 anos de existência, sempre foi a cerveja oficial da Corte Real Bávara. Ela também possui, no coração de Munique, a maior choperia do mundo – o Hofbräuhaus – que recebe 1,2 milhões de visitantes por ano e onde são servidos aproximadamente 5.000 litros de chope por dia.

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Essa terceira é um exemplo de que é possível no Brasil comprar cervejas baratas (aproximadamente R$7 a long neck) com uma qualidade considerável.

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Nossa primeira degustação começará com um vinho feito com uma das uvas brancas mais icônicas de Portugal: a Alvarinho, a qual é prima direta da Albariño Espanhola que é responsável pela perfeita combinação com a paella de frutos do mar (post em breve).

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Essa uva produz um vinho com um aroma muito fino porém austero e elegante com notas cítricas e minerais com pouca fruta. Bom nível de acidez e frescor. Já o segundo vinho é um corte clássico do douro: Malsavia Fina, Gouveio e Rabigato.

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Esse é um vinho que também possui notas minerais e florais porém, ao contrário do anterior, é bem frutado e apresenta aromas claros de frutos brancos como pêra e maçã.

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Queijo Serra da Estrela

Como primeira degustação iremos provar um queijo português cremoso de cabra conhecido como Queijo Serra da Estrela. Ele recebe esse epíteto porque são produzidos nos arredores da Serra da Estrela. Ganhador de diversos títulos é, de longe, o queijo mais gostoso que já provei na vida.

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O queijo harmonizou de forma perfeita com o vinho da casta Alvarinho.

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Todo o momento também foi embalado pela trilha sonora da fadista mais conhecida de Portugal da atualidade: Carminho.

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Caso alguém queira o link para o cd dela no youtube vou deixar aqui em baixo:

https://www.youtube.com/watch?v=u8NkR2csotg&t=775s

A segunda entrada também foi perfeita: Pêra ao vinho com molho de queijo Gorgonzola:

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Apesar dele ter harmonizado com o vinho Quinta da Pedra Alta, ele ficou ainda melhor com um vinho do Porto:

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Harmonização com a paleta de cordeiro com batatas aos murros

É realmente muito difícil ganhar de uma boa carne de cordeiro. E melhor do que ela é ela mais um bom vinho do Douro:

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O Encostas do Tua 2012 é um vinho excelente possuidor de aromas frutais e taninos bem redondos. Na boca podemos perceber a presença de especiarias também.

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Outro vinho que participou da degustação também foi o Redwood Creek Pinot Noir da Califórnia. Ele é um vinho muito agradável e parecido com o búlgaro da Soli do post anterior.

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Dessert et Digestif

Após os pratos maravilhosos temos ainda alguns doces genuinamente portugueses: O pastel de nata ou de Belém e o pastel santa clara. Ambos obtidos na casa rancho português.

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E para completar a degustação teremos um dos melhores vinhos do porto da atualidade: Sandeman Late Bottled Vintage.

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Ele é um tipo de vinho do porto especial porque leva mais tempo envelhecendo e apurando do que os vinhos do porto tradicionais.

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Conclusão

Depois dessa experiência passei a entender que Portugal e sua cultura devem ser um sonho pois tudo parece muito surreal!

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White Zinfandel, Vinho Rosé e Salmão ao Molho de Alcaparras

“O vinho é o mais belo presente que Deus fez aos homens.” (Platão)

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Fonte: http://pasowine.com/

Introdução

Apesar de já termos falado sobre a zinfandel no tópico sobre os EUA, senti que foi criado um vácuo em relação ao tipo de vinho mais famoso consumido lá (a sua versão mais “fraca”, por assim dizer): o seu rosé White Zinfandel. Então esse será nosso primeiro post a falarmos de uma maneira geral sobre os vinhos rosés. Estudos comprovam que 1 em cada 10 dos vinhos consumidos nos EUA são do tipo White Zinfandel.

Características dos vinhos White Zinfandel

Os vinhos do tipo White Zinfandel são odiados por muitos apreciadores de bons vinhos principalmente porque eles são adocicados e mais baratos do que outros tipos de vinho. Os rosés muitas vezes não são considerados “como vinhos” por estarem em cima do muro: nem são brancos e nem são tintos.

Os vinhos do tipo White Zinfandel apresentam aromas muito parecidos com os Zinfandel como frutas negras e vermelhas como cassis, groselha, framboesa, cereja, ameixa, etc.

Harmonização

Devido à sua baixa tanicidade, o prato de escolha para esse tipo de vinho será um peixe e, especificamente, um salmão. Faremos um salmão ao molho de alcaparras com batata sauté como acompanhamento.

Vinho de escolha: Robert Mondavi Woodbridge White Zinfandel, Califórnia 2014

Falamos bastante no nosso último post sobre a Zinfandel e os EUA sobre a alta qualidade dos vinhos produzidos no Napa Valley e, sobre seu lendário idealizador, Robert Mondavi. Logo, de forma a não errarmos, faremos a escolha pelos vinhos produzidos e idealizados pelo “Steve Jobs” do mundo do vinho americano.

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Receita do Salmão ao molho de Alcaparras

Tomamos uma peça de um bom salmão

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Cortamo-lo em pedaços de média espessura

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Depois o temperamos com sal e pimenta do reino branca

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Deixamo-lo descansar enquanto levamos as batatas para cozinhar

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A fim de “selarmos” o salmão, vamos levá-lo à frigideira com um leve fio de óleo e deixar cada lado dele por aproximadamente 4 minutos num fogo médio. As laterais dele deixaremos por 1 minuto apenas:

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Após esse tempo tiramos o salmão da frigideira e deixamo-lo descansar enquanto terminamos de fazer as batatas. Descascamo-las:

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Cortamo-las ao meio e levamo-las a uma frigideira com um fio de azeite ou manteiga e temperamo-las com sal e orégano:

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Enquanto isso preparamos o molho de alcaparras na mesma frigideira usada para selar o salmão. Alho a gosto:

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5 colheres de sopa de manteiga

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50g de alcaparras

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Suco de 1/2 limão

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Sal e pimenta a gosto. Depois juntamos as peças que estavam fora da panela ao molho e deixamos por um pouco de tempo:

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Conclusão

Et voilà, combinação perfeita:

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Zinfandel, Primitivo e Costelinha do Outback

“O vinho é prova constante de que Deus nos ama e nos deseja ver felizes”- Benjamin Franklin

Embora existam mais de 5000 espécies catalogadas de uvas viníferas (Vitis Vinifera), é fato claro que todo apreciador de vinhos possui a sua uva preferida. E comigo não é diferente, pois a uva tinta que mais aprecio é a Primitivo, a qual é muito famosa na Itália.

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Mas o post atual será para falarmos sobre sua versão americana: a Zinfandel.

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Durante muito tempo acreditou-se que elas eram uvas distintas, mas testes demonstraram tratar-se da mesma uva. Porém, como já falei nos posts anteriores, uma Malbec na França não produz o mesmo vinho que uma Malbec na Argentina e assim é com a Zinfandel e a Primitivo: ambas produzem vinhos espetaculares porém com características únicas.

Breve história da viticultura americana

A história da viticultura americana tem início na era da corrida do ouro, onde vários imigrantes foram em busca do metal precioso e, com eles, trouxeram diversas uvas. Ninguém sabe ao certo como e quando a zinfandel chegou aos EUA, mas acredita-se que foi nesta época. Tudo ia às mil maravilhas até os EUA estabelecerem a lei seca (1920 a 1933) proibindo qualquer tipo de bebida alcóolica no país. Foi aí que todas as vinícolas foram destruídas.

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Foi nesta época que surgiu um dos primeiros gangsters da história do mundo e o maior da história americana: Al Capone. Muito antes de Pablo Escobar e El Chapo, ele foi o responsável por contrabandear álcool para os EUA e chefiar a maior quadrilha já conhecida para a época até ser preso acusado de sonegar imposto de renda por vários anos.

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Quando a lei seca é derrubada, lentamente a cultura vinícola volta a renascer a passos muito lentos e isso persiste até a década de 60 com a participação de um homem: Robert Mondavi.

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Esse é aquele que pode ser considerado como o Steve Jobs do mundo do vinho, pois poucas personalidades no mundo foram tão expressivas quanto ele! Robert Mondavi começou no mundo do vinho na empresa da família, com o pai e o irmão. Assim como todos os produtores norte-americanos da época, o foco era na produção de vinhos de garrafão, de baixa qualidade. Após uma viagem pela Europa visitando vinícolas, ele voltou para casa decidido a transformar a produção da família com o seguinte bordão: “Vou produzir um vinho com uma qualidade tão absurda que irá derrotar todos os franceses!”, algo impensável na Napa Valley dos anos 1960. As diferenças de objetivo levaram a um racha com a família, e Robert Mondavi abriu sua própria empresa em 1966, quando ele tinha 53 anos de idade.

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Abaixo temos imagens da primeira safra:

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1976 é o ano mais importante da vinicultura americana pois foi quando houve o julgamento de paris (The Paris Wine Tasting of 1976; vale a pena conferir o filme que está no netflix bottle shock), que foi uma competição organizada em Paris em que apenas alguns dos maiores sommeliers franceses participaram de um teste cego organizado entre vinhos franceses e americanos. Pela primeira vez em toda a história do mundo os vinhos americanos tiraram em primeiro lugar, tanto na categoria de brancos quanto na de tintos, quebrando assim o dito de que apenas na França se produzia bons vinhos e tornando assim Robert Mondavi uma lenda viva. Imagine que a França produz vinhos há pelo menos 1000 anos com milhares de grandes produtores e um único homem em apenas 16 anos derruba um império desses. Essa lenda se chamava Robert Mondavi! Abaixo segue a foto dos vinhos vencedores:

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Desde então, os EUA (especificamente o Napa Valley) tem produzido vinhos tão bons ou até melhores do que os Europeus. E embora se produza boa parte das uvas conhecidas (chardonnay, cabernet-sauvignon, shyraz, etc) com a mesma qualidade, a uva que mais se destaca é a Zinfandel (e ainda mais especificamente os vinhos rosés dela: White Zinfandel).

Características da Zinfandel

O fato de ser minha uva preferida diz respeito a uma característica única da primitivo/zinfandel: equilíbrio. Nenhuma outra uva produz um vinho tão equilibrado quanto essa uva. Tem cor rubi violácea, com um aroma que apresenta certa dose de frutas negras bem maduras (principalmente cerejas negras(cassis), morango e ameixas) e especiarias doces, escoltadas por um mentolado remetendo a cânfora. Na boca, é macio, com bom volume, e nada se destaca, nem acidez, nem taninos, nem álcool. Tudo equilibrado e sem chamar atenção.H2DH‡ôÈ §KP

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Algo muito presente nos vinhos americanos é o aroma característico de baunilha devido ao barril de carvalho americano:

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Harmonização

A uva primitivo é uma uva bem “coringa” devido ao seu equilíbrio de sabores então ela combina com vários tipos de pratos diferentes, mas nenhum deles casou tão bem quanto a famosa costelinha do outback, por isso a escolha será ela.

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Com aproximadamente 1,5kg de costela, tempera-se aproximadamente com:

  1. 1 colher de sopa de sal
  2. 1 colher de sopa de cebola desidratada
  3. 1 colher de sopa de alho desidratado
  4. 1 colher de sopa de páprica
  5. 1 colher de açúcar mascavo
  6. 1 colher de sopa de pimenta do reino
  7. Pimenta tabasco

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Após temperada, devemos envolvê-la com aquele tipo de plástico específico para churrasco e levar para a churrasqueira a 50 cm da brasa por aproximadamente duas horas:

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Apéritif

Nos países europeus (principalmente a França) é muito comum antes da bebida e do prato principal ser servido um aperitivo (apéritif) como forma de “abrir” o apetite para o prato principal, que pode ser ou uma cerveja ou um vinho branco. Nesse caso iremos de cerveja patagônia com salame espanhol:

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Vinho de escolha: Robert Mondavi Zinfandel Private Selection

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A linha Private Selection foi criada em 1994 e, apesar do nome, esta linha visou o mercado popular premium, isto é, vinhos com preços mais acessíveis, com foco em consumidores que não estavam dispostos a pagar dezenas ou centenas de dólares por um vinho. É mais ou menos o que o Tommy Hilfiger se propôs: fazer uma roupa de luxo com preço popular!

Após as duas horas na churrasqueira, devemos retirar o plástico, pincelar com molho barbecue e retornar à churrasqueira por mais 30 minutos. Depois disso está pronto:

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Ficou muito gostoso e macio:

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O vinho é realmente um espetáculo: poucas vezes vi um vinho tão aromático como esse. Aromas adocicados de frutas vermelhas (cereja negra, morango e ameixas) com um toque de baunilha torna-o bem redondo e pronto para beber. Vinho extremamente agradável na boca: macio, sem taninos fortes, sem acidez forte. Nota: 10. Recomendo com empenho!!!

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Digestif

Assim como o apéritif, após as refeições principais pode ser servido um licor ou um vinho do porto ou, como é costume na cidade de Cognac ou região de Bordeaux: servir um Cognac. O Cognac é uma bebida destilada de vinho e armazenada em barris de carvalho por pelo menos 5 anos. Vale ressaltar que só pode ser chamado de Cognac a bebida que é produzida nessa região, todas as outras são chamadas de Brandy. No nosso caso iremos de Brandy espanhol: Osborne.

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