Culinária Russa (Draniki, Pelmeni, Borscht e Torta Napoleão) com vinho da Ucrânia e outras harmonizações

 “O vinho pode ser um professor melhor do que a tinta e as piadas são muitas vezes melhores do que os livros.” Stephen Fry

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Introdução

“A Rússia, como assegurava o poeta Tiuchev, não pode ser compreendida apenas com o intelecto” e esse é o motivo pelo qual faremos um post emblemático sobre a culinária desse país tão arrebatador. Amigos, hoje o post será uma homenagem a todos os meus amigos que possuem origem russa e/ou família (em especial o Comandante Alexis que é um assíduo leitor do blog). Calhou também que esse ano a copa do mundo ocorrerá na Rússia então se você quer se informar mais sobre essa culinária fantástica, esse post é para você. Esse evento também é o décimo encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares), caso alguém queira conferir o nono encontro, basta clicar aqui.

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Torta Napoleão

Parece estranho começar um post falando logo da sobremesa, mas o motivo é que essa torta precisa ficar pelo menos umas 8 horas na geladeira, então ela deve ser feita no dia anterior ao evento! Essa torta lembra um pouco a tarte de mille feuille francesa e recebe o nome de Наполеон (Napoleão) pois foi feita pela primeira vez em 1912 para comemorar o centenário da vitória russa sobre Napoleão e, desde então, tornou-se a sobremesa mais famosa da Rússia!

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Comecemos pesando cerca de 400g de farinha de trigo:

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Logo após iremos acrescentar um pote de margarina de 250 e vamos mexer até a mistura ficar uma farofa granulada:

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Agora vamos misturar bem 125ml de água, um ovo e o suco de um limão:

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Vamos adicionar na mistura e vamos mexer acrescentando farinha de trigo até a massa ficar uniforme e soltando da mão. Depois vamos enrolá-la e cortá-la em 9 pedaços iguais fazendo bolinhas:

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Vamos cobrir com papel filme e levar para a geladeira por 1 hora:

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Depois de 1 hora tiramo-los da geladeira e devemos abrir cada uma das bolinhas em um papel alumínio e leva-los ao forno na temperatura média de 200 graus Celsius por aproximadamente 15 minutos ou até dourá-los:

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Vamos usar uma forma (ou tampa de panela) para ajudar a cortar cada uma das camadas. Muito importante é que os pedaços que sobrarem sejam guardados para serem usados esfarelados na decoração final!

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Depois de assados cada uma das camadas é hora de fazer o recheio e recheá-las antes de montar a torta. O recheio será feito com dois tabletes de manteiga batidos com duas caixas de leite condensado:

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Vamos também triturar cerca de 200g de nozes para polvilhar:

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Depois comecemos recheando cada uma das camadas:

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Depois de montada a torta devemos leva-la para a geladeira por aproximadamente 8 horas antes de servi-la

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Entrada: Draniki

Como começo do evento escolhemos uma comidinha muito simples mas muitíssimo apreciada na Rússia pelo seu sabor: o Draniki. Ele é uma comidinha muito simples de fazer consistindo de cebola e batata ralados juntos, ovo e farinha de trigo:

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Depois basta assá-los numa frigideira com óleo bem quente:

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Como é um prato simples de ser feito, a harmonização com ele é relativamente simples. Escolhemos fazê-la inicialmente com um vinho clássico da toscana: Santa Cristina Toscana IGT.

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Um vinho feito com as castas sangiovese e trebbiano. Bastante frutado e levemente encorpado. Harmonizou muito bem com o prato.

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Também provamos algumas cervejas com ele. A primeira foi a Leiken Weizbier:

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Cerveja bonita de rótulo porém pouco encorpada. Achei que ficou faltando um pouco mais de personalidade. Nota 7,5. Segunda cerveja: Darguner Pilsener.

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Essa é uma boa cerveja que representa bem o estilo pilsener: bons ingredientes e muito bem feita. Nota 9.

Primeiro Prato: Pelmeni

Começaremos por um dos pratos mais consumidos na Rússia e, em específico, na Sibéria. É quase impossível pensarmos em comida russa sem nos lembrarmos dele: o pelmeni de carne. Ele lembra bastante um capeletti italiano. Existe também uma versão vegetariana dele que é o Varênique (recheado com batata e cebola).

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E aqui quero deixar minha propaganda para a empresa nostrôvia que fabrica pelmeni e varênique e os entrega em domicílio na região de São Paulo. Vale muito a pena e o profissionalismo é muito alto, produtos de primeira qualidade!

 www.nostrovia.com.br

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O preparo dele é bastante simples: basta ferver uma panela com água e sal.

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Existem várias formas de comê-los, como colocar shoyo, creme de leite, etc. Nós escolhemos fazer um molho de cebola dourada na manteiga:

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E, para harmonizar com esse prato escolhemos um clássico ucraniano.

Vinho da Ucrânia: Shabo Saperavi 2014

Mapa da Ucrânia

Provavelmente a Rússia produz vinhos como qualquer país do mundo porém seus vinhos não possuem tanto destaque no mercado internacional como os produzidos no seu país vizinho (que num passado não muito distante eram um mesmo país). Esses sim são dignos de louvor e podem ser encontrados com certa facilidade na Internet. A Ucrânia é um país com longa tradição vitivínicola. Registros históricos mostram que vinhos são produzidos neste país desde o século VII A.C.! Mesmo com uma produção razoalvelmente grande, a maioria dos vinhos lá elaborados acabam sendo consumidos pela população local, fato que por si só já é um bom indicativo de qualidade. É fato claro que a produção era considerada fraca devido ao comunismo porém desde 2003 houve um renascimento com a re-criação da vinícola Shabo.

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E como representante desse país iremos escolher uma casta bastante cultivada na região porém de origem na Georgia: a Saperavi.

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Que vinho gostoso! No nariz lembrou os vinhos chilenos porém com a complexidade do velho mundo. Na boca lembrou um pinot noir com sua acidez porém com a robustez do merlot. Encorpado porém delicado!

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Como harmonização utilizando cervejas, a Jéssyka e o Lucas trouxeram uma american lager deliciosa: Sud American Special Lager. Produzida em Bento Gonçalves (RS), a cerveja SUD American Special Lager tem notas florais e de especiarias, oriundas dos lúpulos utilizados, aparência límpida, cor dourada clara e sabor equilibrado entre o amargor dos lúpulos e o doce dos maltes.

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Harmonização perfeita e prato muito gostoso!

Segundo Prato: Borscht

Amigos, sem sombra de dúvidas esse é o prato mais famoso da cozinha eslava (não apenas na Rússia mas em todos os países ao redor como a Ucrânia). O borscht está para a Rússia assim como a feijoada está para o Brasil, a paella está para a Espanha e o sushi está para o Japão! Não podíamos ter um evento russo sem citar essa iguaria feita com beterraba. Um ponto importante é que não existe apenas uma versão de borscht, são várias receitas muito diferentes entre si: com carne de boi, vegetariano, com peixe, etc. Minha receita será com costelinha de porco e bacon!

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Comecemos descascando e ralando duas cenouras:

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Depois piquemos bem cerca de metade de um repolho:

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Descasquemos e ralemos 3 beterrabas:

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Ralemos também 2 cebolas:

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Duas colheres de chá de alho picado:

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Depois reservemos esses vegetais ralados enquanto douramos 1,5 kg de costelinha com bacon bem picado e azeite.

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Um detalhe importante: cuidado com a quantidade de azeite. Eu coloquei um pouco a mais e ficou um pouco mais gorduroso do que eu gostaria.

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Depois de dourados iremos adicionar 3 batatas grandes cortadas em cubos e adicionar água para cozê-las junto com a costelinha até amolecerem:

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Assim que as batatas amolecerem devemos retirá-las com uma escumadeira e amassá-las com um garfo antes de recoloca-las de volta na sopa:

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Junto com as batatas amassadas iremos adicionar também os vegetais picados:

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Adicionemos 4 colheres de sopa de vinagre, cominho, sal e pimenta do reino a gosto:

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Depois completemos com água e deixamos cozinhar bem os legumes (aproximadamente 1 hora de fogo). A forma de serviço é com smyetana (creme de leite azedo) e salsinha picada. Como aqui no Brasil não encontramos para vender a smyetana, faremos uso do creme de leite:

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Como harmonização para o borscht tivemos duas opções: um Riesling Alemão e um Primitivo di Mandúria.

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Anselmann Riesling Spätlese Trocken 2011. Um Riesling alemão de guarda do mesmo grande produtor do post anterior.

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Usar Riesling numa competição é jogar baixo na minha opinião pois ela é a melhor uva branca na minha concepção!

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Mas o desafio foi feito à altura: Primitivo di Manduria Talò San Marzano 2016.

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Foi um embate colossal dada à extrema qualidade dos dois vinhos, mas no quesito harmonização quem mais sai vencedor foi o Riesling. Vitória da Alemanha!

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Sobremesa: Torta Napoleão

Nunca pensei que uma sobremesa pudesse ter um resultado superior ao dos prato principais mas dessa vez foi o que aconteceu caros leitores! Não obstante o peso dos pratos anteriores, a torta napoleão arrebatou corações!

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E como harmonização escolhemos um riesling alemão da região de Mosel: Deinhard green label riesling mosel 2014

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O vinho é diferente do riesling anterior por apresentar cor amarelo palha com reflexos esverdeados e límpido. No nariz sentimos sutis aromas de maçã verde, limão além de toques minerais. Boa acidez porém pouco açucarado para acompanhar uma sobremesa doce. Talvez um vinho mais doce como o do porto harmonizasse melhor.

Vodka Russa: Russian Standard Vodka

Amigos, nenhum encontro reconhecidamente russo poderia ocorrer sem uma boa vodka! Aqui é a sugestão do meu amigo comandante Alexis: Russian Standard Vodka.

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Vamos fazer um duelo entre ela e a que eu mais gosto francesa: Vodka Grey Goose.

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As duas são diferentes: a francesa é mais delicada (aparenta ser mais “talhada”), enquanto a russa possui um “ataque” mais agressivo, com mais personalidade porém com mais álcool.

Conclusão

Peço desculpas aos meus amigos da Rússia se não consegui representar toda a potencialidade que é essa culinária tão rica! Para mim foi um prazer muito grande vivenciar todos esses momentos em minha humilde residência e eles apenas aumentaram ainda mais minha vontade de conhecer esse país tão fantástico. Viva a Rússia!

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Harmonizando vinhos com feijoada

 “Diz-se «in vino veritas», mas diz-se também que a verdade está no fundo de um poço; logo é um poço cheio de vinho.” Raymond-Claude-Ferdinand Aron

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um pouco diferente porque mostraremos uma harmonização com vinhos pouco comum. Quando pensamos em gastronomia brasileira, o exemplo máximo que nos vem à cabeça é a feijoada com a caipirinha, mas hoje mostraremos que é possível sim degustá-la com uma boa taça de vinho. Também foi um momento maravilhoso por ter sido o aniversário do meu tio Francisco.

Cervejas

Apesar de gostar de quase todos os tipos de cerveja, para mim nenhum estilo me apraz mais do que o estilo weizen (trigo) alemão e hoje quero deixar um dos exemplos mais icônicos do tipo: Franziskaner weissbier.

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Essa é uma cerveja bávara de excelente qualidade que apresenta bem as qualidades desse estilo: presença forte do cravo e da banana com boa turbidez e bastante encorpada. É muito semelhante à Erdinger e/ou à Paulaner, fazendo com que mesmo os bons conhecedores de cervejas se enrolem diante de um teste cego.

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Essa segunda é produzida por uma cervejaria artesanal brasileira jovem porém bastante premiada: a Schornstein. É uma cerveja bem feita que apresenta bom corpo e estrutura de uma Weiss. Na minha opinião só pecou um pouco no amargor. Achei-a com um amargor um pouco acima do agradável para esse estilo, mas achei que valeu a pena experimentá-la. Recomendo!

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Acredito que se o critério de escolha de alguém por uma cerveja seja a embalagem, certamente a Faxe dinamarquesa será uma excelente opção. Sua emblemática lata de 1 litro com a foto de um viking realmente cativa a atenção de um bom apreciador! Achei gostosa essa Wit porém percebi um certo desequilíbrio entre a quantidade de semente de coentro e a casca de laranja. O coentro está bem presente, mas não consegui identificar muito bem a laranja!

Início do evento

A palavra harmonização tem origem no vernáculo italiano Abbinamento, que significa andar lado a lado, casar, formar par, combinar. Dentro desse contexto, duas possibilidades vêm à tona: similaridade ou contraste. E é desse ponto comum que descobriremos qual a melhor harmonização para a feijoada. Podemos tentar usar um vinho mais tânico como o malbec ou o merlot ou também podemos harmonizá-lo com um bom espumante por contraste.

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Para o teste com espumantes temos dois tipos diferentes: um excelente nacional da Salton feito com as uvas Prosecco e um francês rosé Brut.

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É incrível como eles combinaram com a comida! Nunca pensei que fosse boa essa combinação, mas acho que o contraste da acidez com a gordura do prato de alguma forma paradoxal se combinaram entre si. Sobre o espumante Salton eu acredito que ele dispensa comentários pois acredito ser um excelente custo-benefício. Alguns estudiosos consideram o prosecco nacional até mesmo melhor que o italiano. Mas meu favorito do dia foi esse Francês rosé Charles de Fère cuvée Jean Louis. Apesar de não ter sido feito no terroir de champagne, consegue-se perceber algumas características francesas como a presença de aromas de castanhas e avelãs, ainda que sutis.

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Parabéns mais uma vez à minha tia Sônia pela comida maravilhosa. A feijoada estava perfeita! Mas a festa ainda estava praticamente começando porque os três vinhos que foram abertos depois da feijoada foram simplesmente motivo de cair o queixo de emoção.

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O primeiro foi o Escalera 2009, ganhador da medalha de ouro no Annual Wines of Chile Awards 2014 e marcou ainda 92 pontos no La CAV 2014, duas premiações chilenas de grande importância. Esse é um vinho que simboliza toda a potencialidade do Chile diante de países consagrados como a França. Tenho certeza que bate vinhos de milhares de reais num teste cego. É sensacional!!

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Como já falei no post anterior, esse segundo é o melhor vinho tinto que eu já tomei em toda minha vida: Primitivo di Manduria Luccarelli. O que eu degustei no post anterior foi da safra de 2011, e esse é ainda melhor pois foi da safra de 2008. Um vinho agradável do começo ao fim. Mesmo para pessoas que não possuem um olfato tão treinado, consegue-se perceber uma complexidade aromática muito grande nele. Aromas de chocolate, café e frutas negras e vermelhas são embaladas por um equilíbrio fantástico de taninos, acidez, álcool e muita fruta. Mais uma vez ressalto que esse é o melhor vinho tinto que eu já tive a oportunidade de degustar em toda minha vida.

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E esse último é uma compensação dos posts anteriores pois ainda não tinha falado de um bom vinho do Dão. Vamos relembrar o mapa de Portugal:

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O Dão é uma região em que a inovação convive lado a lado com a tradição. É um dos melhores terroirs do país, local de origem da celebrada uva Touriga Nacional. A região produz alguns ótimos vinhos tintos, de enorme estrutura, grande concentração de fruta e elegância. Casa de Cello Quinta da Vegia 2010 é um vinho muito consagrado que recebe 90 pontos pela classificação de Robert Parker. Aqui a estrela é a Touriga Nacional, com aromas florais e frutados.

Conclusão

Parabéns mais uma vez Francisco, sua festa foi por demais egrégia. Foi muito bacana perceber que há também uma alternativa para a feijoada a despeito da famosa caipirinha. Combinar espumante com feijoada provou ser uma excelente combinação!

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Primitivo di Manduria, o melhor vinho do mundo e um delicioso polpettone com mix de cervejas

 “O vinho é o amigo do moderado e o inimigo do beberrão.” Avicena

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Introdução

Amigos, a frase que eu mais repito aqui no blog é que o melhor vinho do mundo é aquele que você gosta, e hoje vamos falar do meu tinto preferido: Primitivo di Manduria. Vamos conferir também o melhor polpettone de São Paulo: Jardim de Napoli. Caso você deseje visualizar qual a uva branca que eu mais gosto basta clicar aqui.

Cervejas

Amigos, vou comentar um pouco sobre provavelmente a melhor cerveja de trigo que eu já tomei: Domina Weiss!

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Essa cerveja é produzida pela Cervejaria Nacional que fica próxima ao metrô Faria Lima. Infelizmente ela está um tempo sem ser comercializada em outros lugares, então para poder conferir essa maravilha é necessário comparecer ao lugar. Mas vale cada centavo conhecer essa brasserie pois essa é uma cerveja bem aromática em que se sente claramente os aromas do cravo e da canela e a sua cor turva identifica um corpo e estrutura bem acima da média. Possui excelente drinkability com concentração alcoólica um pouco elevada. Simplesmente perfeita!!

 

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Harmonizou muito bem com os hamburguinhos da casa

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A próxima cerveja é uma raridade japonesa. Embora eu reconheça que há poucas cervejas japonesas de destaque como a Sapporo (link), essa vale a pena conhecer por ser uma cerveja feita em Okinawa.  Apesar de não ser puro malte ela agradou meu paladar e harmonizou muito bem com comida japonesa. Cerveja Orion.

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O lugar em que eu apreciei essa raridade é simplesmente uma das melhores casas de Lámen de São Paulo localizada no bairro da liberdade (Lámen Kazu).

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Guioza

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E finalmente o perfeito shoyu Rámen

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Uva Primitivo

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Fonte: http://www.winefolly.com

Amigos, eu já comentei sobre essa uva anteriormente no post da zinfandel, porque na verdade esse é o nome que ela recebe nos Estados Unidos, mas estudos comprovaram que elas são a mesma uva. Mas o ponto que mais me chama a atenção nessa uva em relação às outras uvas tintas é o seu perfeito equilíbrio. Nada se destaca nessa uva, tudo é perfeito. Nos vinhos da Cabernet temos o forte tanino, nos vinhos feitos com a Pinot Noir temos a acidez um pouco mais presente, mas aqui tudo está na medida certa. Os vinhos dessa uva também são tão perfeitos que apresentam um leve dulçor no seu retrogosto sem deixar o vinho enjoativo. Vale a pena conferir.

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Apesar de sabermos que é na Toscana em que se encontram os vinhos premiados da Itália (a exemplo dos 5 Bs), a uva primitivo é plantada no salto da bota (a região de puglia). Mas é na cidade e arredores de Manduria em que essa uva encontra sua expressão máxima.

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A denominação de origem controlada Primitivo di Manduria é feito com as uvas primitivo plantadas na cidade e arredores de Manduria e alguns levam um pequeno percentual de Negroamaro em sua composição. São vinhos bem estruturados e de grande potencial de guarda (as garrafas são bem mais grossas do que o comum dos vinhos e bem escuras). Todos os vinhos são excelentes, porém minha bodega preferida é a Lucarelli. E é aqui que começa nossa história de hoje. Lucarelli Primitivo di Manduria 2011.

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Essa é uma garrafa que eu estava guardando a um bom tempo porque infelizmente é um vinho bem caro (por volta de R$ 260), mas hoje foi o dia de provarmos essa barbaridade! (Peço perdão pelo rótulo descascando).

Restaurante de escolha: Jardim de Napoli

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Amigos, esse vinho é o mais perfeito para acompanhar pratos feitos com filet mignon, logo precisamos de um lugar à altura para acompanhá-lo. Sabemos que São Paulo é referência em cantinas italianas no mundo assim como tivemos no post anterior, mas ninguém faz um polpettone melhor que o Jardim de Napoli.

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Um ponto negativo assim como vi também no Famiglia Mancini é o fato das taças serem de vidro e não de cristal. Isso é muito ruim tendo em vista a alta qualidade do lugar e do atendimento!

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Vinho estupendo com notas que remetem a chocolate, uvas negras e café

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É um clima muito agradável e você realmente se sente na Itália por ver tantos italianos falando na sua língua natal!

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Como acompanhamento para o Polpettone alla Parmigiana nós escolhemos o mais pedido da casa: Linguine ala Crema com Funghi Freschi.

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Nunca na minha vida comi uma massa fresca mais gostosa do que essa, estava realmente divina e harmonizou perfeitamente com esse vinho maravilhoso!

Vinho brasileiro simples com bom custo benefício

Amigos, sempre que puder tentarei dar algumas sugestões no blog de vinhos brasileiros baratos e com bom custo benefício. E o de hoje vai ser com a minha uva branca preferida: a Riesling. Preciso deixar bem claro que ele quase em nada lembra os bons Rieslings da Alsácia ou da Alemanha, sendo considerado um vinho bem “aguado e sem personalidade” em relação a eles, porém é uma excelente opção para uma pessoa que deseje tomar um vinho no valor de R$ 20. Uma meia garrafa é possível de obter por até menos de R$ 10. Almadén Riesling 2017.

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Se você for degustar esse vinho com os “óculos corretos”, ou seja, sabendo que ele é um brasileiro de R$ 20 e for com essa expectativa você irá se surpreender com a qualidade dele.

Conclusão

Adorei esse post porque fiz questão de frisar que existem bons vinhos em toda faixa de preço. Aqui no nosso blog falaremos de vinhos de R$10, R$100, R$ 1000 e porque não R$10000? Mas o importante é estarmos abertos para o fato de que no mundo dos vinhos, preço é algo subjetivo!

Conheça todos os posts do blog através desse link

Coq au vin, queijos e vinhos franceses, chartreuse e degustações de pinot noir

“Ao contrário dos relacionamentos pessoais e profissionais, no vinho a infidelidade é essencial” (João Filipe Clemente)

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Introdução

Olá amigos, hoje o nosso post será um tanto especial pois será um evento francês com uma receita de um coq au vin e degustações múltiplas de grandes Pinot Noir e outros vinhos. Esse é o quinto encontro da Confraria Távola Di Amici (amigos e familiares) e ele ocorrerá na minha casa. Caso alguém queira conferir o quarto encontro, basta clicar aqui.

Receita do Coq au Vin

Amigos, essa é uma receita que demora algumas horas para ficar pronta, logo recomendo começar a prepara-la cedo. Já tivemos aqui no blog um post sobre o coq au vin contando sua história, caso queira conferi-lo basta clicar aqui.

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Tomemos então cerca de 25 mini cebolas, descascamo-las e reservamos:

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Picamos também cerca de duas mini cebolas e reservamo-las:

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Cortamos em rodelas duas cenouras:

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Numa panela grande de ferro colocamos azeite e manteiga para dourarmos as cebolas:

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Depois de douradas, retiramo-las do fogo e reservamo-las:

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Usando o mesmo azeite e manteiga usados para dourar as cebolas, douramos cerca de 750g de bacon:

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Assim que o bacon estiver dourado, acrescentaremos cerca de 2,5kg de frango caipira. A receita original previa um galo mas, devido à dificuldade de acha-lo, iremos utilizar frango caipira comum. Também se usa o galo todo na receita original, mas aqui iremos usar apenas sobrecoxas.

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Vamos dourar o frango junto com o bacon:

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Assim que o frango estiver dourado iremos acrescentar a cebola picada e a cenoura para dourarem juntos:

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Depois de cozê-los juntos, o próximo passo é acrescentar cerca de duas colheres de sopa de farinha de trigo e cozê-la junto com os outros ingredientes:

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Depois de cozidos iremos acrescentar alho, sal, pimenta e algumas folhas de louro:

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Depois vamos cobrir todos os ingredientes com duas garrafas de vinho tinto:

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E agora se inicia um longo cozimento. Baixe o fogo e deixe o galo cozinhar por cerca de 2 horas sempre mexendo para não grudar no fundo da panela.

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Enquanto isso iremos preparar os champignons:

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Aproximadamente 600g e partimos todos em 4 pedaços:

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Vamos agora coloca-los na frigideira com manteiga:

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Vamos agora usar o suco de 1 limão, sal e pimenta do reino:

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Depois de fritos, apenas reservamo-los junto com os outros ingredientes. Após aproximadamente 2 horas o frango já vai ter adquirido uma consistência bonita:

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É a hora de unirmos as cebolas, o champignon e checar o sal e a pimenta:

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Depois disso o coq au vin deve ainda ser cozinhado por cerca de 30-40 minutos. Enquanto isso prepararemos umas entradas para o início do evento: queijos franceses e batatas gratinadas com queijo gorgonzola feitos pela minha esposa Aline.

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Para fazer as batatas basta primeiro cozê-las na água:

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Fazer orifícios e colocar o molho feito com queijo gorgonzola e creme de leite antes de gratiná-las no forno:

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Com essas entradas temos algumas cervejas artesanais:

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Witbier brasileira muito bem feita, vale a pena conferir.

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Uma weizen alemã:

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Outra witbier artesanal muito bem feita:

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Harmonização e características da pinot noir

Conforme falamos no post anterior, o coq au vin combina perfeitamente com vinhos da Borgonha, principalmente os feitos com a uva pinot noir. Essa que é considerada uma das uvas mais difíceis de serem cultivadas por exigir terroirs muito específicos. É dela que se obtém vinhos lendários como o romanée-conti que são vendidos no Brasil com valores absurdos de até R$40 mil reais:

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A pinot noir é talvez a uva mais adorada pelos grandes apreciadores de vinhos. É dito que, através dela produz-se vinhos muito delicados e saborosos. Ficou muito famosa no mundo e, principalmente nos EUA, depois do filme Sideways.

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São vinhos que possuem baixo nível de taninos, uma acidez moderada e aromas muito frutados de cereja, amora, framboesa, especiarias, ervas e flores. Com a idade ressalta toques animais, couro e cogumelos secos. Mas é difícil definir um gosto típico de Pinot Noir, justamente por depender muito do terroir do qual foi extraída, e do seu processo de vinificação.

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Fonte: https://www.winefolly.com

Por esses motivos, houve uma decisão de harmonizar nosso coq au vin com diversos tipos de pinot noir. O primeiro e o segundo da lista foram degustados num evento anterior com o mesmo prato. Segue-se um pinot noir maravilhoso chileno da bodega ventisquero já citada algumas vezes no blog:

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E um pinot noir argentino maravilhoso: Partidge Reserva Pinot Noir 2013

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Degustados lado a lado todos os dois harmonizaram com o prato porém pode-se perceber a diferença de um pro outro: o chileno bastante aromático e com presença de madeira, porém com uma acidez um pouco acima da média. Já o argentino bem mais redondo e equilibrado em nada se destacando (chileno da esquerda e argentino da direita).

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Vinhos de escolha

O desafio era degustar vários tipos de pinot noir e dizer qual país produz o melhor deles. Para esse desafio tivemos alguns vinhos de peso. O primeiro deles foi um chileno ganhador de vários prêmios, detentor de 91 pontos pelo Wine Spectator (James Suckling): Arboleda Pinot Noir 2014.

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O segundo é um clássico da Califórnia cujo nome dispensa comentários: Robert Mondavi Private Selection Pinot Noir 2014. Caso alguém não tenha visto o post sobre os vinhos californianos pode clicar aqui.

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E temos também dois representantes clássicos da região lendária da Borgonha (o berço da Pinot Noir e dita pelos especialistas possuir os melhores vinhos). Masson Dubois Bougorne 2011 e Louis Latour 2013.

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Início das degustações

Após o tempo previsto o coq au vin ficou pronto:

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Como acompanhamento fica perfeito uma baguete de parmesão.

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Quando colocamos os três um do lado do outro fica fácil ver algumas características: o chileno é o mais aromático porém o mais ácido de todos. O americano é o mais redondo e agradável com um retrogosto agradável e macio enquanto que o francês é um bom vinho mas sem personalidade e com retrogosto seco e levemente desagradável. Nada se destaca nele, mas de acordo com os presentes foi o que melhor harmonizou com o prato. Nesse duelo não houve vencedores pois todos eram muito bons.

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Além desses pinot noir tivemos alguns outros muito bons:

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Esse é um Francês feito com um assemblage de uvas:

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Um primitivo italiano que foi uma das estrelas da festa: La Marchesana Primitivo di Puglia 2015.

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Mais uma vez um vinho da bodega ventisquero: Carmenère 2015

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E um vinho português do Douro que impressionou por sua qualidade por ser um vinho de R$30 reais. Ele é um dos exemplos de que um vinho não precisa ser caro para ser bom!

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Dessert

Como sempre na confraria sempre temos uma surpresa que nos aguarda e hoje foi a vez da maravilhosa torta mais do que genuinamente francesa feita pela minha tia Sônia: Tarte Tatin.

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Essa torta é muito conhecida na França e tem uma história bem legal. Reza a lenda que a Tarte Tatin teria nascido de um erro culinário, ocasionado por um momento de desatenção da cozinheira. Quando Jean Tatin faleceu no final do século XIX, suas filhas Stéphanie e Caroline herdaram o hotel e restaurante Tatin, situado na pacata cidade de Lamotte-Beuvron, no Loir-et-Cher (centro da França). Caroline era conhecida por ser uma excelente administradora. Já Stéphanie, era uma cozinheira muito talentosa. As duas formavam uma ótima equipe e, mesmo após o falecimento do pai, elas continuaram gerindo com brio o estabelecimento familiar. Uma das especialidades de Stéphanie era a torta de maçãs, que ela servia morna, caramelizada e bem macia. Os clientes vinham de longe para apreciar a famosa iguaria. No entanto, Stéphanie também era conhecida pelo seu jeito meio distraído e tagarela. Assim, num dia de muito movimento, ela ficou conversando demais com os clientes até que se deu conta de que a sobremesa não estava pronta. Então, ela correu para preparar a famosa torta, pôs ela no forno e só depois é que reparou que tinha esquecido de colocar a massa no fundo da forma. Vendo que as maçãs estavam caramelizadas, ela teve a idéia de pôr a massa por cima e de virar a torta quando ela saísse do forno. Quanto aos clientes, eles simplesmente adoraram a nova receita!

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Como acompanhamento para essa receita temos dois licores genuinamente franceses e difíceis de encontrar fora da França. O primeiro deles é o Chartreuse, um licor de pêra:

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O segundo é o liqueur de génépi de savoie feito com uma florzinha que cresce nos alpes franceses:

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Conclusão

Foi um prazer muito grande receber todos na minha humilde residência e partilhar de momentos tão indeléveis! Recomendo cada um dos vinhos desse post. Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

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