Culinária Russa (Draniki, Pelmeni, Borscht e Torta Napoleão) com vinho da Ucrânia e outras harmonizações

 “O vinho pode ser um professor melhor do que a tinta e as piadas são muitas vezes melhores do que os livros.” Stephen Fry

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Introdução

“A Rússia, como assegurava o poeta Tiuchev, não pode ser compreendida apenas com o intelecto” e esse é o motivo pelo qual faremos um post emblemático sobre a culinária desse país tão arrebatador. Amigos, hoje o post será uma homenagem a todos os meus amigos que possuem origem russa e/ou família (em especial o Comandante Alexis que é um assíduo leitor do blog). Calhou também que esse ano a copa do mundo ocorrerá na Rússia então se você quer se informar mais sobre essa culinária fantástica, esse post é para você. Esse evento também é o décimo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o nono encontro, basta clicar aqui.

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Torta Napoleão

Parece estranho começar um post falando logo da sobremesa, mas o motivo é que essa torta precisa ficar pelo menos umas 8 horas na geladeira, então ela deve ser feita no dia anterior ao evento! Essa torta lembra um pouco a tarte de mille feuille francesa e recebe o nome de Наполеон (Napoleão) pois foi feita pela primeira vez em 1912 para comemorar o centenário da vitória russa sobre Napoleão e, desde então, tornou-se a sobremesa mais famosa da Rússia!

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Comecemos pesando cerca de 400g de farinha de trigo:

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Logo após iremos acrescentar um pote de margarina de 250 e vamos mexer até a mistura ficar uma farofa granulada:

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Agora vamos misturar bem 125ml de água, um ovo e o suco de um limão:

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Vamos adicionar na mistura e vamos mexer acrescentando farinha de trigo até a massa ficar uniforme e soltando da mão. Depois vamos enrolá-la e cortá-la em 9 pedaços iguais fazendo bolinhas:

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Vamos cobrir com papel filme e levar para a geladeira por 1 hora:

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Depois de 1 hora tiramo-los da geladeira e devemos abrir cada uma das bolinhas em um papel alumínio e leva-los ao forno na temperatura média de 200 graus Celsius por aproximadamente 15 minutos ou até dourá-los:

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Vamos usar uma forma (ou tampa de panela) para ajudar a cortar cada uma das camadas. Muito importante é que os pedaços que sobrarem sejam guardados para serem usados esfarelados na decoração final!

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Depois de assados cada uma das camadas é hora de fazer o recheio e recheá-las antes de montar a torta. O recheio será feito com dois tabletes de manteiga batidos com duas caixas de leite condensado:

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Vamos também triturar cerca de 200g de nozes para polvilhar:

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Depois comecemos recheando cada uma das camadas:

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Depois de montada a torta devemos leva-la para a geladeira por aproximadamente 8 horas antes de servi-la

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Entrada: Draniki

Como começo do evento escolhemos uma comidinha muito simples mas muitíssimo apreciada na Rússia pelo seu sabor: o Draniki. Ele é uma comidinha muito simples de fazer consistindo de cebola e batata ralados juntos, ovo e farinha de trigo:

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Depois basta assá-los numa frigideira com óleo bem quente:

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Como é um prato simples de ser feito, a harmonização com ele é relativamente simples. Escolhemos fazê-la inicialmente com um vinho clássico da toscana: Santa Cristina Toscana IGT.

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Um vinho feito com as castas sangiovese e trebbiano. Bastante frutado e levemente encorpado. Harmonizou muito bem com o prato.

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Também provamos algumas cervejas com ele. A primeira foi a Leiken Weizbier:

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Cerveja bonita de rótulo porém pouco encorpada. Achei que ficou faltando um pouco mais de personalidade. Nota 7,5. Segunda cerveja: Darguner Pilsener.

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Essa é uma boa cerveja que representa bem o estilo pilsener: bons ingredientes e muito bem feita. Nota 9.

Primeiro Prato: Pelmeni

Começaremos por um dos pratos mais consumidos na Rússia e, em específico, na Sibéria. É quase impossível pensarmos em comida russa sem nos lembrarmos dele: o pelmeni de carne. Ele lembra bastante um capeletti italiano. Existe também uma versão vegetariana dele que é o Varênique (recheado com batata e cebola).

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E aqui quero deixar minha propaganda para a empresa nostrôvia que fabrica pelmeni e varênique e os entrega em domicílio na região de São Paulo. Vale muito a pena e o profissionalismo é muito alto, produtos de primeira qualidade!

 www.nostrovia.com.br

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O preparo dele é bastante simples: basta ferver uma panela com água e sal.

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Existem várias formas de comê-los, como colocar shoyo, creme de leite, etc. Nós escolhemos fazer um molho de cebola dourada na manteiga:

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E, para harmonizar com esse prato escolhemos um clássico ucraniano.

Vinho da Ucrânia: Shabo Saperavi 2014

Mapa da Ucrânia

Provavelmente a Rússia produz vinhos como qualquer país do mundo porém seus vinhos não possuem tanto destaque no mercado internacional como os produzidos no seu país vizinho (que num passado não muito distante eram um mesmo país). Esses sim são dignos de louvor e podem ser encontrados com certa facilidade na Internet. A Ucrânia é um país com longa tradição vitivínicola. Registros históricos mostram que vinhos são produzidos neste país desde o século VII A.C.! Mesmo com uma produção razoalvelmente grande, a maioria dos vinhos lá elaborados acabam sendo consumidos pela população local, fato que por si só já é um bom indicativo de qualidade. É fato claro que a produção era considerada fraca devido ao comunismo porém desde 2003 houve um renascimento com a re-criação da vinícola Shabo.

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E como representante desse país iremos escolher uma casta bastante cultivada na região porém de origem na Georgia: a Saperavi.

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Que vinho gostoso! No nariz lembrou os vinhos chilenos porém com a complexidade do velho mundo. Na boca lembrou um pinot noir com sua acidez porém com a robustez do merlot. Encorpado porém delicado!

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Como harmonização utilizando cervejas, a Jéssyka e o Lucas trouxeram uma american lager deliciosa: Sud American Special Lager. Produzida em Bento Gonçalves (RS), a cerveja SUD American Special Lager tem notas florais e de especiarias, oriundas dos lúpulos utilizados, aparência límpida, cor dourada clara e sabor equilibrado entre o amargor dos lúpulos e o doce dos maltes.

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Harmonização perfeita e prato muito gostoso!

Segundo Prato: Borscht

Amigos, sem sombra de dúvidas esse é o prato mais famoso da cozinha eslava (não apenas na Rússia mas em todos os países ao redor como a Ucrânia). O borscht está para a Rússia assim como a feijoada está para o Brasil, a paella está para a Espanha e o sushi está para o Japão! Não podíamos ter um evento russo sem citar essa iguaria feita com beterraba. Um ponto importante é que não existe apenas uma versão de borscht, são várias receitas muito diferentes entre si: com carne de boi, vegetariano, com peixe, etc. Minha receita será com costelinha de porco e bacon!

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Comecemos descascando e ralando duas cenouras:

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Depois piquemos bem cerca de metade de um repolho:

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Descasquemos e ralemos 3 beterrabas:

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Ralemos também 2 cebolas:

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Duas colheres de chá de alho picado:

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Depois reservemos esses vegetais ralados enquanto douramos 1,5 kg de costelinha com bacon bem picado e azeite.

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Um detalhe importante: cuidado com a quantidade de azeite. Eu coloquei um pouco a mais e ficou um pouco mais gorduroso do que eu gostaria.

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Depois de dourados iremos adicionar 3 batatas grandes cortadas em cubos e adicionar água para cozê-las junto com a costelinha até amolecerem:

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Assim que as batatas amolecerem devemos retirá-las com uma escumadeira e amassá-las com um garfo antes de recoloca-las de volta na sopa:

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Junto com as batatas amassadas iremos adicionar também os vegetais picados:

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Adicionemos 4 colheres de sopa de vinagre, cominho, sal e pimenta do reino a gosto:

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Depois completemos com água e deixamos cozinhar bem os legumes (aproximadamente 1 hora de fogo). A forma de serviço é com smyetana (creme de leite azedo) e salsinha picada. Como aqui no Brasil não encontramos para vender a smyetana, faremos uso do creme de leite:

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Como harmonização para o borscht tivemos duas opções: um Riesling Alemão e um Primitivo di Mandúria.

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Anselmann Riesling Spätlese Trocken 2011. Um Riesling alemão de guarda do mesmo grande produtor do post anterior.

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Usar Riesling numa competição é jogar baixo na minha opinião pois ela é a melhor uva branca na minha concepção!

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Mas o desafio foi feito à altura: Primitivo di Manduria Talò San Marzano 2016.

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Foi um embate colossal dada à extrema qualidade dos dois vinhos, mas no quesito harmonização quem mais sai vencedor foi o Riesling. Vitória da Alemanha!

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Sobremesa: Torta Napoleão

Nunca pensei que uma sobremesa pudesse ter um resultado superior ao dos prato principais mas dessa vez foi o que aconteceu caros leitores! Não obstante o peso dos pratos anteriores, a torta napoleão arrebatou corações!

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E como harmonização escolhemos um riesling alemão da região de Mosel: Deinhard green label riesling mosel 2014

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O vinho é diferente do riesling anterior por apresentar cor amarelo palha com reflexos esverdeados e límpido. No nariz sentimos sutis aromas de maçã verde, limão além de toques minerais. Boa acidez porém pouco açucarado para acompanhar uma sobremesa doce. Talvez um vinho mais doce como o do porto harmonizasse melhor.

Vodka Russa: Russian Standard Vodka

Amigos, nenhum encontro reconhecidamente russo poderia ocorrer sem uma boa vodka! Aqui é a sugestão do meu amigo comandante Alexis: Russian Standard Vodka.

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Vamos fazer um duelo entre ela e a que eu mais gosto francesa: Vodka Grey Goose.

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As duas são diferentes: a francesa é mais delicada (aparenta ser mais “talhada”), enquanto a russa possui um “ataque” mais agressivo, com mais personalidade porém com mais álcool.

Conclusão

Peço desculpas aos meus amigos da Rússia se não consegui representar toda a potencialidade que é essa culinária tão rica! Para mim foi um prazer muito grande vivenciar todos esses momentos em minha humilde residência e eles apenas aumentaram ainda mais minha vontade de conhecer esse país tão fantástico. Viva a Rússia!

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Rosso di Montalcino, o pequeno brunello, vinho da sicília, foie gras e o maravilhoso presunto serrano pata negra

 “Tenha cuidado de confiar em uma pessoa que não gosta de vinho.” Karl Marx

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Amigos, hoje o post será um mix de dois encontros diferentes porém com a ênfase no Rosso di Montalcino. Já tivemos dois posts no blog em que falamos sobre o estupendo brunello di montalcino e esse será um complemento desse mundo!

Cervejas

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Colorado Outback Rye Light American Wheat

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Amigos, falar da Colorado é sempre um motivo de grande alegria porque sempre me remete ao prazer que ela me proporciona! E hoje vamos falar de uma edição especial feita especialmente para o Outback. A idéia dessa cerveja é ser o representante líquido do seu famoso pão australiano. Ela é feita com água, Malte de Cevada, Malte de Trigo e Malte de Centeio, Açúcar Mascavo, Centeio e Lúpulo Australiano. É uma cerveja com bastante corpo e levemente adocicada apresentando um aroma agradável de pão!

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Heilige Weissbier

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Amigos, já tivemos a oportunidade aqui no blog de falarmos sobre outra representante dessa cervejaria e a avaliação continua a mesma: impecável. Tudo encontra-se perfeito nessa cerveja: bom corpo, aromática e final agradável e refrescante. Nota 10.

Semana Santa e o bacalhau à moda Nona

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Farei apenas uma breve explanação sobre a semana santa em que tivemos o lendário bacalhau à moda Nona já comentado num post anterior. Mas como entradinha tivemos terrine de foie gras!

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Com toda certeza essa é uma das coisas mais gostosas que já tive o prazer de provar na minha vida!

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Para harmonizar com esse prato eu escolhi um alvarinho português: Via Latina Alvarinho 2013

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Vinho surpreendente principalmente pelo seu excelente custo benefício de apenas R$40. Bastante mineral porém redondo e com bom retrogosto. Acidez acentuada.

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Quinta D’amares loureiro alvarinho. Esse é um corte feito com as castas loureiro/alvarinho. No nariz há a presença forte de frutas cítricas e na boca ele aparenta ser menos encorpado do que o anterior porém com acidez menos acentuada.

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Casa Ermelinda Freitas Terras do Pó branco 2015. Vinho da região de Setúbal que é um corte das castas 85% Fernão Pires e 15% Arinto. Vinho de cor amarelo esverdeado, frutado, com lembrança de frutas tropicais e cítricas. Boa acidez.

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O próximo é um vinho específico para harmonizar com pudim: Casa Ermelinda Freitas Moscatel de Setúbal.

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Esse é um vinho feito com a uva moscatel de Setúbal possuindo cor acobreada partindo para o vermelho rubro. Rico e complexo, com aromas de mel e casca de laranja. Na boca é encorpado e doce revelando boa acidez que lhe confere frescura. Fim de boca persistente e muito prolongado.

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Também aproveitamos a oportunidade para degustarmos um bom vinho do porto: Croft Fine Tawny Port.

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Após a refeição tivemos a oportunidade ainda de degustarmos grandes vinhos. O primeiro deles é um pinot noir chileno da bodega que “derrubou um gigante” em nossa degustação passada: Montes Alpha.

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Montes Alpha Pinot Noir 2016. Um grande vinho em que se percebe alta qualidade na sua produção. Uma pena porque na minha humilde opinião essa uva não se adaptou bem ao terroir chileno apresentando vinhos com uma acidez muito acentuada e desequilibrada! Mas vale a tentativa.

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Errazuriz max reserva merlot 2015. Essa também é outra bodega chilena que dispensa apresentações. A Errazuriz com certeza desponta entre as melhores bodegas do chile! E esse vinho é uma pedra preciosa! Percebemos aromas de frutas tão vermelhas quanto o rubi que brilha: cerejas, ameixas, framboesas e amoras com um fundo herbáceo e de especiarias: cravo-da-índia e folhas de louro. Macio e suculento no paladar, por onde as mesmas frutas vermelhas do nariz desfilam com calma, prolongando o sabor no final de boca.

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Por fim tivemos um duelo assustador: um grande cognac francês contra uma grande aguardente vínica portuguesa! Na minha humilde opinião não consegui encontrar um vencedor pois ambos são muito iguais! Hennessy Privilege V.S.O.P. versus CR&F Aguardente Velha Reserva.

Rosso di Montalcino, Presunto Serrano Pata Negra e Macarrão à Bolognesa

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Presunto Serrano Pata Negra

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Amigos, junto com o foie gras essa é outra iguaria bastante cara e por demais saborosa da qual tive o prazer de degustar. É interessante porque o porco utilizado realmente é diferente e de cor negra:

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É uma iguaria que merece ser degustada pelo menos uma vez na vida já que custa tão caro. Uma peça de aproximadamente 9 kg não sai por menos de R$3000.

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Castiglion del Bosco Rosso di Montalcino 2013. Amigos, já tivemos a oportunidade de falar sobre o melhor vinho tinto do mundo na minha opinião: o brunello di montalcino. Hoje iremos falar de uma versão mais simples porém bastante agradável: o Rosso di Montalcino. Conforme comentamos no post do brunello, ele é um vinho que precisa ser envelhecido por pelo menos 5 anos antes de ser vendido, o que torna seu preço bastante proibitivo como o caprilli de R$450 que provamos no post anterior. Já o Rosso di Montalcino (que também é feito de sangiovese grosso em Montalcino) não é requerido o envelhecimento por mais de ano, o que o faz ter menos madeira, menos tanino, menos corpo, menos fruta e também mais barato. No Brasil é possível compra-lo na faixa de R$200, o que é bem mais barato do que um Brunello. Por todas essas características, ele recebe o nome de pequeno brunello ou baby brunello.

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A harmonização perfeita dá-se com um bom macarrão à bolognesa:

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Provamo-lo também com um excelente vinho da Sicília: Mandorla Syrah Sicilia IGT 2014.

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A Sicília atualmente é onde a Itália talvez mais se aproxime do Novo Mundo. Muitos produtores de talento têm elaborado ótimos vinhos com uvas internacionais, como Syrah, Chardonnay e Cabernet Sauvignon de excelente qualidade. O estilo é intenso, concentrado e explosivo, cheio de fruta, mas em geral, guardando um caráter italiano. Alguns destes vinhos receberam muitos prêmios e elogios nos últimos tempos. E esse vinho em específico apresenta aromas evidentes de violeta e groselha enriquecidas por notas de alcaçuz e pimenta preta. A boca está cheia e os taninos são bem equilibrado por um corpo redondo com um acabamento torrado e picante.

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Por fim iremos mais uma vez volver à França meus amigos! Petits Detours Grenache 2016. Essa uva é a mesma que a cannonau do post anterior e ela é o ingrediente principal do famosíssimo Chateneuf du Pape.

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Vinho estupendo, agradável, encorpado, taninos bem redondos, baixa acidez e bastante fruta! Nota 10.

Conclusão

Que combinação perfeita de aromas, sabores e agradável companhia!

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Áustria, Hungria, Brunello di Montalcino com Pinot Noir da Córsega e Risoto de Manga com Camarão e Paillard de Mignon

“Rezo para que você se apaixone por mim, porque eu sou mais falso do que as promessas feitas no vinho.” William Shakespeare

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Introdução

Amigos, hoje no post falaremos sobre uma das minhas comidas preferidas: o risotto! Esse evento também é o nono encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o oitavo encontro, basta clicar aqui. Teremos também no post dois países inéditos aqui no blog: Áustria e Hungria e também falaremos novamente sobre o lendário Brunello di Montalcino que falamos no post anterior. Por fim falaremos da terra de Napoleão Bonaparte e de um pinot noir da Córsega!

Áustria e a Grüner-Veltliner

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Fonte: http://www.winefolly.com
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Fonte: http://www.winefolly.com

Amigos, a Áustria muitas vezes não figura entre os países famosos no mundo do vinho, o que não significa que esse país não produza vinhos de excepcional qualidade! E com certeza a uva que simboliza esse país é a autóctona (praticamente só existe naquele país) Grüner-Veltliner. Essa uva tão exótica que lembra de longe uma Sauvignon Blanc. O nome dela é traduzido como o vinho verde de Veltlin, que era uma área nos alpes baixos durante os anos de 1600 que hoje é parte da Valtelina, Itália. É um vinho que apresenta aromas bastante frutados como a Lima e a Nectarina assim como toques de mel. Para iniciarmos nosso estudo nesse país tão especial iremos escolher um vinho dessa uva tão emblemática: weingut bründlemayer langenloiser grüner veltliner 2004.

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Tokaj e a Hungria

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Amigos, eu sei que quando pensamos em vinhos húngaros é inevitável nos lembrarmos do vinho de sobremesa tokaj. Esse é um vinho que pode chegar facilmente na casa dos R$5000. Mas meu objetivo hoje é mostrar que a Hungria não produz apenas bons vinhos de sobremesa como também temos vinhos brancos e tintos maravilhosos. Hoje iremos escolher um branco feito com a uva harsevelu: Ladiva Harsevelu Tokaj 2015.

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Início do evento

Preciso tirar o chapéu para o Vitor, porque não apenas suas comidas são extremamente saborosas como sua criatividade é muitíssimo acima da média. Pela primeira vez tive a oportunidade de comer palmito pupunha fresco!

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Depois de um tempo na brasa com papel alumínio, é hora de temperarmos com sal, pimenta do reino e azeite antes de colocarmos diretamente ao fogo para “gratinarmos”.

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Gostaria de deixar uma dica que aprendi com o Vitor para dar um defumado especial: madeira de barril de whiskey.

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Depois de o palmito pronto, é hora de escolhermos a harmonização ideal! Nossa escolha será pelo grüner veltliner austríaco.

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Como acompanhamento temos um molho de pesto.

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O palmito estava delicioso e muito suculento. Já o vinho eu confesso que não agradou muito meu paladar. Ele possui um aroma muito forte de mel de abelhas porém na boca ele se torna um pouco enjoativo e achei o álcool um pouco desequilibrado. Mas valeu pela experiência!

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Também acompanhou bem essa entrada um vinho italiano da uva trebbiano. Fantini Farnese Trebbiano D’abruzzo.

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Esse é um vinho que não é necessário qualquer tipo de conhecimento sofisticado sobre aromas para perceber a maçã muitíssimo presente nele! Delícia de vinho, bem frutado com acidez compatível!

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O primeiro prato principal do Vitor é de arrebatar corações. O melhor risoto de camarão com manga que já tive a oportunidade de degustar. Tivemos também a oportunidade de prova-lo junto com o tokaj húngaro. Tokaji “S” Hárslevelü 2015 dry pajzos.

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Esse vinho já é o oposto do austríaco, apresentando boa mineralidade e álcool equilibrado. Harmonizou perfeitamente com o risoto!

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Nós também degustamos junto com ele um rosé maravilhoso já visto no post anterior que a Marcela escolheu: Pinta Negra Rosé 2016.

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Se não bastasse o maravilhoso sabor do risoto de camarão com manga o Victor conseguiu se superar nesse paillard de filet mignon com limão! Ele também nos presenteou com um maravilhoso cabernet-sauvignon gran reserva: Haras de Pirque Hussonet Cabernet-Sauvignon 2015 Gran Reserva. Como já falei anteriormente aqui no blog, os melhores cabernet-sauvignon do mundo se encontram no Chile!

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Brunello di Montalcino

Devo estar no céu para ser tão abençoado assim. Na semana passada tínhamos degustado pela primeira vez um Brunello di Montalcino e ficamos simplesmente atônitos com aquela explosão de sabores achando que nada poderia melhorar pois já tínhamos alcançado o ápice, mas a vida é uma caixinha de surpresas!

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Meus tios guardaram a prata da casa para o final. Tomamos um dos melhores (se não for o melhor) Brunello di Montalcino da atualidade da safra de 2011: Caprili Brunello di Montalcino 2011.

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Amigos, definitivamente eu mudei de opinião após esses dois grandes eventos. Retiro o que falei anteriormente sobre o primitivo di mandúria ser o melhor vinho do mundo. Ele se tornou o segundo melhor porque o primeiro realmente se tornou o brunello di montalcino! Uma pena saber que uma maravilha dessas custa tão caro. Esse Caprili é vendido no Brasil no valor de R$430.

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Tivemos mais um Pinot Noir chileno de alta qualidade que o Victor nos presenteou: Casas del Toqur Pinot Noir Reserva 2015.

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E mais uma vez um pinot noir famosíssimo americano já citado tantas vezes anteriormente no blog: Redwood Creek Califórnia.

Pinot Noir da Córsega

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Amigos, pra quem não se recorda muito bem sobre a importância dessa ilha (além da beleza), basta lembrar que ela é a terra natal de Napoleão Bonaparte.

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Vamos falar sobre os vinhos desse lugar devido a um presente maravilhoso que eu ganhei de aniversário da Jéssyka e do Lucas: Barton & Guestier Pinot Noir Réserve 2016. Pela primeira vez degustaremos um vinho da Córsega!

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Maravilhoso: complexo, estruturado e equilibrado como todo vinho francês. A sensação que tive foi de estar na Borgonha!

Conclusão

Amigos, quantas sensações diferentes e quantos países diferentes num único post! Agradeço de coração à Marcela e ao Victor pela degustação maravilhosa e aos meus tios pelo maravilhoso Brunello di Montalcino. Agradeço também à Jéssyka e ao Lucas pelo maravilhoso vinho de presente. Caso alguém queira conferir as opiniões sobre o truelo de pinot noir basta clicar aqui.

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Terceiro B da Itália, Brunello di Montalcino e a Casa do Porco

“Eu preciso de café para ajudar a mudar as coisas que posso e vinho para me ajudar a aceitar as coisas que não posso mudar.” Tanya Masse

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Introdução

Amigos, hoje o post será a continuação da série em que falamos sobre os 5 Bs da Itália. Nesse terceiro episódio falaremos sobre o Brunello di Montalcino, eleito por grandes entendedores como o melhor vinho da Itália ou até mesmo do mundo. Para degustar essa maravilha escolhemos ir a um lugar muito badalado em São Paulo não apenas por sua gastronomia mas também pela criatividade: A casa do porco do chef Jefferson Rueda. A escolha também foi baseada no embalo iniciado no post anterior sobre essa carne tão maravilhosa!

Les trois brasseurs

Amigos, quero deixar uma rápida citação aqui a uma grande cervejaria francesa que tive a oportunidade de ir em São Paulo: Les Trois Brasseurs.

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Lá eu tive a oportunidade de degustar excelentes cervejas da casa com o destaque da cerveja de trigo deles: a blanche.

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De segunda a quinta feira das 17h às 20h é possível pagar pela metade cada chopp e alguns deliciosos petiscos da casa. É realmente impressionante o custo benefício que temos nessa casa de tão alta qualidade. Não me recordo de um lugar mais em conta e com tão alta qualidade em que já estive!

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Brunello di Montalcino

Falar do Brunello é como falar de um monumento italiano em formato de bebida! É praticamente impossível não causar comoção quando entendedores de vinho escutam falar desse nome. E interessante é saber que esse fenômeno dos vinhos é relativamente recente pois o prestígio da marca só surgiu dos anos 1980 para cá. Mais do que isso, o conceito do Brunello foi criado apenas em meados do século XIX por Clementi Santi, um dos ancestrais da família Biondi Santi.

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Clementi, um farmacêutico de formação, começou a estudar mais cuidadosamente as variedades de uvas da Toscana e seus clones, assim como as técnicas de vinificação. Entre suas premiadas garrafas mundo afora estava o Vino Scelto (algo como “Vinho Escolhido”), de 1865, feito de um clone de Sangiovese Grosso, conhecido nos arredores de Montalcino como Brunello ou Brunellino, devido à cor escura dos bagos (brune significa marrom em italiano), cujos vinhos apresentavam uma extrema capacidade de guarda.

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Nos anos seguintes, ele teve enorme sucesso em concursos dentro e fora da Itália. E a partir daí sua família começou a perpetuar seus estudos com essa uva. Seu neto Ferruccio Clemente é reconhecido como o inventor da idéia do Brunello di Montalcino por ter apostado na idéia do avô e suas plantações de Sangiovese Grosso terem resistido à praga da Filoxera na região de Montalcino na Toscana.

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A idéia por trás da criação do brunello é que ele precisa passar pelo menos por 2 anos em barris de carvalho e de, no mínimo, 4 meses na garrafa. O lançamento de cada um deles se dá, no mínimo, com 5 anos após a colheita. Devido a todo esse processo e ao seu grande potencial de guarda (mais de 20 anos), o brunello é considerado o vinho das elites (aqui no Brasil não se consegue comprar uma garrafa por menos de R$300). Mais uma vez gostaria de agradecer ao meu amigo Rafael Campos por ter me trazido uma garrafa da Itália. Essa custou 38 euros: Da Vinci Brunello di Montalcino 2012.

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E para degustar esse colosso iremos escolher um lugar à altura: A casa do Porco do Chef Estrelado Jefferson Rueda.

A casa do porco

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Amigos, esse lugar emociona tanto pela comida que dificilmente você sai dele sem ter tido uma experiência única na vida! O Chef Jefferson Rueda já ganhou 1 estrela Michellin quando comandava o restaurante Attimo.

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Fonte: https://vejasp.abril.com.br

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O menu degustação é uma excelente opção para quem deseja conhecer bem o trabalho desse grande chef. E antes de degustarmos o vinho, o sommelier da casa sugeriu coloca-lo no decanter para “abri-lo” e enquanto isso provamos a cerveja horny pig da blondline feita especialmente para a casa do porco.

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Minha única crítica à casa foi a ausência de um copo específico para a degustação dessa cerveja tão perfeita. Me recusei a degusta-la no copo americano e pedi uma taça de vinho no lugar. Cerveja bem lupulada e condimentada como é característico das IPAs.

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O primeiro prato da degustação são dois tipos de presunto: um embutido de cabeça de porco e o presunto Rueda. O pão é feito na casa e vem acompanhado da mostarda em grãos com tucupi, picles em conserva, nabo e uma compota de cebola caramelizada com bacon.

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Logo após um tempo o vinho começou a abrir e começaram a aparecer os aromas característicos das frutas vermelhas. Na boca nada se acentuava, nem a acidez, nem os taninos nem o álcool, ele parecia uma seda! Que vinho maravilhoso!

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O segundo prato é o porcopoca = pururuca + abacate + algas marinhas. Também delicioso!

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O terceiro prato foi o tartare de porco, que eu me arrisco a dizer que foi o tartare mais gostoso que eu já comi na vida!

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O quarto é verdadeiramente um espanto: sushi de papada de porco + tucupi negro + nori. Delicioso e verdadeiramente tive a sensação de estar comendo comida japonesa sem perder o sabor da carne de porco!

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Na sequência temos a alface romana + arroz + costelinha de porco + algas

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A sanguiça de sangue é talvez o prato mais exótico que nem todos curtem pois é feito diretamente com o sangue do porco. Eu amei!

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Temos também pão no vapor + barriga de porco + rabanete fermentado + agrião + molho agridoce.

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Esse é uma reinvenção do virado à paulista: porco + feijão + banana + couve + linguiça + ovo de codorna. Perfeito!

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Um amigo me falou que o torresmo deles é imbatível e eu realmente comprovei! O melhor que eu já provei na vida! Torresmo de pancetta + goiabada + picles de cebola roxa.

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E finalmente o prato principal da degustação é o lendário Porco San Zé, que é um porco caipira feito inteiro na brasa com tutu de feijão, tartare de banana, farofa de cebola e couve. Divino!

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E para terminar esse grande evento, tivemos a sobremesa Pudim de leite: Pudim + chantilli de caramelo + algodão doce.

Conclusão

Com toda certeza o brunello entrou para minha lista de melhores vinhos do mundo ao lado do primitivo di manduria do post anterior, mas é uma pena saber que não conseguirei degusta-lo mais uma vez no Brasil devido ao seu preço proibitivo, mas recomendo-o com empenho. O restaurante do chef Jefferson Rueda é caro mas vale cada centavo pago pois a experiência é única!

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O pão líquido, hidromel e receita de pizza com harmonização

“Tenhamos vinho e mulheres, alegria e riso, sermões e água mineralizada no dia seguinte.” Lord Byron

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Introdução

Amigos, sei que já falei sobre como fazer pizza num post anterior porém percebi algumas falhas na receita e decidi refazê-la usando a mesma receita de grandes pizzarias. Vamos comentar um pouco também sobre a idéia do pão líquido, hidromel e sobre boas harmonizações com vinhos.

Cervejas

Vamos iniciar nosso post falando sobre a cerveja que deu início a essa idéia do pão líquido. Inclusive a receita da pizza que mostraremos é bem similar àquela utilizada para fazer pães, mudando apenas a dosagem de alguns ingredientes. Abaixo segue a foto de um pão que fiz com ela:

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Essa brincadeira de comparar bebida alcóolica com comida já rendeu até mesmo frases por demais caricatas como a do nosso ex-presidente Jânio Quadros:

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Certa vez, um jornalista lhe perguntou: “Mas presidente, porque bebes tanto?” E o professor de gramática assim disse:

“Ora, bebo-o porque é líquido, se sólido fosse, comê-lo-ia.”

Mas afinal, de onde vem essa história de comparar a cerveja com pão? Bem, deixe-me apresentar-lhes a Paulaner Salvator:

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Vou deixar abaixo o link para o vídeo do youtube que conta um pouco da história da Paulaner e essa ligação com o uso da expressão do pão líquido:

https://www.youtube.com/watch?v=KgwSRxICui0

Basicamente o que aconteceu é que os monges Paulaner faziam parte de uma ordem católica muito rígida que os proibia de comer qualquer alimento sólido durante a quaresma, então eles tiveram a brilhante idéia de fazer sua própria cerveja que era bastante encorpada e fiel à máxima: “pão líquido não quebrará o jejum”. O problema era que, conforme falei anteriormente no post sobre a melhor cerveja do mundo, os mosteiros medievais não possuíam qualquer pensamento capitalista de ganhar dinheiro com essa fabricação de cerveja. O que muitas vezes eles faziam era oferecer cerveja aos pobres como forma de esmola, o que causou fúria das cervejarias seculares que perdiam dinheiro com isso. Eles escreveram uma carta para as autoridades municipais de Munique que obrigaram o mosteiro a criar sua própria cervejaria e era assim que nascia a Paulaner com sua primeira cerveja: Paulaner Salvator, uma Doppelbock.

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Essa é uma cerveja que possui aromas clássicos de caramelo, café, chocolate e bastante encorpada. Vale a pena conhecer!

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Vou comentar um pouco agora de um lugar excelente que estive aqui em São Paulo no bairro de Pinheiros: Empório Alto de Pinheiros. Um lugar para amantes de cerveja que possui mais de 500 rótulos de cerveja e 33 chopes de todos os lugares do mundo! Foi lá onde encontrei a famosa Coruja Viva.

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Assim como a extra viva do post anterior ela não passa pelo processo de pasteurização e precisa sempre ser conservada gelada. Cerveja deliciosa com sabor de fresca e bastante encorpada. No nariz ela apresenta muito lúpulo o que me fez pensar que se tratava de uma cerveja de alto amargor como uma IPA, mas na boca apresenta amargor ideal para uma lager!

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A última bebida da sequência é um hidromel. Para quem não sabe do que se trata é uma bebida fermentada do mel que fez bastante sucesso na idade média. Muito apreciada desde a antiguidade, passando pela Grécia Antiga, Roma Antiga, Leste europeu, francos, eslavos, anglo-saxões, celtas, saxões, vikings etc. Entre os vikings era tão apreciada que a própria Mitologia Nórdica explicava seu surgimento e sua preciosidade. Também era conhecido o consumo de uma bebida similar pelos maias.

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Na Irlanda, existia a tradição de que os casais recém-casados deveriam consumir esta bebida durante o primeiro ciclo lunar (ou mês) após o casamento. Daí surgiu a tradição atual da lua de mel.

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A sensação é a mesma de estar tomando um vinho branco com alguns aromas um pouco diferentes. Se ele for suave o sabor é levemente adocicado.

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Receita de Pizza

Amigos, a primeira coisa que precisamos para começar a fazer nossa receita é uma bancada bem limpa e seca:

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Apesar da receita também poder ser feita sovando a massa com a mão conforme fizemos anteriormente, nada melhor do que usar uma batedeira planetária para fazer o serviço. É sensacional como a massa fica bem mais uniforme e você bem menos cansado.

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Essa receita possui alguns segredos embora o principal deles seja o ingrediente principal: a farinha de trigo. Embora essa receita possa ser feita com qualquer tipo de farinha de trigo, usaremos aqui a farinha mais famosa do mundo e utilizada pelas grandes pizzarias: a Caputo. Usaremos também a sua forma mais fina: a 00. Eu nunca vi para vender em supermercados, mas acha-se fácil pela internet com o preço médio de 11 reais por pacote de 1kg.

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Usaremos 1kg para essa receita e 1 colher de sopa rasa de sal. Caso a receita fosse de pão usaríamos 0,5kg.

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Enquanto colocamos o fermento para crescer vamos ligar a batedeira na menor velocidade e deixá-la por aproximadamente 30 segundos misturando o sal com a farinha. Esse ponto é muito importante porque o sal não pode entrar diretamente em contato com o fermento sob o risco de matá-lo. Enquanto isso vamos tirar o fermento da sua dormência.

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A dosagem recomendada é de 20g para pizzas e 10g para pães. Usaremos 1 a 2 colheres de sopa de açúcar para “alimentar” as leveduras:

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Usaremos cerca de 350ml de água morna. Muito importante: se a água estiver quente demais ela irá matar as leveduras, logo ela precisa estar na temperatura de comida de bebê. Sinta-a na pele antes de colocar na levedura.

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Agora vamos deixar a levedura crescer por cerca de 5-10 minutos.

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Outro segredo: utilize um bom azeite italiano

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Use aproximadamente 3-5 colheres de azeite e acrescente o fermento junto com a farinha.

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Deixe bater por uns 2 minutos em velocidade média e depois por mais 5 minutos em velocidade alta. Acertar o ponto aqui é por tentativa e erro. Se a massa estiver muito molhada ela não se soltará da tigela e se ela estiver muito seca não se unirá num bolo uniforme, por isso é necessário acompanhar e acrescentar água morna ou mais farinha se for o caso.

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Com essa quantidade de ingredientes é possível fazer 4 pizzas, logo iremos cortar em 4 e armazená-los no freezer em sacos hermeticamente fechados.

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Toda vez que formos utilizar uma massa dessas basta tirar do freezer com algumas horas de antecedência e proceder da mesma maneira que faremos agora. Untamos a tigela com um pouco de azeite.

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Sovamos um pouco a massa com as mãos e fazemos dela um formato de bolinha. Deixamos para descansar cobrindo a “casca” com o azeite para ela não ficar ressecada.

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Deixamo-la descansar por cerca de 1 hora e meia

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Após esse tempo a massa terá quase que dobrado de tamanho

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A partir de agora ela já pode ser utilizada para fazermos a pizza, mas para deixa-la numa consistência ainda melhor vamos murchá-la e sová-la mais uma vez deixando-a descansar por mais uma hora.

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A melhor maneira de fazer essa pizza é com um forno a lenha, o que fará com que ela fique praticamente idêntica a qualquer dessas pizzarias, mas se você não possui esse tipo de forno algumas soluções podem ser utilizadas. A primeira delas é usar uma pedra e uma pá de madeira como mostrei no post anterior:

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Essa solução é um pouco complexa porque há o risco da pizza não escorregar direito e sujar tudo. Portanto uma solução prática e exequível é o uso de uma forma convencional com furinhos:

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Mais um ponto importante aqui: não abra a massa com um rolinho. O segredo é abrir a massa com as mãos como vemos os pizzaiolos fazerem nas pizzarias.

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Utilize o molho de tomate de sua preferência e depois salpique orégano

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Escolha o sabor de sua pizza. Escolhi atum sólido porque é o sabor que mais gosto.

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Regue com um fio de azeite por cima e a pizza estará pronta para ir ao forno.

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Aqui vai a última dica e talvez seja a mais importante: o segredo para ter uma pizza macia e não dura que nem uma pedra é a temperatura do forno e o tempo. Num forno de pizza tradicional a lenha a temperatura interna chega perto dos 500 graus, então o tempo da pizza é de apenas 90 segundos. Num forno tradicional dificilmente passa-se de 280 graus. O segredo é deixar o forno no máximo por pelo menos 20 minutos, colocar a pizza e contar 6 minutos rigorosos de relógio. Após isso a pizza estará pronta para ser partida e servida. Uma tábua de corte ajuda.

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Harmonização

Não existe uma harmonização única com pizzas, pois ela vai depender do sabor dela. No post anterior usamos um Merlot que harmonizou bem com quatro queijos, então como estamos usando atum, uma boa harmonização é um vinho com baixíssimo nível de taninos, como um rosé, por exemplo. Minha escolha será por um vinho francês muito famoso e relativamente barato: Beaujolais Villages Louis Latour 2015.

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Esse vinho é feito com a uva gamay que, possivelmente, é a uva tinta menos tânica que existe (até menos do que o pinot noir). Cerca de 75% desse tipo de vinho é feito na região de Beaujolais na França.

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Existem três tipos diferentes de Beaujolais: Beaujolais Nouveau (baixa qualidade equivalente ao reservado), Beajolais Villages (média qualidade equivalente ao reserva) e o Beaujolais Cru (alta qualidade equivalente ao Gran Reserva). De um modo geral eles não são vinhos de guarda e são melhores quando consumidos cedo. Como é um vinho Francês normalmente são complexos e estruturados não apresentando aromas fortes de frutas como os vinhos do novo mundo. Percebemos um pouco de terra, aromas florais, especiarias e um pouco de fruta.

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Um outro vinho que também pode ser usado como harmonização é o italiano Valpolicella. Também dotado de baixa tanicidade ele é estranho quando se experimenta pela primeira vez pois não apresenta quase nenhum aroma de frutas e sim de terra e vegetais. Bolla Valpolicella 2016.

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Conclusão

Depois que aprendi a fazer pizza em casa nunca mais comprei de nenhuma pizzaria pois é muito mais barato e fica perfeito. Caso você possua um forno a lenha ficará praticamente igual. Experimente também várias harmonizações diferentes e depois as compartilhe conosco e com os amigos!

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Harmonizando vinhos com feijoada

 “Diz-se «in vino veritas», mas diz-se também que a verdade está no fundo de um poço; logo é um poço cheio de vinho.” Raymond-Claude-Ferdinand Aron

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um pouco diferente porque mostraremos uma harmonização com vinhos pouco comum. Quando pensamos em gastronomia brasileira, o exemplo máximo que nos vem à cabeça é a feijoada com a caipirinha, mas hoje mostraremos que é possível sim degustá-la com uma boa taça de vinho. Também foi um momento maravilhoso por ter sido o aniversário do meu tio Francisco.

Cervejas

Apesar de gostar de quase todos os tipos de cerveja, para mim nenhum estilo me apraz mais do que o estilo weizen (trigo) alemão e hoje quero deixar um dos exemplos mais icônicos do tipo: Franziskaner weissbier.

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Essa é uma cerveja bávara de excelente qualidade que apresenta bem as qualidades desse estilo: presença forte do cravo e da banana com boa turbidez e bastante encorpada. É muito semelhante à Erdinger e/ou à Paulaner, fazendo com que mesmo os bons conhecedores de cervejas se enrolem diante de um teste cego.

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Essa segunda é produzida por uma cervejaria artesanal brasileira jovem porém bastante premiada: a Schornstein. É uma cerveja bem feita que apresenta bom corpo e estrutura de uma Weiss. Na minha opinião só pecou um pouco no amargor. Achei-a com um amargor um pouco acima do agradável para esse estilo, mas achei que valeu a pena experimentá-la. Recomendo!

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Acredito que se o critério de escolha de alguém por uma cerveja seja a embalagem, certamente a Faxe dinamarquesa será uma excelente opção. Sua emblemática lata de 1 litro com a foto de um viking realmente cativa a atenção de um bom apreciador! Achei gostosa essa Wit porém percebi um certo desequilíbrio entre a quantidade de semente de coentro e a casca de laranja. O coentro está bem presente, mas não consegui identificar muito bem a laranja!

Início do evento

A palavra harmonização tem origem no vernáculo italiano Abbinamento, que significa andar lado a lado, casar, formar par, combinar. Dentro desse contexto, duas possibilidades vêm à tona: similaridade ou contraste. E é desse ponto comum que descobriremos qual a melhor harmonização para a feijoada. Podemos tentar usar um vinho mais tânico como o malbec ou o merlot ou também podemos harmonizá-lo com um bom espumante por contraste.

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Para o teste com espumantes temos dois tipos diferentes: um excelente nacional da Salton feito com as uvas Prosecco e um francês rosé Brut.

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É incrível como eles combinaram com a comida! Nunca pensei que fosse boa essa combinação, mas acho que o contraste da acidez com a gordura do prato de alguma forma paradoxal se combinaram entre si. Sobre o espumante Salton eu acredito que ele dispensa comentários pois acredito ser um excelente custo-benefício. Alguns estudiosos consideram o prosecco nacional até mesmo melhor que o italiano. Mas meu favorito do dia foi esse Francês rosé Charles de Fère cuvée Jean Louis. Apesar de não ter sido feito no terroir de champagne, consegue-se perceber algumas características francesas como a presença de aromas de castanhas e avelãs, ainda que sutis.

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Parabéns mais uma vez à minha tia Sônia pela comida maravilhosa. A feijoada estava perfeita! Mas a festa ainda estava praticamente começando porque os três vinhos que foram abertos depois da feijoada foram simplesmente motivo de cair o queixo de emoção.

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O primeiro foi o Escalera 2009, ganhador da medalha de ouro no Annual Wines of Chile Awards 2014 e marcou ainda 92 pontos no La CAV 2014, duas premiações chilenas de grande importância. Esse é um vinho que simboliza toda a potencialidade do Chile diante de países consagrados como a França. Tenho certeza que bate vinhos de milhares de reais num teste cego. É sensacional!!

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Como já falei no post anterior, esse segundo é o melhor vinho tinto que eu já tomei em toda minha vida: Primitivo di Manduria Luccarelli. O que eu degustei no post anterior foi da safra de 2011, e esse é ainda melhor pois foi da safra de 2008. Um vinho agradável do começo ao fim. Mesmo para pessoas que não possuem um olfato tão treinado, consegue-se perceber uma complexidade aromática muito grande nele. Aromas de chocolate, café e frutas negras e vermelhas são embaladas por um equilíbrio fantástico de taninos, acidez, álcool e muita fruta. Mais uma vez ressalto que esse é o melhor vinho tinto que eu já tive a oportunidade de degustar em toda minha vida.

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E esse último é uma compensação dos posts anteriores pois ainda não tinha falado de um bom vinho do Dão. Vamos relembrar o mapa de Portugal:

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O Dão é uma região em que a inovação convive lado a lado com a tradição. É um dos melhores terroirs do país, local de origem da celebrada uva Touriga Nacional. A região produz alguns ótimos vinhos tintos, de enorme estrutura, grande concentração de fruta e elegância. Casa de Cello Quinta da Vegia 2010 é um vinho muito consagrado que recebe 90 pontos pela classificação de Robert Parker. Aqui a estrela é a Touriga Nacional, com aromas florais e frutados.

Conclusão

Parabéns mais uma vez Francisco, sua festa foi por demais egrégia. Foi muito bacana perceber que há também uma alternativa para a feijoada a despeito da famosa caipirinha. Combinar espumante com feijoada provou ser uma excelente combinação!

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Primitivo di Manduria, o melhor vinho do mundo e um delicioso polpettone com mix de cervejas

 “O vinho é o amigo do moderado e o inimigo do beberrão.” Avicena

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Introdução

Amigos, a frase que eu mais repito aqui no blog é que o melhor vinho do mundo é aquele que você gosta, e hoje vamos falar do meu tinto preferido: Primitivo di Manduria. Vamos conferir também o melhor polpettone de São Paulo: Jardim de Napoli. Caso você deseje visualizar qual a uva branca que eu mais gosto basta clicar aqui.

Cervejas

Amigos, vou comentar um pouco sobre provavelmente a melhor cerveja de trigo que eu já tomei: Domina Weiss!

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Essa cerveja é produzida pela Cervejaria Nacional que fica próxima ao metrô Faria Lima. Infelizmente ela está um tempo sem ser comercializada em outros lugares, então para poder conferir essa maravilha é necessário comparecer ao lugar. Mas vale cada centavo conhecer essa brasserie pois essa é uma cerveja bem aromática em que se sente claramente os aromas do cravo e da canela e a sua cor turva identifica um corpo e estrutura bem acima da média. Possui excelente drinkability com concentração alcoólica um pouco elevada. Simplesmente perfeita!!

 

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Harmonizou muito bem com os hamburguinhos da casa

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A próxima cerveja é uma raridade japonesa. Embora eu reconheça que há poucas cervejas japonesas de destaque como a Sapporo (link), essa vale a pena conhecer por ser uma cerveja feita em Okinawa.  Apesar de não ser puro malte ela agradou meu paladar e harmonizou muito bem com comida japonesa. Cerveja Orion.

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O lugar em que eu apreciei essa raridade é simplesmente uma das melhores casas de Lámen de São Paulo localizada no bairro da liberdade (Lámen Kazu).

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Guioza

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E finalmente o perfeito shoyu Rámen

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Uva Primitivo

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Fonte: http://www.winefolly.com

Amigos, eu já comentei sobre essa uva anteriormente no post da zinfandel, porque na verdade esse é o nome que ela recebe nos Estados Unidos, mas estudos comprovaram que elas são a mesma uva. Mas o ponto que mais me chama a atenção nessa uva em relação às outras uvas tintas é o seu perfeito equilíbrio. Nada se destaca nessa uva, tudo é perfeito. Nos vinhos da Cabernet temos o forte tanino, nos vinhos feitos com a Pinot Noir temos a acidez um pouco mais presente, mas aqui tudo está na medida certa. Os vinhos dessa uva também são tão perfeitos que apresentam um leve dulçor no seu retrogosto sem deixar o vinho enjoativo. Vale a pena conferir.

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Apesar de sabermos que é na Toscana em que se encontram os vinhos premiados da Itália (a exemplo dos 5 Bs), a uva primitivo é plantada no salto da bota (a região de puglia). Mas é na cidade e arredores de Manduria em que essa uva encontra sua expressão máxima.

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A denominação de origem controlada Primitivo di Manduria é feito com as uvas primitivo plantadas na cidade e arredores de Manduria e alguns levam um pequeno percentual de Negroamaro em sua composição. São vinhos bem estruturados e de grande potencial de guarda (as garrafas são bem mais grossas do que o comum dos vinhos e bem escuras). Todos os vinhos são excelentes, porém minha bodega preferida é a Lucarelli. E é aqui que começa nossa história de hoje. Lucarelli Primitivo di Manduria 2011.

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Essa é uma garrafa que eu estava guardando a um bom tempo porque infelizmente é um vinho bem caro (por volta de R$ 260), mas hoje foi o dia de provarmos essa barbaridade! (Peço perdão pelo rótulo descascando).

Restaurante de escolha: Jardim de Napoli

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Amigos, esse vinho é o mais perfeito para acompanhar pratos feitos com filet mignon, logo precisamos de um lugar à altura para acompanhá-lo. Sabemos que São Paulo é referência em cantinas italianas no mundo assim como tivemos no post anterior, mas ninguém faz um polpettone melhor que o Jardim de Napoli.

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Um ponto negativo assim como vi também no Famiglia Mancini é o fato das taças serem de vidro e não de cristal. Isso é muito ruim tendo em vista a alta qualidade do lugar e do atendimento!

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Vinho estupendo com notas que remetem a chocolate, uvas negras e café

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É um clima muito agradável e você realmente se sente na Itália por ver tantos italianos falando na sua língua natal!

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Como acompanhamento para o Polpettone alla Parmigiana nós escolhemos o mais pedido da casa: Linguine ala Crema com Funghi Freschi.

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Nunca na minha vida comi uma massa fresca mais gostosa do que essa, estava realmente divina e harmonizou perfeitamente com esse vinho maravilhoso!

Vinho brasileiro simples com bom custo benefício

Amigos, sempre que puder tentarei dar algumas sugestões no blog de vinhos brasileiros baratos e com bom custo benefício. E o de hoje vai ser com a minha uva branca preferida: a Riesling. Preciso deixar bem claro que ele quase em nada lembra os bons Rieslings da Alsácia ou da Alemanha, sendo considerado um vinho bem “aguado e sem personalidade” em relação a eles, porém é uma excelente opção para uma pessoa que deseje tomar um vinho no valor de R$ 20. Uma meia garrafa é possível de obter por até menos de R$ 10. Almadén Riesling 2017.

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Se você for degustar esse vinho com os “óculos corretos”, ou seja, sabendo que ele é um brasileiro de R$ 20 e for com essa expectativa você irá se surpreender com a qualidade dele.

Conclusão

Adorei esse post porque fiz questão de frisar que existem bons vinhos em toda faixa de preço. Aqui no nosso blog falaremos de vinhos de R$10, R$100, R$ 1000 e porque não R$10000? Mas o importante é estarmos abertos para o fato de que no mundo dos vinhos, preço é algo subjetivo!

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Segundo B da Itália, Prosecco, Barolo, Bordeaux, Icewine e Evento Italiano

“Toma conselhos com o vinho, mas toma decisões com a água.” Benjamin Franklin

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Introdução

Amigos, hoje o post será a continuação da série em que falamos sobre os 5 Bs da Itália. Nesse segundo episódio falaremos sobre o Barolo, um nome muito famoso no mundo dos vinhos tanto por sua alta qualidade quanto por seu elevado preço. Esse evento também é o sétimo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o sexto encontro, basta clicar aqui. Também falaremos rapidamente sobre um evento em que recebemos os amigos Rafael e Eloísa em nossa residência e compartilhamos um bom Coq au Vin e excelentes vinhos.

Primeiro encontro

Amigos, quem quiser saber como fazer a receita já temos um post no blog. Basta clicar aqui. Mas começaremos falando sobre o maravilhoso Prosecco que o Rafael trouxe de sua última viagem à Itália:

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Bottega Valdobbiadene Prosecco Superiore D.O.C.G.

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Já temos um post no nosso blog em que falamos sobre o processo de fabricação de um champagne e sobre as diferenças de nomenclatura que inclui o Prosecco (clique aqui no link). Mas de uma maneira geral, o Prosecco é o champagne da Itália assim como a cava é o champagne da Espanha (veja o post sobre ela aqui). De forma a receber a denominação Prosecco, o espumante precisa ser feito na Itália e somente com as uvas Prosecco. No paladar e no nariz eu diria que o Prosecco é um meio termo entre o champagne e a cava, pois ele apresenta aromas mais frutados do que o champagne mas menos do que a cava ao mesmo tempo em que ele é mais ácido do que a Cava e um pouco menos do que o Champagne.

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Para acompanhar esse prato, as visitas trouxeram um excelente Pinot Noir do Chile e da mesma bodega lendária a qual me referi no post anterior (link). Essa é a que produz vinhos em solos vulcânicos o que acarreta em aromas e num sabor único. A fim de comprovarmos a diferença real entre o que significa um vinho muito tânico com outro de pouquíssima tanicidade eu resolvi abrir um Barolo.

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Enquanto o Volcanes Reserva Pinot Noir apresenta uma acidez mais acentuada e bom drinkability, o Barolo Tenimenti Ca’Bianca 2012 é bem mais encorpado e com uma sensação de adstringência acima do normal. Ambos apresentam aromas fortes de frutas negras. Mais abaixo falarei um pouco mais sobre esse vinho mitológico.

Confraria Távola Di Amici

Amigos, estamos hoje na casa dos queridos Nelson e Ana num evento de altíssima qualidade sobre a comida e cultura Italianas. E para começar falando sobre o evento nada melhor do que começar pelo Barolo. Beni di Batasiolo Barolo 2013.

Barolo

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Ele vai receber no nosso blog o título de segundo B da Itália apenas por uma questão cronológica já que na realidade esse foi o primeiro B da Itália. É importante lembrar que o nome da uva que produz esse colosso não é Barolo, mas sim Nebbiolo.

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A Nebbiolo é uma uva que produz grandes e importantes vinhos, com estrutura e qualidade, muitos taninos e feitos para guarda. É uma uva de difícil cultivo e que só rende bons frutos na região piemontesa. Essa cepa exige muita atenção e cuidados e, por dar origem a vinhos fortes, tânicos e concentrados, precisa ser domada tanto nos barris de envelhecimento quanto já na garrafa por anos, se não por décadas. Ela é uma uva que perde apenas para a Tannat (link) no quesito de tanicidade.

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O Barolo é famoso principalmente porque ele foi o marco na história dos vinhos da Itália. Até antes do século XIX a Itália não produzia nada de qualidade. Acredita-se que a primeira a perceber que os vinhos locais precisavam mudar foi a última marquesa de Barolo, Juliette Colbert di Maulévrier, ou Giulia Falletti di Barolo. Filha de aristocratas franceses da época da Revolução, ela se casou com o marquês Carlo Tancredi Falletti di Barolo no início do século XIX. Ela desenvolveu grande interesse pela filantropia, mas também por agricultura e contratou um enólogo francês, Louis Oudart, para ajudar os viticultores locais a melhorarem suas técnicas. Antes, o Barolo era doce – como boa parte dos vinhos célebres da época –, então ele transformou-o em uma bebida seca, no estilo de Bordeaux. E foi esse novo vinho que passou a ser servido nas mesas dos nobres e ganhou a reputação de “rei dos vinhos”.

Antepasto

Como entrada tivemos dois molhos deliciosos: a sardela e a alichella.

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De antepasto tivemos Melone com proscuito:

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Foram embaladas com um vinho simples mas excelente para a abertura de uma grande refeição:

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Primo Piatto

A Ana como verdadeira chef italiana fez dois pratos maravilhosos com massa fresca: O Spaghetti col sugo e a Lasagna al prosciutto e Formaggio col sugo rose.

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Para acompanhar esses pratos tivemos uma seleção de dar inveja a qualquer evento enogastronômico. Comecemos provando o spaghetti com o Barolo:

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Como o evento possui a temática italiana eu decidi utilizar o vinho mais italiano possível: o chianti. Esse que está para a Itália assim como a cerveja Brahma ou a Skol estão para o Brasil. Um vinho muito bom e barato feito com a rainha das uvas italianas: a Sangiovese.

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Bindi Sergardi Al Canapo 2014 Chianti

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Tivemos também um outro Sangiovese maravilhoso: Cancelli Coltibuono 2015

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Tivemos também um vinho espanhol de dar inveja feito com as uvas tempranillo  e Graciano: Beronia Rioja 2009 Gran Reserva.

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Um dos confrades trouxe um Merlot de sua última viagem à Paris:

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Que harmonizou muito bem com a lasagna:

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Antes do Secondo Piatto provamos também um vinho branco siciliano feito com uma uva pouco comum: Catarrato. Vinho Benedè Catarrato 2016.

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Tivemos também um vinho do Alentejo e um Italiano da uva Nero d’Ávola: Courela Alentejo 2014 e Baglio di Luna 2014 Nero D’ávola.

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Secondo Piatto

Com certeza essa foi uma das massas mais gostosas que eu já comi na vida. Meus parabéns Ana! Mas o evento ainda não tinha chegado nem na metade ainda. Como Secondo Piatto tivemos uma Saltimbocca ala romana com o Contorno de Cicoria Ripassata in padella. Admito que nunca comi uma carne de vitela melhor!! Nota 10. E para acompanhar o segundo prato tivemos mais vinhos espetaculares. O primeiro deles é o feito com a minha uva preferida: primitivo. Em breve no blog teremos um post exclusivo sobre essa uva apesar de já termos falado dela plantada no terroir americano (zinfandel). Lucarelli Primitivo di Puglia.

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Eu levei um vinho feito com a uva negroamaro porque ela também é produzida na região de puglia e é também utilizada na confecção de grandes vinhos como o primitivo di manduria. Ou seja, negroamaro e primitivo são primas do primeiro grau. Notte Rossa Negroamaro 2015.

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Dolci

Não pensem que o evento acabou meus amigos! Ainda temos uma surpresa a ser revelada! A Ana preparou duas sobremesas tipicamente italianas: o tiramissù e o cannoli. E temos uma surpresa no nosso blog: o icewine ou o vinho das uvas congeladas!

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Esse espetáculo de vinho foi um presente da minha tia Sônia que ela trouxe da sua última viagem do Canadá. Originalmente Alemão (o Eiswein), esse vinho foi descoberto por acaso porque um produtor esqueceu de colher as uvas e elas congelaram no inverno. Então ele teve a idéia de espremê-las congeladas obtendo assim apenas a parte doce e licorosa da uva. Nascia assim o Icewine.

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Embora ele possa ser feito com vários tipos de uvas, é a Vidal que mais se destaca na sua produção. A temperatura tem de se manter por 3 dias a, pelo menos, 8 graus negativos. As uvas congeladas são, então, colhidas de madrugada para evitar que derretam e possam ser processadas ainda com gelo. É devido a essas características que o Canadá é quase que exclusivo na produção desse vinho. No Brasil uma garrafa de 200 ml custa aproximadamente R$400.

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Creif Estate Winery 2015 Vidal Icewine

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Mas o evento ainda não acabou por aí! Um dos confrades que mora em Paris trouxe dois Grand Vin de Bordeaux.

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Lussac Saint-Emillion 2014 Grand Vin de Bordeaux

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Nossa, Bordeaux é sempre uma boa pedida!!!

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Château Bellevue Saint-Martin 2014 Grand Vin de Bordeaux Montagne Saint-Émillion

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Conclusão

Peço perdão pelo post tão longo e se eu não fiz um review mais detalhado sobre algum vinho, mas é porque o volume de informações foi muito grande. Parabéns ao Nelson e a Ana por serem pessoas tão maravilhosas e receptivas e pela comida e bebida maravilhosas. Aguardo ansiosamente o próximo encontro da Confraria Távola di Amici!

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Evento de comemoração Le Grand Chef

“Por mais raro que seja, ou mais antigo, só um vinho é deveras excelente… Aquele que tu bebes, calmamente, com teu mais velho e silencioso amigo.” Mário Quintana

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Introdução

Amigos, conforme prometi semana passada, esse será um post especial de comemoração a 1 ano do blog Vinhos e Afins para Leigos. Quero agradecer ao amigo Rafael Campos e a sua esposa Eloísa que nos proporcionaram essa noite tão única. A rede Accor Hotels, especificamente a Cook Lovers Club esteve proporcionando um evento espetacular no estilo masterchef para seus associados. Como meu amigo Rafael Campos me convidou, eu pude participar desse evento maravilhoso!

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http://cookloversleclub.com.br/

Chegada ao evento

Logo na chegada do evento tivemos uma recepção calorosa patrocinada pela rede Accors no Hotel Pullman. Espumante Italiano com vários tipos de amouse bouche. Salmão com geléia de damasco, Ceviche e torradas com queijo brie e geléia.

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Seus aromas de frutas amarelas, como damasco e pêssego, embalam o primeiro gole. Em boca, se mostra cremoso e concentrado, com acidez agradável. Antes de saber que era italiano pensei que fosse brasileiro, pois suas características o fizeram classificar como tal.

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Acompanharam-no muito bem os amouse-bouches e o robalo com sushi de filet mignon!

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Início do evento

Após a recepção por demais calorosa, tivemos início à competição. Esse evento que foi agradável até mesmo para os convidados que ficaram participando do coquetel.

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Enquanto o Raul apresentava o evento e os participantes, descobri que ficaria na equipe amarela:

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E a nossa chef que iria nos apadrinhar seria a Larissa Mazzoli, que apesar de ser bem jovem possui um currículo bem extenso, tendo trabalhado em vários restaurantes de destaque em Dubai. Particularmente não penso que deveríamos ter tido uma ajuda melhor!

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Abaixo segue um artigo com uma breve discussão sobre seu currículo. Vale a pena conferir:

https://www.khaleejtimes.com/shes–got–the-fire

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Equipe mais do que divertida e amigável! Após o sorteio da proteína a ser usada no nosso prato ficamos com o Ojo de Bife (Ribeye). Nossa equipe também foi contemplada com o acompanhamento quiabo. Ou seja, precisávamos fazer um prato principal que envolvesse o quiabo e o Ojo de bife.

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Como é costume em toda prova do tipo masterchef, é necessário fazer compras antes de começarmos a fazer os pratos. Abaixo seguem-se fotos e vídeos do youtube desse momento tão legal:

https://www.youtube.com/watch?v=bCA7IU_S45w&feature=youtu.be

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Após o mercado feito é hora de começar a cozinhar. A chef Larissa Mazzoli nos deu a idéia de fazermos um ribeye com quiabo ao molho de mostarda e como entrada uma salada com maçãs flambadas no vinagre balsâmico.

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https://www.youtube.com/watch?v=SnOjhVRjQsA&feature=youtu.be

Aqui a Larissa dá a dica de como montar o prato principal:

https://www.youtube.com/watch?v=WZoou8ETGVU&feature=youtu.be

Antes de apresentarmos o prato para os jurados tivemos de dar opinião sobre qual será o nome dos pratos. Eu sugeri darmos o nome da entrada de Salade à la pomme:

https://www.youtube.com/watch?v=AFKPSHmujzk&feature=youtu.be

Tivemos de apresentar os pratos para um júri de peso:

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Leonardo Santos (ex-masterchef):

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Natália Clementin (Ex-masterchef):

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Lucas Demetrescu (gerente de Alimentos e Bebidas da Rede Ibis na América Latina):

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Aldo Shiguemi Assada (Eleito sommelier do ano)

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O chef Adriano Cucato:

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E a famosíssima youtuber Camila Masullo Martinhão (dona do canal sal de flor):

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Me pediram para apresentar a entrada do nosso time:

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https://www.youtube.com/watch?v=jjbmQx7r8_s&feature=youtu.be

https://www.youtube.com/watch?v=4c04Yv2jY_o&feature=youtu.be

E o Rodrigo ficou responsável por apresentar o nosso prato principal:

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Jantar

Após o divertidíssimo evento tivemos um jantar maravilhoso com direito inclusive à banda.

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Como vinho tinto tivemos esse malbec maravilhoso: Família Gascón Malbec 2016. Um vinho que apresenta características superiores como aromas bem presentes de frutas e violeta com presença forte de madeira.

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E como vinho branco tivemos minha segunda uva preferida (link): Barone Montalto Pinot Grigio. Ele harmonizou muito bem com a entrada da festa:

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Como prato principal tivemos dois: filet mignon com purê de mandioquinha e salmão com robalo:

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E por fim tivemos uma sobremesa surpreendente: petit gatêau

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Conclusão

Mais uma vez agradeço ao meu amigo Rafael e a todos os que acompanham o blog vinhos e afins para leigos. Esse aniversário de 1 ano é uma data a qual vocês também fazem parte!!!

Conheça todos os posts do blog através desse link

 

Primeiro B da Itália e a Mezzaluna à Mama di Lucca

“O vinho lava nossas inquietações, enxuga a alma até o fundo, e, entre outras coisas, garante a cura da tristeza.” Sêneca

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Introdução

Amigos, hoje o post será dedicado ao início de uma série em que falaremos especificamente sobre os vinhos da Itália, o país que produz a maior quantidade de vinhos do mundo. Nesse primeiro episódio falaremos sobre a uva Barbera, conhecida como um dos 5 Bs da Itália (Barolo, Barbaresco, Barbera, Brunello e Bolgheri). “Os Bs da Itália” é como chamados os cinco principais e mais importantes vinhos produzidos no país, todos com nomes que começam com a letra B.

Cervejas

A primeira cerveja que iremos falar hoje é a singular duchesse de bourgogne. E ela é muito especial porque a impressão que temos ao degustá-la é que ela aparenta ser uma mistura entre cerveja e vinho!

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Essa cerveja possui muita história e tradição, sendo produzida desde 1885. O nome dela foi escolhido para homenagear Mary, a Duquesa da Borgonha. Uma mulher que enfrentou a pretensão de Luís XI, rei da França de anexar seu território. Com 20 anos ela herdou o ducado e ficou conhecida por ser uma mulher com temperamento forte e decidido, que fez com que a França reconhecesse o poder que a província de Borgonha tinha. Faleceu com apenas 25 anos em uma queda de cavalo. As cervejas do tipo Flanders Red Ale são geralmente fermentadas por uma levedura que contém microorganismos que trazem um certo azedume e, como ela é envelhecida 18 meses em barris de Carvalho, acaba adquirindo um sabor frutado característico. A Duchesse tem cor castanho escuro com aroma de frutas vermelhas secas, tâmaras ou uvas passas, enquanto que seu aroma remete ao de um bom vinho, com presença de madeira. De todos os tipos de cervejas existentes essa é a que mais se assemelha a um vinho.

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A segunda cerveja também é bastante famosa sendo considerada a cerveja premium de garrafa mais vendida no Reino Unido. Comparada com a anterior é bem menos complexa e menos encorpada. Cerveja bem leve de beber que apresenta aromas de caramelo e malte tostado.

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Pegando o embalo nas cervejas do reino unido temos essa que foi eleita a cerveja que mais cresce em vendas por lá: Wells Bombardier. Uma cerveja que apresenta sabor levemente picante, presença de caramelo e uvas passas.

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A última cerveja da noite é um estilo muito bacana que tive o prazer de conhecer: weizenbier filtrada. É interessante porque como ela fica transparente as pessoas tendem a achar que se trata de uma pilsen, mas o sabor é completamente igual a uma cerveja de trigo tradicional, com um pouco menos de corpo. Paulaner Weiss Kristallklar.

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Uva Barbera

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Fonte:http://www.winefolly.com
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Fonte: http://www.pinterest.com

Junto com a nebbiolo e a sangiovese, a barbera faz parte das três uvas tintas mais importantes da Itália. Essa que produz vinhos muito aromáticos e bem leves e agradáveis na boca. Entre os seus aromas podemos identificar frutas negras como cereja, mirtilo, framboesa e morango e aromas vegetais de ervas. Como passa por carvalho, temos também madeira, chocolate e tabaco. Na boca, os vinhos são encorpados, bom nível de álcool e acidez bem presente. Baixíssimo nível de taninos.

Italy Map

É na região do Piemonte que essa uva alcança expressão máxima!

Restaurante de escolha: Famiglia Mancini

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A escolha pelo restaurante é devido ao fato de que ele em si é um ponto turístico muito importante de São Paulo. Nos fins de semana (e até mesmo durante a semana), há filas de espera imensas para conseguir uma mesa no salão com fitas e garrafas de chianti penduradas no teto. A decoração foi criada pelo próprio dono, Walter Mancini.

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Fonte: http://www.famigliamancini.com.br

O clima mágico do lugar começa logo na entrada: na Rua Avanhandava. Um dos lugares mais únicos da cidade, pois é magnífico ver as luzes penduradas por toda a extensão da ruazinha estreita. Hoje, quase todos os estabelecimentos dela pertencem à família Mancini.

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Logo na chegada temos como entrada uma cestinha com pães deliciosos:

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O sommelier Valentin é uma pessoa extremamente simpática e conhecedora. Prontamente nos recomendou o vinho Torre Scalza Piemonte Barbera.

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