Espetinho do Tião com vinhos, Languedoc-Roussillon e degustação de cervejas belgas

 “O vinho conforta ao triste, e revive aos velhos, inspira os jovens, permite que o cansado esqueça o seu cansaço.” Lord Byron

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Introdução

Amigos, hoje o post será sobre uma experiência num lugar muito bacana e também será uma dica sobre como harmonizar vinhos com espetinhos. Falaremos sobre o espetinho do Tião e sobre um encontro de degustação de cervejas belgas.

Espetinho do Tião

Um espetinho nada mais é do que um churrasco na brasa, então vale a máxima da harmonização com o Malbec argentino. Mas hoje gostaria de inovar tentando comparar com uma alternativa do velho mundo: Bordeaux. Consultando amigos franceses descobri que na Europa é muito comum essa harmonização então iremos tirar a prova dos nove sobre qual combina mais. Do lado do novo mundo temos um Malbec Argentino Clube des Sommeliers 2016, enquanto que do lado do velho temos o Chatêau Cazat Beauchêne Grand Vin de Bordeaux 2010.

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Enquanto eles chegam à temperatura adequada iremos degustar uma deliciosa cerveja Serra Malte.

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Se você possui alguma dúvida sobre qual cerveja beber em um boteco, ela será sanada agora: Serra Malte é a opção. Cerveja bastante aromática e encorpada com o sabor do malte bem presente. Baixo amargor também.

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Junto com os espetinhos poderemos dar início à degustação.

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Quando postos um ao lado do outro e degustados juntos, percebemos a diferença: o malbec é mais tânico, mais jovem, com taninos um pouco agressivos e acidez acentuada. O Bordeaux é sedoso e mais aromático, taninos mais trabalhados e final agradável. Venceu fácil o Bordeaux.

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Maravilha de lugar e companhia. É de longe o melhor espetinho que já comi! Caso você deseje conferir, ele fica localizado no Bairro do Jaguaré no Butantã.

Languedoc-Roussillon

Amigos, já comentamos várias vezes aqui no blog que a quantidade de vinhos e de regiões produtoras de vinhos na França são praticamente infinitos, porém nos é defeso não citarmos pelo menos as grandes regiões como já o temos feito: Bordeaux, Bourgogne, Champagne, Côte du Rhone, Córsega e, por último, faltou a região do Languedoc-Roussillon.

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Vamos escolher um vinho para representar essa região: Premier Rendez-Vous Pinot Noir 2016.

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Um vinho de bom custo benefício que surpreendeu: é complexo, equilibrado na acidez e no álcool e gostoso de beber (boa drinkability). Recomendo com empenho.

Degustações de cervejas belgas

Antes de iniciarmos a degustação em si farei uma homenagem aos amantes da melhor série não americana de 2018: La casa de papel.

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Como a série é espanhola, podemos ver durante várias cenas um marketing pesado envolvendo a cerveja mais famosa da Espanha: Estrella Galicia.

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É uma cerveja lager puro malte muito bem feita lembrando um pouco a serra malte porém com um sutil toque de amargor no final. Bem equilibrada e com excelente drinkability.

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Amigos, estamos diante de um evento único em que degustaremos fantásticas cervejas belgas dentre elas a considerada a melhor do mundo conforme já falamos no post anterior: Westvleteren 12. E para procedermos com essa degustação de peso teremos uma mesa bastante farta.

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Temos queijos portugueses, franceses e holandeses, salames espanhóis, sardinhas portuguesas e pães alemães.

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Iniciaremos nossa degustação pela mais importante. Caso você tenha um pouco mais de curiosidade de saber porque essa cerveja é considerada a melhor do mundo basta acompanhar o post anterior.

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É uma quadrupel muito complexa que apresenta desde aromas de caramelo a aromas viníferos. Na boca ela é amarga na dose suficiente e levemente adocicada embalada com o sabor de um bom café. Muito difícil de encontrar até mesmo na Bélgica!

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Essa é uma irmã da nossa amada Duchesse de Bourgogne que já degustamos algumas vezes aqui no nosso blog apesar de possuir um processo de fabricação diferente. A Bourgogne Brune é uma cerveja diferenciada, fabricada a partir de uma antiga técnica de fabricação chamada “infusão lambic”. Neste processo, as melhores Lambics são misturadas com cervejas Dark Ale (Brown Ale) e são maturadas por meses em barris de carvalho. O resultado é uma cerveja de coloração marrom escura, espuma abundante e cremosa, bastante leve e agradável. Bourgogne des Flandres.

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Essa daí é conhecida no Brasil como a cerveja do Duende, mas também possui o merecido epíteto de “Scotch das Ardennes”, já que é uma cerveja escura, de corpo pleno e textura complexa, com fortes influências escocesas, utilizando malte de whisky na sua fabricação. Uma cerveja Belgian Strong Dark Ale, cujo frescor e sabor frutado persistem na boca mesmo após segundos de degustação. Mc Chouffe.

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A La Trappe é um clássico no Brasil e já a degustamos algumas vezes no nosso blog a sua versão trippel. Dessa vez iremos degustar a quadrupel. A diferença entre elas não é muito clara pois existem várias teses que indicam a diferença como o dobro da quantidade de malte (dubbel), o triplo (tripel) e o quádruplo (quadrupel). Outra tese vai falar que a diferença é a quantidade de fermentações, mas o fato é que o os monges belgas as classificam pelo teor alcóolico: enkel (básica), dubbel (média), tripel (forte) e quadrupel como extra forte.

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Nossa última cerveja é um clássico e representa muito bem o estilo tripel belga: St. Feuillien. Uma cerveja levemente doce e amarga ao mesmo tempo com aromas de frutas secas e cristalizadas. Deliciosa!

Conclusão

Maravilhosos encontros com sabores, aromas e companhias memoráveis! Caso você queira comer um espetinho da próxima vez e tenha alguma dúvida sobre qual vinho harmonizará mais vá de Bordeaux ou de Malbec.

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O pão líquido, hidromel e receita de pizza com harmonização

“Tenhamos vinho e mulheres, alegria e riso, sermões e água mineralizada no dia seguinte.” Lord Byron

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Introdução

Amigos, sei que já falei sobre como fazer pizza num post anterior porém percebi algumas falhas na receita e decidi refazê-la usando a mesma receita de grandes pizzarias. Vamos comentar um pouco também sobre a idéia do pão líquido, hidromel e sobre boas harmonizações com vinhos.

Cervejas

Vamos iniciar nosso post falando sobre a cerveja que deu início a essa idéia do pão líquido. Inclusive a receita da pizza que mostraremos é bem similar àquela utilizada para fazer pães, mudando apenas a dosagem de alguns ingredientes. Abaixo segue a foto de um pão que fiz com ela:

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Essa brincadeira de comparar bebida alcóolica com comida já rendeu até mesmo frases por demais caricatas como a do nosso ex-presidente Jânio Quadros:

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Certa vez, um jornalista lhe perguntou: “Mas presidente, porque bebes tanto?” E o professor de gramática assim disse:

“Ora, bebo-o porque é líquido, se sólido fosse, comê-lo-ia.”

Mas afinal, de onde vem essa história de comparar a cerveja com pão? Bem, deixe-me apresentar-lhes a Paulaner Salvator:

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Vou deixar abaixo o link para o vídeo do youtube que conta um pouco da história da Paulaner e essa ligação com o uso da expressão do pão líquido:

https://www.youtube.com/watch?v=KgwSRxICui0

Basicamente o que aconteceu é que os monges Paulaner faziam parte de uma ordem católica muito rígida que os proibia de comer qualquer alimento sólido durante a quaresma, então eles tiveram a brilhante idéia de fazer sua própria cerveja que era bastante encorpada e fiel à máxima: “pão líquido não quebrará o jejum”. O problema era que, conforme falei anteriormente no post sobre a melhor cerveja do mundo, os mosteiros medievais não possuíam qualquer pensamento capitalista de ganhar dinheiro com essa fabricação de cerveja. O que muitas vezes eles faziam era oferecer cerveja aos pobres como forma de esmola, o que causou fúria das cervejarias seculares que perdiam dinheiro com isso. Eles escreveram uma carta para as autoridades municipais de Munique que obrigaram o mosteiro a criar sua própria cervejaria e era assim que nascia a Paulaner com sua primeira cerveja: Paulaner Salvator, uma Doppelbock.

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Essa é uma cerveja que possui aromas clássicos de caramelo, café, chocolate e bastante encorpada. Vale a pena conhecer!

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Vou comentar um pouco agora de um lugar excelente que estive aqui em São Paulo no bairro de Pinheiros: Empório Alto de Pinheiros. Um lugar para amantes de cerveja que possui mais de 500 rótulos de cerveja e 33 chopes de todos os lugares do mundo! Foi lá onde encontrei a famosa Coruja Viva.

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Assim como a extra viva do post anterior ela não passa pelo processo de pasteurização e precisa sempre ser conservada gelada. Cerveja deliciosa com sabor de fresca e bastante encorpada. No nariz ela apresenta muito lúpulo o que me fez pensar que se tratava de uma cerveja de alto amargor como uma IPA, mas na boca apresenta amargor ideal para uma lager!

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A última bebida da sequência é um hidromel. Para quem não sabe do que se trata é uma bebida fermentada do mel que fez bastante sucesso na idade média. Muito apreciada desde a antiguidade, passando pela Grécia Antiga, Roma Antiga, Leste europeu, francos, eslavos, anglo-saxões, celtas, saxões, vikings etc. Entre os vikings era tão apreciada que a própria Mitologia Nórdica explicava seu surgimento e sua preciosidade. Também era conhecido o consumo de uma bebida similar pelos maias.

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Na Irlanda, existia a tradição de que os casais recém-casados deveriam consumir esta bebida durante o primeiro ciclo lunar (ou mês) após o casamento. Daí surgiu a tradição atual da lua de mel.

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A sensação é a mesma de estar tomando um vinho branco com alguns aromas um pouco diferentes. Se ele for suave o sabor é levemente adocicado.

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Receita de Pizza

Amigos, a primeira coisa que precisamos para começar a fazer nossa receita é uma bancada bem limpa e seca:

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Apesar da receita também poder ser feita sovando a massa com a mão conforme fizemos anteriormente, nada melhor do que usar uma batedeira planetária para fazer o serviço. É sensacional como a massa fica bem mais uniforme e você bem menos cansado.

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Essa receita possui alguns segredos embora o principal deles seja o ingrediente principal: a farinha de trigo. Embora essa receita possa ser feita com qualquer tipo de farinha de trigo, usaremos aqui a farinha mais famosa do mundo e utilizada pelas grandes pizzarias: a Caputo. Usaremos também a sua forma mais fina: a 00. Eu nunca vi para vender em supermercados, mas acha-se fácil pela internet com o preço médio de 11 reais por pacote de 1kg.

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Usaremos 1kg para essa receita e 1 colher de sopa rasa de sal. Caso a receita fosse de pão usaríamos 0,5kg.

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Enquanto colocamos o fermento para crescer vamos ligar a batedeira na menor velocidade e deixá-la por aproximadamente 30 segundos misturando o sal com a farinha. Esse ponto é muito importante porque o sal não pode entrar diretamente em contato com o fermento sob o risco de matá-lo. Enquanto isso vamos tirar o fermento da sua dormência.

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A dosagem recomendada é de 20g para pizzas e 10g para pães. Usaremos 1 a 2 colheres de sopa de açúcar para “alimentar” as leveduras:

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Usaremos cerca de 350ml de água morna. Muito importante: se a água estiver quente demais ela irá matar as leveduras, logo ela precisa estar na temperatura de comida de bebê. Sinta-a na pele antes de colocar na levedura.

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Agora vamos deixar a levedura crescer por cerca de 5-10 minutos.

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Outro segredo: utilize um bom azeite italiano

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Use aproximadamente 3-5 colheres de azeite e acrescente o fermento junto com a farinha.

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Deixe bater por uns 2 minutos em velocidade média e depois por mais 5 minutos em velocidade alta. Acertar o ponto aqui é por tentativa e erro. Se a massa estiver muito molhada ela não se soltará da tigela e se ela estiver muito seca não se unirá num bolo uniforme, por isso é necessário acompanhar e acrescentar água morna ou mais farinha se for o caso.

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Com essa quantidade de ingredientes é possível fazer 4 pizzas, logo iremos cortar em 4 e armazená-los no freezer em sacos hermeticamente fechados.

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Toda vez que formos utilizar uma massa dessas basta tirar do freezer com algumas horas de antecedência e proceder da mesma maneira que faremos agora. Untamos a tigela com um pouco de azeite.

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Sovamos um pouco a massa com as mãos e fazemos dela um formato de bolinha. Deixamos para descansar cobrindo a “casca” com o azeite para ela não ficar ressecada.

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Deixamo-la descansar por cerca de 1 hora e meia

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Após esse tempo a massa terá quase que dobrado de tamanho

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A partir de agora ela já pode ser utilizada para fazermos a pizza, mas para deixa-la numa consistência ainda melhor vamos murchá-la e sová-la mais uma vez deixando-a descansar por mais uma hora.

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A melhor maneira de fazer essa pizza é com um forno a lenha, o que fará com que ela fique praticamente idêntica a qualquer dessas pizzarias, mas se você não possui esse tipo de forno algumas soluções podem ser utilizadas. A primeira delas é usar uma pedra e uma pá de madeira como mostrei no post anterior:

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Essa solução é um pouco complexa porque há o risco da pizza não escorregar direito e sujar tudo. Portanto uma solução prática e exequível é o uso de uma forma convencional com furinhos:

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Mais um ponto importante aqui: não abra a massa com um rolinho. O segredo é abrir a massa com as mãos como vemos os pizzaiolos fazerem nas pizzarias.

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Utilize o molho de tomate de sua preferência e depois salpique orégano

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Escolha o sabor de sua pizza. Escolhi atum sólido porque é o sabor que mais gosto.

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Regue com um fio de azeite por cima e a pizza estará pronta para ir ao forno.

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Aqui vai a última dica e talvez seja a mais importante: o segredo para ter uma pizza macia e não dura que nem uma pedra é a temperatura do forno e o tempo. Num forno de pizza tradicional a lenha a temperatura interna chega perto dos 500 graus, então o tempo da pizza é de apenas 90 segundos. Num forno tradicional dificilmente passa-se de 280 graus. O segredo é deixar o forno no máximo por pelo menos 20 minutos, colocar a pizza e contar 6 minutos rigorosos de relógio. Após isso a pizza estará pronta para ser partida e servida. Uma tábua de corte ajuda.

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Harmonização

Não existe uma harmonização única com pizzas, pois ela vai depender do sabor dela. No post anterior usamos um Merlot que harmonizou bem com quatro queijos, então como estamos usando atum, uma boa harmonização é um vinho com baixíssimo nível de taninos, como um rosé, por exemplo. Minha escolha será por um vinho francês muito famoso e relativamente barato: Beaujolais Villages Louis Latour 2015.

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Esse vinho é feito com a uva gamay que, possivelmente, é a uva tinta menos tânica que existe (até menos do que o pinot noir). Cerca de 75% desse tipo de vinho é feito na região de Beaujolais na França.

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Existem três tipos diferentes de Beaujolais: Beaujolais Nouveau (baixa qualidade equivalente ao reservado), Beajolais Villages (média qualidade equivalente ao reserva) e o Beaujolais Cru (alta qualidade equivalente ao Gran Reserva). De um modo geral eles não são vinhos de guarda e são melhores quando consumidos cedo. Como é um vinho Francês normalmente são complexos e estruturados não apresentando aromas fortes de frutas como os vinhos do novo mundo. Percebemos um pouco de terra, aromas florais, especiarias e um pouco de fruta.

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Um outro vinho que também pode ser usado como harmonização é o italiano Valpolicella. Também dotado de baixa tanicidade ele é estranho quando se experimenta pela primeira vez pois não apresenta quase nenhum aroma de frutas e sim de terra e vegetais. Bolla Valpolicella 2016.

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Conclusão

Depois que aprendi a fazer pizza em casa nunca mais comprei de nenhuma pizzaria pois é muito mais barato e fica perfeito. Caso você possua um forno a lenha ficará praticamente igual. Experimente também várias harmonizações diferentes e depois as compartilhe conosco e com os amigos!

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Duelo de Malbec Francês-Argentino, Fuller’s Vintage Ale e Receita de Hambúrguer Artesanal

 “O vinho torna tudo possível.” George R. R. Martin

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Introdução

Amigos, hoje o tema do nosso blog será hambúrguer artesanal. Já tivemos anteriormente um post exclusivo sobre hambúrguer onde contamos a história desse prato tão famoso mas hoje o objetivo será ensinar como é fácil preparar esse prato na sua residência que fica tão bom ou melhor do que qualquer boa hamburgueria. Teremos também o aguardado duelo entre dois vinhos malbec: um argentino e um francês.

Cervejas

A primeira cerveja que eu falarei hoje é simplesmente uma das melhores que eu já tive a oportunidade de comentar aqui no blog: Fuller’s Vintage Ale 2015. Nós sabemos sem qualquer sombra de dúvida que é praticamente impossível tecer uma lista das melhores cervejarias do mundo sem incluir nela a Fuller’s e hoje vamos ter a oportunidade de degustar a linha premium dela de maltes safrados. Ou seja, essa é o Dom Perignon das cervejas!

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A caixa em si já é um produto agradável aos olhos!

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Essa cerveja é do estilo Old Ale (maltes envelhecidos) e possui um leve informativo de todas as versões produzidas até o presente ano com explicações das diferenças entre elas!

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Outro ponto interessante é que ela não possui 600ml como é costume nas garrafas de cervejas, mas sim 500ml.

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O meu review para essa cerveja é o seguinte: enquanto a Duchesse de Bourgogne é uma cerveja com sabor de vinho, a Fuller’s Vintage Ale é uma cerveja com sabor de Cognac. Possui aquele sabor de caramelo muito agradável com aquele corpo característico. No retrogosto temos aquele sabor cremoso de baunilha e no nariz perceberemos frutas vermelhas e cítricas junto com o caramelo. Nota 10!

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Apesar de já termos falado várias vezes aqui no blog sobre a Schornstein, essa é a primeira vez que falaremos sobre a versão Pilsen dela.

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De um modo geral ela é mal avaliada nos fóruns de cervejas pela internet mas acredito que seja pelo fato de possuir pouco lúpulo e aromas florais. Quem é muito fã de cervejas com alto nível de amargor como as IPAs vai ficar decepcionado com ela. Porém a falta do lúpulo é altamente compensada com o sabor do malte. Eu adorei essa cerveja porque consegui sentir o sabor muito pronunciado da cevada devido ao seu alto corpo. Recomendo com empenho!

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Essa terceira cerveja foi muito recomendada pelo meu amigo Márcio Barros: Coruja Extra-Viva. O problema é que, como ela não passa pelo processo de pasteurização, ela não pode perder a refrigeração senão estraga rapidamente devendo ser sempre guardada em geladeira. A comparação dela com uma cerveja de supermercado é igual a comparar uma massa fresca com uma massa seca comprada num supermercado. Isso também dificulta bastante o seu comércio. Mas por um acaso fui degustar um delicioso hambúrguer que é um blend de Angus com Wagyu no Menca Búrguer e finalmente a encontrei!

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Com toda certeza essa foi uma das melhores bebidas que já tive o prazer de degustar em toda minha vida. Aromas característicos de malte devido ao seu alto corpo junto com especiarias e levemente cítricos. Harmonizou muito bem com o Hambúrguer de Angus com Wagyu!

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As pessoas às vezes me perguntam se existe diferença no sabor da carne de diferentes espécies de boi. No futuro faremos um post comparando cada uma delas, mas é impressionante a diferença de sabor devido ao alto marmoreio da carne de Wagyu e ao médio da carne de Angus.

Receita de Hambúrguer Artesanal

Amigos, o que não falta na internet é receita de hambúrguer e diferentes blends. Nós iremos partir do canônico, do mais utilizado inclusive nas grande hamburguerias. Dependendo de cada receita, o percentual reservado à quantidade de gordura irá variar. Mas nós usaremos uma média de 20%. Nosso blend consistirá de 70-80% de Fraldinha magra a 20-30% de Bacon.

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Depois iremos temperar nosso blend com sal e pimenta do reino moída na hora:

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Enquanto nossa carne descansa iremos preparar o bacon a ser utilizado na frigideira de forma a ficar crocante:

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Reservamo-los enquanto preparamos a cebola caramelizada:

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Vamos usar a gordura de um bacon bem picadinho antes de reservarmos:

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Vamos dourar as cebolas picadas nessa gordura do bacon:

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Depois de levemente douradas iremos acrescentar 1 a 2 colheres de açúcar mascavo:

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E depois iremos acrescentar vinagre balsâmico:

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Trazemos de volta o bacon utilizado no início e depois reservamos essa cebola.

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Para montarmos o hambúrguer podemos fazer na mão ou com o auxílio de um aro ou forma:

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Em casa você pode prepará-los de várias maneiras: na grelha, na frigideira, etc. Preferimos fazê-los na churrasqueira para termos aquele sabor defumado!

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Após o hambúrguer começar a “sangrar” é hora de colocar o queijo cheddar e o bacon já reservado outrora:

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Depois iremos abafá-los para manter o sabor defumado:

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Existem vários tipos de pães que podem ser usados, mas indubitavelmente eu gosto bastante do pão de brioche:

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Devemos selá-los antes de utilizarmos:

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Logo após procederemos com a montagem:

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Como acompanhamento pode ser utilizado fritas:

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Conforme falamos no post anterior, o acompanhamento perfeito para esse hambúrguer é um vinho com a uva Malbec. E, conforme prometido anteriormente, faremos hoje um duelo entre um Malbec da Argentina e um malbec da França. Do lado Argentino iremos utilizar a linha premium da bodega Nieto Senetiner citada desde nosso primeiro post sobre essa uva:

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Nieto Senetiner Malbec D.O.C. 2013

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Do lado Francês temos o vinho já citado anteriormente aqui no blog: Domaine les Barthes 2015 Malbec.

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O malbec produzido na Argentina parece uma uva totalmente diferente: é um vinho tânico e com nível de álcool mais elevado com bastante presença de frutas vermelhas e negras. Já o malbec francês é um vinho muito mais delicado e estruturado. Lembra de longe um vinho da uva pinot noir devido à sua delicadeza. A versão francesa não apresenta essa pancada de taninos nem essa potencialidade de frutas.

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Outro vinho que poderia acompanhar bem esse prato é um bom Cabernet-Sauvignon Chileno. Gostaria aqui de deixar mais um exemplo de um grande vinho sem necessariamente ser caro. Embora já tenhamos comentado aqui no blog sobre o Toro de Piedra, a versão feita com a uva Cabernet-Sauvignon é um vinho de R$60-80 que vale pelo menos 3-4 vezes mais. É sensacional e recomendo com todo meu humilde entendimento sobre vinhos!

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Conclusão

Caso o objetivo seja degustar um bom hambúrguer feito em casa ou mesmo numa boa hamburgueria, minha indicação é: vá de Malbec Argentino ou Cabernet-Sauvignon Chileno!

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Segundo B da Itália, Prosecco, Barolo, Bordeaux, Icewine e Evento Italiano

“Toma conselhos com o vinho, mas toma decisões com a água.” Benjamin Franklin

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Introdução

Amigos, hoje o post será a continuação da série em que falamos sobre os 5 Bs da Itália. Nesse segundo episódio falaremos sobre o Barolo, um nome muito famoso no mundo dos vinhos tanto por sua alta qualidade quanto por seu elevado preço. Esse evento também é o sétimo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o sexto encontro, basta clicar aqui. Também falaremos rapidamente sobre um evento em que recebemos os amigos Rafael e Eloísa em nossa residência e compartilhamos um bom Coq au Vin e excelentes vinhos.

Primeiro encontro

Amigos, quem quiser saber como fazer a receita já temos um post no blog. Basta clicar aqui. Mas começaremos falando sobre o maravilhoso Prosecco que o Rafael trouxe de sua última viagem à Itália:

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Bottega Valdobbiadene Prosecco Superiore D.O.C.G.

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Já temos um post no nosso blog em que falamos sobre o processo de fabricação de um champagne e sobre as diferenças de nomenclatura que inclui o Prosecco (clique aqui no link). Mas de uma maneira geral, o Prosecco é o champagne da Itália assim como a cava é o champagne da Espanha (veja o post sobre ela aqui). De forma a receber a denominação Prosecco, o espumante precisa ser feito na Itália e somente com as uvas Prosecco. No paladar e no nariz eu diria que o Prosecco é um meio termo entre o champagne e a cava, pois ele apresenta aromas mais frutados do que o champagne mas menos do que a cava ao mesmo tempo em que ele é mais ácido do que a Cava e um pouco menos do que o Champagne.

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Para acompanhar esse prato, as visitas trouxeram um excelente Pinot Noir do Chile e da mesma bodega lendária a qual me referi no post anterior (link). Essa é a que produz vinhos em solos vulcânicos o que acarreta em aromas e num sabor único. A fim de comprovarmos a diferença real entre o que significa um vinho muito tânico com outro de pouquíssima tanicidade eu resolvi abrir um Barolo.

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Enquanto o Volcanes Reserva Pinot Noir apresenta uma acidez mais acentuada e bom drinkability, o Barolo Tenimenti Ca’Bianca 2012 é bem mais encorpado e com uma sensação de adstringência acima do normal. Ambos apresentam aromas fortes de frutas negras. Mais abaixo falarei um pouco mais sobre esse vinho mitológico.

Confraria Távola Di Amici

Amigos, estamos hoje na casa dos queridos Nelson e Ana num evento de altíssima qualidade sobre a comida e cultura Italianas. E para começar falando sobre o evento nada melhor do que começar pelo Barolo. Beni di Batasiolo Barolo 2013.

Barolo

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Ele vai receber no nosso blog o título de segundo B da Itália apenas por uma questão cronológica já que na realidade esse foi o primeiro B da Itália. É importante lembrar que o nome da uva que produz esse colosso não é Barolo, mas sim Nebbiolo.

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A Nebbiolo é uma uva que produz grandes e importantes vinhos, com estrutura e qualidade, muitos taninos e feitos para guarda. É uma uva de difícil cultivo e que só rende bons frutos na região piemontesa. Essa cepa exige muita atenção e cuidados e, por dar origem a vinhos fortes, tânicos e concentrados, precisa ser domada tanto nos barris de envelhecimento quanto já na garrafa por anos, se não por décadas. Ela é uma uva que perde apenas para a Tannat (link) no quesito de tanicidade.

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O Barolo é famoso principalmente porque ele foi o marco na história dos vinhos da Itália. Até antes do século XIX a Itália não produzia nada de qualidade. Acredita-se que a primeira a perceber que os vinhos locais precisavam mudar foi a última marquesa de Barolo, Juliette Colbert di Maulévrier, ou Giulia Falletti di Barolo. Filha de aristocratas franceses da época da Revolução, ela se casou com o marquês Carlo Tancredi Falletti di Barolo no início do século XIX. Ela desenvolveu grande interesse pela filantropia, mas também por agricultura e contratou um enólogo francês, Louis Oudart, para ajudar os viticultores locais a melhorarem suas técnicas. Antes, o Barolo era doce – como boa parte dos vinhos célebres da época –, então ele transformou-o em uma bebida seca, no estilo de Bordeaux. E foi esse novo vinho que passou a ser servido nas mesas dos nobres e ganhou a reputação de “rei dos vinhos”.

Antepasto

Como entrada tivemos dois molhos deliciosos: a sardela e a alichella.

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De antepasto tivemos Melone com proscuito:

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Foram embaladas com um vinho simples mas excelente para a abertura de uma grande refeição:

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Primo Piatto

A Ana como verdadeira chef italiana fez dois pratos maravilhosos com massa fresca: O Spaghetti col sugo e a Lasagna al prosciutto e Formaggio col sugo rose.

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Para acompanhar esses pratos tivemos uma seleção de dar inveja a qualquer evento enogastronômico. Comecemos provando o spaghetti com o Barolo:

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Como o evento possui a temática italiana eu decidi utilizar o vinho mais italiano possível: o chianti. Esse que está para a Itália assim como a cerveja Brahma ou a Skol estão para o Brasil. Um vinho muito bom e barato feito com a rainha das uvas italianas: a Sangiovese.

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Bindi Sergardi Al Canapo 2014 Chianti

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Tivemos também um outro Sangiovese maravilhoso: Cancelli Coltibuono 2015

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Tivemos também um vinho espanhol de dar inveja feito com as uvas tempranillo  e Graciano: Beronia Rioja 2009 Gran Reserva.

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Um dos confrades trouxe um Merlot de sua última viagem à Paris:

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Que harmonizou muito bem com a lasagna:

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Antes do Secondo Piatto provamos também um vinho branco siciliano feito com uma uva pouco comum: Catarrato. Vinho Benedè Catarrato 2016.

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Tivemos também um vinho do Alentejo e um Italiano da uva Nero d’Ávola: Courela Alentejo 2014 e Baglio di Luna 2014 Nero D’ávola.

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Secondo Piatto

Com certeza essa foi uma das massas mais gostosas que eu já comi na vida. Meus parabéns Ana! Mas o evento ainda não tinha chegado nem na metade ainda. Como Secondo Piatto tivemos uma Saltimbocca ala romana com o Contorno de Cicoria Ripassata in padella. Admito que nunca comi uma carne de vitela melhor!! Nota 10. E para acompanhar o segundo prato tivemos mais vinhos espetaculares. O primeiro deles é o feito com a minha uva preferida: primitivo. Em breve no blog teremos um post exclusivo sobre essa uva apesar de já termos falado dela plantada no terroir americano (zinfandel). Lucarelli Primitivo di Puglia.

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Eu levei um vinho feito com a uva negroamaro porque ela também é produzida na região de puglia e é também utilizada na confecção de grandes vinhos como o primitivo di manduria. Ou seja, negroamaro e primitivo são primas do primeiro grau. Notte Rossa Negroamaro 2015.

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Dolci

Não pensem que o evento acabou meus amigos! Ainda temos uma surpresa a ser revelada! A Ana preparou duas sobremesas tipicamente italianas: o tiramissù e o cannoli. E temos uma surpresa no nosso blog: o icewine ou o vinho das uvas congeladas!

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Esse espetáculo de vinho foi um presente da minha tia Sônia que ela trouxe da sua última viagem do Canadá. Originalmente Alemão (o Eiswein), esse vinho foi descoberto por acaso porque um produtor esqueceu de colher as uvas e elas congelaram no inverno. Então ele teve a idéia de espremê-las congeladas obtendo assim apenas a parte doce e licorosa da uva. Nascia assim o Icewine.

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Embora ele possa ser feito com vários tipos de uvas, é a Vidal que mais se destaca na sua produção. A temperatura tem de se manter por 3 dias a, pelo menos, 8 graus negativos. As uvas congeladas são, então, colhidas de madrugada para evitar que derretam e possam ser processadas ainda com gelo. É devido a essas características que o Canadá é quase que exclusivo na produção desse vinho. No Brasil uma garrafa de 200 ml custa aproximadamente R$400.

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Creif Estate Winery 2015 Vidal Icewine

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Mas o evento ainda não acabou por aí! Um dos confrades que mora em Paris trouxe dois Grand Vin de Bordeaux.

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Lussac Saint-Emillion 2014 Grand Vin de Bordeaux

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Nossa, Bordeaux é sempre uma boa pedida!!!

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Château Bellevue Saint-Martin 2014 Grand Vin de Bordeaux Montagne Saint-Émillion

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Conclusão

Peço perdão pelo post tão longo e se eu não fiz um review mais detalhado sobre algum vinho, mas é porque o volume de informações foi muito grande. Parabéns ao Nelson e a Ana por serem pessoas tão maravilhosas e receptivas e pela comida e bebida maravilhosas. Aguardo ansiosamente o próximo encontro da Confraria Távola di Amici!

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Evento enogastronomico e minicurso de vinhos

“Dai-lhes bons vinhos e eles vos darão boas leis.” Montesquieu

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Introdução

Olá amigos, esse talvez seja o post mais especial que tivemos desde o início do nosso blog. É o aniversário da minha tia Sônia de 50 anos e tive a oportunidade de rever vários familiares meus vindos de Recife e Belo Horizonte. O evento contou com um Sommelier e sua equipe proporcionando um minicurso de vinhos e algumas surpresas. Pela primeira vez no blog teremos também alguns vídeos.

Pré-evento

Na noite anterior tivemos a oportunidade de degustar três bons vinhos. O primeiro deles é um Shiraz australiano: Trentham Estate Shiraz 2015.

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E, conforme já foi apresentado anteriormente no blog (link), a uva Shiraz na Austrália demonstra todo o seu potencial só perdendo para a região do Hermitage na França (link). Um vinho que apresenta aromas muito marcantes de frutas negras e de especiarias. Um ótimo custo benefício no valor de R$70.

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Após o novo mundo volvemos ao velho de maneira muito agradável! Jiménez-Landi Bajondillo D.O.P. Méntrida 2015. Esse corte de Garnacha com Shiraz concede ao vinho uma leveza e alto teor gastronômico. Acompanhou bem um pão caseiro com uma canja de galinha.

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Esse último gerou em mim profundo orgulho e satisfação de poder ver que no Brasil já existe coisa boa sendo feita! Já falei em alguns posts (link) sobre como os vinhos do Brasil estão evoluindo e sendo bem vistos no exterior e esse é mais um exemplo. É necessário deixar bem claro que esse ainda não está no nível de um bom Francês ou Chileno ou Argentino ou Americano como tivemos no post anterior (link), mas certamente ele está no caminho certo! Salton Paradoxo 2015. Um vinho de R$35 brasileiro que ganhou meu respeito por se tornar uma opção de um vinho barato e com um bom grau de qualidade.

Evento enogastronômico

Amigos, quero apresentar aqui o sommelier responsável pelo minicurso que tivemos no dia do evento. Em baixo temos um breve resumo sobre sua carreira:

Cássio Henrique Almeida de Oliveira

1-Trabalhou no Sonda Supermercados por 2 anos como Sommelier e encarregado da adega

2-Sommelier do Grupo Oba por 7 anos (até o momento)

3-Sommelier e coordenador geral das lojas de São Paulo do OBA

4-Colunista da revista Brazil-USA (EUA- Flórida), Revista feita para brasileiros que ali residem sendo 100% do conteúdo português.(https://www.facebook.com/brazilusaorlando/?pnref=lhc)

Formação

Universidade Paulista (Unip)

Bacharelado em Administração de Empresas

ABS- Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo

Sommelier 3 módulos (países, fundamentos do vinho e serviço do vinho)

 

Às vezes as pessoas me perguntam sobre onde comprar bons vinhos com um bom custo benefício e, uma boa resposta para essa pergunta é o Oba supermercados. Então se você já entrou na adega de um Oba a procura de bons vinhos e ficou encantado com a boa seleção que eles possuem, agradeçam ao Cássio pois ele é o responsável pela escolha de todos os rótulos que a rede possui.

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Como introdução à palestra, o Cássio falou um pouco sobre os tipos de taças que utilizamos para vinhos. Em baixo temos o link para o vídeo no youtube (peço perdão pela qualidade artesanal dos vídeos):

https://www.youtube.com/watch?v=VdmKgttjm84

E na mesa de cada um dos convidados podemos ver que foi separado um tipo de taça específico (espumante, branco e tinto) para cada tipo de refeição:

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Apéritif (hors d’oeuvre)

Amigos, conforme é costume em uma refeição mais sofisticada, podemos ter como apéritif alguns Canapés, Amuse Bouche ou Amuse Gueule. Que nada mais são do que entradinhas (hours d’oeuvre) antes mesmo da entrada principal. Eles combinam muito bem com um champagne ou espumante. Esses em específico foram feitos com salada de bacalhau na barquinha.

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O espumante escolhido pelo Cássio é o da Casa Valduga, um excelente custo benefício. Ele é um exemplo de que é possível apreciar um bom espumante sem precisar pagar R$400 numa garrafa de Champagne. Em conversa com alguns amigos franceses, esse é sucesso inclusive na França!

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casa valduga

Tivemos também uma surpresa que o Cássio nos proporcionou: a abertura desse espumante com um sabre. Confira o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=eBrpqy68pSk&t=3s

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Depois disso o Cássio começou falando sobre como degustar um vinho. Confira a parte 1:

https://www.youtube.com/watch?v=29wX3dOAPgI

Parte 2:

https://www.youtube.com/watch?v=u446Pl0q0mU

Nessa terceira parte temos a degustação específica com o Casa Valduga:

https://www.youtube.com/watch?v=ZxaXuqG7Vwg&feature=youtu.be

Parte 4:

https://www.youtube.com/watch?v=pCu9Jk6QD9I&feature=youtu.be

Entrée

Logo após os canapés é a hora de servir a entrada da refeição. Normalmente é aqui que é servido um bom vinho branco e, no caso dessa festa em específico foi servido um top considerado um clássico Argentino: Catena Zapata Chardonnay.

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Já tivemos um post em que falamos sobre a bodega Catena Zapata e a importância que o Nicolás Catena teve para a viticultura argentina (link), mas cabe aqui dizer apenas o seguinte: até a década de 90 a Argentina nem era citada como produtora de vinhos razoáveis, mas depois do trabalho dele, ela começou a produzir vinhos até mesmo melhores do que os Chilenos, Americanos e Europeus. Então o nome Catena carrega um peso por si só. E o mais legal é perceber que não é necessário um vinho custar R$500, 1000 ou 10000 reais para ser considerado maravilhoso. Com R$120 podemos comprar uma maravilha como essa.

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No próximo link o Cássio vai falar sobre esse vinho e bodega maravilhosos:

https://www.youtube.com/watch?v=lw4-tyo9w98&feature=youtu.be

Continuação:

https://www.youtube.com/watch?v=e4zk9Rq-58w&feature=youtu.be

Parte 7:

https://www.youtube.com/watch?v=3AWYvkMlL8U&feature=youtu.be

E para acompanhar essa lenda temos dois pratos fantásticos. O primeiro deles é uma salada de folhas verdes com camarão, acompanhada de molho à base de iogurte, mel e condimentos:

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O segundo prato é uma massa. Farfalle acompanhado de molho com fundo de alcachofra, tomates cereja e outros condimentos:

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E aqui o Cassio responde algumas perguntas sobre o mundo do vinho:

https://www.youtube.com/watch?v=l8k4t09VPAI&feature=youtu.be

Plat Principal

Após a entrada está na hora do melhor da festa: o vinho tinto com o prato principal! Confesso que, poucas vezes na minha vida, tomei um vinho tão gostoso quanto esse: Volcanes Tectonia 2012.

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Um vinho maravilhoso formado com um corte mediterrâneo com as uvas Mourvèdre, Petite Syrah e Grenache. Ao tomá-lo e perceber seus aromas de compota de frutas negras como cassis e cereja, me lembrei do Don Melchor (link). Nesse último vídeo o Cássio fala um pouco sobre esse vinho extremamente elegante e agradável de beber:

https://www.youtube.com/watch?v=nFE6dnKwu3s&feature=youtu.be

E o prato principal escolhido é uma paleta de Vitela com vinho tinto e acompanhamentos:

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Também troquei muitas idéias com outro sommelier do grupo Oba, o Damião. Que também me confessou esse ser um dos melhores vinhos que ele já havia degustado até então.

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Dessert

Como sobremesa, o vinho de escolha novamente foi do Chile: Junta Late Harvest Gran Reserva 2013 feito com a uva Semillon. Detalhe para a taça utilizada: tipo ISO. Ela é a taça padrão de degustação do mundo todo, inclusive para outras bebidas como café, cerveja, etc.

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Para acompanhar esse vinho com aromas de figos, frutas vermelhas e mel temos um cheesecake com calda de frutas vermelhas e um pudim de limão siciliano.

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Início da festa

Após a refeição tivemos ainda um espumante moscatel bem docinho e leve: Nero.

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E um Malbec Francês que foi utilizado inclusive para acompanhar o churrasco do dia seguinte: Domain les Barthes 2015 Malbec.

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É fantástico ver como um vinho produzido com a mesma uva pode ser tão diferente quando plantada em outro terroir. Pretendo fazer um post em breve com a comparação entre um malbec francês e um argentino, mas de antemão quero adiantar que o Francês é um vinho bem mais leve e com taninos muito mais suaves do que o argentino. Lembra de longe um pinot noir.

Contato do Cássio

Pessoal, conforme vocês devem ter visto nos vídeos e nas fotos, trata-se de um excelente profissional que eu o recomendo com empenho. Caso alguém queira contatá-lo para assuntos profissionais ou mesmo para realização de um evento, segue-se o seu número de celular/whatsup: (11) 98744-6518.

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Quero deixar também o contato do Damião: (11) 948984989.

Conclusão

Quero deixar um agradecimento muito grande à minha tia Sônia por ter proporcionado a sua família e amigos uma festa tão agradável como essa. Recomendo cada um dos vinhos citados nesse post. Um grande abraço a todos e fiquem com Deus.

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Teste cego de Bordeaux Chileno Versus Grand Vin de Bordeaux

“Onde o bom vinho falta, encurta o espaço para o amor” (João Alberto Catalão)

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Introdução

Olá amigos, hoje teremos um post bem diferente do que estamos habituados aqui no blog pois ele será o cumprimento de uma promessa feita desde o nosso primeiro post (link). Desde o começo temos falado que vinhos chilenos e argentinos possuem a mesma qualidade que os europeus mas ainda não fizemos nenhuma comprovação prática no blog salvo no último post (link). Hoje iremos comparar na prática um vinho premiado do chile com outro premiado de Bordeaux (região produtora de vinhos mais famosa do mundo).

Teste Cego

Aqui no blog já tivemos a oportunidade de falarmos sobre teste cego inclusive daquele que foi o mais famoso já feito: O Julgamento de Paris de 1976 (link). Nesse ano pela primeira vez vinhos americanos desbancaram vinhos franceses que até então eram cridos serem imbatíveis.

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Julgamento de Paris de 1976

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Recentemente, Eduardo Chadwick decidiu provar que seus vinhos de aproximadamente R$500 eram melhores do que renomados franceses de até mesmo R$17.400 como o Château Lafite-Rothschild 2000 e promoveu vários testes cegos com diversos especialistas.

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E o resultado foi como ele esperava: seus vinhos eram melhores do que os franceses e os italianos. Se alguém quiser saber mais detalhadamente sobre esse evento basta clicar no link abaixo:

http://vinho.ig.com.br/index.php/2013/07/05/chadwick-o-chileno-que-desafia-e-ganha-dos-franceses/

O canal Vox do youtube também fez um vídeo mostrando que é idiotice pensar que um vinho muito caro é necessariamente melhor do que um mais barato. É lógico que um vinho de qualidade não é tão barato, mas é uma ilusão achar que porque ele é muito caro ele é muito melhor. Confiram o link:

https://www.youtube.com/watch?v=mVKuCbjFfIY&feature=share

Vinhos de escolha

Mas para se realizar um teste adequado é necessário comparar semelhantes. Não se compara banana com abacaxi. Devido à diferença de moeda é possível comprar um vinho muito top chileno por cerca de R$100-150, mas um da mesma qualidade europeu (Francês ou Italiano) não sai por menos de R$200. Outro ponto importante é compararmos vinhos de uvas e/ou blends semelhantes. Bordeaux praticamente só produz assemblages (vinhos com mais de uma uva diferentes, normalmente Cabernet-Sauvignon, Merlot e Cabernet-Franc) enquanto que vinhos do Chile e os do Novo Mundo em geral são feitos quase sempre com uma única uva.

Montes Alpha Cabernet-Sauvignon 2011

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Do lado chileno temos uma lenda que é um verdadeiro clássico da América do Sul. O Montes Alpha foi o primeiro grande tinto chileno, inspirado nos melhores vinhos de Bordeaux. Foi eleito o “melhor Bordeaux chileno” pela revista Decanter, e equivale em qualidade a um “cru bourgeois” de preço três ou quatro vezes maior! Concentrado e refinado, com muita estrutura, camadas e mais camadas de fruta madura e um elegante final de boca. Um vinho excelente, de imbatível relação qualidade/preço. Esse foi o vinho recomendado pelo sommelier Gérson num post anterior do Blog (link). Apesar de possuir o nome Cabernet-Sauvignon ele é um blend com outras uvas como a Merlot. Custa em média R$120-150.

Château Villa Bel Air 2010

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Do lado Francês temos outra lenda que é considerado como um dos maiores representantes dos vinhos de Bordeaux. Um vinho realmente apetitoso na opinião de Jancis Robinson e um livro texto da região de Graves nas palavras de Robert Parker, o Château Villa Bel-Air é um Bordeaux cheio de personalidade, combinando as castas Cabernet Sauvignon (40%), Merlot (50%) e Cabernet Franc (10%) de vinhedos plantados nos famosos solos da região, repletos de pedregulhos. Elaborado com maestria pela família Cazes, do famoso Château Lynch Bages, é um grande achado de Bordeaux. Uma garrafa padrão de 750ml dele corresponde a aproximadamente R$230-260. Por sorte consegui comprar uma meia garrafa numa promoção.

O embate

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Durante o teste cego os participantes tiveram opiniões bem semelhantes. Os dois vinhos possuem boa estrutura e apresentam alto grau de qualidade, mas o da esquerda (taça maior e mais alongada) se mostrou bem superior no quesito aromas e retrogosto. Esse é realmente um vinho muito aromático e agradável ao nariz; na boca eles são bem semelhantes mas o retrogosto do da esquerda é também muito superior e agradável. O fim dele é longo, muito persistente e saboroso. Enquanto que o da direita possui um final seco, levemente amargo e desagradável. Devido a essas características, o da esquerda foi escolhido por unanimidade como o melhor vinho. O resultado é o que se segue:

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Ou seja, o Chileno se saiu como vitorioso para minha surpresa, pois eu pensei que o melhor era o Francês!! Isso apenas confirma o que foi dito no post anterior (link): é no Chile que a Cabernet-Sauvignon encontra sua expressão máxima!!

Harmonização

Os vinhos do tipo Bordeaux harmonizam muito bem com um bom pernil de cordeiro (gigot d’agneau) mas, infelizmente dessa vez eu não acertei a mão da receita e prometo que eu refá-la-ei em breve aqui no blog. Por enquanto deixo as fotos da tentativa:

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Conclusão

Conseguimos comprovar o que venho dizendo desde o começo do blog: um vinho não é melhor do que outro necessariamente por ser mais caro ou por ser de um lugar muito consagrado como Bordeaux ou Bourgogne. Mas ao mesmo tempo quero frisar aqui que não é meu objetivo afirmar que os vinhos franceses são inferiores aos chilenos ou a qualquer outro, mas encorajar a todos que provem e aproveitem todos os tipos de vinhos, franceses ou não. Em breve espero estar trazendo mais vinhos franceses aqui no blog. Abraços e fiquem com Deus.

Conheça todos os posts do blog através desse link

Coq au vin, queijos e vinhos franceses, chartreuse e degustações de pinot noir

“Ao contrário dos relacionamentos pessoais e profissionais, no vinho a infidelidade é essencial” (João Filipe Clemente)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um tanto especial pois será um evento francês com uma receita de um coq au vin e degustações múltiplas de grandes Pinot Noir e outros vinhos. Esse é o quinto encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares) e ele ocorrerá na minha casa. Caso alguém queira conferir o quarto encontro, basta clicar aqui.

Receita do Coq au Vin

Amigos, essa é uma receita que demora algumas horas para ficar pronta, logo recomendo começar a prepara-la cedo. Já tivemos aqui no blog um post sobre o coq au vin contando sua história, caso queira conferi-lo basta clicar aqui.

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Tomemos então cerca de 25 mini cebolas, descascamo-las e reservamos:

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Picamos também cerca de duas mini cebolas e reservamo-las:

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Cortamos em rodelas duas cenouras:

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Numa panela grande de ferro colocamos azeite e manteiga para dourarmos as cebolas:

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Depois de douradas, retiramo-las do fogo e reservamo-las:

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Usando o mesmo azeite e manteiga usados para dourar as cebolas, douramos cerca de 750g de bacon:

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Assim que o bacon estiver dourado, acrescentaremos cerca de 2,5kg de frango caipira. A receita original previa um galo mas, devido à dificuldade de acha-lo, iremos utilizar frango caipira comum. Também se usa o galo todo na receita original, mas aqui iremos usar apenas sobrecoxas.

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Vamos dourar o frango junto com o bacon:

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Assim que o frango estiver dourado iremos acrescentar a cebola picada e a cenoura para dourarem juntos:

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Depois de cozê-los juntos, o próximo passo é acrescentar cerca de duas colheres de sopa de farinha de trigo e cozê-la junto com os outros ingredientes:

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Depois de cozidos iremos acrescentar alho, sal, pimenta e algumas folhas de louro:

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Depois vamos cobrir todos os ingredientes com duas garrafas de vinho tinto:

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E agora se inicia um longo cozimento. Baixe o fogo e deixe o galo cozinhar por cerca de 2 horas sempre mexendo para não grudar no fundo da panela.

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Enquanto isso iremos preparar os champignons:

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Aproximadamente 600g e partimos todos em 4 pedaços:

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Vamos agora coloca-los na frigideira com manteiga:

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Vamos agora usar o suco de 1 limão, sal e pimenta do reino:

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Depois de fritos, apenas reservamo-los junto com os outros ingredientes. Após aproximadamente 2 horas o frango já vai ter adquirido uma consistência bonita:

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É a hora de unirmos as cebolas, o champignon e checar o sal e a pimenta:

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Depois disso o coq au vin deve ainda ser cozinhado por cerca de 30-40 minutos. Enquanto isso prepararemos umas entradas para o início do evento: queijos franceses e batatas gratinadas com queijo gorgonzola feitos pela minha esposa Aline.

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Para fazer as batatas basta primeiro cozê-las na água:

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Fazer orifícios e colocar o molho feito com queijo gorgonzola e creme de leite antes de gratiná-las no forno:

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Com essas entradas temos algumas cervejas artesanais:

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Witbier brasileira muito bem feita, vale a pena conferir.

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Uma weizen alemã:

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Outra witbier artesanal muito bem feita:

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Harmonização e características da pinot noir

Conforme falamos no post anterior, o coq au vin combina perfeitamente com vinhos da Borgonha, principalmente os feitos com a uva pinot noir. Essa que é considerada uma das uvas mais difíceis de serem cultivadas por exigir terroirs muito específicos. É dela que se obtém vinhos lendários como o romanée-conti que são vendidos no Brasil com valores absurdos de até R$40 mil reais:

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A pinot noir é talvez a uva mais adorada pelos grandes apreciadores de vinhos. É dito que, através dela produz-se vinhos muito delicados e saborosos. Ficou muito famosa no mundo e, principalmente nos EUA, depois do filme Sideways.

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São vinhos que possuem baixo nível de taninos, uma acidez moderada e aromas muito frutados de cereja, amora, framboesa, especiarias, ervas e flores. Com a idade ressalta toques animais, couro e cogumelos secos. Mas é difícil definir um gosto típico de Pinot Noir, justamente por depender muito do terroir do qual foi extraída, e do seu processo de vinificação.

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Fonte: https://www.winefolly.com

Por esses motivos, houve uma decisão de harmonizar nosso coq au vin com diversos tipos de pinot noir. O primeiro e o segundo da lista foram degustados num evento anterior com o mesmo prato. Segue-se um pinot noir maravilhoso chileno da bodega ventisquero já citada algumas vezes no blog:

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E um pinot noir argentino maravilhoso: Partidge Reserva Pinot Noir 2013

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Degustados lado a lado todos os dois harmonizaram com o prato porém pode-se perceber a diferença de um pro outro: o chileno bastante aromático e com presença de madeira, porém com uma acidez um pouco acima da média. Já o argentino bem mais redondo e equilibrado em nada se destacando (chileno da esquerda e argentino da direita).

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Vinhos de escolha

O desafio era degustar vários tipos de pinot noir e dizer qual país produz o melhor deles. Para esse desafio tivemos alguns vinhos de peso. O primeiro deles foi um chileno ganhador de vários prêmios, detentor de 91 pontos pelo Wine Spectator (James Suckling): Arboleda Pinot Noir 2014.

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O segundo é um clássico da Califórnia cujo nome dispensa comentários: Robert Mondavi Private Selection Pinot Noir 2014. Caso alguém não tenha visto o post sobre os vinhos californianos pode clicar aqui.

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E temos também dois representantes clássicos da região lendária da Borgonha (o berço da Pinot Noir e dita pelos especialistas possuir os melhores vinhos). Masson Dubois Bougorne 2011 e Louis Latour 2013.

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Início das degustações

Após o tempo previsto o coq au vin ficou pronto:

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Como acompanhamento fica perfeito uma baguete de parmesão.

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Quando colocamos os três um do lado do outro fica fácil ver algumas características: o chileno é o mais aromático porém o mais ácido de todos. O americano é o mais redondo e agradável com um retrogosto agradável e macio enquanto que o francês é um bom vinho mas sem personalidade e com retrogosto seco e levemente desagradável. Nada se destaca nele, mas de acordo com os presentes foi o que melhor harmonizou com o prato. Nesse duelo não houve vencedores pois todos eram muito bons.

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Além desses pinot noir tivemos alguns outros muito bons:

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Esse é um Francês feito com um assemblage de uvas:

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Um primitivo italiano que foi uma das estrelas da festa: La Marchesana Primitivo di Puglia 2015.

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Mais uma vez um vinho da bodega ventisquero: Carmenère 2015

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E um vinho português do Douro que impressionou por sua qualidade por ser um vinho de R$30 reais. Ele é um dos exemplos de que um vinho não precisa ser caro para ser bom!

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Dessert

Como sempre na confraria sempre temos uma surpresa que nos aguarda e hoje foi a vez da maravilhosa torta mais do que genuinamente francesa feita pela minha tia Sônia: Tarte Tatin.

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Essa torta é muito conhecida na França e tem uma história bem legal. Reza a lenda que a Tarte Tatin teria nascido de um erro culinário, ocasionado por um momento de desatenção da cozinheira. Quando Jean Tatin faleceu no final do século XIX, suas filhas Stéphanie e Caroline herdaram o hotel e restaurante Tatin, situado na pacata cidade de Lamotte-Beuvron, no Loir-et-Cher (centro da França). Caroline era conhecida por ser uma excelente administradora. Já Stéphanie, era uma cozinheira muito talentosa. As duas formavam uma ótima equipe e, mesmo após o falecimento do pai, elas continuaram gerindo com brio o estabelecimento familiar. Uma das especialidades de Stéphanie era a torta de maçãs, que ela servia morna, caramelizada e bem macia. Os clientes vinham de longe para apreciar a famosa iguaria. No entanto, Stéphanie também era conhecida pelo seu jeito meio distraído e tagarela. Assim, num dia de muito movimento, ela ficou conversando demais com os clientes até que se deu conta de que a sobremesa não estava pronta. Então, ela correu para preparar a famosa torta, pôs ela no forno e só depois é que reparou que tinha esquecido de colocar a massa no fundo da forma. Vendo que as maçãs estavam caramelizadas, ela teve a idéia de pôr a massa por cima e de virar a torta quando ela saísse do forno. Quanto aos clientes, eles simplesmente adoraram a nova receita!

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Como acompanhamento para essa receita temos dois licores genuinamente franceses e difíceis de encontrar fora da França. O primeiro deles é o Chartreuse, um licor de pêra:

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O segundo é o liqueur de génépi de savoie feito com uma florzinha que cresce nos alpes franceses:

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Conclusão

Foi um prazer muito grande receber todos na minha humilde residência e partilhar de momentos tão indeléveis! Recomendo cada um dos vinhos desse post. Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

Conheça todos os posts do blog através desse link

Harmonizando frango assado com vinhos brancos e rosés

“Para vinho ter gosto de vinho, deve ser tomado com um amigo” (Provérbio Espanhol)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um exemplo de como a simplicidade pode ser perfeita para um encontro de amigos. Como um simples frango na brasa pode ser uma comida tão espetacular. Este é o quarto encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o terceiro encontro, basta clicar aqui.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, antes de falarmos sobre o evento e os vinhos do post, faremos um breve review de algumas excelentes cervejas. Hoje falaremos das cervejas produzidas pela Cervejaria Colorado, a qual, na minha opinião, é a melhor cervejaria do Brasil. O que torna elas tão especiais é não apenas o altíssimo nível de qualidade mas também os ingredientes típicos brasileiros usados nas receitas. A primeira delas é uma pilsen bem incomum que recebe mandioca na sua composição: a Cauim.

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Confesso que demorei um bom tempo até me animar a querer degustar essa cerveja por pensar que mandioca nada tinha a ver com a bebida. Mas essa combinação é simplesmente estonteante e produz uma pilsen bem mais encorpada do que as outras comumente conhecidas. O nome Cauim vem do Tupi e se refere a uma antiga bebida fermentada de cereais e mandioca, fabricada pelos índios brasileiros.

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Essa segunda é simplesmente uma das cervejas de trigo mais gostosas que eu já provei na vida (se não foi a melhor). A combinação de maltes de trigo com mel de abelhas dá um toque todo especial a essa cerveja. Já é a segunda vez que falo dela no blog (confira o primeiro review aqui).

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A terceira é uma IPA consagrada no mundo todo e vencedora de diversos prêmios por sua qualidade e inovação por utilizar rapadura na sua confecção. Vale a pena conferir mesmo se você não curte muito o estilo IPA.

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Essa quarta cerveja do estilo porter ganhou o prêmio em 2016 junto com a Wäls Dubbel (review aqui) pois foram eleitas as melhores do mundo pelo World Beer Award, prêmio considerado o Oscar da cerveja.

Início do evento

Amigos, hoje estamos na casa maravilhosa e aconchegante dos amigos Vitor e Marcela e vamos provar um frango assado na brasa que é especialidade dele:

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O segredo é deixar o frango marinando por 4 horas com limão tahiti, limão siciliano, cerveja preta, suco de laranja e whiskey (pode ser Scotch ou Bourbon).

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Enquanto o frango é assado, vamos apreciar uma deliciosa witbier:

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Cerveja muito agradável e fácil de beber! Sente-se o aroma da casca de laranja e da semente de coentro sem destoar dos outros. Cerveja bem equilibrada!

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Essa segunda já foi alvo de review no nosso blog (link).

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Essas cervejas harmonizaram bem com alguns queijos como provolone e emmental e com umas deliciosas bruschettas preparadas pelo Vitor com pão de milho:

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Vinhos de escolha

Normalmente um frango na brasa harmoniza muito bem com um vinho tinto como o pinot noir, mas o desafio lançado foi que a harmonização deveria ser feita exclusivamente com vinhos brancos ou rosés.

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O primeiro vinho é um corte chileno feito majoritariamente com a cepa chardonnay com um pouco de pinot blanc e pinot grigio. A denominação reserva garante a esse vinho um estágio de médio prazo em barricas de carvalho.

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O segundo vinho é simplesmente magnânimo por ser produzido por uma bodega de muito prestígio no Chile e por receber classificação máxima de qualidade. O selo Gran Reserva indica não apenas longo tratamento e envelhecimento em barricas de carvalho mas também utiliza-se uvas de primeira qualidade (caso alguém queira entender mais sobre a diferença entre reservado, reserva e gran reserva clique aqui).

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O terceiro e o quarto são rosés franceses originários da região de Provence. Eles são um assemblage de várias uvas (Cinsault, Grenache, etc).

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E como guarnição temos uma batata recheada com queijos.

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Dessert

Após o frango maravilhoso temos ainda uma sobremesa deslumbrante feita pela Marcela:

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E para harmonizar com ela temos dois vinhos de sobremesa: um argentino e outro da África do Sul.

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Conclusão

Vitor e Marcela, acredito que não foi apenas minha opinião mas de todos os amigos da confraria de que foi o frango assado mais gostoso que já comi na vida. Foi um prazer muito grande esses momentos com vocês! Confesso que fiquei meio incrédulo a princípio sobre se a harmonização daria certo e, mais uma vez, fui surpreendido! Recomendo cada um dos vinhos desse post. Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

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Culinária alemã: Eisbein à pururuca com a melhor uva branca do mundo (Riesling da Alsácia)

 “O bom vinho alegra o coração dos Homens.” (Salmos 104:15)

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Introdução

Olá amigos, hoje iremos adentrar na famosa culinária alemã junto com um vinho da Alsácia. Iremos degustar um prato que é o símbolo da culinária desse país: o Eisbein (Joelho de porco) à pururuca junto com a linguiça (Wurst).

Alsácia: França ou Alemanha?

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É interessante porque embora a Alsácia hoje faça parte da França, ela passou boa parte da história sendo da Alemanha. Ambas brigaram pelo seu domínio várias vezes durante a história e, hoje, os costumes germânicos como cultura e língua ainda permanecem como resquícios. No futuro teremos um vinho exclusivamente feito na Alemanha, mas vejam que não há qualquer perda de generalidade de falarmos sobre vinhos da Alemanha nos referindo à Alsácia (esta que é conhecida por produzir os melhores Rieslings do mundo).

Características da Riesling

Amigos, hoje iremos falar sobre a uva branca mais adorada pelos apreciadores de vinho do mundo: a Riesling. E, conforme faço sempre questão de frisar por aqui, essa definição de melhor do mundo é apenas para fins didáticos e por haver maior concordância entre os críticos.

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Fonte: http://www.wynefolly.com

Essa uva possui aromas deliciosos de frutas cítricas (abacaxi, laranja, limão, pêra, maçã verde, etc) misturado com o aroma de mel de abelhas conforme mostra o infográfico a seguir:

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Fonte: http://www.winefolly.com
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https://br.pinterest.com

Harmonização

Devido à sua acidez e mineralidade embalada com aromas de mel, esse vinho fica perfeito com o ícone da culinária alemã e, consequentemente, alsaciano: o Eisbein.

O Eisbein está para a culinária alemã assim como a feijoada está para a culinária brasileira. Ele é o joelho do porco, podendo ser preparado cozido, frito ou assado, dependendo do prato e servido com chucrute (repolho refogado).

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Escolha do restaurante

O Eisbein feito à pururuca e defumado é um prato muito difícil de ser feito em casa, logo iremos optar por degustá-lo num bom restaurante de São Paulo: o Bar do Alemão.

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E o vinho de escolha será um clássico da Alsácia que pode ser encontrado para a venda no site da Mistral (www.mistral.com.br): P.E. DOPFF & FILS Riesling 2013.

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Enquanto o vinho é posto para chegar na sua temperatura ideal de consumo iremos pedir um carpaccio com uma excelente cerveja de trigo brasileira: Eisenbahn.

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A beleza do vinho é estonteante!

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O eisbein vem bem servido com batatas, linguiça alemã (Wurst), chucrute, purê de ervilhas e uma cebola crocante com molho de gengibre:

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E por fim pedimos como sobremesa o ícone das sobremesas alemães: a Apfelstrudel. Essa torta folhada com lascas de maçã é um verdadeiro delírio!

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Conclusão

Desde o começo do blog eu tenho falado que minha uva branca preferida é a Pinot Grigio, mas hoje eu tive de me render à Riesling. Jamais tomei um vinho branco tão gostoso na minha vida!! E ele harmonizou de forma perfeita com o Eisbein. Quem ainda não experimentou essas delícias não sabe o que está perdendo!!

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Camarão à Húngara, cerveja Deus e a champenoise brasileira Wäls

“Onde o bom vinho falta, encurta o espaço para o amor” (João Alberto Catalão)

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Introdução

Olá amigos, hoje teremos um post que sairá um pouco do modelo ortodoxo já visto desde então. Sabemos que o foco do blog é em vinhos, mas hoje teremos um post levemente diferente: vamos falar sobre cervejas champenoises. Teremos uma exemplar belga produzida em champagne e uma brasileira da cervejaria Wäls. Para acompanhar essas maravilhas vamos fazer uma receita deliciosa: camarão à húngara.

Cervejas

Como é de costume no nosso blog, antes de falarmos sobre o evento e os vinhos do post, faremos um breve review de algumas excelentes cervejas. A primeira delas é eleita a melhor cerveja escura do tipo stout do mundo: a guiness.

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A Guinness Draught é a cerveja stout mais consumida do mundo. É uma cerveja especial de cor negra e uma excepcional espuma densa e cremosa, que persiste durante toda experiência da degustação. Aromas e sabores de café e chocolate amargo bastante presente a tornam uma cerveja irlandesa referência do estilo stout.

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A segunda é uma brasileira muito especial. A cervejaria coruja é um exemplo de qualidade não apenas no Brasil mas no mundo todo. E esse exemplar de trigo é levemente diferente das tradicionais weizen por conter maltes defumados e um leve toque de pimenta do reino. Vale a pena experimentar.

Cervejas champagne

Afinal, é um champagne ou uma cerveja? Garrafa típica de espumante, remuage, segunda fermentação em garrafa, estágio em caves francesas, perlage etc. Assim são as características dessas bebidas. A história das cervejas Champenoise começa com a lendária DeuS, produzida pela cervejaria Bosteels – fundada em 1791, na cidade de Buggenhout, na Bélgica. A DeuS é produzida na Bélgica e depois transferida para a França (Epernay), onde passa pelo processo Champenoise, fazendo uma segunda fermentação na garrafa, passando meses em caves dos melhores espumantes franceses.

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Na mesma linha vêm as cervejas Malheur. A história cervejeira da família Malheur iniciou-se em 1839 e a cervejaria, que também fica em Buggenhout, foi construída em 1997, num prédio do século XVI onde funcionava outra cervejaria.

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As cervejas Malheur são todas Ales (alta fermentação), vivas e refermentadas na garrafa onde os fermentos continuam vivos após o engarrafamento, possibilitando que seus sabores evoluam com o tempo. Além disso, são produzidas utilizando-se flores de lúpulo in natura. Foi o mestre-cervejeiro da Malheur, Luc Verhaeghen, quem desenvolveu em 2001 essa técnica a partir de várias visitas à região de Champagne, onde estudou os métodos de produção e, principalmente, de condicionamento de garrafas lá utilizados. Inicialmente, suas tentativas foram recebidas com ceticismo, mas, depois, receberam uma grande ajuda do Epernay Oenologique Institut, que forneceu o fermento e viabilizou a aquisição dos grandes pallets giratórios que completam trinta e seis movimentos em sete dias. Mas sem sombra de dúvida foi a DeuS quem conseguiu popularizar o estilo no mundo todo inclusive recebendo diversos prêmios:

  • Medalha de prata na World Beer Cup nos Estados Unidos em 2002
  • Prêmio de “Beer of the Year” nos Estados Unidos em 2003 pela Malt Advocate Magazine
  • Prêmio de “Best of New Beer” nos Estados Unidos em 2003 pela Celebrator Magazine
  • Prêmio de “Biere d innovation de l annee “ na França em 2003 pela Bière Magasine
  • Medalha de Prata na Brewing Industry International Awards em Londres em 2004

Essa Belgian Strong Ale passa pelo método champenoise, ganhando uma similaridade com o champagne. A cerveja Deus tem um gosto leve, mas que esconde seu nível elevado de graduação alcoólica: 11,5%. Aroma complexo, com maçã, hortelã, gengibre, malte, lúpulo e cravo-da-índia. Sabor refrescante com final seco e adstringente. E hoje nós estamos tendo a oportunidade de degustá-la aqui no nosso blog graças à minha esposa Aline que me deu uma de presente de aniversário. Infelizmente essa é uma bebida que não é possível tomarmos com frequência devido ao seu alto preço (custa o mesmo que uma garrafa de champagne no Brasil R$250-300).

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Também iremos degustar aqui uma champenoise brasileira que eu pude comprar na minha última viagem à Belo Horizonte quando visitei a melhor cervejaria do país: a Wäls.

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Harmonização

Não podemos degustar bebidas de peso sem um prato à altura, logo nossa escolha será pelo famoso camarão à Húngara. Para começar a fazê-lo, tomemos cerca de 1kg de camarão:

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E vamos temperá-los com o sumo de 2 limões:

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2 colheres de sopa de páprica doce e 1 de páprica picante (cuidado pois ela é muito apimentada)

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Azeite, pimenta do reino branca e sal a gosto:

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Depois deixamos o camarão descansar por cerca de meia hora:

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Enquanto isso vamos cozinhar as batatas. Tomemos 1kg de batata Asterix:

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Vamos descascá-las e cortá-las em rodelas:

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Vamos colocar água e sal em uma panela e aguardar o momento de fervura. Após ele começar a acontecer vamos colocar as batatas e cozê-las de forma que elas apenas fiquem levemente cozidas (10 minutos) para que elas não se desfaçam.

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Depois iremos secá-las e separá-las:

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Passemos então os camarões para a frigideira com manteiga, azeite e alho:

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É interessante não cozinhá-los por muito tempo, a idéia é só selá-los já que depois irão ao forno.

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Depois da selagem, vamos acrescentar cerca de 2 colheres de farinha de trigo:

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Adicionamos 800g de creme de leite:

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Por fim vamos acrescentar o açafrão:

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E as batatas:

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Depois colocaremos numa tigela refratária para levarmos ao forno a 200 graus Celsius:

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Um pouco mais de páprica antes:

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O tempo de cozimento leva cerca de 30 minutos. Enquanto isso faremos o arroz na panela de pressão elétrica:

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Usaremos dois copinhos cheios de arroz:

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Vamos refogar azeite, alho e cebola picada junto com o arroz:

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Após vamos acrescentar cerca de 3 copinhos de água, um sachê de sazon e cozinharemos na pressão por cerca de 12 minutos.

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Logo após a comida estará pronta para a degustação: